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14 abril, 2026

BNDES aprova R$ 279 milhões para inovação da Embraer em novo impulso à indústria aeronáutica brasileira

Recursos do programa BNDES Mais Inovação financiarão pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para a linha de produtos da fabricante; apoio total do banco à empresa desde 2023 já supera R$ 28,8 bilhões

 

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LRCA Defense Consulting - 14/04/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta terça-feira a aprovação de um financiamento de R$ 279 milhões destinado à Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo. Os recursos, provenientes do programa BNDES Mais Inovação, serão direcionados ao plano de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação da companhia, com o objetivo de pesquisar novas tecnologias que poderão ser incorporadas à atual linha de produtos.

A operação reforça a parceria estratégica entre o banco de fomento e a empresa de capital aberto sediada em São José dos Campos (SP), e se insere em um contexto de crescente apoio estatal à indústria aeroespacial nacional.

Gigante do setor com produção voltada ao exterior
A Embraer atua nos segmentos de aviação comercial, executiva, agrícola e defesa e segurança, com mais de 90% de sua produção destinada à exportação, contribuindo positivamente para a balança comercial brasileira. A empresa gera mais de 21 mil empregos diretos no Brasil, com plantas industriais e centros de serviços em Botucatu, Gavião Peixoto, Campinas, Sorocaba e Taubaté, no interior de São Paulo, além de escritórios de engenharia em Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC).

Os resultados financeiros recentes evidenciam a solidez da fabricante. Em 2025, a Embraer registrou a maior receita anual de sua história, alcançando R$ 41,9 bilhões, um crescimento de 18% em relação a 2024, impulsionada pelo forte desempenho em defesa e segurança (+36%) e aviação executiva (+24%), com entrega de 244 aeronaves ao longo do ano.

Focos da inovação: emissão zero, IA e Indústria 4.0
O novo financiamento se soma a uma iniciativa mais ampla já em curso. O plano de inovação da Embraer para o período 2023–2027 prevê R$ 650 milhões para projetos de desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias, buscando incorporar soluções digitais para ganhos de eficiência e produtividade, além do desenvolvimento de tecnologias de mobilidade aérea sustentável, com foco em transição energética e redução das emissões de carbono.

As iniciativas concentram-se em quatro temas prioritários: emissão zero, inteligência artificial e ciência de dados, indústria 4.0 e competitividade da fuselagem, sendo implementadas nos complexos industriais de São José dos Campos, Gavião Peixoto e Botucatu.

O escopo estratégico do financiamento também se alinha a diretrizes nacionais mais amplas. O plano está alinhado às missões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, promovendo mobilidade sustentável, transformação digital da indústria, transição e segurança energéticas, e tecnologias de interesse para a soberania e defesa nacionais.

Vozes institucionais: estratégia e competitividade
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o caráter estratégico do setor. Segundo ele, o financiamento apoiará um plano de inovação a ser executado integralmente no Brasil, garantindo a qualificação da mão de obra brasileira e abrindo novos mercados no exterior.

Já o presidente e CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, reforçou o compromisso da empresa com a inovação. Para ele, a inovação é central para a estratégia de crescimento tanto no mercado nacional quanto no internacional, sustentada pelo investimento contínuo em novas tecnologias.

Volume recorde de apoio desde 2023
O novo aporte integra um histórico expressivo de suporte financeiro. O financiamento faz parte de um montante de R$ 28,8 bilhões aprovados pelo BNDES para a Embraer desde janeiro de 2023, valor 108% superior ao registrado entre 2019 e 2022, quando foram liberados R$ 13,8 bilhões.

Do total aprovado desde 2023, R$ 27,13 bilhões foram destinados ao financiamento das exportações de aeronaves, enquanto R$ 1,68 bilhão foi direcionado a projetos de desenvolvimento tecnológico.

Além do crédito, o banco ampliou sua presença no ecossistema da Embraer por meio de investimento acionário. A BNDESPar, subsidiária de participações do banco, aportou US$ 74,9 milhões (R$ 405,3 milhões) na Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer que desenvolve um eVTOL, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, com tecnologias de propulsão elétrica, sistemas autônomos e conectividade.

Opacidade nas condições do crédito
Apesar do vulto da operação, informações sobre as condições do empréstimo não foram divulgadas. O BNDES não informou a taxa de juros nem o prazo de pagamento do empréstimo, e a Embraer também não detalhou essas informações quando consultada.

A falta de transparência sobre as condições financeiras tende a alimentar o debate recorrente em torno do relacionamento entre bancos públicos e grandes corporações, ainda que o BNDES defenda que aposta em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.

