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24 julho, 2026

Grécia: KYSEA aprova contratos do C-390 e do Escudo de Aquiles e fecha o maior pacote de defesa do país

Conselho de Segurança Nacional grego referendou em 23 de julho a compra dos três C-390 por EUR 597 milhões, inserida num programa de modernização de EUR 4,3 bilhões presidido pelo sistema antimíssil israelense; ministro Dendias confirma que entregas do cargueiro da Embraer começam em 2027


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LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

A Grécia deu nesta quinta-feira, 23 de julho, o último passo institucional que faltava para transformar intenção em contrato: o Conselho de Governo para Assuntos Externos e Defesa Nacional (KYSEA), reunido no Palácio Maximos sob a presidência do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, aprovou os contratos de um pacote de aquisições de defesa avaliado em aproximadamente EUR 4,3 bilhões. O ministro da Defesa, Nikos Dendias, apresentou os programas e confirmou as decisões em entrevista coletiva ainda na tarde de quinta-feira.

Entre os itens aprovados estão os três Embraer C-390 Millennium — programa avaliado em EUR 597,5 milhões e que, desde a aprovação parlamentar de 10 de junho, aguardava o referendo do KYSEA para ter força contratual plena. A compra será executada por acordo governo a governo com Portugal, com a primeira aeronave prevista para 2027 e a última para 2030. Dendias confirmou que os aparelhos também terão capacidade de reabastecimento aéreo.

O Escudo de Aquiles: o centro de gravidade do pacote
A peça principal do programa aprovado pelo KYSEA é o sistema de defesa multicamadas batizado de Escudo de Aquiles, avaliado em até EUR 3,5 bilhões e construído em torno de tecnologia israelense. Rafael e Israel Aerospace Industries (IAI) fornecerão os componentes centrais: o sistema Spyder, o Barak MX e uma versão do David's Sling para defesa antibalística. Os três sistemas serão integrados por uma camada de comando e controle desenvolvida pela indústria de defesa grega, que participará do programa com EUR 700 milhões em contratos locais — ou seja, 25% do valor total.

"Estará pronto e totalmente operacional em 35 meses a partir de hoje", disse Dendias. O sistema substituirá e complementará as baterias Patriot americanas e os vetustos S-300 russos que hoje compõem o escudo aéreo grego, integrando-se à rede de sensores e armas que inclui as futuras fragatas FDI Belharra, os F-16 Viper modernizados e os até 40 caças F-35 previstos para aquisição nos próximos anos.

Os demais programas aprovados pelo KYSEA
Além do Escudo de Aquiles e dos três C-390, o KYSEA referendou em 23 de julho outros sete programas. A compra de dez veículos submarinos VICTA da britânica SubSea Craft, ao custo de EUR 145 milhões, equipará as Forças de Operações Especiais com plataformas de inserção capaz de operar tanto na superfície quanto submersa, com oito unidades a serem construídas nos estaleiros de Skaramangas e duas no Reino Unido. A aquisição de dez sistemas de drone V-BAT Classe II, da Shield AI, por EUR 71 milhões, provê a Força Aérea e o Exército com capacidade de reconhecimento e designação de alvos em vertical takeoff and landing. Um sistema adicional Heron 1 da IAI, por EUR 40 milhões, reforça a frota de VANTs de longa endurance da Força Aérea Helênica, que já opera um sistema do tipo. 

A modernização antisubmarina das quatro fragatas MEKO-200HN, com sonares de casco M660 da Elbit Systems (subsidiária canadense Geospectrum Technologies), custa EUR 24 milhões. A compra de mísseis anticarro Hellfire AGM-114R2 de guiamento a laser, por EUR 108 milhões via FMF americano, amplia a capacidade ofensiva dos helicópteros de ataque AH-64A+. Microsatélites de radar de abertura sintética (SAR) serão desenvolvidos em parceria com a Polônia, no âmbito do mecanismo europeu SAFE, por EUR 80 milhões. Por fim, EUR 75,6 milhões foram aprovados para binóculos de visão noturna com câmera térmica para a infantaria.

Uma cronologia que se acelerou
O programa C-390 para a Grécia percorreu em sete semanas um caminho que, em outros países, levou anos. Em 22 de maio, a Embraer e a Hellenic Aerospace Industry (HAI) assinaram um Memorando de Entendimento para o desenvolvimento de capacidades de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão) em solo grego, um passo incomum que precedeu a aprovação formal e sinalizou que a decisão política já estava tomada. Em 10 de junho, a Comissão Especial Permanente de Programas e Contratos de Armamentos do Parlamento heleno aprovou o programa com os detalhes financeiros completos: EUR 597.586.682, com custo unitário médio de EUR 157,9 milhões e suporte logístico de EUR 90 milhões separados. Em 23 de julho, o KYSEA aprovou os contratos, encerrando o ciclo de aprovações institucionais.

