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06 março, 2026

Embraer registra recorde histórico de receitas em 2025 e supera estimativas anuais

Fabricante brasileira entregou 244 aeronaves, com crescimento de 18% no volume frente a 2024, e alcançou US$ 7,58 bilhões em receita anual, o maior patamar de toda a história da companhia.


 

*LRCA Defense Consulting - 06/03/2026

A Embraer, uma das principais fabricantes de aeronaves do mundo, divulgou seus resultados nesta manhã, trazendo números fortes e excelentes perspectivas. 

Principais indicadores financeiros

Indicador

4T25

2025

2024

Receita Líquida (US$ bi)

US$ 2,65 bi

US$ 7,58 bi

US$ 6,42 bi

EBIT Ajustado (US$ mi)

US$ 230,9 mi

US$ 656,8 mi

US$ 558,2 mi

Margem EBIT Ajustada

8,7%

8,7%

8,7%

FCL Ajustado s/ Eve

US$ 738,3 mi

US$ 491,2 mi

Aeronaves Entregues

91

244

206

Carteira de Pedidos

US$ 31,6 bi

US$ 26,3 bi

Fonte: Relatório de Resultados Embraer 4T25 (valores em USD; R$ convertidos pela taxa de câmbio do período).

Receita anual bate recorde; Defesa e Aviação Executiva lideram crescimento

A Embraer encerrou 2025 com receita consolidada de US$ 7,58 bilhões, o maior nível anual de toda a história da empresa, representando expansão de +18% na comparação com 2024 e superando o teto das projeções divulgadas anteriormente pela companhia. No quarto trimestre isolado, as receitas chegaram a US$ 2,65 bilhões.

O desempenho foi puxado especialmente por dois segmentos. A divisão de Defesa & Segurança avançou +36% no acumulado do ano, impulsionada pelo maior reconhecimento de receita do cargueiro tático KC-390 Millennium conforme o progresso de entregas e a composição da carteira de clientes. Já a Aviação Executiva cresceu +25%, beneficiada por maiores volumes e preços médios mais elevados nos jatos leves e médios da família Phenom e Praetor.

A Aviação Comercial registrou queda de -10% nas receitas do 4T25 frente ao mesmo período de 2024, reflexo do mix de clientes no trimestre. No entanto, o segmento de Serviços & Suporte avançou +16% no trimestre e +21% no ano, demonstrando a resiliência do negócio de pós-venda.

EBIT ajustado supera projeções com margem de 8,7%

O lucro operacional ajustado (EBIT ajustado) totalizou US$ 656,8 milhões em 2025, com margem de 8,7%, acima das estimativas da própria empresa. No quarto trimestre, o EBIT ajustado alcançou US$ 230,9 milhões, também com margem de 8,7%, reforçando a consistência operacional ao longo do ano.

Um fator de pressão relevante foram as tarifas de importação norte-americanas, que totalizaram US$ 27 milhões no 4T25 (equivalente a 102 pontos-base de impacto na margem) e US$ 54 milhões no acumulado do ano. Na Aviação Executiva, esse custo representou 320 pontos-base no trimestre, mas foi compensado pela alavancagem operacional e pelo repasse de preços. A empresa já incorpora a tarifa de 10% vigente em suas projeções para 2026.

244 aeronaves entregues em 2025 — crescimento de 18%

A Embraer entregou 244 aeronaves em 2025, ante 206 no ano anterior (+18%), consolidando o maior volume anual desde a reestruturação da empresa. Somente no quarto trimestre foram entregues 91 unidades, período sazonalmente mais carregado.

 

Segmento / Tipo

4T25

2025

2024

Aviação Comercial (total)

32

78

73

  → E2

18

44

  → E1

14

34

Aviação Executiva (total)

53

155

130

  → Jatos Leves

28

86

  → Jatos Médios

25

69

Defesa & Segurança

6

11

3

  → KC-390 Millennium

2

3

  → A-29 Super Tucano

4

8

TOTAL

91

244

206

Fonte: Relatório de Entregas e Carteira de Pedidos 4T25 — Embraer.

O salto de +267% nas entregas de Defesa & Segurança (de 3 para 11 aeronaves) merece destaque, refletindo a maturação do programa KC-390 e a demanda crescente pelo A-29 Super Tucano em mercados internacionais.

Carteira de pedidos atinge recorde histórico de US$ 31,6 bilhões

A carteira total de pedidos firmes da Embraer fechou o quarto trimestre de 2025 em US$ 31,6 bilhões, recorde histórico da companhia e crescimento de +20% frente ao mesmo período de 2024 (US$ 26,3 bilhões). Todos os segmentos contribuíram para a expansão.