Contexto mais amplo: Nova Indústria Brasil
O financiamento à Embraer se insere na política industrial Nova Indústria Brasil (NIB), que orienta as prioridades do BNDES no atual governo. Pelo Plano Mais Produção, braço de financiamento da NIB, o banco prevê R$ 300 bilhões destinados a operações nos eixos de inovação e digitalização, exportação, sustentabilidade e produtividade até o final de 2026.

Com o novo aporte à Embraer, o BNDES reafirma sua aposta na indústria aeroespacial como vetor de desenvolvimento tecnológico, geração de empregos qualificados e inserção competitiva do Brasil no mercado global de alta tecnologia.

13 abril, 2026

Moya Aero e Speedbird assinam Memorando de Entendimento Estratégico para explorar colaboração integrada em logística com drones


*LRCA Defense Consulting - 13/04/2026

A Moya Aero e a Speedbird anunciaram hoje a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) não vinculativo para explorar uma colaboração estratégica com o objetivo de impulsionar a logística com drones e soluções de mobilidade aérea de próxima geração.

O MoU estabelece uma estrutura para que as duas empresas inovadoras do setor aeroespacial brasileiro avaliem sinergias operacionais, integração de tecnologia e potenciais modelos de parceria de longo prazo, mantendo total independência e sem criar compromissos comerciais vinculativos.

“Essa colaboração exploratória nos permitirá continuar focando em nossas principais missões e capacidades de entrega, enquanto buscamos expandir a gama de soluções que podemos oferecer aos clientes, compartilhando uma comunalidade operacional de uma forma inédita no setor de drones.”, segundo Manoel Coelho, CEO da Speedbird Aero.

“Este memorando de entendimento nos permite explorar como nossa plataforma de eVTOL de grande capacidade pode complementar a experiência operacional BVLOS (Beyond Visual Line of Sight - Além da Linha de Visada) e o ecossistema de software da Speedbird.” Alexandre Zaramela, CEO da Moya Aero, acrescenta: “Juntos, podemos acelerar e reduzir os riscos da implantação de um portfólio crescente de soluções avançadas de logística aérea.”

Uma visão compartilhada para logística aérea escalável
A colaboração se concentrará na identificação de oportunidades para combinar a plataforma eVTOL de grande capacidade da Moya com as operações de logística de drones certificadas e o ecossistema de software da Speedbird. As áreas de exploração incluem:
· Interoperabilidade entre aeronaves, sistemas e plataformas de Comando e Controle.
· Sinergias operacionais em logística de drones e estratégias coordenadas de entrada no mercado.
· Acesso conjunto a subsídios, financiamento público, programas de inovação e fóruns do setor.

Juntas, as empresas visam avaliar uma oferta de frota integrada que varia de pequenos drones a grandes aeronaves eVTOL, possibilitando soluções logísticas escaláveis para diversos mercados. O memorando de entendimento destaca as capacidades e linhas de produtos complementares de ambas as empresas, abrangendo aeronaves com peso máximo de decolagem (MTOW) de menos de 25 kg (55 lb) a até 600 kg (1320 lb). Os esforços iniciais priorizarão oportunidades nas Américas, com avaliação futura opcional da Europa e da Ásia.

“Este acordo reflete a crença compartilhada de que o futuro da logística aérea será construído por meio da colaboração entre tecnologias e capacidades complementares”, afirma André Stein, Diretor do Conselho e Presidente para as Américas da Speedbird e da Moya. “A Moya e a Speedbird são verdadeiras pioneiras em Mobilidade Aérea Avançada e ajudam a posicionar o Brasil como um líder global no segmento.”

12 abril, 2026

Do quartel ao mercado: governo lança sistema para recolocar 70 mil militares por ano na vida civil

Portaria do Ministério da Defesa reformula o Projeto Soldado Cidadão e cria estrutura inédita de reposicionamento profissional para ex-militares temporários das Forças Armadas 


*LRCA Defense Consulting - 12/04/2026

Todo ano, cerca de 70 mil brasileiros encerram seu vínculo com as Forças Armadas após cumprirem o serviço militar temporário. Soldados, cabos, sargentos, marinheiros e oficiais que dedicaram meses ou anos à segurança do país voltam à vida civil, muitas vezes sem uma rede de apoio estruturada para essa transição. A partir de março de 2026, o governo federal decidiu mudar esse cenário com uma iniciativa abrangente que combina capacitação profissional, orientação de carreira e estímulo ao empreendedorismo.

