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11 abril, 2026

Em momento de crescimento, Embraer anuncia novo CFO após saída de executivo para a Azul; sucessão é feita com talento interno

 


*LRCA Defense Consulting - 11/04/2026

Em meio a uma movimentação significativa no setor aeronáutico brasileiro, a Embraer encerrou hoje, com a publicação de um fato relevante, um processo de transição em sua liderança financeira que vinha se desenhando há poucos dias. O Conselho de Administração da fabricante elegeu Felipe Santana Santiago de Lima como novo Vice-Presidente Executivo de Finanças e Relações com Investidores, o CFO da companhia, com posse prevista para 13 de abril de 2026.

A nomeação encerra um breve interregno que se abriu na última segunda-feira (6), quando o então CFO Antonio Carlos Garcia pediu demissão após mais de seis anos no cargo para assumir a mesma função na companhia aérea Azul. Garcia renunciou para assumir a posição de CFO da Azul, substituindo Alexandre Wagner Malfitani, um dos fundadores da aérea. Após a saída, o Conselho da Embraer elegeu o próprio presidente-executivo, Francisco Gomes Neto, para acumular interinamente a vice-presidência Financeira, com o objetivo de assegurar uma transição ordenada e a continuidade dos negócios.

Um CFO formado dentro de casa
O interinato durou menos de uma semana. O Conselho de Administração elegeu Felipe Santana Santiago de Lima como Vice-Presidente Executivo de Finanças e Relações com Investidores, com vigência a partir de 13 de abril de 2026. Atualmente Diretor Global de Tesouraria da Embraer, Felipe Santana acumula 18 anos de experiência na companhia, tendo ocupado funções de liderança em áreas estratégicas como operações financeiras, tesouraria, seguros, financiamento a clientes e serviços compartilhados.

Ao longo dessa trajetória, o executivo construiu expertise em finanças corporativas, mercado de capitais, gestão de passivos e relacionamento com investidores e instituições financeiras, áreas centrais para uma empresa de capital aberto listada tanto na B3 (EMBJ3) quanto na NYSE (EMBJ). Em 2022, seu reconhecimento no setor foi chancelado quando foi eleito um dos "20 Líderes de Finanças para Acompanhar" pelo Anuário Finance Career Perspective, publicação das instituições Insper e Assetz.

A formação acadêmica de Felipe Santana reflete uma combinação de base sólida e aperfeiçoamento contínuo: graduado em Relações Internacionais pela FECAP, certificado como CFM pelo Insper, e com passagens por programas executivos da Fundação Dom Cabral, Harvard University e Fundação Getulio Vargas.

Mensagem do CEO: valorização do talento interno
Ao anunciar a nomeação, o presidente e CEO Francisco Gomes Neto destacou o caráter estratégico da escolha. "Felipe Santana é um líder muito respeitado dentro da Embraer e foi desenvolvido para funções de liderança sênior", afirmou. "Sua nomeação reforça nossa confiança na estratégia da empresa e nosso foco no crescimento sustentável."

O executivo ressaltou ainda que a decisão reflete um compromisso com a valorização de talentos internos e com uma sucessão planejada. "Essa nomeação reflete nosso compromisso com as pessoas, com a valorização dos talentos internos e com uma sucessão planejada que garante continuidade e solidez à nossa estratégia", declarou em comunicado nas redes sociais.

Contexto: saída do CFO anterior e o destino na Azul
A movimentação se insere em um contexto mais amplo de mudanças no setor aéreo brasileiro. Antonio Carlos Garcia ocupava o cargo de vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Embraer desde janeiro de 2020 e teve papel importante no fortalecimento da disciplina financeira, no relacionamento com investidores e na sustentação dos resultados alinhados ao plano estratégico de longo prazo.

A escolha de Garcia pela Azul não foi considerada casual pelo CEO da aérea, John Rodgerson. O executivo traz consigo uma visão integrada da cadeia aeronáutica, construída ao longo de sua trajetória na Embraer, uma das principais parceiras da Azul.

