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10 fevereiro, 2026

Singapura atrasa modernização e aposta em C-130H usados: uma janela de oportunidade para o C-390 da Embraer

Força Aérea de Singapura opta por aeronaves de segunda mão em vez de renovação completa da frota, colocando o cargueiro brasileiro como forte candidato a substituir o lendário Hercules 


*LRCA Defense Consulting - 10/02/2026

A decisão da República de Singapura de adquirir C-130H usados para substituir seus quatro C-130B mais antigos representa uma mudança estratégica significativa que pode abrir portas para o C-390 Millennium da Embraer, ao mesmo tempo em que sinaliza tempos difíceis para o C-130J Super Hercules da Lockheed Martin, segundo reportagem de Chen Chuanren para aAviation Week.

Desde 1977, a Força Aérea da República de Singapura (RSAF) opera nove aeronaves C-130 — quatro C-130B e cinco C-130H —, fazendo do Hercules uma das plataformas mais longevas do inventário militar do país. "O Hercules se recusa a morrer", observou certa vez um comandante sênior da RSAF, conforme relatado por Chuanren.

A substituição desse veterano cargueiro há muito tempo figura entre as principais prioridades de modernização observadas por especialistas. No entanto, em fevereiro, o comandante da RSAF, Major-General Kelvin Fan, delineou um caminho inesperado: em vez de comprometer-se com uma renovação completa da frota, o serviço aéreo adquirirá C-130H de segunda mão. As entregas já começaram, marcando a primeira vez desde os anos 1990 que a RSAF recorre a aeronaves usadas — uma mudança notável para uma força cujas plataformas de "terceira geração" foram quase exclusivamente adquiridas novas.

Uma estratégia que favorece novos competidores
Em vez de uma recapitalização direta e simples com o comprovado C-130J Super Hercules, a RSAF optou por uma abordagem faseada e de gestão de risco: aposentar primeiro os modelos B, estender a vida útil da frota H e adiar uma decisão sobre a substituição completa. Do ponto de vista orçamentário e de continuidade operacional, a lógica é clara. Mas a medida também sinaliza que o Super Hercules pode não ser mais o sucessor padrão, analisa o jornalista da Aviation Week.

Em entrevista por escrito à Aviation Week durante o Singapore Airshow, Fan afirmou que o C-130 "permanece a melhor plataforma" para atender às necessidades operacionais da RSAF pelos próximos 15 a 20 anos. Manter as opções em aberto parece ser central para a estratégia. Além do C-130J, a RSAF aparentemente está estudando o A400M da Airbus e, significativamente, o C-390 Millennium da Embraer — ambos oferecendo avanços significativos em capacidade de carga, velocidade e alcance que podem ser cruciais para as crescentes demandas operacionais de Singapura.

O C-390 ganha força na região
O C-390 Millennium da Embraer surge como um candidato particularmente atraente neste cenário. A aeronave brasileira está ganhando impulso considerável na Europa e, especialmente, na Ásia-Pacífico, onde a Coreia do Sul já se tornou operadora do modelo. Com velocidade de cruzeiro superior, maior capacidade de carga e custos operacionais mais baixos que o C-130J, o C-390 representa uma proposta de valor competitiva.

Mais importante ainda, Singapura já possui uma infraestrutura favorável ao C-390. Um memorando de entendimento existente entre a Embraer e a ST Engineering — gigante de defesa e aeroespacial de Singapura — para apoiar a manutenção local do cargueiro brasileiro reduz significativamente os riscos de adoção e garante suporte técnico robusto na região.

Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defense & Security, demonstrou entusiasmo com a decisão da RSAF sobre o Hercules, afirmando que isso dá tempo valioso à força aérea para avaliar adequadamente as plataformas futuras. Da Costa revelou à Aviation Week que a Embraer está trabalhando ativamente com a ST Engineering para conhecer melhor os requisitos específicos da RSAF — um indicativo claro de que o fabricante brasileiro está levando a sério a possibilidade de uma venda para Singapura.

Vantagens estratégicas do modelo brasileiro
Embora o C-390 seja um programa relativamente jovem com histórico operacional mais limitado que seus concorrentes, suas características técnicas podem ser exatamente o que Singapura precisa para enfrentar seus desafios futuros. A aeronave oferece:

  • Velocidade superior: o C-390 é significativamente mais rápido que o C-130J, crucial para missões que se estendem até o Oriente Médio.

  • Maior capacidade: com capacidade de carga superior, atende melhor à crescente mecanização do Exército de Singapura e ao transporte de sistemas pesados como lançadores Himars.

