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28 maio, 2026

Suécia autoriza compra de Gripen E/F pela Ucrânia e promete doar 16 caças C/D

Acordo prevê aquisição inicial de até 20 aeronaves com recursos de empréstimo europeu; Saab já estuda escalonamento da produção para atender demanda ucraniana  


*LRCA Defense Consulting - 28/05/2026

A Suécia anunciou nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, que habilitará a Ucrânia a adquirir até vinte caças JAS 39 Gripen E/F numa primeira etapa, com Kiev destinando 2,5 bilhões de euros provenientes do Empréstimo de Apoio da União Europeia para financiar a compra. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson durante visita à Ala Aérea de Uppland, próxima a Uppsala, e representa o mais expressivo compromisso de transferência de aviação de combate ocidental à Ucrânia desde o início da guerra.

Atrelada ao avanço da compra, Estocolmo também manifestou a intenção de doar dezesseis Gripen C/D como assistência bilateral assim que a aquisição dos novos modelos for confirmada. Os aparelhos da versão C/D já estão fabricados e em serviço na Força Aérea sueca, o que permite prazos de entrega mais curtos do que os das aeronaves da linha E/F, ainda em produção.

Contexto: da carta de intenções ao contrato
O caminho para o acordo foi aberto em 22 de outubro de 2025, quando o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o premier Kristersson assinaram, na cidade de Linköping (sede da Saab), uma Carta de Intenções sobre cooperação em capacidades aéreas. Na ocasião, Zelensky afirmou que Kiev aguardava pelo menos cem aeronaves do tipo, enquanto Kristersson descreveu o documento como "o início de uma longa jornada de dez a quinze anos".

Em novembro de 2025, o ministro da Defesa ucraniano, Denys Shmyhal, visitou a sede da Saab para discutir detalhes técnicos e etapas de entrega. No mesmo mês, um memorando entre empresa ucraniana e a fabricante sueca lançou as bases para a eventual produção local dos caças na Ucrânia a partir de 2033. Em maio de 2026, o CEO da Saab, Micael Johansson, afirmou esperar a assinatura de um contrato de fornecimento em questão de meses, condicionando o avanço aos acordos políticos entre os dois governos.

O Gripen E/F: capacidades técnicas
O JAS 39 Gripen E é a versão mais avançada da família Gripen, equipado com radar de varredura eletrônica ativa (AESA) Raven ES-05, motor General Electric F414G (25% mais potente do que o RM12 das variantes anteriores) e sistema integrado de guerra eletrônica. O raio de combate foi ampliado para cerca de 1.500 km, 40% superior ao das versões C/D, enquanto a aeronave conta com dez pontos de fixação para armamentos, incluindo mísseis ar-ar de longo alcance como o Meteor. A versão F é a variante biplaza do mesmo modelo.

Uma característica estrategicamente relevante para o contexto ucraniano é a capacidade de operar em pistas curtas e não convencionais, de até 800 metros, permitindo decolagens e pousos em aeródromos improvisados ou com infraestrutura danificada. Esse requisito foi historicamente incorporado ao projeto para refletir as doutrinas de defesa territoriais dos países nórdicos.

A Saab consegue fabricar entre 20 e 30 aeronaves por ano, capacidade considerada insuficiente para atender à demanda ucraniana, que seria de 100 a 150 exemplares no curto prazo. Além da Ucrânia, a empresa já tem contratos ativos com o Brasil (36 Gripen E/F), a Colômbia (17 Gripen E/F) e a Tailândia (4 Gripen E/F na série Peace Burapha 1), além dos 60 exemplares encomendados pela própria Força Aérea sueca.

Imagem meramente ilustrativa

Pacote de apoio militar mais amplo
O governo sueco apresentou simultaneamente o maior pacote de apoio militar a Kiev até a data do anúncio. Além de viabilizar a doação dos Gripen C/D, o pacote inclui capacidades de longo alcance, munição, equipamentos de guerra eletrônica e apoio à inovação em defesa. O total acumulado de suporte militar sueco à Ucrânia desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022 ultrapassa 103 bilhões de coroas suecas, e o governo propôs um arcabouço de 80 bilhões de coroas para os anos de 2026 e 2027.

Frota ocidental ucraniana em expansão
Os Gripen serão integrados a uma frota de aviões ocidentais que a Ucrânia vem montando desde meados de 2024. O país já opera F-16s de fornecimento norte-americano e holandês, além de Mirage 2000 da França. Apesar dos reforços, as autoridades ucranianas reiteraram que a capacidade aérea atual ainda é insuficiente para deter os ataques diários de drones e mísseis russos sobre cidades e infraestruturas críticas.

A perspectiva de pilotos ucranianos com o Gripen é entusiasmada. O piloto Vadym Voroshylov, com o codinome Karaya, descreveu o JAS 39 como "o único caça pelo qual abriria mão de tudo" e como "opção ideal" para as necessidades do país. Programas de treinamento de pilotos e técnicos ucranianos em solo sueco foram discutidos em dezembro de 2025.

Próximas etapas
A formalização do contrato de compra dos Gripen E/F depende da confirmação política entre os dois governos, condição apontada pelo CEO da Saab como o principal fator determinante do calendário. Uma vez firmado o acordo, a empresa afirmou estar pronta para iniciar os trabalhos imediatamente. A entrega dos primeiros Gripen C/D doados pode ocorrer em prazo mais breve, dado que se trata de aeronaves já em operação.

O pacote anunciado hoje representa o estágio mais concreto da parceria aérea sueco-ucraniana, que começou como uma carta de intenções há pouco mais de sete meses e avança agora para compromissos financeiros e prazos de entrega.

