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- A série também é reconhecida como o jato bimotor mais entregue pelo sexto ano consecutivo. - A
Embraer encerrou 2025 com 155 entregas de aeronaves da Aviação
Executiva, atingindo o topo de sua projeção e entregando 72 aeronaves da
série Phenom 300.
*LRCA Defense Consulting - 18/02/2026
A Embraer anunciou hoje que sua série Phenom 300 mantém a posição de jato leve mais vendido do mundo pelo 14º ano consecutivo, de acordo com dados divulgados pela General Aviation Manufacturers Association (GAMA) durante sua conferência de imprensa State of the Industry em Washington, DC. Os dados também confirmaram que o jato leve é o jato bimotor mais entregue pelo sexto ano consecutivo.
Em 2025, a Embraer entregou 72 aeronaves da série Phenom 300, marcando o maior total anual desta década. Com mais de 900 aeronaves em serviço em todo o mundo, operando em 70 países e acumulando mais de 2,9 milhões de horas de voo, a série Phenom 300 mais uma vez estabelece o padrão de referência em desempenho, tecnologia e conforto no segmento de jatos leves.
“O Phenom 300E continua a dominar a categoria de jatos leves porque oferece o que os clientes mais valorizam: desempenho incomparável, tecnologia avançada e uma experiência de propriedade excepcional”, disse Michael Amalfitano, Presidente e CEO da Embraer Jatos Executivos. “Ano após ano, o Phenom 300E permanece a referência em sua classe, reforçando sua posição de liderança e a confiança que nossos clientes depositam em nossa marca. Temos orgulho de celebrar mais um marco no sucesso contínuo do jato leve mais desejado do mundo.”
O Phenom 300E é o jato leve mais rápido em produção, capaz de atingir uma velocidade máxima de Mach 0,80 e um alcance de 2.010 milhas náuticas (3.724 km) com cinco ocupantes e reservas IFR da NBAA. O conjunto de aviônicos avançados da aeronave inclui o Sistema de Alerta e Conscientização de Ultrapassagem de Pista (ROAAS) — o primeiro sistema desse tipo a ser desenvolvido e certificado na aviação executiva — além de acelerador automático, Sistema de Visão Sintética, Modo de Descida de Emergência e outros recursos. O Phenom 300E também incorpora tecnologias normalmente encontradas em jatos maiores, como reabastecimento em ponto único, banheiro com serviço externo e escada de acesso.
Além do segmento de jatos leves, a família Praetor da Embraer também apresentou um desempenho sólido em 2025, com 69 aeronaves entregues durante o ano. Esse bom momento impulsionou a Aviação Executiva para um total de 155 entregas, estabelecendo um novo recorde para a unidade de negócios, e marcou um importante marco para o programa, com a frota Praetor ultrapassando a marca de 400 aeronaves entregues em todo o mundo.
A Embraer entregou os dois primeiros A-29 Super Tucano à Força Aérea Uruguaia. As aeronaves fazem parte de um programa de renovação da frota e ampliação das capacidades operacionais da FAU, como proteção do espaço aéreo e das fronteiras. O contrato, assinado no final de 2024, inclui ainda equipamentos de missão, serviços logísticos integrados e um simulador de voo.
“É uma honra entregar os primeiros A-29 Super Tucanos à Força Aérea Uruguaia. Este marco fortalece uma parceria que se consolidou ao longo de mais de 50 anos, desde que o Uruguai se tornou o primeiro cliente internacional a adquirir uma aeronave da Embraer”, afirmou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “Estas aeronaves multimissão representam um marco significativo na história da Força Aérea Uruguaia, expandindo suas capacidades operacionais de maneiras nunca antes possíveis.”
