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22 abril, 2026

Aço 100% brasileiro: Usiminas é única fornecedora do material para as Fragatas Tamandaré

Siderúrgica mineira supera concorrentes internacionais e garante participação estratégica no maior programa naval militar do Brasil em décadas 

Concepção artística das oito fragatas da Classe Tamandaré

*LRCA Defense Consulting - 22/04/2026

Quando a Fragata Tamandaré (F200) foi entregue à Marinha do Brasil em março deste ano, um feito passou quase despercebido sob a imponência do navio de guerra: toda a estrutura de aço que sustenta o casco e os conveses da embarcação veio de fábricas brasileiras. Mais especificamente, de uma só empresa: a Usiminas.

A companhia foi a única no Brasil fornecedora de aço plano para as embarcações, reforçando seu papel no fortalecimento da indústria nacional e na defesa das águas brasileiras. O feito ganha dimensão ainda maior quando se considera que, segundo publicação especializada, em projetos anteriores o Brasil importava parte do material para a construção naval militar.

O programa
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é uma iniciativa estratégica da Marinha do Brasil para a obtenção, por meio de construção nacional, de quatro fragatas de alta complexidade tecnológica. O contrato foi formalizado em março de 2020 no valor de R$ 9,1 bilhões, com o consórcio Águas Azuis, formado pela alemã Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) e pela Embraer Defesa & Segurança. A construção ocorre na TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, Santa Catarina.

As fragatas são embarcações multipropósito projetadas para atuar em cenários de guerra de superfície, antiaérea e antissubmarino, com elevada capacidade de combate e interoperabilidade. O programa foi criado com o objetivo principal de substituir as fragatas Classe Niterói em operação desde 1975 e as Type 22 adquiridas de segunda mão do Reino Unido na década de 1990.

A batalha pela homologação
A conquista da Usiminas não foi trivial. Desde 2020, a empresa participou de um rigoroso processo de homologação para atender às exigências técnicas do PFCT, em um trabalho conjunto que envolveu diversas áreas da companhia para assegurar que o aço atendesse aos padrões internacionais definidos pela certificadora.

As exigências eram severas. Para aplicação nas fragatas, o material precisava apresentar elevada resistência mecânica, tenacidade e excelente soldabilidade, características essenciais para suportar condições severas do ambiente marítimo e operações de defesa. O plano de testes incluiu ensaios mecânicos, análises macro e microestruturais, testes de dureza e impacto, além de avaliações específicas das juntas soldadas, simulando condições reais de fabricação no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Usiminas, o maior em siderurgia da América Latina.

O resultado foi uma vitória sobre concorrentes internacionais. A iniciativa evidencia a competitividade da Usiminas frente a siderúrgicas europeias.

5.200 toneladas de aço nacional
Os números revelam a escala do fornecimento. Cada embarcação utiliza cerca de 1.300 toneladas de aço plano; somadas as quatro fragatas, o total chega a 5.200 toneladas de chapas grossas e bobinas laminadas a quente produzidas exclusivamente em duas fábricas da Usiminas: as chapas grossas em Ipatinga (MG) e as bobinas em Cubatão (SP).

É a primeira vez que o Brasil constrói fragatas desse nível usando exclusivamente material siderúrgico produzido no próprio país.

Para Lúcio Sávio Miranda, especialista em assistência técnica da Usiminas, o significado vai além do contrato. "Nos enche de orgulho a participação da Usiminas no Programa Fragatas Classe Tamandaré, com o qual a Marinha do Brasil poderá ampliar sua atuação na defesa das águas territoriais brasileiras. É um projeto que evidencia a capacidade da indústria nacional, e esperamos seguir contribuindo nas próximas etapas", afirmou.

Modernização da esquadra e soberania marítima
A entrega da F200, em março de 2026, representou um marco histórico. O Termo de Aceitação e Recebimento Provisório (TERP) foi assinado no Rio de Janeiro, simbolizando não apenas a conclusão de uma etapa contratual, mas a consolidação de capacidades industriais e tecnológicas no Brasil.

A Fragata Tamandaré também recebeu os certificados estatutários emitidos pela classificadora internacional Det Norske Veritas (DNV), confirmando a atualização oficial do status da embarcação de "em construção" para "em operação", dentro dos mais altos referenciais internacionais.

