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18 janeiro, 2026

Para além do campo de batalha: drones bombardeiam o solo e semeiam vida

A mesma tecnologia que revolucionou os conflitos modernos está sendo usada para reconstruir ecossistemas no Brasil 


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LRCA Defense Consulting - 18/01/2026

Nos últimos anos, para o grande público, os drones se tornaram sinônimos de guerra moderna. Das operações militares no Oriente Médio aos recentes conflitos na Europa Oriental, os veículos aéreos não tripulados ganharam notoriedade como instrumentos de vigilância e destruição. Mas uma revolução silenciosa está transformando essa narrativa: os mesmos drones que dominaram os campos de batalha também são mobilizados para uma missão diametralmente oposta: semear vida.

O bombardeio que constrói
"O único bombardeio que o mundo precisa" é o lema da MORFO, empresa que trouxe ao Brasil uma tecnologia inovadora de reflorestamento com drones. Em vez de munição letal, essas aeronaves carregam sementes nativas encapsuladas, prontas para germinar. A metáfora bélica não é acidental: assim como na guerra moderna, a precisão, velocidade e capacidade de alcançar terrenos inacessíveis são fundamentais, mas aqui, o resultado é a restauração de ecossistemas degradados.

A MORFO utiliza o drone Pelicano Agrícola de 30 litros, produzido pela fabricante brasileira SkyDrones, uma das principais fornecedoras de soluções com drones no país. O equipamento é capaz de cobrir até 50 hectares por dia com apenas dois operadores, dispersando 180 cápsulas por minuto em terrenos que seriam impraticáveis para equipes convencionais de reflorestamento.

Da análise ao monitoramento: um processo científico
O modelo de reflorestamento da MORFO é estruturado em várias etapas. Primeiro, drones e imagens de satélite mapeiam a área, analisando biodiversidade e condições do solo. Com base nesses dados, espécies apropriadas são selecionadas de um catálogo interno com centenas de variedades testadas em laboratório. As comunidades locais participam ativamente, coletando sementes complementares para atender às necessidades específicas de cada ecossistema.

As sementes germinadas são então encapsuladas com elementos biológicos e nutrientes essenciais para garantir o sucesso do reflorestamento a longo prazo. Após a semeadura aérea, a evolução das plantações é monitorada continuamente através de drones e satélites, medindo biomassa, biodiversidade e estoque de carbono.

Drones brasileiros em missões estratégicas
A versatilidade dos drones nacionais vai além do reflorestamento. A SkyDrones, fabricante do equipamento usado pela MORFO, recentemente enviou sua tecnologia aos Emirados Árabes Unidos para testes com o novo Pod da Radaz
, empresa brasileira especializada em radares de abertura sintética (SAR) embarcados em dronesA propósito, a Radaz confirmou, em outubro de 2025, a entrega de um novo sistema RD350 (drone Pelicano com radar SAR) ao GTK – Serviço Geológico da Finlândia (Geological Survey of Finland), demonstrando a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional de aeronaves não tripuladas.

No agronegócio, setor que representa mais de um quarto do PIB brasileiro, os drones já se tornaram ferramentas indispensáveis. 

Na agricultura, equipados com sensores multiespectrais e câmeras de alta resolução, essas aeronaves realizam pulverização de defensivos agrícolas, mapeamento de lavouras, análise de saúde das plantas e monitoramento de pragas. A agricultura de precisão possibilitada pelos drones permite aos produtores otimizar o uso de insumos, reduzir custos e aumentar a produtividade, tornando o Brasil ainda mais competitivo no mercado global de alimentos. A mesma tecnologia que semeia florestas nativas também está revolucionando a forma como o país cultiva suas vastas áreas agrícolas. 

Na pecuária, a tecnologia também ganha espaço rapidamente. Fazendas de grande porte utilizam drones para monitorar rebanhos em pastagens extensas, identificar animais doentes ou feridos através de câmeras térmicas, localizar gado disperso em áreas remotas e até mesmo fiscalizar a integridade de cercas e aguadas. O uso de drones reduz drasticamente o tempo gasto em rondas a cavalo ou de veículo, permite intervenções veterinárias mais rápidas e melhora o bem-estar animal ao identificar problemas antes que se tornem críticos. A mesma tecnologia que semeia florestas nativas também está revolucionando a forma como o país cultiva suas vastas áreas agrícolas e gerencia seus rebanhos. 

