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20 fevereiro, 2026

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas de Trump e resgata a Indústria Brasileira de Defesa

Decisão histórica por 6 votos a 3 invalida o uso da IEEPA e elimina sobretaxas de até 50% que ameaçaram a sobrevivência de gigantes nacionais como Embraer e Taurus Armas 


*LRCA Defense Consulting - 20/02/2026

A Suprema Corte dos Estados Unidos encerrou nesta sexta-feira (20) um dos capítulos mais turbulentos da história recente do comércio exterior brasileiro, ao derrubar por 6 votos a 3 o conjunto de tarifas impostas pelo presidente Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 (IEEPA). A decisão representa um alívio imediato e de enorme magnitude para a indústria brasileira de defesa, que nos últimos meses chegou a encarar o espectro de uma desindustrialização acelerada.

Para empresas como a Taurus Armas e a Embraer, as duas mais duramente atingidas, a sentença da Corte representa não apenas o fim de uma sobretaxa extraordinária, mas o restabelecimento das condições que as tornaram competidoras globais. Com o mercado norte-americano respondendo por fatias superiores a 60% do faturamento de ambas as companhias, o período de vigência das tarifas equivaleu, nas palavras dos próprios executivos, a um embargo comercial velado.

"O presidente reivindica o poder de impor tarifas de valor, duração e alcance ilimitados. Ele não pode fazer isso." — Chief Justice John Roberts, relator da decisão

A decisão: o que a Suprema Corte julgou
O tribunal examinou o recurso do Departamento de Justiça contra decisão de instâncias inferiores que haviam concluído que Trump extrapolou sua autoridade presidencial ao usar a IEEPA para impor tarifas universais. A maioria de Roberts, formada por três juízes de tendência progressista e dois conservadores, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett, aplicou a chamada 'doutrina das questões importantes', que exige autorização explícita do Congresso para ações executivas de 'vasta importância econômica e política'.

A Corte foi clara ao afirmar que a Constituição reserva ao Congresso o poder de tributar, incluindo as tarifas aduaneiras, e que nenhuma delegação implícita poderia autorizar o Executivo a agir com tamanha latitude. A decisão invalida especificamente as tarifas impostas via IEEPA, incluindo as chamadas 'tarifas recíprocas' do Dia da Libertação (2 de abril de 2025), que variavam de 10% a 145%. Outras categorias tarifárias baseadas em fundamentos legais distintos permanecem vigentes, como as tarifas setoriais da Seção 232 sobre aço, alumínio e veículos.

Três juízes dissentiram: Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh. Kavanaugh, em seu voto vencido, alertou que eventual devolução dos valores já arrecadados, estimados em mais de US$ 175 bilhões, geraria um 'caos' administrativo para o Tesouro dos EUA. A questão do reembolso, deliberadamente deixada em aberto pela maioria, deverá ser objeto de disputas jurídicas separadas.

Taurus Armas: do abismo à retomada
Nenhuma outra empresa brasileira viveu com tanta dramaticidade os últimos meses. A Taurus Armas, maior fabricante de armas de fogo do país, exporta para os Estados Unidos mais de 80% de sua produção, o que a tornou a companhia nacional mais dependente daquele mercado em proporção ao faturamento. O anúncio das tarifas de 50% em julho de 2025, motivado por questões político-diplomáticas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi recebido pelo CEO global da empresa, Salesio Nuhs, como 'inviabilidade total'.

A resposta da Taurus foi uma corrida contra o relógio: desde abril de 2025, quando o 'Dia da Libertação' impôs os primeiros 10%, a empresa passou a acumular estoques de produtos acabados nos EUA para até 90 dias de abastecimento. Com a elevação para 50%, a companhia anunciou em agosto a transferência parcial da linha de montagem da família G, sua principal linha de produtos, para a fábrica em Bainbridge, Geórgia, estado onde já opera há mais de quatro décadas.

"As exportações para os EUA representam 82,5% do faturamento da Taurus. Esta é a empresa gaúcha mais dependente do mercado americano." - Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus

O custo humano da crise foi concreto: a perspectiva de relocação integral da produção para os EUA ameaçava até 15 mil empregos no Rio Grande do Sul, estado que já havia sofrido com as enchentes de 2024. A unidade de São Leopoldo, sede histórica da Taurus, teria seu futuro colocado em xeque. Estimativas apontavam que R$ 520 milhões em exportações da cidade estavam atrelados ao mercado americano, o equivalente a 4,7% do PIB municipal.