Do lado da Embraer, o Banco Safra avaliou o episódio como de impacto limitado. Na visão do Safra, a saída de Garcia está associada a uma decisão pessoal de carreira e não a uma mudança de fundamentos operacionais ou financeiros da companhia, com expectativa de impacto reduzido sobre as ações no curto prazo.

Embraer no momento de crescimento
A troca de comando financeiro ocorre em um momento de desempenho operacional robusto da fabricante. A Embraer registrou um salto de 47% nas entregas no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, com 44 aeronaves entregues, sendo 10 da aviação comercial, 29 jatos executivos e cinco aeronaves de defesa e segurança. Analistas de BTG Pactual, Itaú BBA, JP Morgan e XP apontaram o papel como bom ponto de entrada diante do momento positivo da companhia.

Com Felipe Santana assumindo a direção financeira a partir do próximo domingo, a Embraer sinaliza que a continuidade é a palavra de ordem, tanto na estratégia quanto na equipe que a executa.

Inteligência, o verdadeiro campo de decisão na guerra moderna

 


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 11/04/2026

A transformação mais profunda no ambiente de defesa não está nos meios visíveis, mas na forma como a inteligência é produzida, integrada e utilizada. As principais forças armadas do mundo já entenderam que a vantagem estratégica não nasce da informação em si, mas da capacidade de processá-la, correlacioná-la e agir antes do adversário.

Nos Estados Unidos, estruturas ligadas ao U.S. Army Cyber Command operam com inteligência integrada ao ambiente cibernético e ao espectro eletromagnético. A coleta não é mais segmentada. Dados de redes, sinais, sensores e fontes abertas são continuamente cruzados, gerando uma consciência situacional dinâmica. A inteligência deixa de ser um produto final e passa a ser um fluxo permanente, diretamente conectado à operação.

Nesse contexto, a inteligência artificial tem papel central. Ela não substitui o analista, potencializa sua capacidade. Automatiza tarefas repetitivas, identifica padrões complexos e reduz o tempo de análise. O resultado é um ciclo decisório significativamente mais curto. Em termos práticos, menos tempo interpretando, mais tempo decidindo.
O Reino Unido segue linha semelhante ao integrar inteligência com operações cibernéticas e eletromagnéticas em estruturas unificadas. Já no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a inteligência é tratada como elemento central da resiliência estratégica, com forte ênfase em interoperabilidade e compartilhamento seguro de dados entre aliados.

O ponto comum nesses modelos é claro, a inteligência não atua isoladamente. Ela está conectada, em tempo real, à ciberdefesa, à coleta de dados e à tomada de decisão.

No Brasil, há uma base sólida construída ao longo de décadas, com destaque para o Centro de Inteligência do Exército e a integração crescente com estruturas de ciberdefesa. Há doutrina, há capacidade e há experiência operacional.
A reflexão, portanto, não é sobre ausência, mas sobre nível de integração e velocidade.

A guerra contemporânea não dá tempo para processos lineares. Inteligência que chega tarde perde valor. Informação não integrada gera ruído. E análise sem capacidade de resposta rápida torna-se irrelevante.

O que se observa nas forças mais avançadas é uma inteligência que opera como sistema vivo, coleta contínua, análise assistida por tecnologia e conexão direta com o decisor.

No fim, a lógica é simples, e implacável, não vence quem sabe mais.

Vence quem entende primeiro e decide antes. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília. 

 

10 abril, 2026

Porto Alegre dá um passo histórico pelo Tiro Esportivo: Lei 14.521 coloca a modalidade no Sistema Municipal do Desporto

Capital gaúcha oficializa reconhecimento de clubes e atletas da modalidade olímpica; iniciativa é do vereador Coronel Marcelo Ustra


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LRCA Defense Consulting - 10/04/2026

Uma data importante para o calendário do esporte porto-alegrense: em 1º de abril de 2026, o prefeito Sebastião Melo assinou a Lei Municipal nº 14.521, que institui o Programa Municipal de Reconhecimento e Valorização das Entidades de Tiro Esportivo em Porto Alegre, incluindo clubes e associações da modalidade no Sistema Municipal do Desporto. A norma é de autoria do vereador Coronel Marcelo Ustra (PL) e representa uma virada de chave para uma das mais tradicionais modalidades esportivas do país que, paradoxalmente, até então não tinha respaldo formal na política esportiva da capital gaúcha.