A Aviação Comercial se destacou com um book-to-bill de 2,8 vezes nas plataformas E175 e E2, indicando que, para cada real faturado no período, a empresa gerou 2,8 vezes mais em novos contratos. Isso se traduziu em alta de +42% na carteira do segmento ano contra ano. Defesa & Segurança avançou +10%, Serviços & Suporte +7% e Aviação Executiva +3%.

A robustez da carteira confere visibilidade de receita para os próximos anos e embasa as projeções positivas da empresa para 2026.

Geração de caixa forte; empresa passa a ter posição líquida positiva

O fluxo de caixa livre ajustado, excluindo a subsidiária de mobilidade aérea urbana Eve, foi de US$ 738,3 milhões no 4T25 e de US$ 491,2 milhões no acumulado de 2025, impulsionado principalmente pelo maior volume de entregas no período.

Como resultado, a Embraer encerrou 2025 com uma posição de caixa líquida positiva de US$ 109,3 milhões (excluindo Eve), uma virada relevante frente à posição líquida negativa de US$ 124,3 milhões registrada ao final de 2024. Incluindo a Eve, o caixa líquido consolidado ficou positivo em US$ 320,3 milhões.

A gestão ativa do passivo foi outro ponto de destaque: o prazo médio de vencimento dos empréstimos da Embraer (sem Eve) saltou de 3,7 anos no 4T24 para 9,1 anos no 4T25, reduzindo o risco de refinanciamento e o custo de capital. O custo dos empréstimos em dólar caiu de 6,25% para 5,60% ao ano no período.

Estimativas para 2026: crescimento continuado com olho nas tarifas

Para o exercício de 2026, a Embraer projeta:

       Entregas da Aviação Comercial: entre 80 e 85 aeronaves

       Entregas da Aviação Executiva: entre 160 e 170 aeronaves

       Receita consolidada: US$ 8,2 bilhões a US$ 8,5 bilhões

       Margem EBIT ajustada: 8,7% a 9,3% (já contemplando tarifas de importação de 10%)

       Fluxo de caixa livre ajustado: US$ 200 milhões ou mais

As estimativas já incorporam o impacto das tarifas de importação norte-americanas de 10% sobre os produtos da companhia. Caso o cenário tarifário piore, a Embraer pode ter que revisar suas projeções, um risco que o mercado deverá monitorar de perto.

Contexto e perspectivas

Os resultados de 2025 representam um marco para a Embraer, que consolidou sua recuperação pós-pandemia e pós-renegociação com a Boeing, retomando trajetória de crescimento sustentável. A empresa é a maior fabricante mundial de jatos comerciais com até 150 assentos e tem ampliado sua presença em defesa e serviços, diversificando as fontes de receita.

O principal vetor de risco externo reside na política comercial dos Estados Unidos. As tarifas de importação já representaram um custo de US$ 54 milhões em 2025 e tendem a permanecer como variável relevante, dado que parcela significativa dos jatos executivos Phenom e Praetor é fabricada em Melbourne (Florida) e São José dos Campos (SP), com componentes transfronteiriços.

A carteira recorde de pedidos, o aumento do prazo médio da dívida e o retorno à posição de caixa líquida positiva sinalizam que a Embraer entra em 2026 com fundamentos sólidos para sustentar sua trajetória de crescimento. 

05 março, 2026

Polônia e Embraer: uma parceria estratégica que ganha altitude e tração para o C-390

Frase em polonês: "Bem-vindo à Embraer" sobre um KC-390 já estilizado para a Força Aérea Polonesa, durante recente visita de militares desse país às instalações da Embraer no Brasil 

 
*LRCA Defense Consulting - 05/03/2026

A cooperação entre a Polônia e a fabricante brasileira de aeronaves Embraer está entrando em uma nova fase. Reuniões recentes entre autoridades civis e militares polonesas e executivos da empresa sinalizam que Varsóvia quer muito mais do que simples compras de equipamentos militares prontos; quer tecnologia, capacidade industrial própria e um lugar no ecossistema global de defesa aeronáutica.

A reunião que mudou o tom
Em 24 de fevereiro, o vice-ministro dos Ativos do Estado da Polônia, Konrad Gołota, reuniu-se com representantes da Embraer, incluindo o presidente do setor de defesa da empresa, João Bosco da Costa Junior. As conversas giraram em torno das possibilidades de cooperação industrial entre o setor de defesa polonês e o gigante aeroespacial brasileiro.

O sinal político foi claro: Gołota destacou que a Polônia está abandonando o sistema de aquisições "de prateleira" e aposta no desenvolvimento de capacidades nacionais, transferência de tecnologia e participação nas cadeias globais de fornecimento.

Para a Defence24, portal especializado polonês, a declaração está diretamente ligada às recentes propostas da Embraer para a Polônia, centradas principalmente no avião de transporte C-390 Millennium, que nos últimos anos conquistou mercados europeus.

