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19 junho, 2026

Eve, da Embraer, vence prêmio de melhor eVTOL da Robb Report e reforça apostas no design 'lift plus cruise'

A publicação americana de referência em luxo escolheu a aeronave da subsidiária da Embraer como destaque de aviação em sua 38ª edição do Best of the Best, com certificação prevista para o final de 2027
 



*LRCA Defense Consulting - 19/06/2026

A Eve Air Mobility foi escolhida pela Robb Report como o melhor eVTOL (electric Vertical Take-Off and Landing) na categoria aviação do Best of the Best 2026, programa anual de premiação da publicação americana dedicada ao universo do luxo, hoje em sua 38ª edição. O prêmio, divulgado em 18 de junho, eleva a visibilidade da empresa no mercado internacional em um momento em que sua campanha de testes de voo avança rumo à certificação.
A Robb Report não justificou a escolha pela velocidade, pelo alcance ou pelo tamanho da aeronave. Ao contrário, destacou exatamente o que diferencia a Eve no mercado de táxis aéreos urbanos: a simplicidade deliberada de sua arquitetura. Em uma categoria em que concorrentes apostam em rotores inclináveis e asas com geometria variável, a Eve optou por separar as funções de sustentação e cruzeiro em sistemas fixos e independentes. A aeronave utiliza oito hélices de passo fixo para decolagem e pouso vertical e uma hélice pusher traseira, combinada a uma asa convencional, para o voo horizontal. Nada gira ou se inclina durante a transição entre modos de voo.
Para a publicação, essa escolha de projeto não é uma limitação, mas uma vantagem estrutural: menos componentes móveis significam menor probabilidade de falha, manutenção mais simples e um caminho mais direto pela burocracia de certificação aeronáutica. Com velocidade de cruzeiro máxima de cerca de 200 km/h e alcance de 97 quilômetros, a aeronave é projetada para voos curtos entre aeroportos e centros urbanos, não para competir com jatos executivos.
 
Primeiro voo e protótipos
O reconhecimento da Robb Report chega em um intervalo de semanas após a conclusão do primeiro voo do protótipo em escala real da Eve. O voo inaugural confirmou a integração dos sistemas-chave da aeronave, entre eles o conceito fly-by-wire de quinta geração e os rotores de sustentação de passo fixo. A empresa planeja realizar múltiplos voos ao longo de 2026, expandindo gradualmente o envelope de voo até atingir o regime de cruzeiro em asa fixa.
Ao todo, a Eve fabricará seis protótipos conformes para conduzir a campanha de testes. A empresa mantém interlocução ativa com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), autoridade certificadora primária do eVTOL, para avançar no processo regulatório. A certificação inicial está prevista para o final de 2027, segundo a própria publicação americana.
Contexto do prêmio
O Best of the Best da Robb Report reconhece produtos e experiências considerados referência em seus respectivos segmentos ao longo dos 12 meses anteriores. Na edição de 2026, a categoria aviação premiou diferentes tipos de aeronaves, entre eles o Dassault Falcon 10X, na classe de jatos ultra long-range, e o Robinson R88, no segmento de helicópteros. Na subcategoria de eVTOL destinado a uso recreativo e pessoal, o israelense AIR ONE recebeu o prêmio de melhor aeronave pessoal, categoria distinta da vencida pela Eve, que compete como táxi aéreo urbano voltado a operadores.
Posicionamento da Eve
A subsidiária da Embraer tem sede na Flórida e é listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE: EVEX) e na B3 (EVEB31). A empresa se posiciona como desenvolvedora de um ecossistema integrado de mobilidade aérea urbana, que inclui o eVTOL, uma rede global de suporte e serviços e uma solução proprietária de gerenciamento de tráfego aéreo.
No campo financeiro, a Eve conta com aportes do BNDES, incluindo linha de crédito de 40 milhões de dólares para o programa de eVTOL. A Embraer permanece como acionista majoritária e confere à empresa acesso a décadas de experiência em certificação e manufatura aeronáutica, um ativo que o próprio mercado tem reconhecido como diferencial competitivo em relação a entrantes sem histórico industrial.
O reconhecimento da Robb Report não altera cronogramas ou contratos, mas funciona como validação editorial em um segmento onde a percepção de credibilidade tem peso nos ciclos de vendas e nas negociações com operadores. Para a Eve, o prêmio reforça a narrativa de que sua abordagem conservadora e orientada à operação pode ser tão atrativa quanto os designs mais arrojados dos concorrentes americanos e europeus.