As outras três fragatas seguem em diferentes estágios de construção. Em janeiro de 2026, foi iniciada a construção da quarta e última embarcação do primeiro lote, a Fragata Mariz e Barros (F203), fazendo com que o TKMS Estaleiro Brasil Sul atingisse o auge da produção prevista, com as quatro fragatas sendo construídas simultaneamente em território brasileiro.

O programa ainda prevê a geração de cerca de 23 mil empregos - entre diretos, indiretos e induzidos - durante a construção das embarcações, além da reativação do estaleiro em Itajaí, que estava fora de operação.

O futuro: mais quatro fragatas e mais aço brasileiro
O horizonte é ainda mais promissor. Em abril de 2026, o presidente brasileiro confirmou, durante visita à Alemanha, a aquisição de mais quatro fragatas da Classe Tamandaré, elevando a frota total para oito navios. "Um consórcio binacional está construindo quatro fragatas da classe Tamandaré, para entrega até 2028. Aqui em Hanôver, avançamos nas tratativas para a aquisição de mais quatro unidades", afirmou o presidente.

Para o segundo lote, a meta é elevar o índice de conteúdo local de 32% para 42%, e as novas unidades deverão ser integradas com o míssil antinavio brasileiro MANSUP-ER, com alcance estendido para 250 quilômetros.

Se a Usiminas mantiver a condição de fornecedora exclusiva de aço no segundo lote, o volume de material poderá dobrar, chegando a mais de 10 mil toneladas de aço nacional nas fragatas mais modernas já construídas no Brasil.

Grécia na reta final para adquirir o KC-390 Millennium: aeronave fornecerá um poder aéreo que o país não tinha

Aeronave brasileira da Embraer desponta como favorita para substituir a frota obsoleta de C-130H da Força Aérea Helênica, com reabastecimento de caças, sistema de autodefesa e evacuação médica avançada no pacote 


*LRCA Defense Consulting - 22/04/2026

A Força Aérea da Grécia está na reta final de uma das decisões de defesa mais estratégicas das últimas décadas. A aquisição inicial de três aeronaves de transporte KC-390 Millennium entra em fase de definição, um programa que vai muito além da simples substituição dos envelhecidos C-130H, constituindo uma atualização integral das capacidades de aerotransporte, evacuação médica e reabastecimento aéreo helênicos.

Segundo informações do portal de defesa grego OnAlert, a decisão final para o início dos procedimentos necessários pode ser tomada ainda em maio, com o programa avançando em cooperação com Portugal. Se confirmado, o movimento representará um salto qualitativo inédito para as Forças Armadas gregas e um novo e expressivo triunfo comercial para a Embraer no coração da Europa.

O fim da linha dos Hércules gregos
A situação da frota de C-130H da Grécia é o principal catalisador das negociações. Apesar dos esforços da Força Aérea Helênica, da indústria aeroespacial nacional (EAB) e do 356º Esquadrão de Transporte Tático "Hércules", os índices de disponibilidade do C-130 continuam baixos; no início de 2025, apenas quatro aeronaves estavam operacionais, com a possibilidade de uma quinta retornar ao serviço nos meses seguintes.

A Grécia possui nove C-130 Hercules em seu inventário, mas a maioria está em condições inadequadas para voar. O país chegou a considerar a aquisição de C-130Js usados da Itália, mas nenhum acordo foi alcançado. Uma solicitação formal ao governo norte-americano para aeronaves C-130J-30 novas foi feita em dezembro de 2025, porém o balanço final da avaliação militar parece pender de forma crescente para o lado da Embraer.

Na avaliação do Estado-Maior da Aeronáutica grego, a aeronave brasileira apresenta clara vantagem, não apenas pelo custo de aquisição em relação à proposta americana para os C-130J, mas também por uma série de vantagens operacionais e técnico-econômicas relacionadas à manutenção, suporte, disponibilidade e ao papel múltiplo da plataforma.

 

Uma aeronave de combate disfarçada de cargueiro
O diferencial da proposta grega está nas especificações exigidas. A Força Aérea Helênica não estuda uma simples compra de transporte. O KC-390 deverá ser adquirido com sistema de autodefesa, capacidade de reabastecimento aéreo de aeronaves de combate e equipamento de evacuação médica (medevac), características que transformam a aeronave em multiplicador de poder para o conjunto das Forças Armadas.