A velocidade do processo reflete a urgência operacional. Dos 15 C-130 Hercules no inventário da Força Aérea Helênica, apenas cinco estavam operacionais no início de 2026, segundo o portal Defence-Point.gr. A situação levou o governo Mitsotakis a optar pelo mecanismo governo a governo com Portugal para acelerar a contratação, dispensando um processo concorrencial autônomo que poderia levar mais dois anos.

A derrota da Lockheed Martin após cinco décadas
A escolha do C-390 encerrou um monopólio de cinco décadas da Lockheed Martin no mercado de aeronaves de transporte tático da Grécia. O C-130J Super Hercules foi avaliado, assim como o Airbus A400M, mas o Estado-Maior da Aeronáutica heleno concluiu que o C-390 apresenta custo total de ciclo de vida inferior e desempenho superior nas missões prioritárias para a HAF. O C-390 é mais veloz, carrega mais carga e opera com dois motores turbofan IAE V2500 amplamente distribuídos na aviação civil, o que facilita e barateia a manutenção. O portal Pronews.gr, em análise publicada antes da aprovação do KYSEA, citou diferença de até 35% no custo operacional em favor do cargueiro brasileiro.

Há ainda um fator estratégico raramente mencionado nas declarações oficiais, mas registrado pelo MiGFlug e outros portais especializados: a Grécia evita, por princípio, operar os mesmos sistemas que a Turquia, sua rival regional. Ancara emprega uma extensa frota de C-130 e Airbus A400M, o que tornaria a adoção de qualquer uma dessas aeronaves politicamente delicada em Atenas.

O 13º país de um programa em expansão acelerada
Com a aprovação do KYSEA, a Grécia se consolida como o 13º país a selecionar o C-390 Millennium. O programa acumula operadores entre membros da Otan (Brasil, Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Suécia, Lituânia, Eslováquia, Coreia do Sul) e expandiu seu alcance geográfico em maio de 2026 com o pedido dos Emirados Árabes Unidos por 20 aeronaves (10 firmes e 10 opções), sua estreia no Oriente Médio. A frota brasileira, com 19 unidades em serviço e mais de 14.000 horas de voo acumuladas, apresenta taxa de disponibilidade superior a 99%.

Para a Embraer, o contrato grego é também um ativo de campanha comercial. A Eslováquia ainda negocia os termos finais para três aeronaves, e a Turquia  (cujo comandante da Força Aérea, general Ziya Cemal Kadıoğlu, visitou a Base Aérea nº 11 de Beja em maio de 2026) analisa o C-390 como opção para modernizar sua própria frota de C-130. Cada novo operador europeu amplia a rede de MRO, formação e cadeia de suprimentos que torna a plataforma mais atrativa para os seguintes.

O contexto: EUR 28 bilhões e uma nova doutrina
O pacote aprovado pelo KYSEA não é um evento isolado. É o maior salto de um programa de modernização das Forças Armadas gregas que prevê investimentos de EUR 28 bilhões até 2036, o mais ambicioso da história moderna do País. O programa inclui ainda até 40 caças F-35 adquiridos dos Estados Unidos, fragatas FDI Belharra encomendadas à França e corvetas Belh@rra da Itália. A Grécia destina perto de 3,5% do seu PIB à defesa, uma das proporções mais altas entre os membros da Otan, impulsionada pela disputa territorial persistente com a Turquia e pelo novo ambiente de segurança moldado pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

A aprovação do Escudo de Aquiles e do C-390 no mesmo pacote revela uma doutrina em construção: a Grécia busca simultaneamente a capacidade de negar o espaço aéreo (com o escudo multicamadas israelense) e a capacidade de projetar força e executar missões logísticas e de evacuação além de seu território (com o C-390 em papel de transporte, tanqueiro e medevac). Os dois vetores, defesa e projeção, integram a mesma decisão política.

