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15 maio, 2026

Atech inaugura simulador tático e centro de suporte do sistema de combate das Fragatas Classe Tamandaré

Cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro marca novo patamar na capacitação de tripulações da Marinha do Brasil 

 
 
*LRCA Defense Consulting - 15/05/2026

A Atech, empresa do Grupo Embraer especializada em sistemas de missão crítica, inaugurou nesta terça-feira o Simulador Tático e o Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC) das Fragatas Classe Tamandaré, em cerimônia realizada na Base Naval do Rio de Janeiro. O evento reuniu autoridades da Marinha do Brasil e da indústria de defesa e representa um passo decisivo na preparação operacional das tripulações que vão operar a nova geração de navios de guerra da Esquadra brasileira.

Simulação de alta fidelidade para o sistema de combate
O Simulador Tático desenvolvido pela Atech oferece um ambiente de imersão de alta fidelidade voltado ao treinamento das equipes no Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) das fragatas. O CMS é o núcleo operacional dos novos navios, responsável por integrar sensores, armamentos e sistemas de comando em um único ambiente, processando dados em tempo real para apoiar o processo decisório a bordo. Por meio de algoritmos avançados, o sistema identifica e classifica ameaças e aponta a melhor resposta tática disponível.

Com o simulador, as tripulações podem treinar em cenários complexos que reproduzem as condições reais de combate antes mesmo de embarcarem. A iniciativa reduz riscos operacionais e acelera a curva de aprendizado das equipes, tornando o processo de certificação mais robusto e seguro.

O papel estratégico do CSSC
O Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC) cumpre um papel estratégico no planejamento das missões das fragatas. Instalado no Centro de Apoio a Sistemas Operativos (CASOP), a estrutura passou por adequações físicas e por uma fase de capacitação de pessoal conduzida pela Atech, integrando o ciclo de formação previsto pelo Programa Fragatas Classe Tamandaré. O centro permitirá configurar o sistema de combate, validar atualizações de software e simular cenários táticos antes do emprego dos navios no mar.

A existência de uma estrutura dedicada de suporte também garante maior autonomia à Marinha do Brasil na operação e manutenção dos sistemas ao longo do ciclo de vida das embarcações, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros. O modelo é escalável e poderá beneficiar outros meios navais no futuro.

Cerimônia com altas patentes da Marinha
A cerimônia de inauguração contou com a presença da Diretora de Programas da Atech, Andrea Hemerly, e com a participação de altas patentes da Marinha do Brasil: o Vice-Almirante Antonio Carlos Cambra, o Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes e o Vice-Almirante (Rm1) Antonio Reginaldo Pontes Lima Junior, além de outras autoridades.

Contexto: o Programa Fragatas Classe Tamandaré
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), contratado em 2020 com o consórcio Águas Azuis (formado por TKMS, Embraer Defesa & Segurança e Atech), prevê a construção de quatro fragatas de alta complexidade tecnológica no estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC). O investimento total do primeiro lote é de R$ 12 bilhões. A primeira fragata, a F200 "Tamandaré", foi incorporada oficialmente à Marinha em 24 de abril de 2026, após testes de mar realizados ao longo de 2025. A segunda, "Jerônimo de Albuquerque" (F201), foi lançada ao mar em agosto de 2025, e as demais têm entrega prevista até 2029.

As fragatas são embarcações multipropósito com cerca de 3.500 toneladas, equipadas com radar de busca volumétrica, sistemas de guerra eletrônica, mísseis antiaéreos de lançamento vertical, torpedos e canhão naval de 76 mm, além de hangar e convoo para helicóptero embarcado. O CMS, desenvolvido em parceria pela Atech e pela alemã Atlas Elektronik, conecta toda essa suíte de sensores e armamentos, atuando como o "cérebro" integrado do navio.

O programa está inserido no Novo PAC do governo federal, no eixo de inovação para a indústria de defesa, e gera cerca de 23 mil empregos ao longo da construção das quatro embarcações. Mais recentemente, em abril de 2026, a Atech e a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM) assinaram um Protocolo de Intenções para a evolução contínua do CMS, consolidando a empresa como uma "Casa de Sistemas" estratégica para a defesa nacional.

