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23 julho, 2026

Embraer amplia presença na Flórida com nova parceria da Eve Air Mobility em mobilidade aérea avançada

Eve Air Mobility e Departamento de Transportes da Flórida vão usar o centro SunTrax Air para testar infraestrutura e procedimentos de operação de eVTOLs 


*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada a aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), anunciou nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, uma parceria com o Departamento de Transportes da Flórida (FDOT, na sigla em inglês) para uma iniciativa de mobilidade aérea avançada, a Advanced Air Mobility (AAM), no centro de pesquisas SunTrax Air.

A iniciativa, conduzida pelo FDOT, vai reunir a experiência da Eve em aeronaves eVTOL, operações e serviços com a capacidade de pesquisa, testes e validação do SunTrax Air. Segundo a empresa, o esforço deve gerar subsídios sobre infraestrutura, procedimentos operacionais e regras de navegação aérea necessários para permitir a integração segura e eficiente da mobilidade aérea avançada à rede de transportes do estado americano.

O centro SunTrax Air é operado pelo FDOT e funciona como o principal polo estadual de pesquisa e desenvolvimento em mobilidade aérea avançada. Localizado em Auburndale, o complexo oferece um ambiente controlado para avaliação de tecnologias, conceitos operacionais e infraestrutura de apoio voltados à próxima geração de aviação.

Em nota, o presidente executivo da Eve Air Mobility, Johann Bordais, afirmou que a Flórida reconhece seu papel estratégico no futuro da mobilidade aérea avançada e vem construindo de forma proativa o ecossistema necessário para sustentá-la. Bordais também destacou o entendimento do secretário do FDOT, Jared W. Perdue, e de sua equipe de que a introdução de um novo modo de transporte exige alinhamento entre aeronaves, infraestrutura, operações e comunidades, e disse que a Eve tem orgulho de contribuir com sua experiência, dando continuidade ao relacionamento de longa data da Embraer com o estado.

Perdue, por sua vez, classificou o acordo como mais um avanço rumo à implementação da mobilidade aérea avançada na Flórida, e disse que os recursos e a infraestrutura exclusivos do SunTrax serão fundamentais para as pesquisas e os testes da Eve, com vistas à integração segura dessas aeronaves ao sistema de transportes estadual.

A parceria se soma a uma colaboração já em curso entre a Eve e o FDOT. As duas partes vão avaliar, a partir do SunTrax Air, conceitos operacionais, prontidão de infraestrutura, experiência do passageiro e requisitos futuros do ecossistema, com o objetivo declarado de posicionar a Flórida como referência nacional em mobilidade aérea avançada e de acelerar a comercialização das operações eVTOL.

O anúncio ocorre em meio a um período de intensa atividade da Eve no Farnborough International Airshow, no qual a empresa também divulgou avanços no processo de certificação global do seu modelo Eve 100 e um pedido firme de até 16 aeronaves feito pela Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point.

A Eve é listada na Bolsa de Valores de Nova York (EVEX, EVEXW) e na B3 (EVEB31), e tem como controladora a Embraer, fabricante brasileira com 56 anos de história na indústria aeroespacial.

Caçador II: Avionics Services destaca VANT brasileiro em participação no Farnborough International Airshow 2026

Empresa de Botucatu completa 30 anos de atuação e apresenta o veículo aéreo não tripulado Classe 4 entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio de aviônica, certificação e modernização de aeronaves

Imagem renderizada por IA de uma Caçador II sobre o Aeroporto de Botucatu
 
*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Avionics Services, empresa brasileira de engenharia aeronáutica com sede em São Paulo e base operacional e industrial no Aeródromo Municipal de Botucatu (SDBK), interior do Estado de São Paulo, confirmou participação no Farnborough International Airshow 2026, um dos principais eventos da indústria aeroespacial mundial. O evento ocorre entre os dias 20 e 24 de julho, no Farnborough International Exhibition & Conference Centre, em Hampshire, no Reino Unido, e deve reunir mais de 1.400 expositores, cerca de 400 delegações oficiais e mais de 100 mil visitantes. A empresa brasileira ocupa o estande nº 41124, no Hall 4, dentro do espaço do Pavilhão Brasil.

