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03 fevereiro, 2026

A corrida armamentista contra drones: o novo campo de batalha de US$ 49 bilhões

Enquanto estrategistas discutem caças de sexta geração, o verdadeiro epicentro do capital de defesa mudou para enfrentar uma ameaça mais simples, barata e letal


*LRCA Defense Consulting - 03/02/2026

Segundo publicou o especialista Hakan Kurt no LinkedIn, em artigo com o título "The Counter-Drone Arms Race: Where $49B in Defense Capital Found Its Next Battlefield?", o financiamento de Venture Capital em tecnologia de defesa atingiu a marca recorde de US$ 49,1 bilhões em 2025, um salto de 80% em relação ao ano anterior. O mercado de soluções anti-drone, avaliado em US$ 1,73 bilhão em 2024, deve disparar para US$ 23,82 bilhões até 2031.

Esta não é apenas uma tendência de mercado, mas uma resposta existencial à economia que rompeu a doutrina de defesa tradicional da guerra moderna revelada em conflitos como o da Ucrânia. Atualmente, drones comerciais de US$ 500 são capazes de destruir tanques de US$ 5 milhões, criando uma assimetria insustentável para as doutrinas de defesa tradicionais.

O alerta vermelho das potências mundiais
A urgência é global e os últimos 30 dias confirmam a vulnerabilidade das grandes nações:

  • Estados Unidos: um relatório do Inspetor Geral do Pentágono revelou que 75% das principais bases militares dos EUA carecem de capacidade operacional C-UAS. A Secretária do Exército classificou os sistemas atuais como "terrivelmente ruins".

  • França: o país iniciou a aquisição emergencial de novos sistemas após enxames de drones não identificados sobrevoarem bases de submarinos nucleares e comboios de tanques.

  • Reino Unido e Índia: ambos aceleram investimentos, com a Marinha Real Britânica planejando instalar armas de energia dirigida em contratorpedeiros até 2027. 

  • Polônia: está criando um bilionário sistema multicamada anti-drone após ter seu território invadido por mais de 20 drones russos. 

 

Os quatro campos de batalha tecnológicos
O ecossistema de defesa está sendo dividido em quatro frentes principais, atraindo diferentes perfis de investimento:

1. Detecção e fusão de IA (a fundação): é a camada essencial, pois "não se pode derrotar o que não se pode detectar". Utiliza radares 3D, sensores de radiofrequência e câmeras térmicas integrados por IA para identificar ameaças com mais de 95% de precisão.

  • Vantagem: alta fidelidade do cliente e receita recorrente via software.

2. Contramedidas eletrônicas: o segmento de crescimento mais rápido (31,2% CAGR), focado em neutralizar drones sem o uso de munição física.

  • Tecnologias: bloqueio de sinal (Jamming), negação de GPS e a sofisticada "Invasão de Protocolo", que assume o controle do drone em pleno voo.

3. Armas de Energia Dirigida (DEW): representam a mudança na economia do combate. Enquanto um interceptor tradicional custa entre US$ 100 mil e US$ 200 mil por disparo, um tiro de laser ou micro-ondas custa cerca de US$ 1.

  • Destaque: a empresa Epirus já captou mais de US$ 550 milhões para desenvolver sistemas de micro-ondas de alta potência capazes de desativar enxames inteiros de uma só vez.

4. Interceptores cinéticos: necessários para drones autônomos imunes a interferências eletrônicas (como os controlados por fibra ótica). O foco aqui é a produção em massa de drones interceptores de baixo custo (entre US$ 10 mil e US$ 50 mil) para garantir a proteção de ativos de alto valor.

O futuro: consolidação e dominância
O mercado caminha para uma dinâmica onde as 5 a 10 principais empresas devem capturar 70% do setor até 2030. A validação em combate e a capacidade de fabricação em escala (mais de 1.000 unidades/ano) serão os grandes diferenciais entre startups promissoras e os futuros gigantes da defesa.

Como resume o artigo citado, o mundo não está mais esperando por uma crise; está em plena mitigação ativa de ameaças em escala nacional. 