"Hoje é um dia histórico, de grande relevância para o Uruguai e sua Força Aérea. Com a concretização da aquisição da aeronave Embraer A-29 Super Tucano, a tão esperada modernização se concretiza. Essa incorporação marcará uma mudança operacional e tecnológica em nossa frota de combate", afirma o Comandante-em-Chefe da Força Aérea Uruguaia, General de Aeronave Fernando Colina. "Este marco histórico posiciona o Uruguai na região com uma aeronave que opera em 22 forças aéreas ao redor do mundo, com tecnologia avançada e custo operacional adequado. Com a chegada dos Super Tucanos, o Uruguai obtém uma grande ferramenta para atingir seus objetivos. É o vetor com o qual poderemos recuperar e expandir as capacidades de proteção do nosso espaço aéreo e demonstrar o compromisso do nosso país com a segurança e a soberania nacional."
"A aquisição dessas aeronaves abre um novo horizonte tecnológico. Além do bom desempenho de voo, os modernos sistemas de bordo abrem novas possibilidades, permitindo a aquisição de novas capacidades, o que redefine o poder aéreo da Força Aérea Uruguaia", afirmou o Coronel SS (Av.) Shandelaio González, Comandante da II Brigada Aérea.
"Com a incorporação deste sistema de armas, a Força Aérea proporciona à República uma capacidade que auxiliará significativamente o sistema de defesa aérea no controle do espaço aéreo em todo o território nacional. Foi um marco a aquisição de um sistema de alta tecnologia que a Força tanto aguardava para desempenhar melhor suas funções", afirmou Luis H. De León, ex-comandante-em-chefe da Força Aérea Uruguaia.
O Super Tucano é líder mundial em sua classe, tendo sido selecionado por 22 forças aéreas em todo o mundo e acumulado mais de 600.000 horas de voo. A aeronave despertou o interesse de diversas outras nações devido à sua combinação incomparável de capacidades, tornando-a a opção mais eficiente do mercado.
Para forças aéreas que buscam uma solução comprovada, abrangente, eficiente, confiável e com boa relação custo-benefício em uma única plataforma, aliada a grande flexibilidade operacional, o A-29 Super Tucano oferece uma ampla gama de missões, incluindo treinamento avançado de pilotos, apoio aéreo aproximado (CAS), patrulha aérea, interdição aérea, ataque terminal conjunto (JTAC), inteligência armada, vigilância e reconhecimento (ISR), vigilância de fronteiras, escolta aérea e, mais recentemente, combate a drones.
O A-29 Super Tucano é a aeronave multimissão mais eficaz de sua categoria, equipada com tecnologia de ponta para identificação precisa de alvos, sistemas de armamento e um conjunto abrangente de comunicações. Sua capacidade é aprimorada por sistemas aviônicos avançados de interface homem-máquina (IHM) integrados a uma estrutura robusta. O A-29 é capaz de operar em pistas não pavimentadas, em ambientes hostis e sem infraestrutura. Além disso, a aeronave possui requisitos de manutenção reduzidos e oferece alto nível de confiabilidade, disponibilidade e integridade estrutural, com baixos custos de ciclo de vida.
Tecnologia que nasceu em laboratórios civis
transforma-se em arma estratégica nos campos de batalha da Ucrânia e impulsiona
a indústria brasileira de defesa
“Fábrica” de impressão 3D independente da The ExOne Company que opera a partir de um contêiner de transporte
*LRCA Defense Consulting - 18/02/2026
Quando o Exército Brasileiro publicou recentemente um artigo
técnico sobre Manufatura Aditiva e seus usos militares, poucos imaginavam que
aquela análise acadêmica refletia uma revolução silenciosa que já transformava
campos de batalha a milhares de quilômetros de distância. Na Ucrânia, soldados
imprimem peças de drones em impressoras 3D instaladas próximo à linha de
frente. Nos Estados Unidos, a Força Aérea substitui componentes de aeronaves
antigas com peças fabricadas digitalmente. E no Brasil, empresas como Taurus,
Embraer e XMobots investem milhões para dominar uma tecnologia que promete
redefinir não apenas como se fabricam armas, mas como se conduzem as guerras
modernas.