No combate a incêndios, os drones emergem como aliados cruciais dos bombeiros brasileiros. Equipados com câmeras térmicas e sistemas de imageamento em tempo real, essas aeronaves identificam focos de calor, mapeiam a progressão das chamas e localizam vítimas em meio à fumaça, tudo sem expor equipes a riscos desnecessários. Alguns modelos mais avançados já são capazes de lançar esferas incendiárias controladas para criar aceiros preventivos ou até mesmo transportar água e retardantes de fogo para combater princípios de incêndio, principalmente em áreas de difícil acesso. Em um país que enfrenta anualmente queimadas devastadoras no Cerrado, Pantanal e Amazônia, a tecnologia dos drones bombeiros representa não apenas economia de recursos, mas, principalmente, preservação de vidas humanas e proteção de biomas essenciais. 

Ainda no cenário doméstico, o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) também aposta em drones para mapeamento e sensoriamento remoto. A tecnologia é crucial para a identificação e monitoramento de recursos minerais, incluindo as chamadas terras raras, elementos químicos essenciais para a fabricação de semicondutores, baterias de veículos elétricos e equipamentos de defesa. Em um momento de intensa disputa geopolítica pelo controle dessas matérias-primas estratégicas, o uso de drones permite ao Brasil mapear suas reservas com maior precisão e velocidade, fortalecendo a soberania sobre recursos que podem definir o equilíbrio de poder no século XXI.

Uma nova narrativa para tecnologias não tão velhas
A história dos drones no Brasil ilustra como tecnologias, em uma perspectiva de emprego dual, podem transcender suas aplicações mais conhecidas. O que se notabilizou no mundo como ferramenta de vigilância e ataque, transforma-se em instrumento de regeneração ambiental, pesquisa científica e desenvolvimento sustentável.

"Estamos literalmente bombardeando o solo. Mas, ao contrário da destruição, deixamos para trás um rastro de biodiversidade", afirma a MORFO em suas comunicações. É uma declaração de guerra, sim, mas contra a degradação ambiental, não contra a vida.

Enquanto o mundo ainda associa drones a conflitos e destruição, iniciativas como a da MORFO demonstram que a mesma tecnologia pode ser redirecionada para curar as feridas que a humanidade infligiu ao planeta. No Brasil, os drones estão aprendendo uma nova missão: não destruir, mas reconstruir; não arrasar, mas plantar; não tirar vidas, mas semear futuro.

17 janeiro, 2026

Heroísmo feminino: filme conta história da primeira batalha conduzida por uma unidade blindada inteiramente feminina

Longa-metragem retrata batalha épica de 17 horas que mudou percepções sobre mulheres em funções de combate

 


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LRCA Defense Consulting - 17/01/2026

Um filme sobre a épica resistência de uma unidade militar exclusivamente feminina de tanquistas das Forças de Defesa de Israel (IDF) chega aos cinemas, destacando 17 horas de combate intenso na fronteira com Gaza durante os ataques de 7 de outubro de 2023. 

Hollywood e a indústria cinematográfica israelense preparam-se para levar às telas uma das histórias mais extraordinárias daquele dia sangrento: essa equipe do Batalhão Caracal, possivelmente apelidada como companhia "Pare", eliminou dezenas de militantes do Hamas, marcando a primeira batalha da história militar moderna conduzida por uma unidade blindada inteiramente feminina.

A batalha que entrou para a História
Em 7 de outubro de 2023, sete jovens mulheres tanquistas do Batalhão Caracal das Forças de Defesa de Israel (IDF) enfrentaram militantes do Hamas em combate contínuo por 17 horas. As soldadas Karni, Michal, Hagar, Hila, Tal-Sarah, Ophir e Tamar, todas com cerca de 20 anos, eliminaram aproximadamente 50 militantes, segundo informações oficiais israelenses.