 

Soberania tecnológica e indústria nacional
A inauguração do Simulador Tático e do CSSC é mais um capítulo da estratégia brasileira de fortalecer a base industrial de defesa com tecnologia nacional. O CMS e o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS) das fragatas são desenvolvidos por empresas brasileiras (Atech e Embraer), com índice de conteúdo local de pelo menos 40%, o que garante maior autonomia para manutenção e atualizações futuras sem depender exclusivamente de fornecedores europeus.

Para a Marinha do Brasil, que patrulha mais de 5,7 milhões de km² da chamada Amazônia Azul, a modernização da esquadra com sistemas nacionais tem valor estratégico. Com as Fragatas Classe Tamandaré, o país opera pela primeira vez um sistema de defesa antiaérea de médio alcance em fragatas construídas em território nacional, suprindo uma lacuna que outros países da região fecharam décadas atrás.

A entrega do simulador e do centro de suporte, portanto, vai além do treinamento imediato das tripulações: sinaliza a maturidade de um ecossistema tecnológico nacional capaz de sustentar, evoluir e operar de forma soberana alguns dos sistemas de combate mais avançados já implantados na história da Força Naval brasileira.

Brasil avança rumo ao submarino nuclear: EMGEPRON, AMAZUL e CTMSP alinham Projeto USEXA para produção de combustível estratégico

 

*LRCA Defense Consulting - 15/05/2026

Em movimento considerado decisivo para o Programa Nuclear da Marinha, EMGEPRON, AMAZUL e o futuro Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) alinharam, na última terça-feira (13), ações relacionadas ao Projeto USEXA - Usina de Hexafluoreto de Urânio. O empreendimento, localizado no complexo de Aramar, em Iperó (SP), terá como missão produzir hexafluoreto de urânio (UF₆), insumo essencial para o enriquecimento isotópico do combustível que moverá o primeiro submarino nuclear brasileiro.

O que é o Projeto USEXA
O USEXA é uma usina projetada para converter "yellow cake" (óxido de urânio concentrado) em hexafluoreto de urânio (UF₆) na forma gasosa, etapa indispensável antes do enriquecimento isotópico. Sem esse gás, não é possível alimentar as centrífugas que produzem urânio enriquecido para o reator do submarino.

A iniciativa reforça a cooperação estratégica entre três entidades-chave:

Instituição

Papel no Projeto USEXA

EMGEPRON

Empresa de Gestão de Programas e Projetos da Marinha; lidera projetos de alta complexidade tecnológica e gerencia o Prosub

AMAZUL

Amazônia Azul Tecnologias de Defesa: empresa responsável pelo programa nuclear naval e pela construção do submarino

CTMSP

Futuro Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo: atuará no desenvolvimento tecnológico e na operação da usina

Importância para o submarino nuclear Almirante Álvaro Alberto
O Projeto USEXA é o elo faltante no ciclo completo do combustível nuclear brasileiro. Até agora, parte do UF₆ necessário era processado no Canadá, criando dependência externa em etapa crítica da cadeia. Com a usina operacional, o Brasil fechará totalmente o ciclo do urânio, da mineração ao combustível enriquecido, garantindo autonomia absoluta para o programa naval.

O submarino em desenvolvimento, o SNCA Almirante Álvaro Alberto, será o primeiro da América Latina e colocará o Brasil no seleto grupo de seis nações com submarinos de propulsão nuclear: EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Índia.

Característica

Submarino convencional (diesel-elétrico)

Submarino nuclear Almirante Álvaro Alberto

Tempo submerso

Dias (precisa emergir para recarregar ar)

Meses sem reabastecimento

Velocidade máxima

~20 nós

30+ nós contínuos

Furtividade

Limitada por necessidade de renovação de ar

Alta - sem motor diesel ruidoso

Alcance operacional

Regional

Global - opera em qualquer oceano

Com reator nuclear próprio e tecnologia 100% nacional de enriquecimento, a embarcação poderá operar por meses sem reabastecimento, reforçando a soberania do Brasil na Amazônia Azul, região de 4,5 milhões de km² rica em petróleo, biodiversidade e rotas comerciais.