Do laboratório ao campo de batalha A Manufatura Aditiva (MA), conhecida popularmente como impressão 3D, consiste na
formação de objetos tridimensionais por meio da deposição sucessiva de camadas
de material. Embora tenha sido criada em 1984 e consolidada inicialmente em
setores civis como indústria automotiva, aeroespacial e médica, seu uso vem
crescendo de maneira exponencial no campo militar, oferecendo rapidez,
autonomia e flexibilidade em cenários onde cada segundo pode determinar o
destino de uma missão.
O artigo do EBlog do Exército Brasileiro, assinado pelo Subtenente Julio Cezar Rodrigues Eloi, detalha como essa tecnologia pode contribuir
para operações, logística e capacidades estratégicas das forças armadas. O
documento ressalta que a MA já ultrapassou a esfera experimental e se integra
gradualmente aos processos tradicionais de defesa em diversos países.
O caso ucraniano: quando a necessidade vira inovação Nenhum caso ilustra melhor o potencial militar da impressão 3D do que a
guerra na Ucrânia. Desde a invasão russa em fevereiro de 2022, o país
transformou-se em um gigantesco laboratório de inovação militar. Em 2024, foram
construídos 1,5 milhão de drones de ataque e reconhecimento, com expectativa de
produção de 4,5 milhões até o final do ano, um salto astronômico em relação às
300 mil unidades de 2023.
Empresas como a Wild Hornets operam verdadeiras fazendas de
impressoras 3D, dezenas de equipamentos Bambu Lab e Elegoo funcionando 24
horas por dia, para produzir componentes dos drones interceptadores Sting, que
combatem os Shaheds iranianos. A organização afirma ter neutralizado 1.738
ativos inimigos no valor de US$ 1,69 bilhão, incluindo 448 UAVs adversários.
Outras fabricantes ucranianas, como a TAF Drones, operam
instalações secretas no oeste da Ucrânia onde mais de 100 funcionários produzem
cerca de 1.000 drones diariamente. O modelo ucraniano demonstrou que a
impressão 3D permite iteração em ciclos curtíssimos: imprimir, montar, testar e
modificar projetos quase em tempo real. Um protótipo que funciona hoje pode ser
ajustado até amanhã, comprimindo ciclos de desenvolvimento que levariam anos na
fabricação aeroespacial tradicional em questão de semanas.
"Praticamente toda brigada ucraniana tem uma unidade de
drones, com capacidade de reparo e também de produção de novos drones",
explica Sandro Teixeira Moita, professor na Escola de Comando e Estado-Maior do
Exército Brasileiro. "Por mais incrível que pareça, um dos principais
insumos para o esforço de guerra ucraniano é o polímero, material que a
impressora 3D usa para a impressão de peças de drones."
Mas não é apenas na produção de drones que a Ucrânia inovou.
O país desenvolveu também capacidades em impressão 3D de metal para peças de
reposição de equipamentos militares. Empresas britânicas como a Babcock, em
parceria com a QinetiQ, receberam contratos para produzir desenhos digitais e
arquivos CAD de equipamentos essenciais, permitindo que o pessoal ucraniano
imprima peças localmente conforme necessário, reduzindo drasticamente a
dependência de cadeias de suprimentos externas.
Estados Unidos: investimento bilionário em autonomia
logística Se a Ucrânia improvisou sua revolução em manufatura aditiva sob pressão, os
Estados Unidos a planejaram meticulosamente. Desde 2017, as Forças Armadas
norte-americanas fazem investimentos substanciais em impressão 3D para melhorar
a resiliência da cadeia de suprimentos e o desempenho operacional geral.
Em 2021, o Departamento de Defesa dos EUA contratou a The
ExOne Company para desenvolver uma "fábrica" de impressão 3D
independente que opera a partir de um contêiner de transporte. Em 2022, o
fabricante australiano SPEE3D foi selecionado pela Marinha para fornecer sua
tecnologia de manutenção MAINTENX. Em 2024, os militares do Reino Unido
receberam seu primeiro lote de componentes impressos em 3D para sistemas navais
e de artilharia.