No comunicado divulgado nesta sexta-feira, a Taurus informou que recolheu aproximadamente US$ 18 milhões em tarifas durante o período de vigência das sobretaxas, valor que 'impactou significativamente o caixa e o resultado da Companhia'. A empresa aguarda as próximas decisões jurídicas sobre a possibilidade de reembolso desses montantes pelo governo americano.

Com a eliminação das tarifas, a Taurus retoma sua posição de única empresa não americana entre as maiores vendedoras de pistolas nos EUA, segmento no qual detém cerca de 30% do mercado na faixa de até US$ 350, competindo diretamente com Ruger e Smith & Wesson.

Embraer: a empresa que não pode ser substituída
A Embraer enfrentou o tarifaço em condições estruturalmente distintas da Taurus, mas igualmente adversas. A fabricante de aeronaves de São José dos Campos é a terceira maior produtora de aviões do mundo, atrás apenas de Airbus e Boeing, e tem nos EUA seu maior cliente: 45% das exportações de jatos comerciais e 70% dos jatos executivos destinam-se ao mercado norte-americano.

O setor aeronáutico foi, em parte, poupado do aumento para 50%; aviões, motores, peças e componentes de aviação foram excluídos do tarifaço em julho de 2025. Ainda assim, a alíquota de 10% mantida desde abril representou um impacto de US$ 65 milhões anuais nas contas da empresa. O CEO Francisco Gomes Neto declarou que o efeito poderia ser comparável ao da pandemia de Covid-19, que forçou cortes de 20% no quadro de funcionários em 2020.

Analistas do Bradesco BBI estimaram um impacto potencial de US$ 220 milhões no EBIT de 2025, equivalente a 35% do lucro operacional projetado para o ano. O JPMorgan calculou um risco de redução de 13% na receita da fabricante. Em resposta, a Embraer anunciou investimentos de US$ 500 milhões nos EUA nos próximos cinco anos, nas instalações de Melbourne (Flórida) e Dallas (Texas), como estratégia para reduzir a exposição tarifária e reforçar argumentos junto ao governo Trump.

"Fazer um novo avião para o segmento regional nos EUA não é algo que acontece rapidamente. Demora anos. O E175 é insubstituível enquanto a cláusula de escopo existir." — Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer

A posição singular da Embraer no mercado americano de aviação regional foi, paradoxalmente, seu maior trunfo nas negociações. O jato E175 detém 88% de participação nos voos regionais dos EUA e é o único autorizado a operar em aeroportos de menor porte por força de regulamentação específica. Com quase 1.000 aeronaves em operação no país e quase 3.000 empregos diretos em solo americano, a empresa sustentou que seu saldo comercial com os EUA até 2030 seria positivo em US$ 8 bilhões em favor dos americanos, argumento que embasou pressão junto à administração Trump para isenções setoriais.

A decisão da Suprema Corte, ao eliminar a tarifa base de 10% incidente desde abril, reforça as perspectivas de a Embraer retornar ao regime de tarifa zero para o setor aeronáutico global, política vigente por décadas antes do governo Trump.

O contexto mais amplo: Brasil no epicentro do tarifaço
O Brasil foi um dos países mais afetados pelo tarifaço de Trump, por razões que mesclavam motivações econômicas e geopolíticas. O país foi submetido a uma alíquota base de 10% no Dia da Libertação e, em julho de 2025, sofreu uma tarifa adicional de 40%, elevando o total para 50%, sob a justificativa, incomum no direito comercial internacional, de que o Brasil estaria tratando injustamente o ex-presidente Jair Bolsonaro em processos judiciais domésticos.

O resultado foi devastador para o comércio bilateral: as exportações brasileiras para os EUA recuaram 6,6% em 2025, somando US$ 37,7 bilhões, ante US$ 40,4 bilhões em 2024. No sentido oposto, as importações de produtos americanos cresceram 11,3%, aprofundando o déficit comercial do Brasil com seu principal parceiro fora do bloco regional.