Cronograma e desafios
O desenvolvimento do sistema de propulsão nuclear ocorre em Iperó (SP), onde estão localizados o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI) e o Labgene, protótipo terrestre do reatornaval. A Marinha pretende tornar o sistema plenamente funcional até 2027–2028, permitindo o início efetivo da construção do casco com propulsão integrada.

A previsão original era entrega do Álvaro Alberto entre 2034–2035, mas desafios orçamentários podem postergar o lançamento para além de 2035, possivelmente para a década de 2040. O orçamento atual do Prosub está estabilizado em cerca de R$ 2 bilhões por ano, mas a Marinha estima necessidade de R$ 1 bilhão adicional anuais para manter o cronograma original.

Apesar dos desafios, o alinhamento entre EMGEPRON, AMAZUL e CTMSP representa passo decisivo para acelerar a implantação da usina USEXA e eliminar a dependência externa de UF₆

A EMGEPRON recebeu, em sua sede, reunião entre o Diretor-Presidente da Empresa, o Diretor-Presidente da AMAZUL e o futuro Diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP)

Impacto na soberania nacional
O Projeto USEXA não beneficia apenas o submarino nuclear. Com capacidade planejada de 40 toneladas de UF₆ por ano, a usina também poderá abastecer as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, atualmente dependentes de processamento externo.

"A iniciativa reforça a atuação da EMGEPRON em projetos de elevada complexidade tecnológica e relevância estratégica, ampliando sua contribuição para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa e para a soberania nacional", destacou o comunicado oficial da EMGEPRON.

Com quase cinco décadas de esforço técnico e científico iniciado em 1979, o Programa Nuclear da Marinha chega agora à sua etapa mais decisiva. A conclusão do Almirante Álvaro Alberto será um divisor de águas na história militar e tecnológica do Brasil, garantindo posição estratégica inédita no cenário geopolítico mundial. 

14 maio, 2026

Embraer na BSDA 2026: KC-390 e Super Tucano em vitrine, com a Polônia no horizonte

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 14/05/2026

A Embraer marca presença na Exposição Internacional de Defesa, Aeroespacial e Segurança do Mar Negro (BSDA 2026), realizada entre os dias 13 e 15 de maio em Bucareste, Romênia, com seu portfólio completo de defesa, incluindo o KC-390 Millennium e o A-29 Super Tucano. A participação no evento ocorre em meio a um processo de aproximação estratégica com a Polônia que aponta, segundo especialistas, para um possível contrato de grande porte nos próximos meses.

Uma relação que se consolida
Desde dezembro de 2025, a Embraer intensificou os contatos com autoridades polonesas de forma acelerada. Em 2 de dezembro daquele ano, a empresa assinou cinco memorandos de entendimento (MoUs) com a Polska Grupa Zbrojeniowa (PGZ), o conglomerado estatal de defesa polonês. Os acordos preveem cooperação industrial de longo prazo, incluindo produção local de componentes, polonização de sistemas, manutenção e até a possível instalação de uma linha de montagem final do KC-390 em território polonês.

Em janeiro de 2026, uma delegação militar liderada pelo Major-General Ireneusz Nowak, subcomandante das Forças Armadas Polonesas, visitou as instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Os militares poloneses realizaram voos de demonstração tanto no KC-390 Millennium quanto no A-29 Super Tucano, e conversaram com pilotos da Força Aérea Portuguesa sobre experiências operacionais com o cargueiro brasileiro.

Em fevereiro de 2026, o vice-ministro dos Ativos do Estado da Polônia, Konrad Gołota, reuniu-se com representantes da Embraer, incluindo o CEO do setor de defesa, João Bosco da Costa Junior. O encontro sinalizou uma mudança de postura de Varsóvia: a Polônia quer abandonar o modelo de aquisições prontas e avançar para transferência de tecnologia e integração na cadeia global de fornecimento de defesa aeronáutica.

Em março de 2026, a Embraer levou fisicamente um KC-390 à Bydgoszcz para apresentá-lo à Wojskowe Zakłady Lotnicze Nr 2 (WZL-2), uma das maiores empresas de aviação da Polônia. O evento, descrito pela Embraer como um marco na cooperação estratégica entre as duas empresas, formalizou a base para um acordo abrangente de manutenção, reparo e revisão (MRO) do KC-390 em solo polonês.

