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11 fevereiro, 2026
Marinha e Taurus firmam parceria estratégica para desenvolvimento de armamento nacional
10 fevereiro, 2026
O país que esqueceu de quem o defende e o socorre quando o Estado falha
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 10/02/2026
Em países como os Estados Unidos, a carreira militar continua cercada de respeito explícito. Civis cumprimentam soldados com um simples e poderoso “thank you for your service”. Não é folclore, é cultura. A farda representa sacrifício, compromisso nacional e continuidade histórica. Famílias se orgulham de ter militares entre seus membros, e muitos filhos seguem essa trajetória como herança moral transmitida entre gerações.
No Brasil, esse elo simbólico foi se rompendo silenciosamente, não se sabe se de forma natural ou deliberadamente construída ao longo do tempo. Os números mostram queda consistente nas inscrições para as academias militares e aumento da evasão, inclusive entre oficiais experientes. Isso não ocorre por acaso. É reflexo de um esvaziamento cívico mais amplo, que começa muito antes da porta dos quartéis.
Durante décadas, o civismo era cultivado desde cedo. Colégios ensinavam o valor dos símbolos nacionais. Bandas marciais, simples e acessíveis, despertavam disciplina, pertencimento e orgulho. Desfiles cívicos mobilizavam cidades inteiras. Cantar o Hino Nacional era um gesto natural. Esses elementos não formavam militares, formavam cidadãos conscientes do Estado, da Nação e de suas responsabilidades coletivas.
Hoje, esse repertório praticamente desapareceu. O mundo mudou, é verdade. A hiperconectividade ampliou opções e comparações imediatas. Disciplina, hierarquia e sacrifício passaram a competir com promessas de conforto, autonomia e retorno financeiro rápido. Mas isso não explica tudo.
Nos Estados Unidos, o mesmo mundo digital existe. A diferença está na mensagem transmitida. Lá, defesa não é gasto, é pilar da nação, sustentado por instituições fortes. O militar é visto como alguém disposto a assumir encargos que a maioria não assume. Aqui, muitas vezes, ele se torna invisível ou hostilizado. Em certos ambientes, vestir a farda pode até ser arriscado, em outros, simplesmente menosprezado.
Internamente, o problema se agrava com a perda da convivência militar intensa. Celulares, redes sociais e a redução de espaços de socialização enfraquecem o espírito de corpo, cimento invisível da carreira das armas. As academias não perderam sua essência, foi a sociedade que deixou de reforçá-la.
A busca por uma vida mais confortável não é falta de patriotismo. É consequência de um país que não reconhece nem recompensa, material e simbolicamente, quem escolhe servir. Também não é ausência de ameaças. A história mostra que as nações só percebem o valor da defesa quando já é tarde.
Reverter esse quadro exige mais do que ajustes salariais. Exige educação básica, reinternalizar o civismo, recuperar símbolos, rituais e referências. Como sempre lembra meu pai: “é preciso manter a liturgia do cargo”. Defesa exige pessoas vocacionadas, bem preparadas, bem remuneradas e tratadas como ativos que sintam orgulho de envergar suas fardas.
Prestígio não se decreta. Ele se constrói.
*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.
Cascavel Nova Geração dispara pela primeira vez com computador balístico integrado
Exército Brasileiro avança em etapa decisiva do maior programa de modernização de blindados de reconhecimento nacional, com testes de tiro real no CAEx
*LRCA Defense Consulting - 10/02/2026
O Exército Brasileiro deu um passo concreto e simbólico na semana de 2 a 6 de fevereiro de 2026: pela primeira vez, a Viatura Blindada de Reconhecimento Cascavel Nova Geração (VBR Cascavel NG) executou tiros reais com o cálculo balístico realizado integralmente pelo computador de tiro integrado ao novo Sistema de Municiamento e Engajamento Modernizado (SMEM). A atividade, conduzida no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), em Guaratiba, no Rio de Janeiro, marca uma inflexão no desenvolvimento do sistema de armas e consolida o projeto como uma das mais ambiciosas iniciativas da Base Industrial de Defesa brasileira.