O mercado global de impressão 3D militar deve registrar uma
taxa de crescimento anual composta (CAGR) superior a 10% durante o período
2024-2029, segundo a Mordor Intelligence. O mercado aeroespacial e de defesa
especificamente deve atingir US$ 8,20 bilhões até 2029, crescendo a um CAGR de
15,13%.
A 3D Systems, em colaboração com a Força Aérea dos EUA, usa
fabricação aditiva para substituir peças difíceis de construir para aeronaves
militares antigas. Em novembro de 2024, a Agência de Logística de Defesa
concedeu um contrato para um componente impresso em 3D que protege a aeronave
F-15 contra danos estruturais, o primeiro contrato nesta categoria para
manufatura aditiva.
Brasil na vanguarda: Taurus, Embraer e XMobots
Impressora suíça 3D DMP (Direct Metal Priting) Flex 350, da 3D Systems, em uso na Taurus
Taurus: pioneira em Manufatura Aditiva Metálica A Taurus Armas foi pioneira na América do Sul ao receber, em abril de 2020,
a impressora suíça 3D DMP (Direct Metal Printing) Flex 350, da 3D Systems, a
primeira entregue em todo o Hemisfério Sul. O sistema de fabricação Direct
Metal Printing de alto desempenho oferece redução de desperdício, maiores
velocidades de impressão e peças de metal com propriedades mecânicas
excelentes.
Imprimindo em metal, a impressora faz o protótipo inteiro de
uma arma em apenas um dia ininterrupto de trabalho, enquanto o processo
anterior utilizava terceiros e demorava muitos dias. Além de precisão muito
maior, por ser totalmente robotizado, o processo gera considerável ganho de
tempo e economia de recursos.
Mas a Taurus não parou aí. A empresa também domina a
tecnologia Metal Injection Molding (MIM), sendo uma das apenas duas fabricantes
de armas no mundo com essa capacidade, e a única abaixo do Equador. Hoje,
fabrica mais de 80 mil peças MIM por dia, com planos de chegar a 110 mil
peças/dia após a instalação de um terceiro forno contínuo.
A empresa gaúcha tornou-se referência global ao anunciar a
produção de armas com grafeno, material revolucionário que proporciona melhor
desempenho contra oxidação, potencializa propriedades mecânicas como
resistência ao impacto e reduz o peso das armas. A versão da pistola GX4 com
grafeno, lançada em 2021, foi a primeira arma do mundo a usar esse material.
Embraer: aviões mais leves, mais eficientes A Embraer utiliza a Manufatura Aditiva para construir peças de plástico
encontradas no interior dos E-Jets E2, resultando em componentes até 40% mais
leves. O Termoplástico AM substituiu o processo demorado e manual anteriormente
utilizado para preparação e usinagem de peças e ferramentas.
As peças agora levam 50% menos tempo de produção, geram 65%
menos resíduos e evitam o contato de compostos orgânicos voláteis com os
funcionários. A MA é usada para construir 37 tipos de peças internas nos E2s,
incluindo grades de ar-condicionado, unidades de proteção de sistemas, flanges
do sistema de sucção dos lavatórios e dutos de ar.
"No ano passado, produzimos mais de 1.800 peças por MA para o programa E2. Nossos engenheiros já estão trabalhando para criar peças de
metal por meio do mesmo processo de MA", informou a fabricante brasileira.
"A manufatura aditiva é apenas mais uma ferramenta que nos ajuda a tornar
nossos E2s os aviões mais ecologicamente corretos do mercado".