Embraer revela novidades no primeiro dia do Singapore Airshow

 Manutenção preditiva e transporte militar consolidam posição global da empresa


*LRCA Defense Consulting - 03/02/2026

No primeiro dia do Singapore Airshow, a Embraer anunciou um acordo de manutenção preditiva com a Virgin Australia, divulgou que o primeiro C-390 Millennium destinado à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) atingiu a fase final de montagem, revelou o surgimento de um novo cliente para o C-390 Millennium na Ásia Central, e esclareceu que a República das Filipinas é o cliente não revelado que adquiriu seis A-29 Super Tucano anteriormente, movimentos estes que reforçam a aposta da empresa no mercado Asia-Pacífico.

Virgin Australia adota sistema AHEAD para manutenção preditiva digital
A Embraer assinou, nesta terça-feira, um contrato de longo prazo com a Virgin Australia para equipar sua frota de E190-E2 com o sistema AHEAD (Aircraft Health Analysis and Diagnosis). A plataforma permite a implementação de manutenção preditiva digital nos jatos E-Jet, utilizando dados coletados em voo e em solo para identificar e antecipar problemas técnicos antes que se tornem críticos.

O sistema oferece monitoramento em tempo real de um amplo leque de sistemas da aeronave, da Unidade de Potência Auxiliar (APU) aos motores, passando por hidráulica, aviônica, controles de voo e ar condicionado. Algoritmos preditivos processam esses dados continuamente, permitindo que operadores planejem intervenções de forma proativa, reduzindo o tempo de inatividade não programado e otimizando a disponibilidade da frota.

"Nossos jatos E2 são revolucionários. A ferramenta AHEAD nos ajudará a antecipar problemas de manutenção, garantindo que estejamos aproveitando ao máximo nossas novas aeronaves", afirmou Nathan Miller, Gerente Geral Executivo, Virgin Australia Regional Airlines

Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços e Suporte, destacou que o acordo "reforça o compromisso da Embraer em impulsionar a inovação digital na aviação", pois a integração do AHEAD à frota E2 deve reduzir custos de manutenção e ainda diminuir as emissões de CO₂, ao eliminar queimas de combustível desnecessárias vinculadas a problemas de manutenção não tratados.

A Virgin Australia possui oito encomendas firmes de E190-E2 e já recebeu duas aeronaves. A frota regional, operada pela Virgin Australia Regional Airlines (VARA), é baseada em Perth e representa a primeira operação do E2 na Oceania, iniciada em novembro de 2025.

Primeiro C-390 da Coreia do Sul entra na fase final de montagem
Também durante a abertura do Singapore Airshow, a Embraer anunciou que o primeiro C-390 Millennium destinado à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) atingiu a fase final de montagem. A aeronave seguirá para voos de produção e, depois, para a integração de sistemas específicos que atendem aos requisitos da ROKAF, com entrega prevista até o final do ano.

O marco assinala a conclusão de um processo iniciado com a seleção do C-390 no âmbito do programa de Aeronave de Transporte de Grande Porte (LTA-II) da Coreia do Sul, tornando o país o primeiro cliente da Embraer para o Millennium na Ásia.

"O progresso do primeiro C-390 da República da Coreia demonstra tanto a eficiência e maturidade de nossa linha de produção, quanto a força de nossa parceria com a DAPA, a ROKAF e nossos fornecedores coreanos" declarou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO, Embraer Defesa & Segurança

Bosco também indicou que a cooperação industrial com a Coreia está avançando, fortalecendo a cadeia de suprimentos global da Embraer à medida que a empresa aumenta a produção do C-390 para atender uma crescente lista de clientes internacionais. A empresa já cortou o tempo de construção da aeronave em cerca de um terço e pretende continuar acelerando o ritmo.

Incrementos no C-390
O executivo da Embraer
 acredita que há espaço para aumentar a produção do C-390 para cerca de 10 aeronaves por ano até 2030, com a eventual abertura de linhas adicionais de montagem, podendo ampliar ainda mais esse volume.

Paralelamente, a Embraer estruturou o chamado “Grupo de Evolução do C-390”, integrado ao seu conjunto mais amplo de operadores, com o objetivo de mapear e priorizar futuras modernizações da plataforma.