Setores inteiros sentiram o impacto. As exportações de aeronaves e aparelhos espaciais têm 61,7% de dependência do mercado americano; as de armas e munições, 61,3%. A indústria gaúcha, concentrada nesses dois segmentos, foi particularmente vulnerável. Estimativas do governo federal apontavam que US$ 8,9 bilhões em exportações brasileiras permaneciam sujeitos às tarifas mesmo após as isenções parciais obtidas no segundo semestre de 2025.

Perspectivas: o que vem a seguir
A decisão da Suprema Corte não encerra definitivamente a questão tarifária. A administração Trump já sinalizou que buscará alternativas legais para reinstituir parte das tarifas, notadamente via Seção 232 (segurança nacional) e mecanismos de retaliação contra práticas comerciais supostamente desleais. Nenhum desses instrumentos oferece a flexibilidade e agilidade da IEEPA, o que limita o espaço de manobra do Executivo americano no curto prazo.

Para a indústria brasileira de defesa, os próximos meses serão de consolidação e reposicionamento. A Taurus precisará avaliar a extensão dos investimentos já realizados para transferência de produção para os EUA, linhas que podem ser agora parcialmente revertidas, e monitorar de perto qualquer nova legislação tarifária em Washington. A Embraer, por sua vez, tem a oportunidade de retomar as negociações por tarifa zero sem a pressão de um embargo em vigor, o que fortalece sua posição.

A questão do reembolso das tarifas já pagas é outro ponto central. O Tesouro dos EUA arrecadou mais de US$ 175 bilhões via IEEPA. Empresas como a Taurus, que pagou US$ 18 milhões, aguardam orientação judicial sobre como e se esses valores serão devolvidos. A perspectiva de reembolso representa potencial incremento de caixa relevante para companhias que tiveram seus resultados duramente comprimidos ao longo do período.

Para o Brasil como nação exportadora, a decisão restaura a previsibilidade institucional e reequilibra, ao menos parcialmente, a relação comercial com os EUA. O saldo de longo prazo desta crise, porém, revelou uma vulnerabilidade estrutural: a excessiva concentração de exportações em um único mercado. A diversificação de destinos, um imperativo estratégico identificado por analistas ao longo de toda a crise, permanece como agenda inadiável para as empresas do setor de defesa e para a política industrial brasileira.

Dados-chave da decisão e seus impactos 

Suprema Corte dos EUA — Decisão de 20/02/2026

    Placar: 6 votos a 3 contra as tarifas da IEEPA

    Relator: Chief Justice John Roberts

    Fundamento: doutrina das questões importantes; poder tributário reservado ao Congresso

    Tarifas INVALIDADAS: recíprocas do Dia da Libertação (10% a 145%) e adicionais específicas por país

    Tarifas MANTIDAS: Seção 232 sobre aço, alumínio, automóveis e cobre

    Tarifas já arrecadadas via IEEPA: mais de US$ 175 bilhões (reembolso em aberto)

Taurus Armas

    Dependência do mercado americano: 82,5% do faturamento

    Tarifas recolhidas durante vigência das sobretaxas: ~US$ 18 milhões

    Empregos em risco no RS em cenário de relocação integral: até 15.000

    Market share no segmento de pistolas até US$ 350 nos EUA: ~30%

    Fábrica americana: atualmente em Bainbridge, Geórgia — em operação há 43 anos no país

Embraer

    Participação dos EUA na receita: mais de 50% (operações + exportações diretas)

    Custo estimado da tarifa de 10%: US$ 65 milhões/ano

    Impacto potencial no EBIT 2025 com tarifa de 50%: US$ 220 milhões (~35% do total)

    Market share E175 em voos regionais nos EUA: 88%

    Empregos em solo americano: ~3.000 diretos; 13.000 incluindo cadeia fornecedora

    Investimento anunciado nos EUA: US$ 500 milhões em 5 anos

Embraer e Hindalco assinam um MoU para avaliar potenciais oportunidades de negócios com alumínio no setor aeroespacial

Hidalco é a maior empresa de alumínio do mundo em receita e o segundo maior produtor mundial de barras de cobre fora da China


*LRCA Defense Consulting - 20/02/2026

A Embraer e a Hindalco Industries Limited assinaram um Memorando de Entendimento (MoU, em inglês) para avaliar e explorar potenciais oportunidades de negócios na Índia. A atuação em conjunto visa identificar possibilidades na fabricação de matérias-primas de alumínio aeroespacial para apoiar as iniciativas industriais da Embraer, ao mesmo tempo em que fortalece o compromisso da empresa com a ambição Make in India.