GRÉCIA: CRONOLOGIA E NÚMEROS DO C-390

MoU Embraer / HAI (MRO)

22 de maio de 2026

Aprovação parlamentar

10 de junho de 2026

Aprovação KYSEA (contratual)

23 de julho de 2026

Valor total do contrato

EUR 597.586.682 (incl. retenções de 6%)

Custo das 3 aeronaves

EUR 473.723.440 (média: EUR 157,9 M/unidade)

Suporte logístico inicial

EUR 90.037.580

Mecanismo contratual

Governo a governo com Portugal

Entregas previstas

2027 (1ª aeronave) a 2030 (última)

Capacidade de reabastecimento

Sim (sistema de cesta/basket, confirmado por Dendias)

Contexto orçamentário grego

EUR 28 bilhões em defesa até 2036

Posição no ranking de operadores

13º país a selecionar o C-390

 

Carteira de pedidos da Embraer soma US$ 34,5 bilhões e marca sétimo recorde trimestral consecutivo

Resultado do segundo trimestre de 2026 é puxado por novo pedido na aviação comercial, certificação tripla dos Praetor 500E e 600E e acordo inédito com os Emirados Árabes Unidos para o C-390 Millennium

  

*LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

A Embraer registrou uma carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), novo recorde histórico da companhia pelo sétimo trimestre consecutivo. O valor representa alta de 7% em relação ao 1T26 e de 16% na comparação com o mesmo período do ano anterior (2T25). O avanço foi puxado pelas quatro unidades de negócio da fabricante brasileira: aviação comercial, aviação executiva, defesa e segurança, e serviços e suporte.

Desempenho consolidado no trimestre
A Embraer entregou 65 aeronaves no 2T26, entre as quatro unidades de negócio, número 48% maior do que as 44 unidades entregues no 1T26 e 7% acima das 61 entregas registradas no 2T25. No primeiro semestre de 2026 (1S26), a companhia somou 109 entregas, cerca de 20% a mais do que as 91 aeronaves entregues no mesmo período de 2025. O volume representa aproximadamente 42% do ponto médio (248 aeronaves) da guidance anual da companhia para as unidades de aviação executiva e comercial combinadas, fixada entre 240 e 255 aeronaves para 2026, ritmo 8 pontos percentuais acima da média histórica de cinco anos para o período, de 34%. A empresa atribui o desempenho ao avanço de suas iniciativas de nivelamento da produção.

Aviação Comercial
Na aviação comercial, a carteira de pedidos somou US$ 15,1 bilhões no 2T26, alta de 15% ante o 2T25. O resultado foi impulsionado por um novo pedido firme da Azorra, de 15 aeronaves E195-E2, que elevou o programa E2 a mais de 500 encomendas firmes, com clientes em todos os continentes. Durante o Farnborough Airshow, a Embraer revelou que a Fuji Dream Airlines era uma das clientes até então não identificadas por trás de pedidos de E175 já incluídos na carteira, referentes a uma encomenda firme de duas aeronaves feita em 2025.

A unidade de negócio entregou 20 aeronaves no trimestre, uma a mais do que no 2T25, o equivalente a cerca de 24% do ponto médio (83 aeronaves) da guidance anual da divisão, fixada entre 80 e 85 aeronaves para 2026. Com isso, a aviação comercial encerrou o período com uma relação de book-to-bill de 1,8 vez nos últimos 12 meses.

Aviação Executiva
A carteira de pedidos da aviação executiva avançou para US$ 7,8 bilhões no 2T26, 5% acima do nível do 2T25. A perspectiva da unidade foi reforçada pela certificação tripla dos novos modelos Praetor 600E e Praetor 500E, obtida no trimestre junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), à Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos e à Agência Europeia para a Segurança da Aviação (Easa). Lançadas em fevereiro de 2026, as duas aeronaves têm lançamento comercial previsto ainda para este ano.

A divisão entregou 45 aeronaves no trimestre, alta de 18% sobre as 38 unidades do 2T25, sendo 24 no segmento de jatos pequenos e 21 no de médios. O volume representou cerca de 27% do ponto médio (165 aeronaves) da guidance anual da unidade, entre 160 e 170 aeronaves em 2026, 4 pontos percentuais acima da média histórica de cinco anos para o segundo trimestre, de 23%. A aviação executiva encerrou o período com relação de book-to-bill de 1,1 vez nos últimos 12 meses.

Defesa e Segurança
Em defesa e segurança, a carteira de pedidos atingiu US$ 6,1 bilhões no 2T26, alta de 42% ante o 2T25, impulsionada por um acordo inédito com a Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos para o C-390 Millennium. O contrato prevê 10 aeronaves firmes e 10 opções de compra, a maior encomenda internacional já feita por um único país para o C-390 e marco de entrada da aeronave no mercado do Oriente Médio. Não houve entregas na unidade durante o trimestre. Com isso, defesa e segurança encerrou o período com relação de book-to-bill de 2,6 vezes nos últimos 12 meses.

A Embraer soma atualmente 42 pedidos firmes do transporte militar KC-390 Millennium e 27 do avião de ataque leve A-29 Super Tucano. As escolhas do KC-390 pela Eslováquia (3 unidades) e pela Lituânia (3 unidades) ainda não constam da carteira, por não terem contrato em vigor ou por seguirem em discussão.