Nesse contexto, embora a versão de reabastecimento em voo KC-390 já disponha do sistema de mangueira e cesto, seguem em andamento os estudos para a incorporação de uma lança de reabastecimento. A iniciativa é motivada, entre outros fatores, pelas exigências de clientes da OTAN que buscam empregar a aeronave no reabastecimento de suas frotas de caças Lockheed Martin F-35 e/ou F-16 padrão (não equipados com probe retrofit). 

C-390 Millennium: clientes confirmados até hoje:

  • Brasil, Portugal, Hungria, República da Coreia, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, República do Uzbequistão, Eslováquia e Lituânia.
  • Primeiro cliente na Ásia: República da Coreia (programa LTA-II, seleção em 2023).
  • Primeiro cliente na Ásia Central: República do Uzbequistão (revelado em  03 defevereiro de 2026).
  • Meta de produção: 10 aeronaves/ano até ~2030; entrega de seis unidades prevista para 2026.  

Uzbequistão confirmado como cliente do KC-390 na Ásia Central
Na mesma oportunidade, a Embraer revelou que a República do Uzbequistão é o cliente anteriormente não revelado por trás de uma encomenda feita em dezembro de 2024. Com essa confirmação, o país se torna o primeiro operador do C-390 na Ásia Central, expandindo a presença da aeronave em uma região considerada estratégicamente relevante do ponto de vista geopolítico e logístico.

Segundo a Embraer, a Força Aérea do Uzbequistão utilizará o C-390 principalmente em missões humanitárias e de transporte. A quantidade de aeronaves do pedido não foi divulgada, mas Da Costa indicou que a primeira entrega está prevista para este ano — sendo uma das seis unidades que a fabricante pretende entregar aos clientes ao longo de 2026, duplicando o volume de entregas de 2025.

“Damos as boas-vindas oficiais à República do Uzbequistão ao grupo de operadores do C-390, enquanto a Força Aérea do Uzbequistão moderniza suas capacidades de transporte”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “Estamos honrados com a escolha desta importante Força Aérea da Ásia Central e trabalharemos em estreita colaboração com ela para garantir a operação impecável desta aeronave revolucionária”. 

Filipinas é o cliente não revelado de seis A-29 Super Tucano
A Embraer também anunciou no Singapore Airshow que a Força Aérea Filipina (PAF) recebeu uma encomenda de seis aeronaves A-29 Super Tucano, anteriormente anunciada como não divulgada. Esta encomenda adicional de seis aeronaves eleva a frota total da Força Aérea Filipina para 12 aeronaves, aprimorando as capacidades da PAF para realizar uma variedade de missões, como apoio aéreo aproximado, ataque leve, vigilância, interceptação aérea e contra-insurgência, com confiabilidade e taxas de sucesso incomparáveis.

Estratégia da Embraer na Ásia-Pacífico
Os dois anúncios definem um cenário em que a Embraer consolida sua presença na Ásia-Pacífico, tanto na aviação comercial como na defesa. Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer, já indicou, antes do airshow, que a região é um "motor principal de crescimento" para a empresa, com oportunidades significativas nos segmentos de aviação comercial e de defesa. 

A Embraer vê um mercado endereçável de 184 C-390 Millennium (juntamente com 90 unidades do Super Tucano) na região Ásia-Pacífico, com a Índia representando um segmento de 40 a 80 unidades. No curto prazo, a empresa estima oportunidades para cerca de 84 aeronaves na região. Para atender essa demanda, a fabricante pretende aumentar a produção a dez unidades por ano até aproximadamente 2030, além de avaliar capacidade adicional de montagem final. 

Além da Coreia do Sul e do Uzbequistão, a empresa está trabalhando com o Mahindra Group para avançar a proposta do C-390 para o programa de Aeronave de Transporte Médio da Força Aérea Indiana. 

No segmento comercial, além do acordo AHEAD com a Virgin Australia, a Embraer já opera E190-E2s com a Scoot (Singapura) desde maio de 2024 e recebeu um pedido de 15 E190-E2s da All Nippon Airways (ANA). 