Uma lacuna que durava décadas
Apesar de o tiro esportivo ser uma modalidade regulamentada e presente em competições olímpicas, os clubes e atletas da capital não estavam formalmente inseridos nas iniciativas municipais de fomento ao esporte. A ausência de enquadramento legal significava, na prática, que entidades sérias, com décadas de tradição, eram tratadas como invisíveis pelo poder público local, sem acesso a editais, convênios ou programas de incentivo disponíveis para outras modalidades.

Com a nova medida, clubes e entidades da modalidade passam a integrar oficialmente o Sistema Municipal do Desporto, garantindo acesso a políticas públicas, editais, convênios e outros instrumentos de fomento esportivo.

O que a lei prevê
O programa pretende garantir tratamento isonômico às entidades de tiro esportivo em relação às demais modalidades esportivas reconhecidas pelo município; possibilitar o acesso a programas municipais de incentivo e fomento ao esporte; incentivar a formação e a capacitação de atletas para competições; promover ações de divulgação, conscientização e combate a preconceitos contra a modalidade; apoiar a realização de eventos, cursos e atividades voltadas à segurança e ao uso responsável de equipamentos esportivos; e fomentar a inclusão social por meio da prática do tiro esportivo.

Para ter acesso ao programa, as entidades de tiro esportivo precisam ser legalmente constituídas e filiadas à Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE). O alinhamento com a CBTE também implica respeito às normas da International Shooting Sport Federation (ISSF), entidade máxima da modalidade no mundo.

Uma modalidade com história olímpica única no Brasil
A nova lei também tem o mérito de resgatar uma memória esportiva que muitos brasileiros desconhecem. A aprovação resgata o papel histórico do tiro esportivo no esporte nacional: foi a modalidade que rendeu ao Brasil as três primeiras medalhas olímpicas, conquistadas nos Jogos de Antuérpia, em 1920. Na ocasião, Guilherme Paraense conquistou o primeiro ouro olímpico do país, na prova de pistola de tiro rápido 25 metros, enquanto Afrânio da Costa ficou com a prata na pistola livre 50 metros, além do bronze por equipes.

Modalidade olímpica desde 1896, o tiro esportivo reúne hoje mais de 30 mil atletas federados no Brasil, distribuídos em centenas de clubes e federações estaduais. Porto Alegre, com seus clubes ativos e comunidade de atiradores bem organizada, passa agora a poder contar com o suporte institucional que a modalidade merece.

Combate ao preconceito: um capítulo necessário
Um dos aspectos mais relevantes da lei é o reconhecimento explícito de que o tiro esportivo ainda enfrenta resistências sociais e culturais injustificadas. O texto prevê o estímulo a atividades que contribuam para reduzir preconceitos contra o tiro esportivo e ampliar a inclusão social por meio da prática esportiva.

Confundir o atirador esportivo - sujeito a rígidas regras de registro, treinamento e responsabilidade perante a lei - com agentes de violência é um equívoco que a nova legislação busca combater de frente, por meio da educação e da divulgação qualificada da modalidade.

O autor da lei: um vereador de perfil militar
O Coronel Ustra nasceu em Porto Alegre, no bairro Menino Deus, em 16 de março de 1979. Formado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), esteve no Exército Brasileiro por 28 anos, desenvolvendo habilidades em liderança, estratégia e planejamento. Ele exerceu cargo no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e foi eleito vereador de Porto Alegre nas eleições de outubro de 2024, pelo Partido Liberal (PL).

Seu mandato na Câmara Municipal tem sido marcado por pautas ligadas à segurança pública, ao armamento civil e à valorização das Forças Armadas, áreas em que sua trajetória de três décadas no Exército lhe confere visão técnica.