Os testes e o que foi verificado
A semana de avaliações reuniu militares de três diferentes órgãos do
Exército: a Diretoria de Fabricação (DF), o Escritório de Projetos do Exército
(EPEx) e o Centro de Instruções de Blindados (CI Bld), além de representantes
do Consórcio Força Terrestre, formado pelas empresas Akaer (líder), Opto Space
& Defense e Universal.
As atividades centraram-se em dois eixos técnicos. O primeiro foi a instrução sobre o processo de colimação da viatura, procedimento essencial para o alinhamento preciso do armamento principal com os sistemas ópticos e eletrônicos da torre modernizada. O segundo, de maior impacto operacional, foi a realização de testes de engenharia do computador balístico, com execução de disparos reais do canhão de 90 mm a distâncias predefinidas.
Trata-se da primeira validação em condições reais do sistema de tiro automatizado. Os militares do CI Bld não apenas acionaram os disparos: também exercitaram a motricidade necessária para operar a nova torre por meio de joystick e interfacearam com o computador de tiro, responsável por calcular automaticamente os parâmetros que afetam a trajetória dos projéteis, como velocidade inicial da munição, temperatura, vento e desgaste do cano.
Os resultados foram considerados positivos pela Diretoria de Fabricação. O comunicado oficial destacou "robustez dos sistemas optrônicos integrados à viatura" e "um estágio de maturidade relevante do processamento dos parâmetros que afetam a precisão do armamento principal". Os dados coletados servirão de base para o aprimoramento contínuo do sistema de tiro ainda em desenvolvimento.
Por que a inclusão dos usuários finais é estratégica
Um dos aspectos mais relevantes da semana de avaliações foi a natureza
participativa da metodologia adotada. A presença do CI Bld, unidade
responsável pela formação dos tripulantes de blindados do Exército, não foi
meramente protocolar. Ao integrar o usuário final ao processo de
desenvolvimento desde fases intermediárias do projeto, o Exército busca evitar
o retrabalho que historicamente onera programas militares complexos.
A estratégia responde a uma lição clássica da engenharia de defesa: sistemas desenvolvidos sem retroalimentação contínua dos operadores tendem a acumular requisitos não atendidos, descobertos apenas na fase de entrega, quando as correções são mais caras e demoradas. As sessões de discussão técnica e operacional realizadas durante a semana, com trocas entre militares da DF, do CAEx e representantes do Consórcio, visam exatamente fechar esse ciclo de informação em tempo hábil.
Um blindado de 50 anos reescrito de dentro para fora
O EE-9 Cascavel foi desenvolvido pela extinta empresa brasileira Engesa na
década de 1970 e entrou em serviço no Exército Brasileiro ao longo dos anos
1980. Projetado como veículo de reconhecimento sobre rodas, com configuração
6x6 e armado com canhão de 90 mm, tornou-se um dos blindados mais exportados da
América do Sul, chegando a países como Iraque, Chipre, Paraguai e vários países
africanos. O Brasil ainda mantém cerca de 409 unidades em carga, embora a
maioria esteja em configuração original ou com modernizações parciais.
O projeto Cascavel NG não é uma simples atualização de componentes. Trata-se de uma reescrita quase completa dos sistemas embarcados, transformando o que era uma plataforma analógica e mecânica em um veículo digital e modular. Entre as principais intervenções estão: substituição do motor por unidade de maior potência e eficiência; instalação de câmbio automático de seis marchas; sistema adaptativo de suspensão e controle eletrônico de pressão dos pneus; torre automatizada com mecanismo de giro e elevação do canhão acionado por joystick; substituição das miras ópticas convencionais por um conjunto optrônico de última geração, com câmeras termais, visão noturna e plataforma giroestabilizada para o comandante; computador de tiro balístico automatizado; sistema de Comando e Controle (C2) integrado, compatível com outras viaturas do Exército; e instalação de ar-condicionado para a tripulação.