"Essa atuação em conjunto reforça nosso objetivo em identificar parceiros locais que possam se tornar nossos fornecedores e, ao fazer isso, acelerar o desenvolvimento da base industrial indiana", afirma Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras Globais e Cadeia de Suprimentos da Embraer. "A iniciativa fortalece o empenho da Embraer no avanço do ecossistema aeroespacial na Índia, criando valor em toda a cadeia de suprimentos no longo prazo".

A assinatura deste MoU ocorre em um momento em que a Embraer está expandindo sua presença na Índia de forma constante e mantendo um diálogo ativo com líderes locais da indústria e do governo. Ao longo desse ciclo de avaliação, a empresa avaliou diversas capacidades industriais no país, incluindo montagem de aeroestruturas, usinagem, forja e fundição, compostos, cablagem, desenvolvimento de hardware e software.

A Índia representa um mercado estratégico para a Embraer em todos os seus segmentos de negócios. Atualmente, a empresa possui uma frota de 47 aeronaves operando no país, atendendo clientes nas áreas de Aviação Comercial, Executiva e Defesa & Segurança. Isso inclui cinco jatos VIP da Embraer operados pelo governo indiano e três aeronaves EMB 145 AEW "Netra" operadas pela Força Aérea Indiana.

Hindalco Industries Limited em Renukoot, na Índia

Sobre a Hindalco Industries
Hindalco Industries Limited é a empresa principal de metais do Grupo Aditya Birla. É a maior empresa de alumínio do mundo em receita e o segundo maior produtor mundial de barras de cobre fora da China.

A Hindalco atua em toda a cadeia de valor, desde mineração de bauxita, refino de allumina, mineração de carvão e geração de energia cativa até fundição, laminação, extrusões e folhas de alumínio. Junto com sua subsidiária Novelis, é líder global em produtos laminados planos e o maior reciclador mundial de alumínio.

A Hindalco é a maior produtora de cobre da Índia, fornecendo mais da metade da demanda nacional de cobre. Sua instalação de cobre em Gujarat conta com um complexo de fundição e refinaria de classe mundial, unidades a jusante e um cais cativo.

Com 52 fábricas em 10 países, a Hindalco foi classificada como a empresa de alumínio mais sustentável do mundo nos Índices de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI) por cinco anos consecutivos — 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024. 

19 fevereiro, 2026

Embraer e Northrop Grumman anunciam parceria estratégica para levar o KC-390 Millennium ao mercado americano

Acordo formaliza colaboração voltada ao desenvolvimento de capacidades avançadas de reabastecimento em voo; a LRCA Defense Consulting havia antecipado a aliança em agosto de 2025 e em fevereiro de 2026

 

*LRCA Defense Consulting - 19/02/2026

A Embraer e a Northrop Grumman Corporation tornaram pública, nesta quinta-feira (19), uma parceria estratégica para o desenvolvimento conjunto de capacidades avançadas de mobilidade aérea, com foco no KC-390 Millennium. O acordo confirma o que esta Consultoria havia antecipado com precisão: em 5 de agosto de 2025, a LRCA Defense Consulting publicou análise identificando as negociações em curso entre as duas empresas, e em 1º de fevereiro de 2026 reforçou os indícios da parceria iminente, apontando que se tratava da iniciativa mais promissora da Embraer para conquistar o mercado militar dos Estados Unidos.

O comunicado conjunto divulgado pelas empresas detalha que a colaboração visa fornecer um sistema de reabastecimento aéreo de última geração para a Força Aérea dos Estados Unidos e para nações aliadas. O foco imediato é o desenvolvimento do KC-390 Multi-Mission Tanker, com ênfase em uma lança de reabastecimento autônoma avançada, o chamado boom rígido, além de comunicações aprimoradas, sistemas de consciência situacional, opções de sobrevivência e sistemas de missão adaptáveis.