18 junho, 2026

IACIT lança projeto MANTA para vigiar a nova fronteira marítima do Brasil

Projeto receberá R$ 49 milhões da FINEP e contrapartida de R$ 12 milhões do consórcio liderado pela empresa de São José dos Campos, certificada como Empresa Estratégica de Defesa

Da esquerda para a direita: Elias Ramos de Souza, diretor de Inovação da Finep, Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, Luiz Teixeira, CEO da IACIT, Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes

*LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

A IACIT, Empresa Estratégica de Defesa (EED) sediada em São José dos Campos (SP), assinou nesta quinta-feira (18) contrato com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para o desenvolvimento do MANTA, sistema voltado à vigilância da faixa marítima brasileira ampliada após o reconhecimento internacional da extensão da plataforma continental do país. A assinatura ocorreu durante a SpaceBR Show 2026, em São Paulo, evento que reúne, na mesma data e local, a MundoGEO Connect, a DroneShow Robotics e a Expo eVTOL, no Expo Center Norte (Pavilhão Azul).

O projeto nasce da decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), tomada em março de 2025, de reconhecer uma extensão de cerca de 360 mil quilômetros quadrados na plataforma continental brasileira: área que se soma à já consolidada Amazônia Azul, faixa marítima de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados que concentra reservas de petróleo, recursos minerais e rotas estratégicas. A nova porção se estende além das 200 milhas náuticas que delimitam a zona econômica exclusiva, e é justamente essa fronteira mais distante que o MANTA deve passar a monitorar.

O desenvolvimento será financiado com R$ 49 milhões da FINEP, somados a uma contrapartida de R$ 12 milhões dos participantes do consórcio. Além da IACIT, que lidera a iniciativa, integram o projeto a Orbital Engenharia e a Polidesign Indústria e Comércio, ambas também sediadas em São José dos Campos, e três instituições de pesquisa: o Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), o Centro Espacial do ITA (CEI) e a Divisão de Engenharia Eletrônica (IEE) do Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Um consórcio com perfis complementares
A escolha dos parceiros de consórcio não é aleatória. A Orbital Engenharia, fundada em 2001 e também certificada como Empresa Estratégica de Defesa, atua há mais de duas décadas em engenharia de sistemas para os setores espacial e de defesa, com histórico que inclui geradores solares para satélites do programa espacial brasileiro, plataforma suborbital de microgravidade e, mais recentemente, projetos de drones e propulsão. Já a Polidesign Indústria e Comércio, fabricante de componentes eletrônicos fundada em 1994, é associada à Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), com classificação voltada à manutenção de antenas multibanda em alta frequência (HF), cabeamento, telemetria e proteção contra interferência eletromagnética; um perfil técnico que dialoga diretamente com a faixa de operação dos radares oceânicos que a própria 
IACIT já opera no país.

Terceiro contrato com a FINEP em pouco mais de um ano
O MANTA não é o primeiro projeto de vigilância marítima ou aérea bancado com recursos da FINEP na trajetória recente da 
IACIT. A empresa opera desde 2018 o radar Além do Horizonte OTH 0100, instalado no Farol do Albardão (RS), capaz de rastrear embarcações não cooperativas a até 200 milhas náuticas da costa; o desenvolvimento desse equipamento já havia recebido apoio da financiadora a partir de 2012. Em abril de 2025, durante a LAAD Defence & Security, a IACIT assinou dois novos contratos no mesmo mês: um com a Força Aérea Brasileira, por meio do DECEA, para o radar OTH 0200 Skywave, de alcance ainda maior; e outro com a própria FINEP para o desenvolvimento do MUST (Multi-Sensor Urban Surveillance and Tracking), sistema de monitoramento de drones e eVTOLs em ambiente urbano, orçado em R$ 28 milhões com contrapartida de R$ 12 milhões. O MANTA chega, portanto, como o terceiro grande contrato de financiamento público assinado pela empresa em pouco mais de um ano, e o de maior valor entre eles.

O que o projeto promete, e o que ainda falta esclarecer
Segundo a 
IACIT, o MANTA vai combinar tecnologias de sensoriamento, processamento de sinais e inteligência artificial para ampliar a capacidade de detecção, acompanhamento e identificação de alvos em ambientes marítimos complexos, com alcance operacional superior a 350 milhas náuticas. Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a iniciativa atende a uma necessidade ligada à extensão do litoral brasileiro: “um país que tem quase nove mil quilômetros de litoral precisa, cada vez mais, garantir que o oceano sob jurisdição brasileira tenha a proteção necessária”, afirmou durante a cerimônia de assinatura.

Já o vice-almirante Marcelo da Silva Gomes, diretor de Gestão de Programas da Marinha, destacou o ganho de alcance: “a iniciativa MANTA da IACIT possibilitará ao país ter um sistema de altíssimo alcance, superior a 350 milhas náuticas, essencial para o monitoramento principalmente da porção norte do país”. Para o CEO da Iacit, Luiz Teixeira, o projeto reúne “tecnologias avançadas de sensoriamento, processamento de dados e inteligência artificial em uma solução desenvolvida no Brasil para ampliar a capacidade de vigilância marítima de longo alcance”.

