Ordem
presidencial busca acelerar a substituição dos C-130H Hercules na Força
Aeroespacial Colombiana, em meio a debate sobre sistemas de origem israelense
embarcados na aeronave brasileira
*LRCA Defense Consulting - 14/07/2026
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, teria determinado o encerramento do processo de aquisição de dois aviões de transporte tático Embraer KC-390 Millennium para a Força Aeroespacial Colombiana (FAC), segundo informação divulgada nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, pelo portal espanhol Infodefensa, assinada pelo jornalista Erich Saumeth. A decisão acelera um processo que ainda envolvia a comparação técnica com outras duas plataformas disputadas no mercado internacional: o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin, e o A400M Atlas, da Airbus.
A orientação de Petro não é isolada. Já em 30 de março de 2026, o presidente colombiano havia ordenado formalmente, em Conselho de Ministros, o início do processo de compra das duas aeronaves brasileiras, segundo apurou à época o próprio Infodefensa. Naquele momento, a razão apontada pelo portal era o interesse do mandatário em reforçar uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de conversas e compromissos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova orientação, agora, teria como objetivo fechar definitivamente o negócio.
A urgência da renovação da frota de transporte colombiana cresceu depois do acidente registrado em março de 2026 com um C-130H Hercules da FAC, que caiu pouco depois de decolar de Puerto Leguízamo, no departamento de Putumayo, durante uma missão de transporte de militares, deixando dezenas de mortos e feridos. O episódio expôs o desgaste de uma frota que serve à Colômbia há décadas em missões logísticas exigentes, sobre uma geografia marcada pela Cordilheira dos Andes, extensas áreas amazônicas e regiões com infraestrutura aeroportuária limitada.
É nesse cenário que o KC-390 Millennium apresenta parte de seu apelo comercial. Desenvolvido pela Embraer, o bimotor a jato pode transportar até 26 toneladas de carga, atingir velocidades de cruzeiro próximas de 470 nós e operar em pistas curtas, não pavimentadas ou pouco preparadas, características relevantes para o teatro operacional colombiano. A aeronave também está apta a realizar reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento, apoio humanitário e combate a incêndios.
O impasse dos
sistemas israelenses
A possível
aquisição, no entanto, esbarra em uma questão política sensível para o governo
Petro. Segundo o Infodefensa, determinadas configurações do KC-390
incorporam sistemas desenvolvidos pela indústria israelense, entre eles o
sistema de missão da aeronave, criado pela Elbit Systems por meio de sua
subsidiária brasileira AEL Sistemas, responsável por elementos críticos da
cabine, incluindo os sistemas de visualização e o Head-Up Display (HUD). A
configuração da aeronave também pode integrar suítes de autoproteção e guerra
eletrônica de origem israelense, entre elas sistemas Dircm (Directional
Infrared Countermeasures), dispensadores de contramedidas (CMDS) e pods de
guerra eletrônica ativa (AECM).
O tema ganha relevância porque o próprio Petro já havia restringido, em decisões anteriores de seu governo, a aquisição de equipamentos, sistemas ou armamentos de origem israelense ou que incorporem componentes fabricados naquele país. Ainda não está claro, segundo as fontes consultadas, como essa política seria aplicada à configuração específica destinada à Colômbia, tampouco se determinados sistemas poderiam ser substituídos por equipamentos de outros fornecedores.
Peça de um
rearmamento mais amplo
A eventual
chegada do KC-390 se insere em uma renovação mais ampla da aviação militar
colombiana. O País, além da negociação em curso com a Embraer, avança na
aquisição de 17 caças Gripen E/F, da sueca Saab, para substituir os veteranos
Kfir, de origem israelense, ampliando a participação das indústrias
aeronáuticas brasileira e sueca na modernização das capacidades aéreas da FAC.
Analistas do setor observam que o KC-390 é compatível com as operações dos
Gripen, sobretudo para o reabastecimento em voo, o que facilitaria a integração
da nova frota de combate colombiana.
Caso o contrato seja formalizado, a Colômbia se tornará mais um operador internacional do C-390 Millennium, aeronave que já conquistou clientes como Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, além do Brasil. O mesmo movimento de renovação de frotas de transporte tático move outros países da região, caso do Chile, cujo presidente José Antonio Kast já sinalizou publicamente interesse pela aeronave, e de Marrocos, cuja negociação avançada prevê a compra de cinco unidades em um contrato estimado em mais de US$ 600 milhões.
Até o momento, não foi anunciado publicamente um contrato definitivo entre o governo colombiano e a Embraer para as duas aeronaves. A orientação de Petro para avançar com o processo ainda deve envolver negociações comerciais, a definição da configuração dos aviões, o pacote logístico, o treinamento de tripulações e equipes de manutenção, além do cronograma de entregas.