Outras iniciativas na área de segurança pública e tiro
A Lei 14.521 não é iniciativa isolada. O mandato de Coronel Ustra apresentou uma agenda consistente nessas áreas. Entre os projetos e ações de destaque:

Programa "Segurança Presente": Ustra apresentou projeto de lei para instituir o Programa de "Segurança Presente", para viabilizar ações integradas e estratégicas de segurança, com o objetivo de evitar situações de conflitos e reduzir a criminalidade em determinadas regiões de Porto Alegre.

Prevenção de violência infantil: o vereador sugeriu ao prefeito que fosse realizada a prevenção de situações de violência, informando e ensinando crianças sobre a importância de não confiar, ou ainda, não entregar informações pessoais a estranhos em abordagens.

Atuação nacional no setor: o II Simpósio da Federação de Clubes de Tiro e Comércio de Armas de Santa Catarina (FECCASC), realizado em Florianópolis, reuniu as principais lideranças do setor de armamento civil e tiro esportivo do país, com participação do vereador. A presença em eventos nacionais do setor demonstra articulação além das fronteiras municipais.

Frente Parlamentar contra Pedofilia: Ustra integra o requerimento de constituição da Frente Parlamentar do Combate à Pedofilia e ao Abuso Infanto-Juvenil, mostrando que sua agenda de segurança abrange também a proteção de crianças e adolescentes.

Perspectivas
Com a Lei 14.521 em vigor, Porto Alegre dá um passo concreto na direção de um tratamento mais justo e republicano para o tiro esportivo. Clubes que antes operavam à margem das políticas municipais de esporte poderão, agora, pleitear editais, firmar parcerias com a prefeitura e receber apoio para a formação de atletas competitivos. 

O caminho para que Porto Alegre revele novos campeões regionais, nacionais e até olímpicos nessa histórica modalidade ficou, com essa lei, um pouco mais pavimentado.

Brasil avança em exportações de defesa com acordos históricos na FIDAE 2026

Ministério da Defesa assina memorandos com três estatais para viabilizar o modelo governo a governo; país dobra vendas militares no primeiro trimestre do ano


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LRCA Defense Consulting - 10/04/2026

Em um movimento que sinaliza uma nova fase para a indústria bélica brasileira, o Ministério da Defesa formalizou, na Feira Internacional de Aeronáutica e Espaço (FIDAE 2026), em Santiago, no Chile, memorandos de entendimento com três de suas empresas vinculadas: a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada), a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) e a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel). Os acordos criam a base legal para que essas estatais atuem como intermediárias em negociações de defesa no formato governo a governo (G2G).

Os instrumentos estabelecem princípios gerais e compromissos de cooperação relativos à atuação em operações comerciais de exportação e à prestação de serviços de interveniência técnica em negociações intergovernamentais envolvendo produtos de defesa fabricados no Brasil.

O modelo G2G e seu entrave histórico
O modelo G2G é amplamente utilizado por potências militares como Estados Unidos e França. Nesse formato, o governo negocia diretamente com outro país para fornecer bens, serviços ou tecnologias. Mesmo que os contratos envolvam empresas privadas, a negociação é conduzida diretamente pelo governo do país fornecedor, que atua como "garantidor", supervisionando e assegurando a entrega dos produtos.

No Brasil, porém, esse modelo enfrentava um obstáculo jurídico de longa data. A equipe jurídica do Ministério da Defesa entendia que a legislação brasileira não permitia que o país fizesse a intermediação de vendas de empresas privadas nesse tipo de contrato; o modelo só podia ser usado em negociações com estatais. O problema é que as estatais não produzem os produtos necessários para atender à demanda internacional.

A solução encontrada foi criativa: uma estatal pode fechar um acordo de colaboração com a empresa privada para produtos específicos e atuar como sua representante durante as negociações. Os MoUs assinados na FIDAE 2026 institucionalizam exatamente essa estratégia.