Serviços e Suporte
A carteira de serviços e suporte também atingiu patamar recorde no 2T26, de US$ 5,5 bilhões, 12% acima do 2T25. No período, a unidade fechou um contrato de suporte de longo prazo com a Jazz Aviation para adesão ao programa Embraer Collaborative Inventory Planning (ECIP), tornando a companhia canadense, operadora de uma frota de 25 jatos E175, a primeira cliente do programa no Canadá. A Embraer também assinou novo contrato de suporte para a frota de KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB), cobrindo tanto as aeronaves já em operação quanto as entregas futuras. A unidade encerrou o trimestre com relação de book-to-bill de 1,3 vez nos últimos 12 meses.

Lula promete “encomendas” às Forças Armadas em visita à Avibras Aeroco

Presidente citou a Guerra do Paraguai e disse que o país vai vender “armas da paz”; Alckmin revelou 480 novos empregos e planos de reabrir fábrica em Lorena, mas nenhum aporte financeiro foi anunciado para a dívida trabalhista

 

*LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta sexta-feira, dia 24 de julho, a fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), em um discurso marcado por referências históricas e promessas genéricas de novas encomendas às Forças Armadas, mas sem qualquer anúncio de recursos para quitar a dívida trabalhista da empresa. 

A agenda, que começou às 10h, contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; dos ministros de Estado José Múcio Monteiro (Defesa), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação) e pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General de Exército Marco Antonio Amaro. 

Também participaram da visita o Comandante da Marinha do Brasil, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen; o Comandante do Exército Brasileiro, General de Exército Tomás Miguel Ribeiro Paiva; o Comandante da Aeronáutica em exercício, Tenente-Brigadeiro do Ar Walcyr Josué de Castilho Araújo; o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto; o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antônio Elias; o diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Alexandre Corrêa Abreu; e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Gonçalves.

Os pronunciamentos das autoridades ocorreram na fábrica veicular. Em seu discurso, o presidente da Avibras Aeroco, Sami Hassuani, destacou que a visita presidencial representou muito mais do que uma agenda institucional, simbolizando a confiança na capacidade da indústria nacional de defesa e a importância da cooperação entre os setores público e privado.

“Esta visita permite constatar que a Avibras Aeroco é uma realidade. Com uma empresa saudável sob os aspectos financeiro, técnico e industrial, estamos prontos para inovar, produzir, competir e servir ao Brasil”, afirmou.

Hassuani ressaltou ainda sua convicção de que essa parceria continuará se fortalecendo, transformando compromissos em ações concretas e consolidando a Avibras Aeroco como uma empresa cada vez mais estratégica para o desenvolvimento e a soberania do País. 

 

Guerra do Paraguai e “armas da paz”
Em discurso na unidade fabril, Lula recorreu à Guerra do Paraguai para justificar a necessidade de investimentos permanentes em defesa. “Nós gostamos de paz. Mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. A Guerra do Paraguai custou 3 Orçamentos do Brasil na época. Quando você entra em guerra, você não fica perguntando se tem dinheiro ou não tem dinheiro”, disse, segundo o Poder360.

O presidente também defendeu a ampliação das exportações de material bélico pela Avibras, associando as vendas externas a um discurso de soberania nacional. “Quando eu vender uma arma lá fora, eu falo: essa arma foi feita por trabalhadores brasileiros e trabalhadoras, muitos deles corintianos, e que não querem matar ninguém. Essa arma é da paz. Essa arma não é para você detonar, é só para você falar que tem, para ninguém mexer com você. E nós vamos vender”, declarou, de acordo com o Congresso em Foco.

Na mesma linha, à CNN Brasil, Lula afirmou que o investimento em defesa não pode ser tratado como algo secundário. “Quero ela [as Forças Armadas] bem preparada do ponto de vista de poderio, de armamento, de conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz, mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país”, disse.

Promessa de novas encomendas, sem valores ou prazos
O presidente sinalizou que o governo federal deve ampliar as compras de equipamentos das Forças Armadas nos próximos anos, embora sem detalhar valores, cronograma ou fornecedores específicos. “Hoje é um dia especial para as Forças Armadas brasileiras, que agora têm que se preparar para a gente fazer as encomendas necessárias, necessárias, num pensamento de médio e longo prazo”, afirmou, segundo o Congresso em Foco.

Em tom pessoal, Lula recorreu a uma lembrança da juventude para reforçar o argumento. “Teve um tempo, eu era molecão, e tinha uma garrucha .22. Eu não colocava bala na garrucha, eu com medo de me machucar com as balas. O Brasil não pode ser assim. Nós não podemos ter as Forças Armadas, ter Aeronáutica, Marinha, e não ter as coisas que a gente precisa”, disse. À CNN Brasil, completou o raciocínio: “E quando alguém quiser invadir, a gente falar: não invade agora, não, deixa eu comprar, me dá uns seis meses de prazo. Ninguém espera, cara”.