  • Tecnologia moderna: aviônica de última geração e sistemas digitais integrados.

  • Custos operacionais: menores custos por hora de voo em comparação com concorrentes.

O A400M da Airbus, embora também seja um competidor, ainda carrega o peso de seus problemas iniciais de confiabilidade e custos elevados. Zakir Hamid, chefe da Airbus Defense and Space para a Ásia-Pacífico, destaca que o A400M teria capacidade de reabastecer helicópteros e interoperar com plataformas vizinhas na Indonésia e Malásia, mas os desafios passados do programa podem pesar contra ele.

Demandas operacionais favorecem mudança de plataforma
O que torna o C-390 ainda mais atraente, segundo Chen Chuanren, é a rapidez com que o perfil operacional das Forças Armadas de Singapura está se expandindo. Os C-130 da RSAF não estão mais confinados ao transporte regional: missões humanitárias já alcançaram o Oriente Médio, enquanto a crescente mecanização do Exército aumentou a demanda pelo movimento rápido de sistemas pesados. A presença no exterior — particularmente na Austrália e Tailândia — também exige transporte aéreo frequente de helicópteros e veículos.

À medida que Singapura implanta capacitadores de longo alcance como o A330 MRTT, a lacuna entre alcance estratégico e transporte tático está se tornando mais aparente — uma lacuna que o C-390, com sua combinação de velocidade, alcance e capacidade, pode preencher de forma mais eficaz que o tradicional C-130.

A Lockheed Martin perde terreno
Enquanto a Embraer se movimenta proativamente, a fabricante norte-americana Lockheed Martin permanece otimista, mas talvez excessivamente confiante, sobre a venda do Super Hercules à RSAF. A empresa está comprometida em apoiar os modelos H durante toda a sua vida útil.

"Eles tinham uma opção e decidiram ficar com o que é conhecido e comprovado", disse Chris Cohn, diretor de mobilidade aérea internacional da Lockheed, à Aviation Week. "Do meu ponto de vista, é uma boa decisão com base no que eles tinham para escolher na época. E eu sei que estamos prontos para vender-lhes o J quando estiverem prontos."

No entanto, essa confiança pode ser equivocada. A decisão de Singapura de adiar a compra e manter opções em aberto sugere exatamente o oposto: que a RSAF não está convencida de que o Super Hercules — essencialmente uma evolução de um projeto dos anos 1950 — é a resposta para os desafios do século XXI.

Uma decisão estratégica que pode mudar o mercado
Nesse sentido, conclui Chuanren em sua análise, a medida provisória com o modelo H pode ser menos sobre estender a vida de um velho cavalo de batalha e mais sobre criar tempo para avaliar alternativas mais modernas. A RSAF está sinalizando claramente que não está convencida de que o Super Hercules é a resposta inevitável — e para a Lockheed Martin, essa hesitação por si só pode ser o sinal de alerta mais claro.

Para a Embraer, por outro lado, essa hesitação representa uma oportunidade de ouro. Uma venda para Singapura — uma das forças aéreas mais sofisticadas e respeitadas da Ásia — seria um divisor de águas para o C-390, validando a aeronave brasileira como alternativa legítima aos gigantes estabelecidos e potencialmente abrindo portas para outros mercados asiáticos.

A decisão de apostar nos C-130H legados pode ganhar tempo para Singapura, mas também adia uma questão mais difícil: se um cargueiro tático tradicional para a RSAF ainda será suficiente nos anos 2030 em diante. As evidências crescentes sugerem que a resposta é não — e que o C-390 Millennium pode ser exatamente a solução moderna que Singapura está buscando. 

09 fevereiro, 2026

KC-390 da Embraer é demonstrado ao presidente da Indonésia em meio a ofensiva comercial na Ásia

Aeronave de transporte tático foi apresentada a Prabowo Subianto dias após reunião de alto nível com executivos da fabricante brasileira

Fotos da Embaixada do Brasil em Jacarta


*LRCA Defense Consulting - 09/02/2026

O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, acompanhou no dia 08 uma demonstração do KC-390 Millennium, aeronave militar de transporte tático fabricada pela brasileira Embraer. O evento, confirmado pela Embaixada do Brasil em Jacarta em publicação nas redes sociais, contou também com a presença do embaixador brasileiro George Monteiro Prata e de altos funcionários indonésios.

Embora a Embraer não tenha divulgado oficialmente o evento, a presença do chefe de Estado indonésio sinaliza a importância estratégica da aproximação entre o Brasil e o país do Sudeste Asiático no setor aeroespacial. A Indonésia é a maior economia da região e possui uma das forças armadas mais significativas da Ásia, atualmente em processo de modernização e diversificação de sua frota militar.