KC-390: candidato sem concorrente direto
O KC-390 Millennium ocupa uma posição privilegiada no planejamento da Força Aérea Polonesa. A estratégia do país é de complementaridade: o espanhol C-295 atende ao transporte leve, o KC-390 assumiria o segmento médio e o A400M Atlas ficaria com as cargas mais pesadas. Segundo o Coronel Paluch, responsável por aquisições na Força Aérea Polonesa, "não se trata de uma competição, mas de camadas de capacidade alinhadas aos padrões operacionais da Otan".

A aeronave pode transportar até 26 toneladas de carga, voar a cerca de 870 km/h e operar a partir de pistas não pavimentadas. Na configuração KC-390, conta ainda com capacidade de reabastecimento em voo, função que a Polônia ainda não possui em sua frota. Analistas do setor estimavam, no final de 2025, probabilidade de concretização do negócio entre 70% e 80%. Desde então, o processo avançou de forma consistente.

Para a Polônia, o apelo do KC-390 vai além do desempenho técnico. A proposta de transferência de tecnologia e soberania operacional é decisiva para um país que, ao longo dos anos, enfrentou dificuldades com a dependência externa para manutenção dos F-16: a falta de capacidade local para revisão de motores tornou-se um problema estrutural. A Embraer oferece exatamente o que Varsóvia busca: não apenas aeronaves, mas capacitação industrial local.

A-29 Super Tucano: o caçador de drones que surpreende
Paralelamente ao KC-390, a Polônia avalia o A-29 Super Tucano para missões de defesa contra drones, uma demanda urgente no país fronteiriço da OTAN no flanco oriental. A experiência ucraniana demonstrou os limites de usar caças supersônicos contra drones baratos: o custo operacional é insustentável. O Super Tucano, com seus sensores eletro-ópticos, armamentos guiados a laser e custo de operação significativamente menor, apresenta-se como solução dual: treinar pilotos e, quando necessário, realizar patrulhas e missões de combate.

Em janeiro de 2026, o General Nowak confirmou o interesse: "Definitivamente testaremos o Super Tucano e o examinaremos mais de perto". O caminho do A-29, porém, é mais incerto que o do KC-390. Outras plataformas também estão em avaliação para missões anti-drone, e a probabilidade de aquisição era estimada entre 55% e 65% no final de 2025.

No âmbito do programa nacional SAN de defesa contra drones, um contrato de aproximadamente 3,4 bilhões de euros assinado em janeiro de 2026, a Polônia planeja uma arquitetura multicamadas. O Super Tucano poderia integrar a componente aérea dessa arquitetura, complementando os sistemas terrestres.

Contexto estratégico: preparação para uma guerra longa
A urgência polonesa tem motivação clara. A invasão russa da Ucrânia em 2022 reconfigurou completamente a doutrina militar do país. A Polônia não planeja mais apenas para dissuasão, mas para resistência em um cenário de conflito prolongado, com linhas logísticas sob pressão. Como declarou o General Nowak, o país precisa estar preparado para manter posições por "muitos meses, ou até anos".

Nesse contexto, lacunas em transporte aéreo, reabastecimento em voo e suporte logístico tornaram-se prioridades antes mesmo da modernização dos esquadrões de caça. É exatamente o espaço em que o KC-390 se encaixa. A Polônia investe dezenas de bilhões de euros em defesa, com planos de se tornar a força aérea mais poderosa da Europa Oriental.

Contrato ainda não assinado, mas sinais são claros
Até o momento da publicação deste texto, não há contrato formal entre a Embraer e a Polônia para o KC-390 ou o Super Tucano. O que existe é um conjunto robusto de acordos preparatórios, visitas técnicas, demonstrações operacionais e sinalizações políticas que sugerem que a decisão está próxima, especialmente para o KC-390.

A participação da Embraer na BSDA 2026, em Bucareste, insere-se nesse movimento mais amplo de consolidação da presença da fabricante brasileira no mercado europeu de defesa. A Romênia, assim como a Polônia, é um país do flanco leste da OTAN em processo acelerado de modernização militar. A região, como um todo, representa uma oportunidade estratégica singular para a Embraer, e os próximos meses devem definir se as negociações com Varsóvia se convertem em contrato. 

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