Alckmin detalha números da retomada em coletiva
Em entrevista coletiva após a visita, Geraldo Alckmin classificou a Avibras como empresa “estratégica” e apresentou números da retomada. Segundo o vice-presidente, a reabertura da fábrica permitiu contratar 480 colaboradores, e a empresa deve reabrir uma segunda unidade, em Lorena, onde fabrica insumos para o combustível de foguetes, mísseis e lançadores.

Alckmin também citou dados do setor de defesa como um todo para sustentar o discurso de crescimento. “O Brasil, em produtos de defesa em 2022, exportou US$ 600 milhões. No ano passado [foram] US$ 3,4 bilhões, aumentou cinco vezes a exportação brasileira. A Avibras tem tudo para retomar [o crescimento] e é muito importante para o Brasil ter uma defesa com tecnologia, capacidade de persuasão, isso é importantíssimo para o país, para o desenvolvimento do Brasil”, disse, conforme registrou o g1.

O número de 480 colaboradores contratados, dito pelo próprio vice-presidente na coletiva, diverge de registros anteriores: o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região vinha informando cerca de 271 trabalhadores recontratados no início da retomada, subindo para aproximadamente 500 até julho. A fala de Alckmin é a mais recente e oficial disponível até o momento, mas a variação entre as fontes ainda não foi esclarecida publicamente.

Tarifaço dos EUA tratado à parte, fora do discurso
Assim como já havia sido antecipado por reportagens anteriores, Lula não mencionou o novo tarifaço dos Estados Unidos durante o pronunciamento na fábrica. O tema só apareceu depois, na coletiva de Alckmin à imprensa, quando o vice-presidente classificou como “injusta” e “descabida” a nova taxa de 12,5% imposta pelo governo americano a produtos brasileiros, sob justificativa de supostas práticas de trabalho forçado.

Sobre a possibilidade de o governo brasileiro usar a Lei da Reciprocidade como resposta, Alckmin evitou cravar uma decisão. Segundo a CNN Brasil, o vice-presidente disse que o governo vai decidir sobre o uso da lei “no momento adequado”, defendendo, por ora, apoio aos setores afetados pela tarifa, busca de novos mercados e manutenção da mesa de negociação com os Estados Unidos.

O que ficou de fora
Apesar do tom favorável à indústria de defesa, a visita não trouxe anúncio de recursos federais para o pagamento da dívida trabalhista da Avibras, estimada em cerca de R$ 230 milhões e negociada com o Sindicato dos Metalúrgicos. Segundo o jornal OVALE, a entidade sindical entregou a Lula, durante a visita, um pedido formal de aporte federal de R$ 300 milhões, mas o presidente não informou prazo, fonte de recursos ou qualquer decisão sobre o pleito.

Também não houve, ao menos publicamente, qualquer menção à negociação em curso entre a AEL Sistemas, a Elbit Systems e a Avibras Aeroco para viabilizar a montagem local do obuseiro autopropulsado Atmos 155 mm, no âmbito da licitação do Exército Brasileiro para aquisição de 36 viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado (VBCOAP 155 mm SR).

 

Uma promessa vaga em ano eleitoral
A ausência de valores, prazos ou contratos específicos na promessa de novas encomendas chama atenção por coincidir com um ano eleitoral e com uma sequência recente de agendas de Lula pelo Vale do Paraíba, região que reúne parte importante da base industrial de defesa e aeroespacial do País (Embraer, em São José dos Campos, e agora a Avibras, em Jacareí). 

É possível argumentar que a formulação “médio e longo prazo” reflete simplesmente o ritmo naturalmente lento de contratações no setor de defesa, que costuma depender de ciclos orçamentários plurianuais e de negociações prolongadas, como já ocorre há mais de dois anos na tratativa em torno do ATMOS. 

Mas também é possível ler a fala como um gesto político de baixo custo, que sinaliza apoio a uma indústria estratégica sem assumir compromisso orçamentário imediato, em um momento no qual o próprio Sindicato dos Metalúrgicos cobrava, no mesmo evento, uma resposta concreta e não a obteve. 

Nenhuma das duas leituras pode ser tomada como certa a partir do que foi dito publicamente até aqui; a diferença só deve ficar clara quando, e se, a promessa se traduzir em contrato, orçamento ou cronograma.

Assim, pelo menos por enquanto, a visita presidencial resultou, para a Avibras Aeroco e para a BID, em "muita fumaça e pouco fogo", haja vista que nada de concreto foi anunciado pelo presidente ou pelo vice-presidente durante o ato.