No pilar de autodefesa, o modelo já adotado por outros operadores inclui uma suíte integrada de guerra eletrônica, com sensores de alerta contra radares, lasers e mísseis em aproximação, sistema de lançamento de flares e chaffs, além de sistema de contramedidas infravermelhas direcionadas para neutralizar mísseis de guiagem infravermelha. Para os gregos, que operam em um dos cenários de tensão mais delicados da OTAN, o Mar Egeu e o Mediterrâneo Oriental, essa configuração é considerada essencial.

O reabastecimento que a Grécia nunca teve
Talvez o aspecto mais estratégico do programa seja a capacidade de reabastecimento aéreo. A Força Aérea Helênica vê no KC-390 a oportunidade de obter, ainda que numa primeira fase em escala limitada, uma capacidade que historicamente faltou ao arsenal grego. As novas aeronaves deverão ter sistema de reabastecimento com cesta (basket), de modo a poder apoiar, numa primeira fase, os caças franceses da frota helênica.

Os Rafale gregos, adquiridos em um processo acelerado de modernização nos últimos anos, ganhariam assim autonomia operacional significativamente ampliada. Em segundo momento, permanece sobre a mesa a perspectiva de uma configuração com haste rígida (boom), para que se possa apoiar também aeronaves de outras categorias, incluindo os F-16, caso as soluções correspondentes amadureçam.

Essa capacidade de reabastecimento já está consolidada na versão KC-390 operada pelo Brasil. A Força Aérea Brasileira intensificou operações de reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium durante eventos críticos como a COP30 em Belém, apoiando caças F-5M Tiger II responsáveis pela defesa aérea da região; a aeronave permitiu que os caças permanecessem em voo por mais tempo sem precisar pousar para abastecimento, ampliando o alcance e a eficiência das missões de vigilância.

Medevac e a realidade insular grega
O terceiro pilar do projeto é a evacuação aeromédica. A plataforma pode ser equipada para missões de evacuação aeromédica com modernos pacotes de suporte médico, permitindo o transporte de feridos ou doentes em condições muito superiores às que garantem soluções mais antigas. Para a Grécia, com suas centenas de ilhas habitadas, essa capacidade tem dimensão tanto militar quanto humanitária.

O KC-390 Millennium suporta uma gama de missões que inclui transporte de carga, transporte de tropas, evacuação aeromédica, reabastecimento aéreo e combate a incêndios, e pode ser reconfigurado rapidamente para diferentes missões usando kits modulares.

Portugal como porta de entrada... e modelo
O papel de Portugal é considerado fundamental. A cooperação com a Força Aérea Portuguesa oferece à Atenas a possibilidade de se apoiar em um quadro já estabelecido de exploração operacional, suporte e transferência de conhecimento. Lisboa já incorporou o tipo ao serviço e funciona essencialmente como o pilar europeu do KC-390.

A parceria lusitana com a Embraer está em franca expansão. Em setembro de 2025, Portugal assinou aditamento ao contrato para aquisição da sexta aeronave KC-390 Millennium e inclusão de dez novas opções de compra para potenciais aquisições por futuras nações parceiras. A Base Aérea nº 11 de Beja consolida-se como centro de referência europeu para o treinamento de tripulações do modelo.

A expansão europeia da aeronave brasileira
A dinâmica europeia em torno do KC-390 é, por si só, um argumento de peso para Atenas. Até o momento, um total de oito países europeus selecionaram a aeronave, incluindo Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Suécia e Lituânia, a maioria deles membros da OTAN.

O KC-390 é mais veloz que o C-130J (870 km/h contra 660 km/h) e carrega mais carga (26 toneladas contra 21 toneladas do turbopropulsor americano). Os motores turbofan IAE V2500, amplamente utilizados na aviação comercial com mais de 7.200 unidades construídas, tornam sua manutenção mais simples e barata.

No plano global, a Embraer chegou a um acordo de colaboração com a Northrop Grumman para desenvolver uma nova versão da aeronave destinada a operações de reabastecimento em voo para a Força Aérea dos Estados Unidos, anúncio feito em fevereiro de 2026 em Melbourne, na Flórida. O interesse americano reforça o prestígio internacional da plataforma precisamente no momento em que a Grécia avalia sua adesão ao programa.