Sequência de encontros estratégicos
A demonstração do KC-390 ocorreu apenas seis dias após Prabowo receber, em 2 de fevereiro, o CEO da Embraer Commercial Aviation, Arjan Meijer, no Palácio Merdeka, sede do governo indonésio. Segundo comunicado da Secretaria Presidencial, o encontro teve como pauta as "tendências da indústria de aviação global" e "as mais recentes tecnologias no setor".

O foco das discussões, de acordo com reportagens locais, foi "fortalecer o ecossistema de aviação da Indonésia", com ênfase na adoção de tecnologias de ponta tanto no segmento comercial quanto na defesa. Participaram da reunião executivos da Garuda Indonesia, principal companhia aérea do país, e representantes da PT Pindad, empresa estatal de defesa.

A aproximação conta com um facilitador importante: a Força Aérea Indonésia já opera o EMB-314 Super Tucano, aeronave de ataque leve da Embraer, o que estabelece um histórico de confiança e familiaridade com produtos da fabricante brasileira.


O KC-390 Millennium
O KC-390 Millennium é a maior aeronave militar já fabricada no hemisfério sul e foi desenvolvido pela Embraer como uma alternativa moderna ao veterano C-130 Hercules. Capaz de transportar até 26 toneladas de carga, voar a 470 nós e operar em pistas temporárias ou não pavimentadas, a aeronave combina funções de transporte tático e reabastecimento aéreo.

Atualmente, o KC-390 está em serviço ou foi encomendado por Brasil, Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão e Coreia do Sul, sendo este último o primeiro cliente asiático da aeronave. A frota global já acumulou 20 mil horas de voo, com taxas de sucesso de missão superiores a 99% e taxa de capacidade de missão de 93%, segundo dados da Embraer.

Ofensiva comercial na Ásia
A demonstração ao presidente indonésio se insere em uma estratégia mais ampla da Embraer para conquistar mercados asiáticos. Analistas do setor de defesa apontam 2026 como um ano crucial em que o KC-390 começa a "entrar no radar" de várias forças aéreas da região.

A fabricante brasileira destacou o KC-390 e sua família de jatos comerciais E2 no Singapore Airshow 2026, uma das principais vitrines da indústria aeroespacial mundial, buscando atrair novos clientes asiáticos tanto no segmento militar quanto no comercial.

No caso específico da Coreia do Sul, a primeira aeronave destinada ao país entrou na fase final de montagem justamente em fevereiro de 2026, demonstrando o avanço da Embraer na penetração do mercado asiático.

Nenhum contrato anunciado
Apesar da movimentação diplomática e comercial, até o momento não há anúncio oficial de negociação ou contrato para aquisição do KC-390 pela Indonésia. Nem o governo indonésio, nem a Embraer ou o Itamaraty confirmaram carta de intenção ou acordo formal.

O cenário observado é de prospecção comercial: demonstração da aeronave, diálogos de alto nível e exposição em eventos regionais como parte de uma ofensiva mais ampla no continente asiático.

Paralelamente, a Indonésia avança com outras compras na área de aviação militar, incluindo cartas de intenção para o treinador avançado M-346 italiano e manifestações de interesse em caças de diferentes fornecedores. Jacarta está em plena fase de renovação e diversificação de sua frota militar, e o KC-390 surge como candidato natural para a ala de transporte tático.

A sequência de eventos - reunião presidencial, demonstração da aeronave e presença planejada no Singapore Airshow - indica que a Embraer está apostando alto na conquista do mercado indonésio e, por extensão, do Sudeste Asiático, região estratégica para a expansão internacional da indústria aeroespacial brasileira.

AERO Concepts e Stella Tecnologia: a dupla brasileira que coloca o país no mapa mundial das turbinas aeronáuticas

Parceria estratégica desenvolve o Albatroz Vórtex com turbina 100% nacional, consolidando autonomia tecnológica em área crítica de defesa


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LRCA Defense Consulting - 09/02/2026

Dez anos de uma decisão que mudou os rumos da engenharia aeronáutica brasileira. Em 2006, o engenheiro Alexandre Roma deixou uma posição confortável em uma multinacional alemã de referência mundial em turbinas para abraçar um sonho aparentemente impossível: desenvolver tecnologia de propulsão aeronáutica integralmente nacional. Duas décadas depois, sua empresa, a AERO Concepts, celebra 10 anos de existência formal e coloca o Brasil entre os poucos países do mundo capazes de desenvolver e produzir turbinas a jato para aeronaves não tripuladas.