Uma parceria construída sobre complementaridade técnica
A lógica do acordo é clara: a Embraer detém uma plataforma aeronáutica moderna, operacionalmente comprovada e com boa relação custo-benefício, enquanto a Northrop Grumman traz consigo décadas de experiência em sistemas de reabastecimento aéreo e um relacionamento consolidado com o Pentágono. Trata-se exatamente da combinação que a Embraer buscava desde o encerramento de sua parceria com a L3Harris, no final de 2024, empresa com a qual havia trabalhado no conceito "Agile Tanker" desde 2022.

Tom Jones, Vice-Presidente Corporativo e Presidente da Northrop Grumman Aeronautics Systems, destacou que a iniciativa visa "suprir a lacuna em soluções avançadas de mobilidade aérea em nível global", ressaltando o foco na autonomia e eficiência operacional dos países aliados. Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, foi direto ao ponto: "O KC-390 é uma plataforma comprovada operacionalmente e com boa relação custo-benefício, que poderia ser rapidamente incorporada ao inventário da Força Aérea dos EUA."

O KC-390 e o programa NGAS
O pano de fundo estratégico é o programa Next Generation Air Refueling System (NGAS) da USAF, destinado a substituir os antigos KC-135, parte da frota de reabastecimento americano que data da década de 1950. Conforme antecipado por esta Consultoria, a Embraer já havia respondido a uma solicitação de informações sobre sistemas de missão NGAS e mantinha contato ativo com a Força Aérea americana. A nova parceria com a Northrop Grumman eleva substancialmente as credenciais da candidatura do KC-390, uma vez que associa a aeronave brasileira a uma das empresas mais influentes do complexo industrial-militar dos Estados Unidos.

A aeronave possui características que se alinham ao conceito de Agile Combat Employment (ACE) da USAF: capacidade de operar em pistas precárias, reconfiguração entre missões em horas por meio de kits roll-on/roll-off, velocidade de cruzeiro de Mach 0,8 com motores Pratt & Whitney, e taxas de disponibilidade operacional superiores a 93%. Mais de 50% dos materiais de cada aeronave são fornecidos por 59 empresas aeroespaciais americanas, o que facilita a conformidade com o Buy American Act.

Uma campanha longa, agora com novo combustível
A parceria com a Northrop Grumman é a terceira grande tentativa da Embraer de fixar o KC-390 no mercado americano. A primeira, com a Boeing, foi anunciada em novembro de 2019 e encerrada unilateralmente pela empresa americana em abril de 2020. A segunda, com a L3Harris, foi dissolvida no final de 2024 por "prioridades diferentes". As duas experiências, embora frustradas, ensinaram a Embraer a buscar um parceiro com complementaridade técnica mais evidente, e a Northrop Grumman preenche esse requisito com folga, especialmente no que diz respeito ao boom de reabastecimento rígido, tecnologia que o KC-390 ainda não possui em sua configuração atual.

Paralelamente à parceria, a Embraer segue com sua estratégia comercial multifacetada para os EUA: planos de estabelecer uma linha de montagem no país com investimentos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, criação de 2.500 empregos de alta tecnologia, e uma proposta ousada de tarifa zero em troca de produção local, resposta direta às tarifas de 10% impostas pela administração Trump. A empresa projeta exportações de US$ 13 bilhões ao mercado americano até 2030.

Em outubro de 2025, integrantes do Departamento de Defesa da Embaixada dos EUA visitaram a Base Aérea de Anápolis para conhecer o KC-390 em operação com o Esquadrão Zeus. Antes disso, Bosco da Costa Junior havia se reunido com o Secretário de Defesa americano Pete Hegseth durante o Shangri-La Dialogue, em Singapura. Esses contatos diplomáticos de alto nível, combinados com matérias patrocinadas em portais especializados como o Breaking Defense e postagens coordenadas de executivos-chave no LinkedIn, compõem uma campanha que esta Consultoria descreveu, em fevereiro, como "a mais estruturada e agressiva da empresa para conquistar o mercado americano".

O papel de Portugal
A parceria ora anunciada também beneficia Portugal, primeiro cliente internacional do KC-390 e parceiro industrial estratégico da Embraer. A OGMA, empresa aeroespacial controlada em 65% pela Embraer e 35% pelo governo português, fabrica componentes críticos da aeronave, incluindo a fuselagem central. Uma eventual adoção do KC-390 pela Força Aérea americana representaria, para Portugal, um efeito multiplicador que ampliaria a produção na OGMA, reforçaria o papel do país como hub europeu de manutenção e consolidaria a Base Aérea nº 11 como centro de excelência em treinamento, posição que Portugal já começou a construir ao ser o primeiro membro da OTAN a operar o tipo.