O Ministério da Defesa lançou oficialmente, em 23 de março, com a publicação no Diário Oficial da União da Portaria GM-MD nº 1.582, o Projeto Soldado Cidadão e o Sistema de Reposicionamento Profissional para Militares Temporários das Forças Armadas. A portaria foi assinada pelo ministro José Mucio Monteiro Filho e entra em vigor imediatamente, revogando normas anteriores sobre o tema.

Uma ponte entre o quartel e o emprego
A iniciativa chama atenção porque mexe com uma realidade pouco discutida fora dos quartéis: todos os anos, milhares de militares temporários deixam a Marinha, o Exército e a Aeronáutica depois de um período de serviço e precisam buscar espaço no setor privado ou em outras atividades civis.

O novo sistema não é criado do zero. O Projeto Soldado Cidadão existe desde 2004 e já qualificou cerca de 330 mil jovens ao longo de suas duas décadas de existência. A diferença agora está na escala da reestruturação e na criação de um mecanismo centralizado de recolocação. A meta estabelecida pelo governo é ambiciosa: que 40% a 50% dos militares que deixam o serviço ativo saiam com empregabilidade já definida ou bem encaminhada.

Para isso, as ações foram organizadas em sete frentes: capacitação profissional, apoio técnico na busca por emprego (com orientação para elaboração de currículos e preparação para entrevistas), parcerias com empresas e associações, integração com escolas técnicas e universidades, fomento ao empreendedorismo, coordenação de feiras de empregabilidade e uso de um sistema informatizado de recolocação.

Estrutura institucional e governança
O Ministério da Defesa funcionará como órgão central do sistema, enquanto Marinha, Exército e Aeronáutica atuarão como órgãos setoriais na implementação das medidas. A execução ficará ligada à Secretaria de Pessoal, Saúde, Desporto e Projetos Sociais, por meio da Coordenação-Geral do Projeto Soldado Cidadão, dentro do Departamento de Projetos Sociais.

A portaria também institui uma Comissão Técnica de Governança responsável por coordenar, avaliar e orientar as ações do sistema. O grupo terá participação de representantes do Ministério da Defesa e das Forças Armadas e funcionará com reuniões periódicas, com atribuições que incluem a definição de diretrizes, avaliação de resultados e articulação de parcerias com setores públicos e privados.

Outro incentivo previsto é o Prêmio Melhor Gestão do Projeto Soldado Cidadão, a ser concedido anualmente a instituições e personalidades que se destaquem na execução do programa, uma forma de estimular boas práticas e reconhecer parceiros comprometidos com a iniciativa.

Ministério do Empreendedorismo entra na parceria
Dias após a publicação da portaria, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) anunciou sua adesão ao programa. A pasta se concentrará no fomento ao empreendedorismo, oferecendo capacitação, orientação e acesso a programas de apoio a micro e pequenas empresas para militares egressos que queiram abrir seus próprios negócios. Em publicação oficial, o ministério resumiu o espírito da iniciativa: "Cuidar de quem cuidou do Brasil também é construir desenvolvimento."

Um workshop como ponto de partida
O que está acontecendo em 2026 é uma reconfiguração mais ampla. Nos dias 16 a 18 de março, o Ministério da Defesa promoveu em Brasília o 1º Workshop do Sistema de Reposicionamento Profissional de Militares Temporários das Forças Armadas, justamente para discutir a nova fase do programa, apresentar as bases do sistema e aproximar atores públicos, parceiros e representantes do terceiro setor. O evento reuniu autoridades civis, militares e parceiros para alinhar políticas públicas e foi o ponto de largada formal para a portaria publicada dias depois.

O impacto esperado
As parcerias realizadas pelo Projeto Soldado Cidadão devem privilegiar a inclusão de militares em programas existentes do Governo Federal, além de atentar para a possibilidade de aproveitamento da mão de obra de militares nas empresas da Base Industrial de Defesa. Essa diretriz aponta para um movimento estratégico: além do benefício social imediato para os egressos, o governo enxerga na iniciativa uma oportunidade de fortalecer setores industriais que já dialogam com a formação técnica das Forças Armadas.

Para o governo federal, a medida representa ao mesmo tempo um ato de reconhecimento, valorizar quem serviu ao país, e um investimento em desenvolvimento nacional, ao reinserir mão de obra qualificada, disciplinada e com formação técnica no mercado privado. Os detalhes sobre inscrições em cursos, calendário de feiras de emprego e acesso ao sistema informatizado serão divulgados nos próximos meses pelos canais oficiais das Forças Armadas e do Ministério da Defesa.

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