A viatura também foi projetada para receber um sistema lançador de mísseis anticarro (ATGM) na torre, com o míssil MAX 1.2 AC, desenvolvido pela empresa nacional SIATT, sendo avaliado como candidato natural para essa integração.
Cronograma e dimensão do programa
O contrato para a primeira fase do projeto foi assinado em julho de 2022,
com o Consórcio Força Terrestre, liderado pela Akaer em parceria com a Opto
Space & Defense e a Universal, vencendo a licitação conduzida pela
Diretoria de Fabricação. Essa etapa prevê o desenvolvimento de dois protótipos
e um lote piloto de sete viaturas.
O primeiro protótipo foi apresentado ao Estado-Maior do Exército na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em novembro de 2023. Em setembro de 2024, dois protótipos foram submetidos a testes no próprio CAEx, com provas de desempenho em terrenos acidentados, simulações de combate e travessias de cursos d'água. Ainda em setembro de 2025, um grupo de 30 militares recebeu capacitação especializada no Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP).
A conclusão da entrega do lote piloto de sete unidades está prevista para o primeiro semestre de 2026. O programa mais amplo contempla a modernização de 98 a 201 viaturas, com entregas escalonadas entre 2026 e 2037, a um custo contratado de R$ 1,2 bilhão. O critério de viabilidade para a extensão do programa estabelece que o custo unitário do Cascavel NG não deve ultrapassar 30% do valor de aquisição de uma Viatura de Blindada de Cavalaria Centauro II — o principal veículo 8x8 previsto para as unidades de cavalaria mecanizada.
Indústria nacional e soberania tecnológica
O projeto Cascavel NG é frequentemente citado pelos seus gestores como um
vetor de fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira. A Akaer,
empresa com mais de 33 anos de atuação e participação em programas como o caça
Gripen E (Saab) e o cargueiro KC-390 (Embraer), posiciona o projeto como
demonstração da capacidade nacional de entregar sistemas de defesa completos,
digitais e autossustentáveis.
"O Cascavel NG é mais do que um projeto de modernização. Ele simboliza o avanço da engenharia de defesa nacional e a capacidade que o Brasil tem de desenvolver tecnologia de ponta", afirmou Cesar Silva, CEO da Akaer, em comunicado divulgado pela empresa.
Para o Exército Brasileiro, o programa tem valor estratégico duplo: no curto prazo, mantém operacionais viaturas cuja substituição integral seria financeiramente inviável; no longo prazo, desenvolve competências nacionais em sistemas optrônicos, computação de tiro e integração digital que poderão ser aplicadas em programas futuros.
Próximos passos
Com os dados de engenharia obtidos nos tiros de fevereiro, o Consórcio
Força Terrestre deverá implementar ajustes no software do computador balístico
e nos parâmetros de integração do SMEM. A sequência natural do programa prevê
novos ciclos de testes, com ampliação das condições e distâncias avaliadas,
antes da certificação final do sistema para entrega às unidades operacionais.
A entrega do lote piloto completo, com as sete viaturas, ao longo do primeiro semestre de 2026 marcará o início efetivo da fase de qualificação operacional do Cascavel NG junto às unidades de cavalaria do Exército. A partir daí, a decisão sobre a extensão do programa de modernização para as demais dezenas de viaturas dependerá tanto da avaliação técnica quanto da disponibilidade orçamentária da Força Terrestre nos próximos anos.
Singapura atrasa modernização e aposta em C-130H usados: uma janela de oportunidade para o C-390 da Embraer
Força Aérea de Singapura opta por aeronaves de segunda mão em vez de renovação completa da frota, colocando o cargueiro brasileiro como forte candidato a substituir o lendário Hercules
*LRCA Defense Consulting - 10/02/2026
A decisão da República de Singapura de adquirir C-130H usados para substituir seus quatro C-130B mais antigos representa uma mudança estratégica significativa que pode abrir portas para o C-390 Millennium da Embraer, ao mesmo tempo em que sinaliza tempos difíceis para o C-130J Super Hercules da Lockheed Martin, segundo reportagem de Chen Chuanren para aAviation Week.