Perspectivas
A formalização da parceria com a Northrop Grumman representa um salto qualitativo na campanha da Embraer. Diferentemente dos acordos anteriores, este une uma plataforma comprovada a uma empresa com relacionamento orgânico com o Pentágono e expertise direta na tecnologia que faltava ao KC-390. O comunicado conjunto menciona explicitamente os investimentos coordenados das duas empresas e o foco na "entrega rápida de capacidades às forças armadas", linguagem que sugere alinhamento com as urgências operacionais que a USAF tem sinalizado.

O desfecho desta parceria, e da candidatura do KC-390 ao programa NGAS, definirá não apenas o futuro da aeronave, mas também as ambições globais da Embraer no setor de defesa. Esta Consultoria seguirá acompanhando os desdobramentos.

Taurus lança a pistola TX38 TPC e consolida o primeiro calibre desenvolvido no Brasil

Em live transmitida simultaneamente por múltiplas plataformas digitais, o CEO Global Salesio Nuhs apresentou a pistola full size ao mercado brasileiro com disponibilidade imediata em mais de 50 lojas do país


*LRCA Defense Consulting - 19/02/2026

A Taurus Armas realizou ontem o lançamento oficial da TX38 TPC, a versão em calibre .38 TPC da sua mais nova plataforma de pistolas full size. O evento foi conduzido ao vivo pelo CEO Global da companhia, Salesio Nuhs, em transmissão simultânea pelo YouTube, Instagram e Facebook, canais oficiais da marca e pessoais do executivo, contando com a participação de influenciadores digitais, lojistas, atiradores desportivos e um embaixador americano da marca. A audiência superou a marca de mil espectadores simultâneos ao longo da transmissão.

"Estamos bastante felizes e empolgados com o lançamento da TX38", disse Nuhs, que reconheceu estar estreando como âncora de lives. "O nosso sucesso é o sucesso de vocês, e o sucesso de vocês é o nosso sucesso." A frase capturou bem o tom da noite: uma apresentação que misturou números de vendas, especificações técnicas e uma comunicação direta com o ecossistema de lojistas, clubes de tiro e consumidores finais.

O calibre brasileiro

A TX38 TPC chega ao mercado como a mais recente integrante da família TX, plataforma que inclui a TX22, recordista de vendas nos Estados Unidos na categoria .22, e a TX9, lançada globalmente em 8 de janeiro deste ano. O .38 TPC, no entanto, carrega um valor simbólico específico: é o primeiro calibre desenvolvido integralmente no Brasil. O projeto nasceu da necessidade de preencher simultaneamente uma lacuna balística e uma demanda regulatória.

Com a restrição do 9mm ao uso permitido para civis, exigindo credencial de nível 3 para aquisição, a Taurus e a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) desenvolveram em cerca de seis meses um calibre que, nas palavras do CEO, "reuniu o que existe de melhor em balística para defesa pessoal". O resultado foi um cartucho posicionado entre o .380 e o 9mm: superior ao primeiro em efetividade e com recuo mais suave que o segundo, tornando-o mais acessível a atiradores com menor experiência ou sensibilidade ao recuo.

Os números reforçam a estratégia: segundo Nuhs, o .38 TPC representa, isoladamente, 72% das armas registradas no Sinarm (Sistema Nacional de Armas) no Brasil, considerando todos os fabricantes e todas as outras categorias da Taurus. "Aqueles que na época chamaram de calibre tupiniquim ou tabajara, agora entendem o quão importante foi esse lançamento", disse o executivo, sem citar nomes, mas claramente endereçando aos críticos do período inicial.

A plataforma TX: protocolos militares, garantia vitalícia

A TX38 TPC chega ao mercado brasileiro incialmente como uma pistola full size (tamanho de serviço) desenvolvida segundo rígidos protocolos militares, padrão mais rigoroso que o exigido para armas de uso civil. Entre os diferenciais apresentados estão o Taurus Modular System (Sistema Modular Taurus - TMS), o sistema de mira optrônica integrado TORO, funil integrado, design totalmente ambidestro e sistema de segurança Tetralock com quatro travas. A arma também está disponível em versão sem trava externa, opção que a empresa indicou explorar em momento futuro.