Decisão iminente
As informações do OnAlert indicam que o programa já recebeu o "sinal verde" tanto do Estado-Maior das Forças Armadas gregas (GEETHA) quanto da liderança política. O que está em jogo agora é a formalização da decisão e o início dos procedimentos institucionais e interestatais que abrirão caminho para a implementação da aquisição.

O plano inicial contempla a aquisição de três aeronaves em uma primeira fase, com previsão de unidades adicionais em um segundo momento. Esse modelo permite à parte grega limitar o impacto econômico inicial, avançar mais rapidamente nos procedimentos e integrar gradualmente o novo tipo na estrutura operacional da Força Aérea Helênica.

Se a decisão for confirmada ainda em maio, como indicam as fontes, a Grécia se tornará o mais novo membro de um clube europeu em rápida expansão, ao passo que a Embraer consolidará mais um avanço decisivo na substituição dos veteranos C-130 no Velho Continente.

21 abril, 2026

Togo compra quatro caças Super Tucano por €70 milhões para combater jihadistas no norte do país

Contrato com a brasileira Embraer representa a maior modernização da Força Aérea togolesa em décadas e consolida avanço do Sul Global no mercado de defesa africano 

 


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LRCA Defense Consulting - 21/04/2026

Em meio a uma escalada da violência jihadista em sua fronteira norte, o Togo fechou um contrato de €70 milhões com a fabricante aeronáutica brasileira Embraer para a aquisição de quatro aeronaves de ataque leve A-29 Super Tucano. A compra, divulgada nos últimos dias por fontes de inteligência de defesa africana mas ainda não confirmada pela Embraer, representa a maior aposta do país em poder aéreo desde sua independência e sinaliza uma reconfiguração das parcerias militares na África Ocidental.

O avião e o contrato
O objetivo do país africano é ampliar sua capacidade de ataque contra grupos jihadistas na região norte de Savanes. A aquisição representa um esforço significativo de modernização para a Força Aérea togolesa, que atualmente depende de plataformas envelhecidas para missões de ataque leve e vigilância.

A entrega dos quatro aviões turboélice está prevista para 2026. O contrato inclui um pacote abrangente de suporte, composto por treinamento de pilotos e assistência técnica de manutenção.

O negócio foi finalizado no final de 2024, após a Embraer anunciar um contrato com um cliente africano não identificado. Analistas de defesa regional previram que o comprador seria Gana ou o Togo. A identidade togolesa do comprador foi confirmada pela publicação Africa Intelligence e corroborada por múltiplas fontes do setor.

As aeronaves operarão principalmente a partir da Base de Caças de Niamtougou, o principal hub da aviação de combate togolesa, localizado próximo à fronteira norte.

O inimigo no norte
Para entender a urgência da compra, é preciso olhar para a região de Savanes, faixa fronteiriça que divide o Togo do Burkina Fasso e que se tornou palco de ataques crescentes desde novembro de 2021. A principal preocupação de segurança do estado togolês é o transbordamento para o sul da violência extremista do Sahel, especialmente na região norte de Savanes. Desde 2018, as Forças Armadas do Togo (FAT) mantêm a Operação Koundjoaré, uma implantação militar permanente no norte destinada a impedir a infiltração de grupos como o Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM).

A Assembleia Nacional do Togo prorrogou o estado de emergência de segurança na região de Savanes. Esta foi a quarta vez que o estado de emergência foi prorrogado desde sua primeira declaração em junho de 2022, com extensões anteriores em setembro de 2022, abril de 2023 e março de 2024. Em fevereiro de 2026, o estado de exceção foi renovado novamente.

O JNIM ampliou sua área de atuação para além do Mali, estendendo-se ao Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Senegal e Togo. A expansão geográfica em etapas destacou uma mudança gradual da base de poder e do impulso do grupo em direção ao Mali central e ao vizinho Burkina Faso.

Por que o Super Tucano?
O A-29 não é um avião desconhecido. Projetado pela Embraer no final dos anos 1990 como evolução do treinador EMB-312 Tucano, tornou-se a principal aeronave de contrainsurgência do mundo para países em desenvolvimento. Sua eficácia foi comprovada em operações contra as FARC na Colômbia, no Afeganistão e no combate ao Boko Haram na Nigéria.