O marco mais recente dessa trajetória veio em dezembro de 2025, quando o drone Albatroz Vórtex, desenvolvido pela Stella Tecnologia em parceria com a AERO Concepts, realizou com sucesso seu primeiro voo na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Equipado com a turbina ATJR 15-5, totalmente projetada e fabricada no Brasil, o voo representa um salto tecnológico sem precedentes para a indústria aeroespacial nacional.

Uma história construída com propósito
A história da AERO Concepts não começa em 2016, ano de sua fundação formal em Ribeirão Preto (SP), mas uma década antes. "Deixar uma empresa alemã de excelência, onde vivi um dos melhores períodos da minha vida profissional, não foi simples," relembra Alexandre Roma. A decisão foi motivada pela oportunidade de integrar um projeto voltado ao desenvolvimento de uma turbina aeronáutica nacional, em colaboração com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a FINEP.

O projeto, então denominado TAPP – Turbina Aeronáutica de Pequena Potência – enfrentou desafios típicos de iniciativas de alta tecnologia no Brasil: restrições orçamentárias, mudanças de cenário e risco de descontinuidade. Mas a convicção de Roma e de sua equipe permaneceu inabalável.

Em 2016, nasceu a AERO Concepts, não como um ponto de partida, mas como a continuidade de um trabalho coletivo iniciado anos antes. Dez anos depois, em 2026, a empresa reúne cerca de 40 colaboradores diretos e dezenas de profissionais indiretos, com uma carteira de projetos que inclui contratos com as Forças Armadas e reconhecimento internacional.

Parceria estratégica com visão de futuro
A parceria entre AERO Concepts e Stella Tecnologia foi formalizada em abril de 2024, durante a Feira Internacional do Ar e Espaço (FIDAE), no Chile. As empresas, ambas de capital nacional, unem suas especialidades para desenvolver tecnologias complexas para os mercados civil e militar, com recursos majoritariamente nacionais e utilização de projetistas brasileiros, representando um avanço significativo para o Brasil em tecnologias críticas de defesa.

Esta é a primeira vez que o Brasil fornece turbinas a jato de 500N ou 1000N prontas para aplicação em plataformas de voo de menor porte, como drones de médio e grande porte. A turbina ATJR 15-5, com empuxo de 500N, foi concebida a partir de análise de mercado e teve todo seu desenvolvimento realizado com recursos próprios da AERO Concepts, passando pelas etapas de projeto, fabricação de protótipos, ensaios em bancada e validação em voo.

Gilberto Buffara, fundador e CEO da Stella Tecnologia, ressalta a importância da parceria: "A integração da turbina à plataforma Albatroz Vórtex foi possível graças ao elevado nível de maturidade técnica dos drones da Stella, já adequados para ensaios com propulsão a jato."

 O histórico voo do Albatroz Vortex
 
O Albatroz Vórtex: tecnologia de ponta com DNA brasileiro
O Albatroz Vórtex é uma plataforma aérea não tripulada com peso máximo de decolagem de aproximadamente 150 kg, desenvolvida pela Stella Tecnologia com base em sua já consolidada família de drones. A incorporação da propulsão a jato expande significativamente o envelope operacional da aeronave, permitindo maiores velocidades, operação em altitudes elevadas e novas possibilidades de aplicação.

Turbinas a jato oferecem vantagens em relação a motores convencionais, como maiores velocidades, melhor desempenho em altitudes elevadas, capacidade de gerar elevado empuxo e menor nível de vibração, fatores que aumentam eficiência, alcance e durabilidade estrutural das aeronaves.

O primeiro voo do Albatroz Vórtex, realizado em 17 de dezembro de 2025, validou o funcionamento do sistema propulsivo em condições reais de voo e a integração entre a turbina e a plataforma aérea — um dos principais desafios tecnológicos dessa classe de sistemas.

Reconhecimento das Forças Armadas
A importância estratégica do desenvolvimento foi reconhecida pela Força Aérea Brasileira. Recentemente, a Stella Tecnologia e o Comando da Aeronáutica assinaram um Protocolo de Intenções que estabelece as bases para cooperação técnica e institucional no desenvolvimento de Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados (SARP) e drones de aplicação dual, com foco em Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR).

O protocolo formaliza a cooperação que já vinha acontecendo. De acordo com informações da publicação especializada Janes, o desenvolvimento e os testes do Albatroz Vórtex ocorreram como parte de um Acordo de Cooperação e Parceria para Desenvolvimento Tecnológico assinado em novembro de 2025 com a Força Aérea Brasileira.