Retomada da Avibras
A Avibras retomou suas atividades em Jacareí neste ano, após mais de três anos de crise financeira, recuperação judicial e uma greve que se estendeu por cerca de 1.280 dias, uma das mais longas da indústria brasileira. O acordo que encerrou a paralisação, assinado em março com o Sindicato dos Metalúrgicos, previu a quitação de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas para cerca de 1,4 mil pessoas; a produção voltou a rodar em maio. A empresa também recebeu, recentemente, o credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa (EED), concedido pelo Ministério da Defesa.

Mato Grosso compra 233 fuzis T4 da Taurus por R$ 3,6 milhões para a PM

Contratação por inexigibilidade de licitação amplia presença institucional da fabricante gaúcha em forças de segurança estaduais

  

*LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

O Governo de Mato Grosso firmou contrato de R$ 3.639.312,49 com a Taurus Armas S.A. para a aquisição de 233 fuzis modelo T4, no calibre .300 Blackout (300 BLK), destinados à Polícia Militar do Estado (PMMT). O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso (Iomat) na quinta-feira (23/07), segundo apuraram os portais mato-grossenses VGN Notícias e Nortão News.

Como foi a contratação
A aquisição foi conduzida pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) por meio de inexigibilidade de licitação nº 045/2026, modalidade prevista em lei para os casos em que há inviabilidade de competição, geralmente associada a fornecedores exclusivos de determinado produto ou tecnologia. O instrumento resultante é o contrato nº 112/2026, celebrado entre o Estado de Mato Grosso, por intermédio da Sesp, e a Taurus Armas S.A., fabricante do armamento.

O valor total do contrato equivale a um custo médio de aproximadamente R$ 15,6 mil por unidade. A vigência estabelecida vai de 22 de julho de 2026 a 21 de julho de 2027. O documento foi assinado pelo secretário-adjunto de Segurança Pública, Rodrigo Bastos da Silva, em nome do Estado, e pelos representantes da Taurus Armas S.A., Eduardo Minghelli e Cícero Ferreira Prado.

O fuzil T4 em calibre .300 Blackout
O T4 é a plataforma de fuzil semiautomático de estilo M4 fabricada pela Taurus em São Leopoldo (RS), disponível em diferentes calibres e comprimentos de cano. A versão .300 Blackout, lançada institucionalmente pela empresa em 2022, foi desenvolvida como cartucho intermediário para operações táticas de curta e média distância, com desempenho comparável ao 7,62x39mm e vantagens de peso e volume de transporte em relação a calibres tradicionais de fuzil. A munição também apresenta maior eficiência quando empregada com supressores de ruído, característica que a fabricante associa ao uso em ambientes urbanos por forças policiais.

Segundo o extrato do contrato, os 233 fuzis serão destinados a atender às demandas operacionais da Polícia Militar de Mato Grosso, sem detalhamento público, até o momento, sobre quais unidades receberão o armamento.

Precedentes na adoção institucional
A compra pelo Governo de Mato Grosso não é o primeiro caso de adoção institucional do T4 .300 Blackout por órgãos de segurança estaduais. Em 2022, a Superintendência dos Serviços Penitenciários do Rio Grande do Sul (Susepe-RS) já havia adquirido 52 unidades do mesmo modelo, num dos primeiros contratos institucionais da nova linha, poucos meses após seu lançamento comercial.

Mais recentemente, entre 22 de junho e 3 de julho de 2026, cerca de dois mil fuzileiros navais da Marinha do Brasil validaram em campo, durante a Operação Furnas 2026, em Minas Gerais, os fuzis T4 (calibre 5,56mm) e T10 (calibre 7,62mm), além da carabina RPC e da pistola TX9, no âmbito de um protocolo de intenções firmado entre a Taurus e o Corpo de Fuzileiros Navais para o desenvolvimento de novos sistemas de armas.

Por que a Taurus aposta em vendas institucionais
A contratação em Mato Grosso se insere numa estratégia mais ampla da Taurus de diversificação de mercados. A empresa vem buscando reduzir a dependência do mercado civil norte-americano, hoje responsável por até 80% de seu faturamento internacional, e ampliar as vendas institucionais no País e no exterior. Além do fornecimento a forças estaduais de segurança pública, a fabricante gaúcha já exporta o T4 para forças armadas de outros países, caso das Filipinas, e mantém parceria com a Jindal Defense na Índia.

No mercado interno, o T4 também tem sido apontado como opção às forças de segurança em razão do custo de produção mais baixo em relação a fuzis importados e da produção integralmente nacional, fator que favorece contratações por inexigibilidade quando o produto atende a especificações técnicas específicas exigidas pelo órgão comprador.