KC-390 Millennium: a grande aposta
O avião no centro das negociações é o Embraer C-390 Millennium, uma aeronave de transporte militar multifuncional moderna. A máquina é vista como um dos principais candidatos a substituir parte da frota de antigos aviões C-130 Hercules, que há anos formam o núcleo do transporte militar polonês.

O C-390 pode transportar até 26 toneladas de carga, voar a cerca de 870 km/h e operar a partir de pistas não pavimentadas. É uma aeronave multimissão, capaz de atuar no transporte de tropas e equipamentos, lançamento de paraquedistas, evacuação médica, operações de busca e salvamento, combate a incêndios e missões humanitárias.

A versão KC-390 traz ainda uma vantagem estratégica significativa: o avião pode cumprir ao mesmo tempo funções de transporte e reabastecimento em voo, bastando poucas horas para instalar os pods sob as asas e, se necessário, tanques adicionais no compartimento de carga, transformando o transportador em tanqueiro em 4 a 5 horas. se Para um país como a Polônia, que ainda não possui aviões-tanque próprios, isso representa uma solução do tipo "dois em um" de enorme valor operacional.

O desempenho do avião já foi testado na prática. De acordo com a Embraer, a frota atual atinge uma taxa de disponibilidade de 93% e uma eficácia de missão superior a 99%. O C-390 entrou em serviço nas Forças Aéreas Brasileiras em 2019 e foi adotado por Portugal em 2023 e pela Hungria em 2024. se Países como Holanda, Áustria, República Tcheca e Suécia também compõem a lista de clientes europeus.

Uma fábrica na Polônia?
A proposta mais ousada da Embraer é a instalação de uma linha de montagem final do KC-390 em solo polonês. Segundo o Portal Obronny, o fabricante brasileiro declarou estar disposto a instalar na Polônia até uma linha de montagem final do avião, o que representaria uma transferência de tecnologia sem precedentes. Para que isso se justifique economicamente, seriam necessários pedidos de cerca de 20 aeronaves, não necessariamente apenas da Polônia, mas potencialmente de países vizinhos.

O Defence24 aponta que a localização geográfica da Polônia é um argumento adicional: a aeronave já é fabricada em aproximadamente 60% na Europa, com vários componentes produzidos na República Tcheca e na Suécia. A Polônia, situada no meio do continente, seria geograficamente um local ideal para tal linha de montagem. 

A cooperação não se limitaria à produção. A oferta inclui também participação na cadeia de fornecimento, criação de centros de treinamento, manutenção e reparação, além de atividades de pesquisa e desenvolvimento com parceiros industriais poloneses.

Antecedentes: uma parceria em construção
O encontro de fevereiro não surgiu do nada. Trata-se da continuação de conversas iniciadas no final de 2025, quando o Grupo de Armamentos da Polônia (PGZ) assinou com a Embraer cinco acordos-chave de cooperação.

A Embraer tem sido muito ativa no marketing de seu avião para a Polônia. Em dezembro, apresentou a aeronave ao exército, à indústria de defesa polonesa e a jornalistas. Em meados de janeiro deste ano, uma delegação polonesa, liderada pelo Major-General Ireneusz Nowak, Subcomandante das Forças Armadas Polonesas, conheceram as linhas de montagem do KC-390 Millennium e do A-29 Super Tucano, e participaram de voos de demonstração em ambas as aeronaves, trocando informações com membros da Força Aérea Portuguesa ali presentes sobre suas experiências operacionais com o cargueiro brasileiro.
Agora, conforme apurado, estão planejadas novas demonstrações para militares desse país.

O que fica de fora... por ora

Nem tudo está na mesa. As conversas aparentemente não abordaram o avião leve de ataque A-29 Super Tucano, que a Polônia considera como potencial caçador de drones. Esse capítulo parece seguir uma trilha separada nas negociações.

O que está em jogo
O movimento polonês reflete uma mudança estratégica mais ampla no país: deixar de ser um simples comprador de armamentos e tornar-se um parceiro industrial ativo. A Embraer, por sua vez, encontra na Polônia uma porta de entrada privilegiada para consolidar sua presença no coração da Europa, em um momento em que os países da OTAN aceleram seus investimentos em defesa.

A pergunta que permanece sem resposta oficial é: haverá encomenda formal? 
 
O volume de atividades diplomáticas e as demonstrações militares programadas sugerem que a decisão pode estar mais próxima do que parece. 
 
Saiba mais
Embraer avança na Polônia: da visita estratégica ao futuro da cooperação militar: delegação militar polonesa conhece capacidades do KC-390 e A-29 Super Tucano enquanto país reestrutura poder aéreo diante da ameaça russa  
 

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