O material de lançamento não detalha, porém, a arquitetura do sistema. Não há indicação pública, até o momento, sobre quais tipos de sensores serão empregados (radar, dados de satélite ou ambos), sobre o prazo de execução do contrato, sobre onde os equipamentos serão instalados, nem sobre a relação operacional entre o MANTA e sistemas de vigilância já existentes na Amazônia Azul, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da própria Marinha, e os radares OTH que a IACIT já opera no Sul do país. Os papéis específicos do CTMRJ, do CEI e da IEE dentro do consórcio também não foram detalhados no momento da assinatura.

Por ora, o MANTA se soma a uma sequência de investimentos da FINEP em tecnologia de vigilância nacional e reforça o papel da IACIT como uma das poucas fornecedoras brasileiras de sistemas de monitoramento de longo alcance para a faixa marítima do país, num momento em que a ampliação da plataforma continental impõe à Marinha a tarefa de proteger uma área ainda maior do que aquela já coberta pelos sistemas atualmente em operação.

EDGE e 4iG S&D assinam acordo para joint venture de tecnologias não letais na Hungria; Condor brasileira é a entidade operacional

Acordo preliminar foi firmado durante a Eurosatory 2026 e prevê centro regional de excelência e produção local na Hungria


 

*LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

O grupo de defesa emiratense EDGE e a húngara 4iG Space and Defence Technologies (4iG S&D) assinaram, durante a Eurosatory 2026, em Paris, um acordo preliminar para criar uma joint venture na Hungria dedicada a tecnologias de defesa não letais. Segundo comunicado divulgado pela EDGE em 16 de junho, a iniciativa será operacionalizada por meio da CONDOR Non-Lethal Technologies (NLT), entidade do grupo emiratense que tem origem na fabricante brasileira Condor Tecnologias Não Letais, sediada no Rio de Janeiro.

O acordo: centro de excelência regional na Hungria
O entendimento avança a parceria iniciada com um memorando de entendimento assinado em agosto de 2025 e prevê, além da joint venture industrial, um centro regional de competência e testes voltado a forças militares, policiais e órgãos de segurança pública europeus. Conforme a EDGE, o espaço deve oferecer avaliação de equipamentos, testes operacionais, treinamento e desenvolvimento de capacidades, permitindo que usuários finais avaliem e empreguem tecnologias não letais em cenários de segurança cada vez mais complexos.

A futura joint venture terá foco em pesquisa, fabricação e comercialização de soluções não letais avançadas, incluindo munições especializadas, pirotecnia e tecnologias inteligentes de defesa. A EDGE associa o movimento ao crescimento da demanda por sistemas que reduzam danos colaterais e, ao mesmo tempo, ampliem a eficácia operacional em aplicações militares e policiais.

Condor: a porta de entrada da EDGE no setor não letal
A menção direta à CONDOR Non-Lethal Technologies como vetor do acordo na Hungria reforça o papel central que a empresa brasileira passou a ocupar dentro do portfólio da EDGE. Em abril de 2024, o grupo emiratense adquiriu 51% da Condor Tecnologias Não Letais, fundada em 1985 e baseada no estado do Rio de Janeiro, então apontada como uma das cinco maiores fabricantes mundiais de tecnologias não letais, com portfólio de mais de 160 produtos e presença comercial em mais de 85 países.

À época, o presidente e fundador da Condor, Carlos Erane de Aguiar, afirmou que a parceria demonstrava a confiança da EDGE na capacidade da empresa e no próprio Brasil. Já o diretor administrativo e CEO da EDGE, Hamad Al Marar, descreveu a aquisição como um passo estratégico para diversificar o portfólio do grupo, com vistas à entrada em mercados como os Estados Unidos.

O comunicado sobre a Hungria é o primeiro sinal público de que a marca Condor, já internalizada como entidade EDGE, está sendo usada como plataforma para projetos de capacidade industrial fora do Brasil, inclusive no continente europeu.

Contexto: estratégia europeia da EDGE
A EDGE descreve o entendimento com a 4iG S&D como parte de uma estratégia mais amplo de expansão de parcerias industriais internacionais, com apoio ao desenvolvimento de capacidades locais, treinamento especializado e transferência de conhecimento. O grupo reúne mais de 25 entidades organizadas em cinco áreas: plataformas e sistemas, mísseis e armamentos, espaço e tecnologias cibernéticas, comércio e suporte de missão, e segurança interna.

Vale ressaltar que, segundo o próprio comunicado, o entendimento assinado na Eurosatory 2026 é preliminar; ainda não há detalhes públicos sobre valores envolvidos, prazo de implementação ou estrutura societária da futura joint venture.

Por que isso interessa ao Brasil
Para o ecossistema brasileiro de defesa, o episódio ilustra como um ativo nacional adquirido por um grupo estrangeiro pode se tornar plataforma de expansão internacional sob controle externo. A Condor, que mantém operações e patentes no Brasil e já firmou parceria com a Marinha brasileira para o desenvolvimento de tecnologias não letais, aparece agora, na comunicação oficial da EDGE, primariamente como uma entidade do grupo emiratense, e não como fornecedora brasileira em um projeto internacional.

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