XMobots: da Ucrânia para São Carlos É no caso da XMobots, maior fabricante de drones da América Latina, que
vemos a convergência entre a experiência ucraniana e a capacidade industrial
brasileira. A empresa de São Carlos (SP) consolidou recentemente uma parceria
estratégica com a SKA Automação de Engenharias, representante da HP no Brasil,
trazendo impressoras 3D industriais de última geração para seu chão de fábrica.
A aliança posiciona o Brasil na fronteira tecnológica da
manufatura aditiva para defesa, com a mesma tecnologia que tem permitido à
Ucrânia produzir milhares de drones por mês. A XMobots deixou de usar impressão
3D apenas como ferramenta de prototipagem para tratá-la como pilar central da
manufatura de seus sistemas de defesa.
As soluções aplicam-se diretamente ao desenvolvimento dos
drones da família Nauru, especialmente os modelos Nauru 100D ISTAR, Nauru 500C
ISR e Nauru 1000C ISTAR — plataformas táticas pensadas para missões de
inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos.
O Nauru 1000C ISTAR, selecionado pelo Exército Brasileiro
para missões de monitoramento de fronteiras, é um drone VTOL (decolagem e pouso
vertical) de categoria 2 com envergadura de 7,7 metros, autonomia de 10 horas e
capacidade de carga útil de 18 kg. A empresa também firmou parceria com a MBDA,
maior empresa europeia de mísseis, para desenvolver a versão armada do Nauru
1000C com mísseis Enforcer Air, tornando-o o primeiro drone brasileiro a
integrar capacidade de ataque guiado de precisão.
A impressão 3D industrial entra como facilitadora em
diversos pontos críticos: produção de carenagens, suportes internos, pods de
sensores e estruturas secundárias complexas; redução de ferramental, gabaritos
e dispositivos de montagem; e iteração rápida de novas geometrias, acelerando
drasticamente o ciclo entre projeto e validação em campo.
Drone Nauru 100D, da XMobots
Vantagens e desafios da impressão 3D militar O artigo do EBlog sistematiza as principais vantagens e limitações da
tecnologia em ambientes de combate. Entre as vantagens destacam-se:
Produção
rápida e local de armamentos, munições e drones, atuando como fonte
alternativa em situações de escassez;
Fabricação
de componentes personalizados e sob demanda, aumentando a
adaptabilidade da tropa e acelerando reparos em campo;
Redução
de custos e dependência de fornecedores externos;
Autonomia
logística em operações remotas ou em ambientes hostis.
Quanto às limitações:
Durabilidade
menor das peças quando comparada às armas convencionais, devido ao uso
predominante de polímeros;
Confiabilidade
operacional dependente da qualidade do material e da habilidade do
operador, restringindo seu emprego a funções emergenciais ou suplementares;
Desafios
de certificação e controle de qualidade em ambientes militares
regulados;
Questões
de propriedade intelectual e segurança cibernética dos arquivos
digitais.
Aplicações além das armas A tecnologia não se limita à produção de armamentos. Pesquisadores
identificaram aplicações em diversos campos:
- Construção e engenharia: o Exército e a Marinha dos
EUA estão utilizando impressão 3D para construir quartéis militares,
aproveitando misturas de cimento e concreto de alta performance depositadas
camada por camada por robôs. Projetos menores podem ser concluídos em um dia,
enquanto estruturas maiores ficam prontas em uma semana.
- Equipamentos individuais: a tecnologia oferece
vantagens importantes ao permitir a produção de equipamentos personalizados
como capacetes, coletes e protetores auriculares ajustados às características
anatômicas de cada militar, melhorando conforto, proteção e capacidade
operacional.
- Veículos blindados: pesquisas relacionadas ao
Challenger 3 e aos veículos Boxer, da Rheinmetall BAE Systems Land, demonstram
que componentes estruturais podem ser fabricados por impressão 3D.
- Sistemas aeroespaciais: a NASA testa materiais
impressos em 3D para aplicações futuras no espaço. O mecanismo SuperDraco, que
fornece impulso de escape para a cápsula espacial Dragon V2 da SpaceX, está
totalmente impresso em 3D.