Em 27 de janeiro de 2026, a Embraer e a Adani Defence & Aerospace assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para desenvolver um ecossistema integrado de aeronaves de transporte regional na Índia. A parceria foi celebrada em cerimônia organizada pelo Ministério da Aviação Civil em Nova Délhi, com a presença de autoridades seniores.

Os jatos E2 da Embraer desempenharão um papel importante na substituição dos 800 turboélices na região Ásia-Pacífico, argumenta a empresa. Os E2 são mais rápidos, têm mais capacidade e maior alcance do que turboélices. Por outro lado, oferecem a solução ideal para preencher a lacuna entre turboélices e narrowbodies.

Raul Villaron, vice-presidente sênior de vendas e marketing da Embraer e chefe de região para a Ásia-Pacífico, observou que as presenças de alto perfil em diferentes partes da Ásia-Pacífico dão aos jatos E2 boa visibilidade. "Agora temos marcas de clientes realmente fortes em diferentes partes da Ásia-Pacífico", disse ele.

Há também potencial significativo para mais pedidos no mercado australiano, onde já existem cinco operadoras com várias aeronaves Embraer. Villaron projeta que poderia haver um total de 200 aeronaves Embraer operando na Austrália até 2030. 

02 fevereiro, 2026

Presença da Embraer na Índia é impulsionada pelo orçamento 2026 do país

Isenção de tarifas e parceria com Adani criam oportunidade estratégica para fabricante brasileira no mercado de aviação regional
 


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LRCA Defense Consulting - 02/02/2026

O Orçamento da União da Índia para 2026-27, apresentado em 1º de fevereiro pela ministra das Finanças Nirmala Sitharaman, trouxe notícias excepcionais para a aviação civil do país e, particularmente, para a Embraer. A isenção de tarifas alfandegárias sobre componentes e peças para fabricação de aeronaves civis, de treinamento e outras categorias representa um alinhamento perfeito com a estratégia da fabricante brasileira, que há poucos dias anunciou parceria com o grupo Adani para estabelecer uma linha de montagem final na Índia.

Medidas orçamentárias e reação do governo
O ministro da Aviação Civil da Índia, Ram Mohan Naidu, saudou entusiasticamente as medidas do orçamento, afirmando que "a aviação civil foi uma grande beneficiária" das propostas fiscais. Segundo Naidu, o setor de manufatura aeroespacial tem sido historicamente dominado por outros países, obrigando a Índia a importar aeronaves de fabricantes estrangeiros.

O foco do governo é claro: Atmanirbharta (autossuficiência), trazendo a manufatura para o próprio país. "Temos muitos aeroportos hoje, mas há um descompasso na conectividade porque não temos tantos aviões. A forma de conseguir mais aviões é melhorar a manufatura no país", declarou o ministro.

As medidas específicas incluem:

• Isenção de tarifas alfandegárias básicas sobre componentes e peças para fabricação de aeronaves civis, de treinamento e outras;

• Isenção de tarifas sobre matérias-primas importadas para fabricação de peças de aeronaves usadas em manutenção, reparo e revisão (MRO) por unidades do setor de defesa;

• Medida única especial para facilitar vendas de unidades de manufatura em Zonas Econômicas Especiais (SEZs) para a Área Tarifária Doméstica (DTA) a taxas de impostos concessionais.

A parceria Embraer-Adani: timing estratégico
Em 27 de janeiro de 2026, apenas cinco dias antes da apresentação do orçamento, a Embraer e a Adani Defence & Aerospace assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para desenvolver um ecossistema integrado de aeronaves de transporte regional na Índia. A parceria foi celebrada em cerimônia organizada pelo Ministério da Aviação Civil em Nova Délhi, com a presença de autoridades seniores.

Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace, confirmou que uma instalação de manufatura de aeronaves regionais será estabelecida na Índia. As empresas planejam estabelecer uma Linha de Montagem Final (FAL) para aeronaves regionais e aumentar gradualmente o conteúdo doméstico para apoiar o programa de Aeronaves de Transporte Regional (RTA) da Índia.