A corrida contra o tempo
Estacionadas em sua base em Nitzana, na fronteira com o Egito, a companhia de tanques totalmente feminina recebeu ordens para se deslocar ao norte assim que os primeiros relatos dos ataques chegaram, por volta das 6h da manhã. Em uma decisão altamente irregular, os comandantes autorizaram que os tanques Merkava IV circulassem em estradas civis em velocidades muito superiores às recomendadas, uma medida da urgência absoluta da situação.

Ao chegar à área da fronteira, a Capitã Karni, comandante da companhia, descreveu o momento de impacto: "Vi 40 terroristas correndo em minha direção e ouvi os tiros em direção ao tanque. Entendi: é isso, preciso acalmar meu medo, estou em uma guerra. Uma guerra pela minha vida e uma guerra pelos meus concidadãos".

Decisões táticas instantâneas
A capitã Karni rapidamente dividiu suas forças: deixou um tanque protegendo uma brecha na cerca fronteiriça com ordens de "atirar à vontade", enviou outra tripulação para o posto militar de Sufa, e ela própria seguiu para defender o Kibutz Holit.

A tenente Hila, uma das comandantes, revelou que nenhuma delas havia sido treinada no sistema de armas instalado no Humvee blindado. "Em 10 minutos, todas nos tornamos especialistas: como operá-lo, como atirar, como frear bruscamente".

Combate urbano improvisado
No caminho para Holit, a motorista de um dos tanques avistou dois terroristas na estrada. A comandante Michal ordenou: "Atropele-os". Ela simplesmente passou por cima dos terroristas e seguiu em frente, impedindo outra infiltração.

Ao chegarem à entrada de Holit, o portão principal estava fechado. Um soldado em pânico correu gritando sobre terroristas infiltrados no kibutz. "Fizemos uma manobra com o tanque, arrebentamos o portão amarelo e começamos a galopar na direção indicada por aquele soldado apontando com as mãos", descreveu Michal.

Batalha em Sufa: seis horas de fogo contínuo
Paralelamente, outra tripulação comandada pela tenente Michal (havia duas comandantes com o mesmo nome) enfrentou um grande contingente de militantes do Hamas no Kibutz Sufa. Após mais de seis horas de batalha, sua equipe eliminou dezenas deles.

Ao se aproximarem da fronteira, avistaram terroristas escondidos nas árvores. "Continuamos atirando enquanto avançávamos para garantir que pegássemos todos", relatou Michal. "Quando continuamos, percebemos que aqueles 50 terroristas, isso era apenas o começo...".

Aprendizado sob fogo
As jovens soldadas, algumas com apenas 18 anos e em sua maioria sem experiência de combate real, demonstraram uma capacidade extraordinária de adaptação. Operaram canhões de tanque, metralhadoras pesadas, sistemas de morteiro e até mesmo usaram os próprios tanques de 65 toneladas como armas, atropelando militantes armados com AK-47 e lançadores de granadas propelidas por foguete (RPGs).

"Sinto que é exatamente para isso que treinamos. Estávamos realmente preparadas para tudo", disse a comandante Tamar. "Apenas fizemos o que nossos cérebros e nossas mãos sabiam fazer. No momento você não pensa: 'Estou salvando aquela pessoa ou aquela casa?' Você entende: há um terrorista e eu tenho que matá-lo antes que ele entre em uma das comunidades fronteiriças".

O impacto decisivo
O Coronel Shemer Raviv, comandante da Brigada Paran, afirmou: "As operadoras de tanques que vieram com seus tanques realmente quebraram o ataque. Nos dois lugares onde os tanques encontraram o fogo dos terroristas, os terroristas foram em sua maioria eliminados e, aqueles que não foram, simplesmente fugiram porque perceberam que não tinham chance".

O desempenho da unidade foi creditado pela liderança da Brigada Paran como crucial para interromper o avanço do Hamas em direção ao sul de Israel, protegendo comunidades inteiras de um massacre ainda maior. Do início da batalha até o cessar-fogo foram exatas 17 horas de combate ininterrupto, sem que a companhia sofresse uma única baixa fatal entre suas tripulantes.