23 julho, 2026

Embraer amplia presença na Flórida com nova parceria da Eve Air Mobility em mobilidade aérea avançada

Eve Air Mobility e Departamento de Transportes da Flórida vão usar o centro SunTrax Air para testar infraestrutura e procedimentos de operação de eVTOLs 


*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada a aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), anunciou nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, uma parceria com o Departamento de Transportes da Flórida (FDOT, na sigla em inglês) para uma iniciativa de mobilidade aérea avançada, a Advanced Air Mobility (AAM), no centro de pesquisas SunTrax Air.

A iniciativa, conduzida pelo FDOT, vai reunir a experiência da Eve em aeronaves eVTOL, operações e serviços com a capacidade de pesquisa, testes e validação do SunTrax Air. Segundo a empresa, o esforço deve gerar subsídios sobre infraestrutura, procedimentos operacionais e regras de navegação aérea necessários para permitir a integração segura e eficiente da mobilidade aérea avançada à rede de transportes do estado americano.

O centro SunTrax Air é operado pelo FDOT e funciona como o principal polo estadual de pesquisa e desenvolvimento em mobilidade aérea avançada. Localizado em Auburndale, o complexo oferece um ambiente controlado para avaliação de tecnologias, conceitos operacionais e infraestrutura de apoio voltados à próxima geração de aviação.

Em nota, o presidente executivo da Eve Air Mobility, Johann Bordais, afirmou que a Flórida reconhece seu papel estratégico no futuro da mobilidade aérea avançada e vem construindo de forma proativa o ecossistema necessário para sustentá-la. Bordais também destacou o entendimento do secretário do FDOT, Jared W. Perdue, e de sua equipe de que a introdução de um novo modo de transporte exige alinhamento entre aeronaves, infraestrutura, operações e comunidades, e disse que a Eve tem orgulho de contribuir com sua experiência, dando continuidade ao relacionamento de longa data da Embraer com o estado.

Perdue, por sua vez, classificou o acordo como mais um avanço rumo à implementação da mobilidade aérea avançada na Flórida, e disse que os recursos e a infraestrutura exclusivos do SunTrax serão fundamentais para as pesquisas e os testes da Eve, com vistas à integração segura dessas aeronaves ao sistema de transportes estadual.

A parceria se soma a uma colaboração já em curso entre a Eve e o FDOT. As duas partes vão avaliar, a partir do SunTrax Air, conceitos operacionais, prontidão de infraestrutura, experiência do passageiro e requisitos futuros do ecossistema, com o objetivo declarado de posicionar a Flórida como referência nacional em mobilidade aérea avançada e de acelerar a comercialização das operações eVTOL.

O anúncio ocorre em meio a um período de intensa atividade da Eve no Farnborough International Airshow, no qual a empresa também divulgou avanços no processo de certificação global do seu modelo Eve 100 e um pedido firme de até 16 aeronaves feito pela Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point.

A Eve é listada na Bolsa de Valores de Nova York (EVEX, EVEXW) e na B3 (EVEB31), e tem como controladora a Embraer, fabricante brasileira com 56 anos de história na indústria aeroespacial.

Caçador II: Avionics Services destaca VANT brasileiro em participação no Farnborough International Airshow 2026

Empresa de Botucatu completa 30 anos de atuação e apresenta o veículo aéreo não tripulado Classe 4 entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio de aviônica, certificação e modernização de aeronaves

Imagem renderizada por IA de uma Caçador II sobre o Aeroporto de Botucatu
 
*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Avionics Services, empresa brasileira de engenharia aeronáutica com sede em São Paulo e base operacional e industrial no Aeródromo Municipal de Botucatu (SDBK), interior do Estado de São Paulo, confirmou participação no Farnborough International Airshow 2026, um dos principais eventos da indústria aeroespacial mundial. O evento ocorre entre os dias 20 e 24 de julho, no Farnborough International Exhibition & Conference Centre, em Hampshire, no Reino Unido, e deve reunir mais de 1.400 expositores, cerca de 400 delegações oficiais e mais de 100 mil visitantes. A empresa brasileira ocupa o estande nº 41124, no Hall 4, dentro do espaço do Pavilhão Brasil.

O Caçador II
Entre os destaques da participação está o projeto do Caçador II, veículo aéreo não tripulado (VANT) de asa fixa, Classe 4, desenvolvido para aplicações civis e militares. O sistema é uma nova geração do Caçador original, lançado em 2016 como versão brasileira do Heron-1, da israelense Israel Aerospace Industries (IAI), fruto de um acordo de transferência de tecnologia entre as duas empresas. Segundo reportagem do portal espanhol Infodefensa, o Caçador II é baseado no IAI Heron CAT 4 MALE e é capaz de realizar toda a missão de forma autônoma, incluindo pouso automático sem interferência humana. Segundo a Avionics Services, o Caçador II foi projetado para missões de monitoramento ambiental, vigilância de fronteiras, proteção de infraestruturas críticas, combate a incêndios, busca e salvamento, fiscalização de atividades ilícitas e apoio a operações de segurança pública, mantendo o perfil de uso dual que já caracterizava o modelo anterior.