Esta será a primeira linha de montagem final de aeronaves comerciais de asa fixa a ser estabelecida em solo indiano, marcando um marco histórico para a indústria aeroespacial do país. O ministro Naidu destacou especificamente esta parceria em seus comentários sobre o orçamento, mencionando também que o governo russo está entrando em um acordo com a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) para fabricar aeronaves a jato e turboélice no país.

Mercado indiano: uma oportunidade massiva
A Índia se tornou o terceiro maior mercado de aviação doméstica do mundo e está prestes a se tornar o terceiro maior mercado geral de passageiros aéreos. O potencial é especialmente significativo no segmento de aviação regional.

Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Commercial Aviation, observou que há cerca de 400 pares de cidades na Índia que atualmente não são atendidos porque são "muito longos para turboélices e muito finos para narrowbodies". Meijer também destacou que "o mercado de aviação regional ainda está subpenetrado na Índia. A Índia atualmente tem apenas 81 aeronaves de transporte regional em comparação com mais de 5.150 globalmente. Há um potencial de crescimento enorme".

Os jatos E2 da Embraer desempenharão um papel importante na substituição dos 800 turboélices na região Ásia-Pacífico, argumenta a empresa. Os E2 são mais rápidos, têm mais capacidade e maior alcance do que turboélices.


Programa UDAN
O esquema UDAN (Ude Desh ka Aam Nagrik — 'Cidadão Comum do País Voa') foi lançado em 21 de outubro de 2016, com a visão do primeiro-ministro Narendra Modi de que até mesmo um cidadão comum de chinelos deveria poder viajar de avião.

Desde seu início, o UDAN expandiu através de múltiplas fases:
• 625 rotas operacionalizadas;

• 90 aeroportos conectados (incluindo 15 heliportos e 2 aeródromos aquáticos);

• Mais de 14,9 milhões de passageiros beneficiados;

• Rede de aeroportos expandida de 74 (2014) para 159 (2024).

O esquema UDAN está transformando a conectividade aérea regional da Índia, focando em cidades Tier-2 e Tier-3 através de um modelo orientado ao mercado, mas financeiramente apoiado. O programa oferece Financiamento de Lacuna de Viabilidade (VGF) e tetos de tarifas para tornar a aviação regional comercialmente viável.

Expansão da Embraer na Ásia-Pacífico
A parceria indiana faz parte de uma estratégia mais ampla da Embraer de expandir sua presença na região Ásia-Pacífico. A empresa já tem clientes de alto perfil operando jatos E2 na região:

Scoot (Singapura): recebeu a última de suas nove entregas de E2 em dezembro de 2025. A Embraer espera conquistar mais pedidos da subsidiária da Singapore Airlines.

All Nippon Airways (Japão): fez seu primeiro pedido Embraer em 2024, encomendando 15 E190-E2.
• Virgin Australia: Opera jatos E2 na região da Oceania.

Star Air (Índia): é atualmente a única companhia aérea na Índia operando regularmente aeronaves regionais Embraer (13 E175 e ERJ145).

Raul Villaron, vice-presidente sênior de vendas e marketing da Embraer e chefe de região para a Ásia-Pacífico, observou que essas presenças de alto perfil em diferentes partes da Ásia-Pacífico dão aos jatos E2 boa visibilidade. "Agora temos marcas de clientes realmente fortes em diferentes partes da Ásia-Pacífico", disse ele.

Há também potencial significativo para mais pedidos no mercado australiano, onde já existem cinco operadoras com várias aeronaves Embraer. Villaron projeta que poderia haver um total de 200 aeronaves Embraer operando na Austrália até 2030.

Detalhes da colaboração e próximos passos
Segundo Jeet Adani, múltiplos locais estão sendo explorados para abrigar a linha de montagem dos jatos regionais brasileiros. As fontes indicam que a linha de montagem poderia ser estabelecida em Gujarat ou Andhra Pradesh, enquanto a colaboração em MRO e treinamento poderia ocorrer nas instalações existentes de MRO e treinamento de pilotos da Adani.