Esse apoio institucional é fundamental para o avanço da tecnologia. Como destacou Gilberto Buffara, "A indústria brasileira vem apresentando excelentes resultados quando conta com o apoio das Forças Armadas. Esse esforço conjunto fortalece a soberania nacional, reduz dependências externas e transforma conhecimento, engenharia e inovação em capacidades estratégicas reais para o Brasil."

Infraestrutura única na América Latina
O sucesso da AERO Concepts não se limita ao desenvolvimento de turbinas. A empresa foi responsável pela criação do primeiro Banco de Ensaios de Compressores e de Sobrevelocidade (BEC-BESV) do hemisfério Sul, entregue ao Instituto de Aeronáutica e Espaço em janeiro de 2024.

Montado em uma área de 469 m², o BEC conta com uma capacidade de acionamento de 2,5 MW, rotação de até 30.000 rpm, taxa de compressão de 10:1 e vazão máxima de 10 kg/s, possuindo uma estrutura capaz de realizar testes de segurança, desempenho e confiabilidade de componentes aeronáuticos.

Esta infraestrutura, única na América Latina, coloca o Brasil em condições reais de projeto e fabricação de turbinas a gás de uso aeronáutico, ao lado de um seleto grupo de países desenvolvidos.

Visão de longo prazo e soberania tecnológica
Em seu comentário sobre os 10 anos da AERO Concepts, Gilberto Buffara foi direto: "A AERO Concepts mostra que soberania tecnológica nasce de decisões difíceis sustentadas no tempo, não de discurso vazio. Alexandre Roma trocou conforto e previsibilidade por risco real e engenharia pesada, apostando no valor estratégico de dominar propulsão."

A tese que sustenta o trabalho dessas empresas é simples, mas poderosa: é possível fazer engenharia de classe mundial no Brasil com ética, competência, visão de longo prazo e persistência. O resultado é tecnologia nacional, contratos reais e, acima de tudo, continuidade, algo raro no ecossistema brasileiro de inovação.

Alexandre Roma enfatiza: "AERO Concepts foi criada para desenvolver propulsão a jato nacional com aplicações no mundo real. Ver uma de nossas turbinas voando em uma plataforma robusta como o Albatroz Vórtex confirma a maturidade da engenharia brasileira e valida uma linha completa de turbinas que varia de 500 a 5.000 newtons."

Próximos passos e impacto estratégico
A AERO Concepts mantém uma linha de turbinas com empuxo entre 500 e 5.000N, voltada a diferentes classes de plataformas não tripuladas, ampliando as possibilidades de aplicação dessa tecnologia em futuros projetos. Em paralelo, a empresa está consolidando processos produtivos, visando dominar integralmente as tecnologias de fabricação de turbinas a jato no país, incluindo a obtenção de matérias-primas estratégicas e redução de dependências externas.

O foco está em padronização e autonomia tecnológica, com a meta de atender às demandas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ampliando o uso de plataformas como a da Stella em planos estratégicos nacionais.

Simultaneamente, a Stella Tecnologia continua os ensaios em voo do Albatroz Vórtex, com foco na expansão do envelope operacional, refinamento dos sistemas embarcados e maturação da aeronave como solução de alta performance para aplicações em defesa, segurança pública e monitoramento.

Um marco para a Base Industrial de Defesa
O voo do Albatroz Vórtex evidencia a capacidade da indústria nacional de integrar sistemas aéreos não tripulados com propulsão a jato, consolidando competências industriais estratégicas e fortalecendo a autonomia tecnológica do país.

Este é um momento histórico para a Base Industrial de Defesa brasileira. Como destacou Alexandre Roma ao receber a Medalha Mérito Santos Dumont em 2018, em reconhecimento aos serviços prestados à FAB, o desenvolvimento de turbinas aeronáuticas nacionais vai além da tecnologia: trata-se de soberania, de capacidade de decisão autônoma e de construir o futuro que o Brasil merece.

A parceria entre AERO Concepts e Stella Tecnologia prova que, com visão de longo prazo, investimento em pesquisa e desenvolvimento, e apoio institucional adequado, o Brasil pode, e deve, ocupar seu lugar entre as nações que dominam tecnologias críticas. A jornada começou com uma decisão corajosa há 20 anos. Hoje, essa decisão se materializa em turbinas que voam, em contratos que sustentam empresas e, principalmente, em conhecimento que permanece no país.

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