O Batalhão Caracal: pioneirismo militar
Criado em 2004 como unidade mista de infantaria, o Batalhão Caracal recebe seu nome do caracal, um felino do deserto, escolhido porque os sexos deste animal são praticamente indistinguíveis. A unidade tem como missão principal a vigilância das fronteiras com Egito e Jordânia no deserto de Negev.

Em 27 de outubro de 2022, as IDF anunciaram a formação de tripulações de tanques exclusivamente femininas, que haviam completado com sucesso dois anos de testes. A companhia, armada com tanques Merkava IV, estava defendendo a fronteira egípcia quando os ataques de outubro começaram.

O desempenho da unidade naquele dia teve impacto significativo. O Chefe do Estado-Maior das IDF, Herzi Halevi, encontrou-se com as tanquistas e disse que suas ações "silenciaram os céticos" sobre a capacidade das mulheres em funções de combate.

Documentário realizado um mês e meio após a batalha

Das telas para o cinema
O projeto cinematográfico, intitulado provisoriamente "Tankistas", está sendo desenvolvido por Ayelet Menahemi, cuja obra "Seven Blessings" venceu o Prêmio Ophir em Israel e se tornou a indicação do país ao Oscar 2024. A diretora trabalha novamente com a atriz e roteirista Eleanor Sela.

"Em meio às histórias inconcebíveis de bravura desde 7 de outubro, esta é uma das excepcionais e heroicas", declararam as cineastas quando do anúncio do projeto em dezembro de 2023. "Mostra o que acontece quando as mulheres tomam as coisas em suas próprias mãos depois que homens duvidaram de seu direito e capacidade de lutar. Essas jovens fizeram história, duas vezes."

A produção está sendo realizada em coordenação com as IDF, com as cineastas conduzindo pesquisa aprofundada e entrevistas com as combatentes. Segundo informações de maio de 2025, as filmagens estavam programadas para começar em outubro daquele ano, com Swell Ariel Or, estrela da série da Netflix "A Rainha da Beleza de Jerusalém", escalada para interpretar a capitã da unidade.

Além da batalha: contexto e controvérsia
O filme não se limitará à ação do dia 7 de outubro. As cineastas pretendem explorar também a fundação da unidade e as lutas enfrentadas pelas jovens combatentes para serem levadas a sério em meio ao ceticismo e, às vezes, discriminação de colegas masculinos.

Estudo do Departamento de Educação dos EUA de 2015 sobre unidades mistas descobriu que elas se destacavam na tomada de decisões complexas e tinham menos problemas disciplinares. No entanto, alguns setores conservadores em Israel consideram a integração de gênero como um "experimento social perigoso" com possíveis ramificações para a segurança nacional.

A performance das mulheres em 7 de outubro parece ter mudado essa percepção. A Tenente-Coronel Or Ben Yehuda, comandante do Batalhão Caracal, afirmou: "Não há mais dúvidas, as mulheres podem estar em qualquer lugar".

Produção internacional
O projeto é uma coprodução israelo-internacional produzida pela Bleiberg Entertainment, com sede em Los Angeles, conhecida por filmes como "In the Land of Saints and Sinners", "The Iceman" e "The Band's Visit", junto com Ronen Ben Tal, que também produziu "Seven Blessings".

Embora ainda não haja data confirmada de estreia para 2026, o filme já desperta expectativa nos circuitos de festivais internacionais e pode se tornar um marco importante na discussão sobre igualdade de gênero nas forças armadas globalmente.

Impacto duradouro
Em setembro de 2024, as IDF confirmaram que tripulações de tanques femininas continuariam operando na fronteira de Gaza, consolidando a presença de mulheres em funções de combate blindado. Em 2021, 18% da força de combate das IDF era composta por mulheres, contra apenas 3% em 2012.

O filme chega em momento em que, após os ataques de outubro de 2023, mais de 42 mil mulheres israelenses solicitaram licenças para porte de armas, com 18 mil já autorizadas, refletindo mudanças profundas na sociedade israelense pós-7 de outubro.

A história das sete tanquistas do Batalhão Caracal representa não apenas um feito militar histórico, mas também um ponto de virada cultural na forma como capacidades e papéis femininos são percebidos em contextos de combate ao redor do mundo.

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