Desde 1977, a Força Aérea da República de Singapura (RSAF) opera nove aeronaves C-130 — quatro C-130B e cinco C-130H —, fazendo do Hercules uma das plataformas mais longevas do inventário militar do país. "O Hercules se recusa a morrer", observou certa vez um comandante sênior da RSAF, conforme relatado por Chuanren.
A substituição desse veterano cargueiro há muito tempo figura entre as principais prioridades de modernização observadas por especialistas. No entanto, em fevereiro, o comandante da RSAF, Major-General Kelvin Fan, delineou um caminho inesperado: em vez de comprometer-se com uma renovação completa da frota, o serviço aéreo adquirirá C-130H de segunda mão. As entregas já começaram, marcando a primeira vez desde os anos 1990 que a RSAF recorre a aeronaves usadas — uma mudança notável para uma força cujas plataformas de "terceira geração" foram quase exclusivamente adquiridas novas.
Uma estratégia que favorece novos competidores
Em vez de uma recapitalização direta e simples com o comprovado C-130J
Super Hercules, a RSAF optou por uma abordagem faseada e de gestão de risco:
aposentar primeiro os modelos B, estender a vida útil da frota H e adiar uma
decisão sobre a substituição completa. Do ponto de vista orçamentário e de
continuidade operacional, a lógica é clara. Mas a medida também sinaliza que o
Super Hercules pode não ser mais o sucessor padrão, analisa o jornalista da
Aviation Week.
Em entrevista por escrito à Aviation Week durante o Singapore Airshow, Fan afirmou que o C-130 "permanece a melhor plataforma" para atender às necessidades operacionais da RSAF pelos próximos 15 a 20 anos. Manter as opções em aberto parece ser central para a estratégia. Além do C-130J, a RSAF aparentemente está estudando o A400M da Airbus e, significativamente, o C-390 Millennium da Embraer — ambos oferecendo avanços significativos em capacidade de carga, velocidade e alcance que podem ser cruciais para as crescentes demandas operacionais de Singapura.
O C-390 ganha força na região
O C-390 Millennium da Embraer surge como um candidato particularmente
atraente neste cenário. A aeronave brasileira está ganhando impulso
considerável na Europa e, especialmente, na Ásia-Pacífico, onde a Coreia do Sul
já se tornou operadora do modelo. Com velocidade de cruzeiro superior, maior
capacidade de carga e custos operacionais mais baixos que o C-130J, o C-390
representa uma proposta de valor competitiva.
Mais importante ainda, Singapura já possui uma infraestrutura favorável ao C-390. Um memorando de entendimento existente entre a Embraer e a ST Engineering — gigante de defesa e aeroespacial de Singapura — para apoiar a manutenção local do cargueiro brasileiro reduz significativamente os riscos de adoção e garante suporte técnico robusto na região.
Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defense & Security, demonstrou entusiasmo com a decisão da RSAF sobre o Hercules, afirmando que isso dá tempo valioso à força aérea para avaliar adequadamente as plataformas futuras. Da Costa revelou à Aviation Week que a Embraer está trabalhando ativamente com a ST Engineering para conhecer melhor os requisitos específicos da RSAF — um indicativo claro de que o fabricante brasileiro está levando a sério a possibilidade de uma venda para Singapura.
Vantagens estratégicas do modelo brasileiro
Embora o C-390 seja um programa relativamente jovem com histórico
operacional mais limitado que seus concorrentes, suas características técnicas
podem ser exatamente o que Singapura precisa para enfrentar seus desafios
futuros. A aeronave oferece:
- Velocidade
superior: o C-390 é significativamente mais rápido que o C-130J,
crucial para missões que se estendem até o Oriente Médio.