O Caçador II
Entre os destaques da participação está o projeto do Caçador II, veículo aéreo não tripulado (VANT) de asa fixa, Classe 4, desenvolvido para aplicações civis e militares. O sistema é uma nova geração do Caçador original, lançado em 2016 como versão brasileira do Heron-1, da israelense Israel Aerospace Industries (IAI), fruto de um acordo de transferência de tecnologia entre as duas empresas. Segundo reportagem do portal espanhol Infodefensa, o Caçador II é baseado no IAI Heron CAT 4 MALE e é capaz de realizar toda a missão de forma autônoma, incluindo pouso automático sem interferência humana. Segundo a Avionics Services, o Caçador II foi projetado para missões de monitoramento ambiental, vigilância de fronteiras, proteção de infraestruturas críticas, combate a incêndios, busca e salvamento, fiscalização de atividades ilícitas e apoio a operações de segurança pública, mantendo o perfil de uso dual que já caracterizava o modelo anterior.

Registros fotográficos de um exemplar com a inscrição "experimental" e a matrícula civil PP-ZVM, feitos no hangar da empresa em Botucatu e creditados pela Infodefensa ao jornalista especializado Roberto Caiafa, indicam que o novo VANT já realiza voos de ensaio sob autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), ainda sem certificação de tipo definitiva. Visualmente, a aeronave preserva a configuração aerodinâmica de asa de grande envergadura e cauda em V invertido que caracteriza a família Heron. Segundo a mesma reportagem, o Caçador I e o Caçador II são operados a distância por meio de um shelter, contêiner padrão de vinte pés, com toda a aviônica de missão apresentada em telas multifuncionais coloridas, e podem empregar conexão via satélite, o que amplia de forma significativa o alcance da missão.

O que ainda não foi revelado
Até a publicação desta matéria, a Avionics Services não havia divulgado uma ficha técnica própria do Caçador II, com dados como envergadura, peso máximo de decolagem, autonomia de voo e teto de serviço. O Caçador original, para efeito de comparação, tem envergadura de 16,6 metros, peso máximo de decolagem de 1.270 quilogramas, autonomia de 40 horas, teto de serviço de 9.100 metros e alcance de até 1.000 quilômetros com uso de canal satelital em banda Ku. Se o Caçador II repete ou supera esses números, ainda não está confirmado publicamente.

Uma vitrine mais ampla que o drone
Segundo release oficial da empresa, o Caçador II está entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio mais amplo de soluções em engenharia aeronáutica: modernização de painéis e sistemas aviônicos, retrofit de aviônicos, conectividade em voo por meio do Gogo Galileo HDX, simuladores de voo, soluções de interiores desenvolvidas pelo Aircraft Interiors Center, além de serviços de engenharia e certificação. A empresa afirma acumular mais de 600 processos conduzidos junto à ANAC, o maior volume entre companhias brasileiras do setor, e atuação também junto à Federal Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos, e à European Union Aviation Safety Agency (EASA), da União Europeia.

O catálogo da empresa reúne mais de 70 produtos para aplicações aeronáuticas, entre sistemas de iluminação em LED, equipamentos eletrônicos embarcados, conversores, inversores e sistemas de segurança, desenvolvidos conforme as normas DO-160, DO-178 e DO-254 e testados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A Avionics Services também desenvolve projetos de integração de sistemas como EFIS, FMS, TCAS, EGPWS, CVR, GPS, comunicação via satélite e entretenimento de bordo, além de programas de modernização de interiores para aeronaves civis e militares.

Em nota, o presidente da empresa, João Vernini, afirmou que o Farnborough International Airshow reúne fabricantes, operadores, autoridades aeronáuticas e empresas de tecnologia de todo o mundo, e que a participação no evento representa uma oportunidade de ampliar a presença global da companhia, estabelecer novas parcerias e demonstrar a capacidade da engenharia brasileira.

Trinta anos de história
A Avionics Services celebra, em 2026, 30 anos de atuação, com fundação registrada em janeiro de 1996. A empresa acumula certificações RBAC 145, da ANAC; Part-145, da EASA; ISO 9001; e AS9100D, além do reconhecimento do Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Mantém projetos em desenvolvimento com fabricantes como a Embraer e o Grupo Airbus e, em 2025, participou de outros seis eventos internacionais de porte: o Paris Air Show, o Dubai Airshow, o NBAA-BACE, nos Estados Unidos, o EDEX, no Egito, e a Expodefensa, na Colômbia, entre outros, reforçando a estratégia de internacionalização da companhia.