Embraer como protagonista
O impacto prático ficou evidente já no primeiro dia da feira. A Embraer e a Alada assinaram um Memorando de Entendimento para avaliar oportunidades no mercado de Defesa e Segurança por meio de contratos governo a governo. O acordo tem como objetivo explorar novos modelos de negociação que viabilizem a exportação de produtos e soluções aeroespaciais brasileiras para países que exigem esse formato de contratação institucional.

Para Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa, o memorando vai identificar e explorar possíveis oportunidades dentro do mercado de Defesa e Segurança, "permitindo aos países que exijam contratos de governo para governo uma nova opção de negociação para viabilizar a aquisição de produtos e soluções da Embraer."

Já o presidente da Alada, Sergio Roberto de Almeida, destacou o ineditismo do momento: "A exportação G2G é um modelo de negócio sem precedentes no Brasil, no qual a Alada desempenha um papel estratégico e decisivo, abrindo novas oportunidades de mercado para produtos, serviços e projetos aeroespaciais, com destaque especial para aqueles oriundos da Base Industrial de Defesa."

Entre os destaques da Embraer na FIDAE estão o KC-390 Millennium, a aeronave de transporte militar mais moderna de sua classe, e o A-29 Super Tucano, líder global em sua categoria.

Presença brasileira na maior feira aeroespacial da América Latina
A FIDAE chega à sua 14ª edição em 2026 e é realizada de 7 a 12 de abril na Base Aérea de Pudahuel, em Santiago. Considerada um dos principais eventos aeroespaciais da América Latina, reúne cerca de 377 expositores de 34 países, incluindo grandes empresas da indústria aeroespacial e de defesa, além da participação oficial do Governo do Chile e do Ministério da Defesa chileno, sob a liderança da Força Aérea do Chile.

A delegação brasileira é liderada pela Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod). A programação inclui visitas aos estandes, reuniões bilaterais com autoridades e representantes de empresas, participação nos principais eventos oficiais e assinatura de documentos com organizações parceiras. Também participa do evento o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno.

O Pavilhão Brasil, organizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), reúne 16 empresas da Base Industrial de Defesa, além de outras três empresas nacionais que participam com estandes próprios.

Números que justificam a aposta
O timing dos acordos não é casual. O Brasil registrou um avanço expressivo no setor de defesa logo no início de 2026: o país mais do que dobrou suas exportações de produtos de defesa no primeiro trimestre, consolidando sua posição no mercado global.

As exportações saltaram de US$ 457 milhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 931 milhões em 2026. O resultado mantém a trajetória de crescimento do setor, que já havia registrado recordes consecutivos em 2024 e 2025. Entre os principais destinos dos produtos brasileiros de defesa estão Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal.

A indústria brasileira depende de exportações para sustentar projetos estratégicos. O risco é direto: sem contratos internacionais, o Brasil pode perder capacidade produtiva, atrasar programas e aumentar a dependência externa em defesa.

Base Industrial de Defesa: escala e desafios
Para além dos números, os acordos revelam uma aposta estrutural do governo brasileiro. A Base Industrial de Defesa tem em seu portfólio 283 empresas e 2.064 produtos cadastrados no Ministério da Defesa, como aeronaves, embarcações, soluções cibernéticas para proteção de dados, radares, sistemas seguros de comunicação e armamento.

O secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, foi quem coordenou os acordos e defendeu a iniciativa: "Operações como esta são fundamentais para estimular e fortalecer a exportação de produtos de defesa fabricados no Brasil, conferindo credibilidade institucional às negociações e ampliando o acesso a novos mercados."

O secretário aponta que as empresas brasileiras possuem capacidade instalada expressiva e "produtos com reconhecimento mundial de altíssima qualidade", o que favorece o crescimento das vendas externas.

Ainda assim, analistas alertam que a escalada exportadora exige contrapartidas. A presença do Brasil na FIDAE 2026 confirma um movimento claro de expansão, mas também expõe um ponto crítico: o país já demonstrou capacidade tecnológica, mas agora precisa transformá-la em escala sustentável e produção contínua. Sem esse salto, o avanço internacional não se consolida e a autonomia estratégica brasileira fica sob pressão.

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