Um dos aspectos mais enfatizados na live foi a garantia vitalícia que acompanha toda a família TX. "Nós confiamos tanto nessa arma que ela está sendo apresentada no mundo com garantia vitalícia", afirmou Nuhs. As condições específicas estão detalhadas no site da empresa. A Taurus também destacou que o gatilho apresentado na época das feiras (incluindo o SHOT Show 2025, em Las Vegas) é exatamente o mesmo que está sendo comercializado agora, sem alterações entre o protótipo e o produto final.

Clique aqui ou na imagem para ver a live no YouTube, pois o vídeo tem restrições de idade e não pode ser incorporado na página.

Mil disparos em dez minutos: o teste de estresse

Um dos momentos mais aguardados da transmissão foi o relato de Matthew Little, ex-integrante das Forças Especiais do Exército americano, instrutor da SWAT e embaixador da Taurus nos Estados Unidos. Traduzido ao vivo por Juliano Perretti, influenciador brasileiro radicado nos EUA, Matthew descreveu em detalhes o teste de tortura conduzido com a TX9.

"Mil rounds em si não é uma quantidade enorme para uma pistola, mas realizá-los em pouco mais de dez minutos é muito mais do que os requisitos de engenharia das pistolas mais modernas. Eu não acho que toda pistola lá fora faria isso, de qualquer forma. E a Taurus realmente demonstrou isso." - Matthew Little, embaixador Taurus nos EUA

O instrutor relatou que, dada a intensidade da cadência de disparos, o calor acumulado pelo equipamento chegou a níveis que exigiram mergulhar a arma em água gelada por algumas vezes, não por falha mecânica, mas para proteger suas próprias mãos. Ainda assim, segundo ele, não houve nenhuma falha de funcionamento durante os mil disparos. Matthew também elogiou a ergonomia e a qualidade do gatilho, apontando o conforto ao atirar como um diferencial relevante, mesmo em condições extremas.

Sobre o .38 TPC especificamente, o instrutor comentou que testou o calibre durante a Shot Fair em São Paulo no ano anterior. Comparou-o ao .30 Super Carry americano, cartucho desenvolvido nos EUA com propósito similar, destacando o recuo controlável e a precisão. Ressaltou que, embora não quisesse citar números balísticos exatos por não os ter à mão, avaliou o calibre como eficiente para defesa pessoal e mais confortável que o 9mm.

Vozes do mercado: lojistas, atiradores e influenciadores

A live reuniu um painel diversificado de especialistas. Samuel Cout, influenciador digital com milhões de seguidores, avaliou positivamente a ergonomia e o gatilho da TX38, destacando que a plataforma full size preenche uma lacuna real no portfólio de armas de calibre permitido no Brasil, onde a ausência de opções para atiradores iniciantes era sentida. "Esse problema acabou", afirmou Thyago Almeida, instrutor de tiro e influenciador de Brasília, ao se referir à chegada da TX às divisões do IPSC.

Fabi Venera, presidente da FECASC (Federação Catarinense de Tiro Desportivo) e dona de loja e clube de tiro em Santa Catarina, ressaltou a importância do calibre para o tiro esportivo. Segundo ela, a homologação do .38 TPC no IPSC, com a TX9 e a TX38 TPC em processo de registro na divisão Production (previsto para até o final de março), abre a modalidade a atiradores de nível 1, que antes ficavam restritos à divisão Light. "O mercado está precisando, e essa iniciativa aquecerá os clubes e as lojas", disse.

Juliano Perretti, brasileiro que atua como influenciador no mercado americano, trouxe a perspectiva do maior mercado de armas do mundo. Destacou o caráter modular da plataforma TX como um diferencial bem recebido pelo consumidor americano, habituado a personalizar seus equipamentos, e comparou a estratégia de posicionamento da TX9, lançada acima da faixa tradicional de preço da Taurus nos EUA, à trajetória da TX22, sucesso de vendas consolidado.