A parceria com a IAI
A relação entre a Avionics Services e a IAI remonta a 2013, quando as duas empresas firmaram acordo de cooperação para o desenvolvimento do Caçador original. O processo envolveu transferência de tecnologia e a entrada da IAI Brasil na sociedade, com participação acionária minoritária, o que preserva o enquadramento da Avionics Services como Empresa Estratégica de Defesa segundo a legislação brasileira, que exige controle de dois terços do capital por sócios nacionais. O primeiro Caçador voou pela primeira vez em fevereiro de 2016 e passou a ser usado, entre outros clientes, pelo Departamento de Polícia Federal, no controle de fronteiras do País.

Avibras Aeroco recebe a visita do presidente da República nesta sexta

Aviso de pauta da Presidência confirma agenda às 10h, com participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, em meio à negociação para destravar o programa ATMOS e à cobrança do Sindicato por aporte financeiro federal 


*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita nesta sexta-feira, dia 24 de julho, as instalações da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), segundo aviso de pauta publicado pela Presidência da República nesta quarta-feira (22), às 16h28. A agenda tem início às 10h, no endereço Rodovia dos Tamoios, km 14, Estrada do Varadouro, 1.200, na zona rural de Jacareí, e conta também com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Segundo o comunicado oficial, serão visitadas as instalações responsáveis pela produção de mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais civis, entre outros itens do portfólio da empresa. O aviso de pauta informa que as atividades da Avibras Aeroco foram retomadas em março deste ano; a informação diverge, em parte, da cronologia apresentada anteriormente pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que já havia relatado retomada gradual da produção a partir de maio, com cerca de 271 trabalhadores ativos no início daquele mês.

Profissionais de veículos de imprensa interessados na cobertura devem se credenciar junto ao sistema da Presidência da República até as 20h desta quinta-feira (23); profissionais com credencial anual da Presidência também precisam confirmar a participação na visita. As credenciais serão entregues entre 9h e 10h de sexta-feira, no próprio local da agenda.

Trata-se da primeira ida do atual presidente à unidade fabril, que retomou operações após passar quatro anos paralisada em razão da grave crise financeira que atingiu a antiga Avibras Indústria Aeroespacial. A empresa foi reestruturada sob o nome de Avibras Aeroco, com Sami Hassuani na presidência, e conta com aporte de investidores que incluem os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo J&F.

Uma fábrica em reconstrução
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, o número de trabalhadores ativos na Avibras Aeroco, que começou a retomada com cerca de 271 recontratados, já havia subido para aproximadamente 500 até o mês de julho. Apesar da volta gradual da produção, a fábrica ainda depende da liberação de um aporte financeiro pelo governo federal para quitar parte das dívidas trabalhistas negociadas com a entidade sindical, um dos principais focos de pressão dos metalúrgicos sobre o Palácio do Planalto nos últimos meses.

“A volta da Avibras foi muito importante, mas seguiremos com a nossa defesa da estatização desta empresa tão estratégica para o nosso país. O Sindicato fez sua parte para que a Avibras não fechasse as portas. Agora é hora de o governo federal liberar recursos para que a fábrica quite a dívida trabalhista e para a preservação da principal indústria bélica do Brasil”, afirmou Weller Gonçalves, em nota divulgada pelo Sindicato.

O adiamento da inauguração oficial
A cerimônia oficial de inauguração do complexo industrial de Jacareí estava originalmente marcada para 2 de julho, mas foi adiada poucos dias antes da data, a pedido formal da Presidência da República. Em 1º de julho, véspera da data original, o comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, visitou as 18 unidades fabris do complexo, acompanhado dos generais Ricardo Piai Carmona (comandante do Sudeste), Everton Pacheco da Silva (Escritório de Projetos do Exército), Erb Lyra Leal (Departamento de Ciência e Tecnologia), Marcelo Lorenzi Zucco (2ª Divisão de Exército) e Evandro Luís Amorim Rocha (Aviação do Exército).

À época do adiamento, circulavam no setor, sem confirmação oficial, hipóteses de que a nova data poderia coincidir com o anúncio presidencial da liberação do aporte público previsto no plano de reestruturação da empresa, estimado em cerca de R$ 300 milhões adicionais, com origem possível na Finep, no BNDES ou no PAC. O aviso de pauta divulgado pela Presidência para a visita desta sexta-feira não menciona, contudo, qualquer anúncio financeiro; segundo o texto oficial, o foco da agenda é conhecer a produção de mísseis, foguetes, veículos e lançadores espaciais civis da empresa.