Registros fotográficos de um exemplar com a inscrição "experimental" e a matrícula civil PP-ZVM, feitos no hangar da empresa em Botucatu e creditados pela Infodefensa ao jornalista especializado Roberto Caiafa, indicam que o novo VANT já realiza voos de ensaio sob autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), ainda sem certificação de tipo definitiva. Visualmente, a aeronave preserva a configuração aerodinâmica de asa de grande envergadura e cauda em V invertido que caracteriza a família Heron. Segundo a mesma reportagem, o Caçador I e o Caçador II são operados a distância por meio de um shelter, contêiner padrão de vinte pés, com toda a aviônica de missão apresentada em telas multifuncionais coloridas, e podem empregar conexão via satélite, o que amplia de forma significativa o alcance da missão.

O que ainda não foi revelado
Até a publicação desta matéria, a Avionics Services não havia divulgado uma ficha técnica própria do Caçador II, com dados como envergadura, peso máximo de decolagem, autonomia de voo e teto de serviço. O Caçador original, para efeito de comparação, tem envergadura de 16,6 metros, peso máximo de decolagem de 1.270 quilogramas, autonomia de 40 horas, teto de serviço de 9.100 metros e alcance de até 1.000 quilômetros com uso de canal satelital em banda Ku. Se o Caçador II repete ou supera esses números, ainda não está confirmado publicamente.

Uma vitrine mais ampla que o drone
Segundo release oficial da empresa, o Caçador II está entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio mais amplo de soluções em engenharia aeronáutica: modernização de painéis e sistemas aviônicos, retrofit de aviônicos, conectividade em voo por meio do Gogo Galileo HDX, simuladores de voo, soluções de interiores desenvolvidas pelo Aircraft Interiors Center, além de serviços de engenharia e certificação. A empresa afirma acumular mais de 600 processos conduzidos junto à ANAC, o maior volume entre companhias brasileiras do setor, e atuação também junto à Federal Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos, e à European Union Aviation Safety Agency (EASA), da União Europeia.

O catálogo da empresa reúne mais de 70 produtos para aplicações aeronáuticas, entre sistemas de iluminação em LED, equipamentos eletrônicos embarcados, conversores, inversores e sistemas de segurança, desenvolvidos conforme as normas DO-160, DO-178 e DO-254 e testados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A Avionics Services também desenvolve projetos de integração de sistemas como EFIS, FMS, TCAS, EGPWS, CVR, GPS, comunicação via satélite e entretenimento de bordo, além de programas de modernização de interiores para aeronaves civis e militares.

Em nota, o presidente da empresa, João Vernini, afirmou que o Farnborough International Airshow reúne fabricantes, operadores, autoridades aeronáuticas e empresas de tecnologia de todo o mundo, e que a participação no evento representa uma oportunidade de ampliar a presença global da companhia, estabelecer novas parcerias e demonstrar a capacidade da engenharia brasileira.

Trinta anos de história
A Avionics Services celebra, em 2026, 30 anos de atuação, com fundação registrada em janeiro de 1996. A empresa acumula certificações RBAC 145, da ANAC; Part-145, da EASA; ISO 9001; e AS9100D, além do reconhecimento do Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Mantém projetos em desenvolvimento com fabricantes como a Embraer e o Grupo Airbus e, em 2025, participou de outros seis eventos internacionais de porte: o Paris Air Show, o Dubai Airshow, o NBAA-BACE, nos Estados Unidos, o EDEX, no Egito, e a Expodefensa, na Colômbia, entre outros, reforçando a estratégia de internacionalização da companhia.

A parceria com a IAI
A relação entre a Avionics Services e a IAI remonta a 2013, quando as duas empresas firmaram acordo de cooperação para o desenvolvimento do Caçador original. O processo envolveu transferência de tecnologia e a entrada da IAI Brasil na sociedade, com participação acionária minoritária, o que preserva o enquadramento da Avionics Services como Empresa Estratégica de Defesa segundo a legislação brasileira, que exige controle de dois terços do capital por sócios nacionais. O primeiro Caçador voou pela primeira vez em fevereiro de 2016 e passou a ser usado, entre outros clientes, pelo Departamento de Polícia Federal, no controle de fronteiras do País.

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