- Maior
capacidade: com capacidade de carga superior, atende melhor à
crescente mecanização do Exército de Singapura e ao transporte de sistemas
pesados como lançadores Himars.
- Tecnologia
moderna: aviônica de última geração e sistemas digitais integrados.
- Custos operacionais: menores custos por hora de voo em comparação com concorrentes.
O A400M da Airbus, embora também seja um competidor, ainda carrega o peso de seus problemas iniciais de confiabilidade e custos elevados. Zakir Hamid, chefe da Airbus Defense and Space para a Ásia-Pacífico, destaca que o A400M teria capacidade de reabastecer helicópteros e interoperar com plataformas vizinhas na Indonésia e Malásia, mas os desafios passados do programa podem pesar contra ele.
Demandas operacionais favorecem mudança de plataforma
O que torna o C-390 ainda mais atraente, segundo Chen Chuanren, é a rapidez
com que o perfil operacional das Forças Armadas de Singapura está se
expandindo. Os C-130 da RSAF não estão mais confinados ao transporte regional:
missões humanitárias já alcançaram o Oriente Médio, enquanto a crescente
mecanização do Exército aumentou a demanda pelo movimento rápido de sistemas
pesados. A presença no exterior — particularmente na Austrália e Tailândia —
também exige transporte aéreo frequente de helicópteros e veículos.
À medida que Singapura implanta capacitadores de longo alcance como o A330 MRTT, a lacuna entre alcance estratégico e transporte tático está se tornando mais aparente — uma lacuna que o C-390, com sua combinação de velocidade, alcance e capacidade, pode preencher de forma mais eficaz que o tradicional C-130.
A Lockheed Martin perde terreno
Enquanto a Embraer se movimenta proativamente, a fabricante norte-americana
Lockheed Martin permanece otimista, mas talvez excessivamente confiante, sobre
a venda do Super Hercules à RSAF. A empresa está comprometida em apoiar os
modelos H durante toda a sua vida útil.
"Eles tinham uma opção e decidiram ficar com o que é conhecido e comprovado", disse Chris Cohn, diretor de mobilidade aérea internacional da Lockheed, à Aviation Week. "Do meu ponto de vista, é uma boa decisão com base no que eles tinham para escolher na época. E eu sei que estamos prontos para vender-lhes o J quando estiverem prontos."
No entanto, essa confiança pode ser equivocada. A decisão de Singapura de adiar a compra e manter opções em aberto sugere exatamente o oposto: que a RSAF não está convencida de que o Super Hercules — essencialmente uma evolução de um projeto dos anos 1950 — é a resposta para os desafios do século XXI.
Uma decisão estratégica que pode mudar o mercado
Nesse sentido, conclui Chuanren em sua análise, a medida provisória com o
modelo H pode ser menos sobre estender a vida de um velho cavalo de batalha e
mais sobre criar tempo para avaliar alternativas mais modernas. A RSAF está
sinalizando claramente que não está convencida de que o Super Hercules é a
resposta inevitável — e para a Lockheed Martin, essa hesitação por si só pode
ser o sinal de alerta mais claro.
Para a Embraer, por outro lado, essa hesitação representa uma oportunidade de ouro. Uma venda para Singapura — uma das forças aéreas mais sofisticadas e respeitadas da Ásia — seria um divisor de águas para o C-390, validando a aeronave brasileira como alternativa legítima aos gigantes estabelecidos e potencialmente abrindo portas para outros mercados asiáticos.
A decisão de apostar nos C-130H legados pode ganhar tempo para Singapura, mas também adia uma questão mais difícil: se um cargueiro tático tradicional para a RSAF ainda será suficiente nos anos 2030 em diante. As evidências crescentes sugerem que a resposta é não — e que o C-390 Millennium pode ser exatamente a solução moderna que Singapura está buscando.