O pano de fundo, o programa ATMOS
A visita presidencial ocorre em meio a negociações entre a AEL Sistemas, subsidiária brasileira da israelense Elbit Systems, e a Avibras Aeroco para viabilizar a montagem e a integração local do obuseiro autopropulsado ATMOS 155 mm sobre rodas, no âmbito da licitação do Exército Brasileiro para aquisição de 36 viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado (VBCOAP 155 mm SR). Segundo informações publicadas pela coluna do jornalista Marcelo Godoy, no jornal O Estado de S. Paulo, e reproduzidas por veículos especializados, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, obteve do presidente Lula sinal verde para avançar em um arranjo que tornaria o sistema israelense montado em território nacional, reduzindo o desgaste político de uma compra direta de armamento israelense em meio à guerra no Oriente Médio.

O pacote em negociação poderia incluir também o sistema de lançamento múltiplo de foguetes PULS, da Elbit. O desfecho das tratativas depende da conclusão das negociações entre as empresas e da formalização do aval presidencial em instrumento contratual, além de eventual evolução do quadro diplomático no Oriente Médio.

Segunda ida a São José dos Campos em poucos meses
A agenda em Jacareí seria a mais recente de uma série de visitas do presidente à região do Vale do Paraíba, marcada nos últimos meses por tensões trabalhistas em diferentes indústrias locais, incluindo protestos de metalúrgicos durante visitas anteriores de Lula à Embraer, em São José dos Campos, nas quais os manifestantes cobraram do governo federal medidas em favor dos trabalhadores, tanto da fabricante aeronáutica quanto da própria Avibras.

Esta reportagem será atualizada conforme novas informações forem confirmadas oficialmente sobre a agenda presidencial em Jacareí.

22 julho, 2026

Embraer confirma parceria com a Northrop Grumman para dotar o KC-390 de boom de reabastecimento

Nota publicada nesta quarta-feira no LinkedIn reafirma acordo assinado em fevereiro para evolução do KC-390 Millennium rumo a capacidades avançadas de reabastecimento em voo, com foco na Força Aérea dos Estados Unidos e em nações aliadas  


*LRCA Defense Consulting - 22/07/2026

A Embraer publicou nesta quarta-feira, no LinkedIn, uma nota confirmando a parceria estratégica firmada com a Northrop Grumman para o desenvolvimento conjunto de capacidades de mobilidade aérea avançada aplicadas ao KC-390 Millennium, cargueiro tático multimissão fabricado pela empresa brasileira. Segundo a nota, o objetivo é evoluir a aeronave para oferecer capacidades avançadas de reabastecimento em voo aos Estados Unidos e a nações aliadas.

O que prevê o acordo
As principais características anunciadas incluem um boom de reabastecimento aéreo autônomo e avançado, comunicações aprimoradas, maior consciência situacional e novas opções de sobrevivência, além de sistemas de missão adaptáveis. De acordo com a Embraer, essas melhorias devem ampliar a gama de aeronaves atendidas pelas operações de reabastecimento do KC-390 e expandir seu escopo de missão em diferentes ambientes operacionais.

Hoje, o KC-390 realiza reabastecimento em voo pelo sistema de mangueira e cesta (probe and drogue), operado por meio de pods instalados sob as asas. A adoção de um boom, lança rígida controlada por operador, amplia a compatibilidade da aeronave com caças e outras plataformas equipadas com receptáculo, padrão amplamente utilizado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

Como surgiu a parceria
O acordo entre as duas empresas foi formalizado em 19 de fevereiro de 2026, por meio de um memorando de entendimento. À época, a Embraer Defesa e Segurança e a Northrop Grumman anunciaram que uniriam expertise técnica e industrial para acelerar o desenvolvimento de um sistema de reabastecimento aéreo de nova geração, com vistas ao conceito de emprego ágil em combate (ACE, na sigla em inglês).