Quadro de dados

Item

Detalhe

Aeronaves doadas

16 JAS 39 Gripen C/D

Aeronaves a adquirir (1ª etapa)

Até 20 JAS 39 Gripen E/F

Valor alocado pela Ucrânia

2,5 bilhões de euros (Empréstimo de Apoio da UE)

Perspectiva de longo prazo

100 a 150 Gripen E/F

Produção local na Ucrânia

Prevista a partir de 2033

Capacidade de produção da Saab

20 a 30 aeronaves por ano

Motor (Gripen E)

General Electric F414G (+25% de empuxo)

Radar

AESA Raven ES-05 (Gripen E)

Raio de combate (Gripen E)

Cerca de 1.500 km

 

27 maio, 2026

Finep e MCTI lançam edital de R$ 500 milhões para fortalecer pesquisa e desenvolvimento da defesa nacional

Carta Convite destina recursos não reembolsáveis do FNDCT a institutos militares de pesquisa, com foco em mísseis, veículos não tripulados, inteligência artificial, tecnologia nuclear e sistemas espaciais


 

*LRCA Defense Consulting - 27/05/2026

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicaram, na terça-feira 26 de maio, a Carta Convite MCTI/Finep/FNDCT - Promoção da Autonomia Tecnológica na Área da Defesa. O edital disponibiliza até R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiar a modernização da infraestrutura das Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação vinculadas ao Ministério da Defesa (ICTMDs). O anúncio representa o maior aporte público unitário já destinado exclusivamente à Base Industrial de Defesa (BID) em projetos de pesquisa e desenvolvimento com capital a fundo perdido.

Um passo estratégico para a Base Industrial de Defesa
A iniciativa integra o esforço mais amplo de reindustrialização conduzido pelo MCTI no âmbito da Nova Indústria Brasil. Para o setor de defesa, a relevância é imediata: ao financiar diretamente as ICTMDs - entre elas institutos como o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) -, o edital cria condições para que tecnologias até então dependentes de transferência estrangeira possam ser desenvolvidas e qualificadas em solo brasileiro.

A exigência de cooperação entre as ICTMDs e empresas privadas da BID é um dos elementos mais significativos do edital. Cada instituto aprovado deve obrigatoriamente articular seu projeto com a cadeia industrial, fomentando a transferência de tecnologia e a nacionalização de componentes, processos e softwares. Essa lógica de parceria pública-privada aproxima o modelo brasileiro do que países como França, Coreia do Sul e Israel adotaram para consolidar suas indústrias de defesa.

Cinco linhas temáticas de alto valor estratégico
O edital estrutura o investimento em cinco linhas temáticas. A primeira abrange sistemas de guiamento, controle e navegação aplicados a mísseis, foguetes e veículos não tripulados terrestres, aéreos e navais, área crítica diante da crescente difusão de drones de combate nos conflitos contemporâneos e do interesse das Forças Armadas brasileiras em sistemas autônomos. A segunda linha trata de sensoriamento remoto, consciência situacional e comando e controle com aplicações militares, capacidade essencial para a vigilância das fronteiras terrestres e marítimas do país.

A terceira linha engloba inteligência artificial, segurança cibernética, tecnologias quânticas, robótica e visão computacional, áreas que definem a próxima fronteira da superioridade militar. A quarta é dedicada a tecnologias nucleares e de energia para a defesa, segmento no qual o Brasil já acumula expertise relevante por meio do Programa Nuclear da Marinha. Por fim, a quinta linha contempla foguetes, veículos lançadores de satélites, propulsão hipersônica, materiais avançados e manufatura aditiva, diretamente alinhada ao Programa Espacial Brasileiro e à ambição de dotar o país de capacidade de lançamento orbital soberana.

Critérios de participação e distribuição regional
Cada ICT executora principal poderá submeter um projeto por linha temática, com aporte mínimo de R$ 25 milhões por proposta aprovada. O edital reserva ao menos 30% dos recursos para projetos localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, desde que haja propostas qualificadas, mecanismo que visa descentralizar a capacidade científica e tecnológica de defesa, historicamente concentrada no eixo Sul-Sudeste.

As submissões podem ser feitas a partir de 29 de maio de 2026, com prazo final em 18 de setembro. O resultado da etapa de habilitação será divulgado em 30 de outubro de 2026. Os detalhes do edital estão disponíveis no portal da Finep, por meio da chamada pública de número 943682.

Contexto: avanço gradual do financiamento à defesa
O lançamento deste edital ocorre poucas semanas após o MCTI e a Finep terem publicado, em fevereiro de 2026, um chamamento de R$ 300 milhões de subvenção econômica para empresas da BID no âmbito do programa Mais Inovação Brasil. Juntos, os dois editais somam R$ 800 milhões em recursos públicos não reembolsáveis comprometidos com a defesa em menos de quatro meses, sinal de aceleração na agenda de modernização da indústria.

Analistas do setor reconhecem o avanço, mas ponderam que os valores ainda são modestos diante da escala dos programas estruturantes em andamento, do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (PROSUB) ao Projeto Guarani do Exército, passando pelo programa de caças Gripen da FAB. O debate sobre o volume ideal de investimento em P&D de defesa como percentual do Produto Interno Bruto permanece em aberto, mas a tendência de crescimento dos aportes é inequívoca.

Resumo do edital

Edital MCTI/Finep/FNDCT — Autonomia Tecnológica na Defesa

Valor total

Até R$ 500 milhões (recursos não reembolsáveis do FNDCT)

Valor mínimo por proposta

R$ 25 milhões por instituição

Beneficiários

Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Defesa (ICTMDs)

Início das submissões

29 de maio de 2026

Prazo final de envio

18 de setembro de 2026

Resultado da habilitação

30 de outubro de 2026

Cota regional

Mínimo de 30% para regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Fonte

Finep / FNDCT — Carta Convite lançada em 26/05/2026

 

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