Disponibilidade e estratégia comercial

Seguindo o modelo já adotado nos Estados Unidos, a Taurus optou por um lançamento com disponibilidade imediata. Mais de 50 lojas parceiras em todo o Brasil já receberam estoque antecipado e foram autorizadas a iniciar as vendas e divulgar os produtos a partir do meio-dia do dia do evento. As demais lojas que realizarem pedidos receberão os produtos imediatamente, segundo Nuhs.

A família TX já acumula uma carteira de mais de 150 mil unidades nos Estados Unidos, somando TX22 e TX9, desde o lançamento global em janeiro. No Brasil, a empresa enfrenta o desafio adicional da carga tributária sobre o produto final, fator mencionado por alguns dos convidados como um limitador de acessibilidade ao consumidor de menor renda.

Contexto: a nova fase da Taurus

Nuhs posicionou o lançamento da TX38 TPC dentro de uma narrativa mais ampla de transformação da companhia. Citou a G2C, pistola compacta que vendeu mais de 3 milhões de unidades globalmente e se tornou a compacta mais vendida do mundo, como o grande sucesso da gestão atual, e a família TX como o próximo capítulo dessa história.
"Da G2C para a TX tem uma evolução enorme", avaliou Samuel Cout, enquanto Thyago Almeida acrescentou que nunca havia visto uma empresa se esforçar tanto para se superar. A frase resume o tom da noite: a Taurus apresentando não apenas um produto, mas uma afirmação de identidade industrial, a de uma empresa brasileira competindo de igual para igual - com produtos desenvolvidos localmente - no disputado cenário armamentista global.

Pistola Taurus TX38 TPC Full 

Especificações básicas

  • Calibre: .38 TPC (projétil proprietário Taurus/CBC).​​
  • Ação: Striker‑fired (SAO, “hair‑trigger” de ferrolho), 3ª geração.
  • Funcionamento: pistola semi‑automática, alma raiada, 6 raias à direita.​
  • Capacidade: cerca de 17 tiros no carregador (17+1 na grande maioria dos anúncios).
  • Tipo de carregador: bifilar.​

Dimensões e peso

  • Cano: 4,5 pol (aprox. 114 mm).​
  • Comprimento total: cerca de 197 mm.​
  • Altura: 132 mm.​
  • Largura: 32,5 mm.​
  • Peso não carregado: 709 g (aprox. 0,7 kg).​

Sistema modular e ergonomia

  • Taurus Modular System (TMS): chassi interno com número de série, que permite a troca de empunhadura e manutenção de segundo escalão sem ferramentas.
  • Empunhadura: texturizada, com 4 backstraps (encaixes para palma) intercambiáveis para ajuste ao tamanho da mão.​
  • Trilho Picatinny na parte inferior para lanterna tática ou laser.​

Miras e óptica

  • Miras mecânicas: massa de mira ajustável, com ponto branco para melhor aquisição visual; alguns conteúdos apontam para mira de trítio para baixa luminosidade em versões específicas.​
  • Sistema T.O.R.O. (Taurus Optic Ready Option): carcaça preparada diretamente de fábrica para instalação de miras Red Dot (ópticas compactas) sem necessidade de customização externa.​

Segurança e gatilho

  • Sistema de segurança Tetra‑Lock: quatro mecanismos independentes:
    • trava de percussor,
    • trava de gatilho,
    • trava manual externa,
    • trava de desarme da armadilha.
  • Gatilho: desenho plano e serrilhado, com curso e reset otimizados para disparos rápidos, típico de pistolas de uso operacional.​
  • Controles: retém do ferrolho e trava manual ambidestros, mais retém do carregador reversível.​

Durabilidade e acabamento

  • Ferrolho: acabamento nitretado a gás (gas‑nitrided), que oferece maior resistência à corrosão e ao desgaste.
  • Cano: revestimento de tipo DLC (Diamond Like Carbon), aumentando dureza e suavidade no deslizamento.​
  • Classificada como “Duty Grade”: projetada e testada sob protocolos militares/policiais, com foco em confiabilidade e durabilidade em uso operacional.

Proposta de uso

  • Direcionada a uso operacional, defesa pessoal e esportivo (IPSC/competição), aproveitando o calibre .38 TPC com energia cerca de 40% maior que o .380 AUTO, com sensação de recuo menor que o 9×19, o que facilita o controle e a recuperação de pontaria.​
 

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