Tom Jones, vice-presidente corporativo e presidente da Northrop Grumman Sistemas Aeronáuticos, afirmou que a companhia realiza investimentos estratégicos para suprir uma lacuna em soluções avançadas de mobilidade aérea, sobretudo entre países aliados que buscam maior autonomia e eficiência operacional. Já Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, destacou que o KC-390 é uma plataforma operacional comprovada e de boa relação custo-benefício, com potencial de rápida incorporação à frota da Força Aérea dos EUA.

A parceria com a Northrop Grumman sucede uma tentativa anterior de aliança com a L3Harris Technologies, firmada em 2022 para o desenvolvimento de um chamado Agile Tanker baseado no KC-390, e que não avançou. Executivos da Embraer já indicaram publicamente que essa parceria anterior não segue mais em vigor para o programa de tanque tático.

 

Por que interessa aos Estados Unidos e a aliados
A colaboração se insere no programa da USAF conhecido como Next Generation Air-refueling System (NGAS), terceira etapa de um plano de recapitalização da frota de reabastecedores em voo do País, após o KC-X, que resultou no KC-46 Pegasus, e o KC-Y. A visão da Força Aérea para o NGAS combina um grande tanque de asa larga para o grosso das operações de reabastecimento com aeronaves capazes de operar e sobreviver no mesmo espaço aéreo contestado das aeronaves de combate que apoiam, sendo essa a lacuna na qual o KC-390 se posiciona como candidato tático de médio porte.

Nesse desenho de "família de sistemas", o KC-390 Multi-Mission Tanker é posicionado como opção tática e de menor custo, complementar a um tanque de maior porte e a uma futura aeronave não tripulada de reabastecimento. A Embraer já sinalizou disposição de investir recursos próprios relevantes em uma linha de produção dedicada nos Estados Unidos, atendendo a exigências de conteúdo local do tipo Buy American Act.

Repercussão e contexto recente
A parceria voltou a ser destaque em abril, quando a Embraer levou o KC-390 e a aliança com a Northrop Grumman à conferência ARSAG 2026, em Orlando, apresentando o projeto do sistema de boom centralizado na fuselagem como complemento ao sistema atual de mangueira e cesta da aeronave, com o objetivo declarado de reabastecer caças como o F-35 e outras aeronaves de asa fixa usadas por forças dos Estados Unidos e da OTAN.

O tema também voltou ao noticiário na semana passada, quando o KC-390 realizou, em 17 de julho, uma série de passagens em baixa altitude pelo Mach Loop, no País de Gales, durante campanha internacional de demonstração da aeronave no Reino Unido, episódio que reforçou a exposição da plataforma junto a operadores e especialistas europeus em meio às tratativas com os Estados Unidos.

Histórico da Northrop Grumman no setor de tanques
O retorno da Northrop Grumman ao debate sobre reabastecedores tem paralelo histórico. Em 2008, a empresa integrou consórcio com a então EADS, controladora da Airbus, e venceu inicialmente a competição KC-X da USAF com o KC-45, baseado no A330 MRTT, resultado que depois foi contestado e revertido em favor do Boeing KC-46. A nova aliança com a Embraer marca a reentrada da companhia norte-americana em uma disputa por reabastecedores, agora ao lado de uma fabricante sul-americana.

Embraer detalha em Farnborough o roteiro de modernização antidrone do A-29 Super Tucano

Fabricante brasileira apresenta pacote de aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, tanque externo adicional e bomba guiada INS/GPS para reforçar a missão contra sistemas aéreos não tripulados 

Imagem: Defence Turkey

*LRCA Defense Consulting - 22/07/2026

A Embraer aproveitou o Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, para detalhar o avanço de seu roteiro de modernização do A-29 Super Tucano voltado à missão contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS, na sigla em inglês). Segundo apuração do portal especializado turco Defence Turkey, a apresentação, feita por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, reuniu tanto a arquitetura antidrone já conhecida do turboélice quanto um conjunto de novos investimentos em aviônica e armamento, anunciado durante o salão britânico, que segue até sexta-feira (24/7).

O conceito operacional já consolidado
A base da missão contra drones do A-29 não é novidade: a Embraer formalizou a expansão do portfólio de missões da aeronave para incluir operações C-UAS em 11 de novembro de 2025, e o tema já vinha sendo trabalhado comercialmente desde o início daquele ano, com foco inicial no Oriente Médio. 