O A-29 Super Tucano substituirá ou complementará o SOCATA TB-30 Epsilon, um treinador primário de projeto francês que serve ao Togo desde meados dos anos 1980. O Togo ocupa posição única como operador isolado de uma versão armada do Epsilon, equipado com hardpoints subalares para munições leves. Embora o TB-30 oferecesse capacidade básica ar-terra, faltava-lhe autonomia e integração de sensores para a contrainsurgência moderna.

O A-29 é uma plataforma de combate dedicada, projetada desde o início para ambientes de "baixa ameaça", nos quais jatos de alto desempenho são muito caros ou impraticáveis. O Super Tucano conta com célula reforçada e tanques de combustível autosselantes para sobreviver a tiros de armas de pequeno calibre. Seu motor Pratt & Whitney Canada PT6A-68C produz 1.600 cavalos de potência no eixo, permitindo à aeronave carregar uma carga útil de 1.550 quilogramas em cinco hardpoints.

Arsenal que se diversifica
O Super Tucano não chega sozinho. As Forças Armadas togolesas já operam o veículo aéreo de combate não tripulado (VANT) Bayraktar TB2 de fabricação turca, adquirido em 2022. A adição do Super Tucano oferece uma alternativa tripulada capaz de transportar uma carga de munições mais pesada e reagir de forma mais dinâmica às condições cambiantes no terreno.

Helicópteros de transporte poloneses PZL W-3 Sokół e Mi-2 modernizados também foram incorporados à frota togolesa, complementando os já existentes Mi-35 de ataque e Mi-17 de transporte de origem russa. Ao contrário das plataformas russas mais pesadas, as aeronaves polonesas oferecem soluções mais leves e versáteis para intervenções de curta resposta.

O orçamento de defesa aprovado pelo governo para 2026 representa um aumento de 14% sobre 2025, com dotações específicas para proteção nacional e estabilização dos territórios do norte.

O Brasil avança na África
A venda ao Togo não é apenas uma transação bilateral, mas parte de um movimento mais amplo de reposicionamento geopolítico no mercado de defesa africano. O Togo se torna a sexta nação africana a adotar o Super Tucano, juntando-se a Nigéria, Mali, Mauritânia, Angola e Burkina Faso. Essa proliferação regional sugere uma tendência de padronização no poder aéreo da África Ocidental, que pode simplificar a futura cooperação transfronteiriça e o compartilhamento de logística.

A Embraer exibiu extensivamente as capacidades do A-29 durante o 4º Fórum das Forças Aéreas Africanas em Lagos, em maio de 2025. O sucesso da empresa no Togo demonstra sua capacidade de capitalizar sobre a mudança que afasta os fornecedores tradicionais europeus em favor de plataformas brasileiras e turcas.

Do ponto de vista estratégico, a aquisição reflete também uma política de diversificação de parceiros. A postura de defesa togolesa caminhou, em 2025, para uma política de diversificação diplomática, incluindo a ratificação de um abrangente acordo de cooperação militar com a Federação Russa em outubro de 2025. Ao mesmo tempo, Lomé mantém laços com a CEDEAO e avança em acordos com Brasil e Turquia, sinalizando que o país busca não depender de um único bloco de influência.

Desafios operacionais à frente
A chegada das novas aeronaves não resolverá, por si só, a crise de segurança togolesa. A integração de pods L3Harris e munições de precisão exigirá uma mudança de doutrina para os controladores aéreos togoleses. Esses especialistas precisarão gerenciar links de dados digitais e ataques coordenados com unidades terrestres para evitar baixas civis nas zonas fronteiriças do norte densamente habitadas.

A aquisição representará um forte upgrade na Força Aérea do Togo, possibilitando-lhe enfrentar com mais eficácia as ameaças relacionadas a ataques de grupos extremistas na região norte do país, especialmente na fronteira com Burkina Fasso. As aeronaves também serão úteis nos esforços de combate à pirataria e ao contrabando no Golfo da Guiné, onde o porto de Lomé é um ponto estratégico.

Para a Embraer, o contrato consolida uma presença crescente no continente africano e reforça o papel do Brasil como fornecedor de defesa no Sul Global, num mercado historicamente dominado por potências europeias e, mais recentemente, disputado por Rússia, China e Turquia. A entrega das primeiras aeronaves ao longo de 2026, caso a venda seja confirmada, será o teste real de quanto essa aposta estratégica poderá mudar o equilíbrio de forças no norte do Togo.

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