A Adani está construindo o maior hangar de MRO de fuselagem larga da Índia em Ahmedabad e já opera 11 simuladores de voo completos avançados e 17 aeronaves de treinamento. Isso proporciona uma base sólida para o ecossistema completo de aviação regional que está sendo desenvolvido.

Os detalhes relacionados a investimento, localização e tipo de aeronave na Índia serão anunciados nos próximos meses. Fontes disseram que os dois países poderiam anunciar mais detalhes durante a visita do presidente brasileiro ainda neste mês.

Crucialmente, Jeet Adani revelou que as duas parceiras já estão tendo discussões com clientes prospectivos de companhias aéreas na Índia para um pedido. "Tudo deve estar no lugar quando os aviões estiverem saindo da FAL", afirmou. A Embraer está em conversações com IndiGo e Air India sobre vendas potenciais futuras ou decisões de frota.

Implicações estratégicas
A convergência do orçamento indiano com a parceria Embraer-Adani representa uma confluência de fatores estratégicos:

• Transferência de tecnologia e desenvolvimento de habilidades: a Embraer compartilhará tecnologias aeroespaciais avançadas, promovendo expertise local.

• Criação de cadeia de suprimentos: a parceria visa construir uma cadeia de suprimentos doméstica robusta para peças e sistemas de aeronaves.

• Expansão da conectividade: projetada para melhorar a conectividade aérea para cidades Tier-2 e Tier-3, apoiando o crescimento econômico regional.

• Geração de empregos: o projeto deve gerar empregos de alta qualificação em engenharia, logística e serviços de suporte.

• Fortalecimento de relações bilaterais: a parceria também fortalecerá as relações estratégicas entre a Índia e o Brasil, reunindo capacidades complementares.

Ashish Rajvanshi, presidente e CEO da Adani Defence & Aerospace, descreveu a colaboração como um "divisor de águas" na autossuficiência da Índia, chamando-a de "um passo ousado em direção à aviação Aatmanirbhar que une divisões urbano-rurais, gera empregos de alta qualificação e eleva a posição da Índia na indústria aeroespacial global".


Números-chave
• Mercado indiano: 3º maior mercado doméstico de aviação do mundo
• Aeronaves regionais na Índia: 81 (vs. 5.150 globalmente)
• Pares de cidades não atendidos: aproximadamente 400
• Turboélices na Ásia-Pacífico para substituição: 800
• Aeronaves Embraer operando na Índia: aproximadamente 50 (comercial, defesa e aviação executiva)
• Rotas UDAN operacionalizadas: 625 conectando 90 aeroportos


Uma janela de oportunidade
O Orçamento Indiano 2026-27 não poderia ter chegado em momento mais propício para a Embraer. A isenção de tarifas alfandegárias sobre componentes de aeronaves reduz significativamente os custos de entrada para fabricantes e operadores de MRO, incentivando a produção local e o desenvolvimento tecnológico.

Combinada com a parceria estratégica com a Adani, anunciada apenas dias antes, a Embraer está posicionada de forma única para capitalizar sobre um mercado de aviação regional massivamente subpenetrado na Índia. Com apenas 81 aeronaves de transporte regional servindo um país de mais de 1,4 bilhão de pessoas, o potencial de crescimento é imenso.

A linha de montagem final prevista marcará a primeira instalação desse tipo na Índia para aeronaves comerciais de asa fixa, colocando o país em um grupo seleto de nações que hospedam tais operações. Para a Embraer, isso representa não apenas acesso a um mercado em crescimento explosivo, mas também a oportunidade de se estabelecer como parceiro preferencial da Índia em sua jornada para se tornar um hub aeroespacial global.

À medida que a Índia trabalha para conectar suas centenas de cidades Tier-2 e Tier-3 através do programa UDAN, os jatos regionais da Embraer, particularmente a família E2, oferecem a solução ideal para preencher a lacuna entre turboélices e narrowbodies. Com apoio governamental claro, parceria industrial forte e demanda de mercado robusta, os próximos anos podem ver a Índia emergir como um dos mercados mais importantes da Embraer globalmente.

 

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