O conceito operacional (CONOPS) prevê que a aeronave receba, por meio de um link de dados dedicado, as coordenadas iniciais de um alvo detectado por sensores externos; em seguida, o sensor eletro-óptico e infravermelho (EO/IR) de bordo assume o rastreamento e a designação a laser do alvo, permitindo o engajamento por foguetes guiados a laser ou pelas metralhadoras calibre .50 montadas nas asas. A Embraer descreve a solução como baseada majoritariamente em sistemas já existentes na aeronave, o que permite oferecê-la tanto a operadores atuais quanto a futuros clientes do Super Tucano.

Os novos itens do roteiro anunciados em Farnborough
Em Farnborough, segundo a Defence Turkey, a Embraer acrescentou à missão C-UAS um conjunto adicional de investimentos em aviônica e armamento, apresentado como parte do roteiro de desenvolvimento do A-29. O pacote inclui aviônica de quinta geração, um display de cabine de grande área (large-area cockpit display), um novo link de dados de vídeo (video downlink) e um tanque de combustível externo adicional, destinado a aumentar a persistência e o alcance de missão da aeronave. 

A apresentação também trouxe uma bomba guiada por INS/GPS como parte do portfólio de armamento de precisão planejado ou em expansão para o A-29, além de reforçar a integração de foguetes guiados a laser sob o padrão Advanced Precision Kill Weapon System (APKWS), da BAE Systems, já usado pela aeronave. Segundo a Embraer, os investimentos têm o objetivo de manter o Super Tucano relevante à medida que os requisitos dos clientes e as ameaças operacionais evoluem.

Imagem: Defence Turkey

Um turboélice contra a ameaça dos drones
O apelo do A-29 para a missão C-UAS está associado às suas características de voo, distintas das de um caça a jato: velocidade de estol baixa, boa manobrabilidade a baixa velocidade e sensores integrados que permitem acompanhar, identificar e engajar drones lentos e de baixa altitude, como os do tipo Shahed, difíceis de interceptar por aeronaves supersônicas. A proposta da Embraer é oferecer uma alternativa de custo bem inferior ao emprego de caças de alta performance contra ameaças não tripuladas relativamente baratas, especialmente na defesa de infraestrutura crítica, bases militares e forças em operação.

Contexto comercial: frota em expansão
A apresentação em Farnborough também trouxe números atualizados de mercado para o A-29. Segundo a Embraer, a frota mundial do Super Tucano já ultrapassa 625 mil horas de voo, e a fabricante fechou 39 novos pedidos da aeronave em menos de 24 meses, com base em dados até maio de 2026. Esse total mais recente inclui seis unidades para o Paraguai, quatro para um cliente não divulgado, 12 A-29N para Portugal, seis para o Uruguai, seis para as Filipinas, quatro para o Panamá e uma unidade adquirida pela norte-americana SNC, fabricante licenciada do modelo nos Estados Unidos. Até junho de 2025, a aeronave já somava mais de 600 mil horas de voo, mais de 290 pedidos acumulados e presença confirmada em 22 forças aéreas ao redor do mundo, entre elas a do Brasil, primeiro operador do A-29.

Por que importa
O anúncio reforça uma linha editorial já explorada por esta consultoria desde meados de 2024: a de que o A-29 Super Tucano tem potencial para se consolidar como uma das plataformas antidrone ar-ar mais eficazes e acessíveis da atualidade, num momento em que o uso de drones de médio e grande porte, como os Shahed de origem iraniana, se multiplica em diferentes teatros de conflito. 

Ao somar aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, maior autonomia e uma bomba guiada por INS/GPS ao conjunto de sensores e armamentos já existentes, a Embraer amplia a proposta de valor do Super Tucano para além da contrainsurgência, da vigilância de fronteiras e do ataque leve, mirando diretamente a lacuna deixada por caças e helicópteros de ataque, menos adequados a esse tipo de missão de baixa velocidade e baixa altitude.

Safran equipará eVTOL da Eve Air Mobility com sistema de navegação inercial SkyNaute

Contrato fechado durante o Farnborough International Airshow prevê dois conjuntos por aeronave e estende à mobilidade aérea urbana uma tecnologia já consolidada em aplicações militares

 

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LRCA Defense Consulting - 22/07/2026

A Safran Electronics & Defense foi selecionada para fornecer seu sistema de navegação inercial SkyNaute à aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) desenvolvida pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada à mobilidade aérea urbana (Urban Air Mobility, UAM). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (22/07) durante o Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, onde as duas empresas mantêm estandes e vêm anunciando uma sequência de parcerias ao longo da semana.

Pelo acordo, cada eVTOL da Eve receberá dois conjuntos do SkyNaute, arquitetura redundante já usual em sistemas de navegação críticos para a segurança de voo. Segundo o comunicado das empresas, o sistema mantém desempenho mesmo quando os sinais do Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS) estão indisponíveis, degradados ou sujeitos a interferência, um requisito considerado central para operações de táxi aéreo em ambiente urbano, onde a densidade de construções e a proximidade de outras aeronaves reduzem a margem de erro aceitável.

O que é o SkyNaute
O SkyNaute é um sistema híbrido de navegação inercial e GNSS baseado na tecnologia patenteada HRG Crystal (Hemispherical Resonator Gyroscope, giroscópio ressonador hemisférico) da Safran. O princípio físico substitui os giroscópios a laser ou a fibra óptica tradicionais por um ressonador de sílica em forma de casca hemisférica, do tamanho aproximado de uma cápsula de café, que a Safran descreve como capaz de operar por mais de um milhão de horas médias entre falhas sem desgaste mecânico relevante.

A vantagem prática dessa arquitetura é o tamanho: o conjunto ocupa cerca de três litros e pesa perto de três quilos, o que o torna competitivo em peso e consumo elétrico frente a sistemas inerciais de desempenho equivalente. Para um eVTOL, cuja autonomia depende diretamente da economia de cada quilograma de carga útil, esse ganho de massa tem peso direto na equação comercial da aeronave.

Uma tecnologia de dupla utilização
O SkyNaute não nasceu para a aviação urbana. A Safran já emprega a família HRG Crystal em aplicações de defesa terrestre, naval e espacial, e o próprio sistema equipa o programa de modernização dos helicópteros de ataque Tiger, de forças armadas europeias, além de aeronaves civis certificadas. A empresa descreve a tecnologia como uma estratégia de uso dual, na qual desenvolvimentos amadurecidos no mercado militar migram para aplicações civis certificáveis, e vice-versa.

Benjamin Declety, vice-presidente executivo da unidade global de aviônicos da Safran Electronics & Defense, afirmou que o fornecimento à Eve coloca a expertise da companhia em navegação inercial a serviço da próxima geração da aviação civil. Já Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility, disse que a integração de uma solução avançada de navegação é essencial para maximizar segurança, confiabilidade e desempenho do eVTOL da empresa.

Um Farnborough de anúncios acumulados para a Eve
O contrato com a Safran chega em uma semana de agenda carregada para a Eve Air Mobility no salão britânico. Dias antes, em 17 de julho, a empresa já havia firmado memorando de entendimento com a Hitachi Energy para estudar a infraestrutura elétrica de vertiportos, incluindo carregamento de alta potência e o reaproveitamento de baterias de aeronaves como armazenamento estacionário de energia. Em 19 de julho, véspera da abertura do evento, a Eve também anunciou carta de intenções com a Shearwater Global Capital para até 16 eVTOLs, movimento que se soma a uma carteira que a empresa afirma superar 2.700 compromissos de compra.

Paralelamente, a Eve avança nos ritos regulatórios do programa: a companhia atualizou nesta semana o status da certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e à Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), mantendo abertas as consultas técnicas com a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) para validação concorrente do projeto. O protótipo de engenharia em escala real da empresa, batizado PR-EVE, soma dezenas de voos desde sua estreia em dezembro de 2025 e se prepara para a fase de voos de transição, etapa mais exigente da campanha de ensaios antes da produção dos primeiros protótipos conformes, prevista para começar ainda neste ano.

Por que interessa à base industrial brasileira
Para a Embraer, cada novo fornecedor de peso que se soma ao programa da Eve reforça a tese comercial por trás da aposta da fabricante brasileira na mobilidade aérea urbana: a de que a subsidiária pode se tornar um vetor de receita relevante à medida que se aproxima a certificação, hoje projetada para 2028. A entrada da Safran, fornecedora tradicional de sistemas de aviônicos e navegação para plataformas militares e civis, inclusive brasileiras, também sinaliza a maturidade regulatória que a cadeia de fornecimento do eVTOL da Eve já alcança às vésperas da fase de voos de transição.

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