O futuro: impressão 4D e materiais inteligentes Pesquisadores apontam que a Manufatura Aditiva poderá viabilizar a produção
de sensores biométricos e exoesqueletos, ampliando significativamente as
capacidades físicas e cognitivas de militares em operação. A impressão 4D,
evolução natural da impressão 3D, incorpora materiais inteligentes capazes de
responder a estímulos externos.
Tal avanço pode permitir, por exemplo, uniformes com
camuflagem adaptativa ou sistemas capazes de alterar sua estrutura conforme
variáveis ambientais, ampliando as possibilidades de proteção e desempenho. A
tendência é a evolução em direção ao uso de materiais mais leves, resistentes e
complexos, além da integração de elementos eletrônicos.
Soberania tecnológica: o caso brasileiro Para o Brasil, as iniciativas da Taurus, Embraer e XMobots representam mais
do que avanços tecnológicos pontuais. Elas sinalizam:
- Soberania industrial em um dos segmentos mais
críticos da defesa contemporânea, reduzindo dependência de cadeias externas
para modificações ou lotes especiais de componentes.
- Alinhamento com as melhores práticas que emergem do
"laboratório de guerra" ucraniano, mas adaptadas à realidade de um
grande país em paz, com capacidade de construir essa infraestrutura em ambiente
controlado.
- Capacidade de resposta rápida a novas demandas das
Forças Armadas e de clientes internacionais, uma vantagem competitiva crucial
em mercados onde o tempo de desenvolvimento determina contratos.
A XMobots, fundada em 2007 e incubada no CIETEC-USP, emprega
hoje cerca de 700 funcionários e ocupa o 6º lugar no ranking mundial da Drone
Industry Insights. A empresa recebeu investimento da Embraer em 2022,
consolidando sua posição estratégica no setor aeroespacial brasileiro.
"Nosso objetivo é dar à Ucrânia a capacidade de recriar
as peças militares de que precisa, onde e quando realmente for
necessário", afirmou Tom Newman, CEO da Babcock's Land Sector, ao comentar
a parceria com a QinetiQ para apoio ao esforço de guerra ucraniano. A mesma
lógica se aplica ao Brasil: ter capacidade instalada de manufatura aditiva
significa poder responder rapidamente a crises sem depender de cadeias de
suprimento internacionais vulneráveis.
Lições da guerra e perspectivas futuras O Tenente-Coronel Ben Irwin-Clark, comandante do 1º Batalhão de Guardas Irlandeses do Exército Britânico, foi direto ao afirmar que a decisão de investir em
produção interna de drones foi "definitivamente uma lição que aprendemos
da Ucrânia". Os britânicos já imprimiram seu primeiro corpo completo de
drone e treinam 78 soldados como pilotos ou instrutores.
A Holanda desenvolveu o AMCOD (Additive Manufacturing
Container of Defense), um hub de reparo móvel na forma de contêiner de
transporte projetado para ser instalado em qualquer navio da Marinha Real
Holandesa, equipado com ar-condicionado, ventilação e fonte de alimentação
ininterrupta para produção de peças de polímero 24 horas por dia.
No Mali, desde 2015, o Exército Holandês utiliza impressão
3D para substituir peças de sobressalentes desgastadas dos veículos Fennek pelo
clima do deserto, reduzindo drasticamente os prazos de entrega que antes
dependiam de cadeias logísticas complexas.
A nova era da Defesa Os exemplos apresentados demonstram que a manufatura aditiva oferece
vantagens expressivas ao ambiente militar, especialmente em termos de redução
de custos, rapidez na produção, autonomia logística e personalização de
equipamentos. Esses benefícios se estendem à fabricação de armamentos,
munições, peças sobressalentes, equipamentos individuais e até estruturas de
construção civil.
Enquanto a Ucrânia demonstra que a impressão 3D pode
sustentar produção quase artesanal, mas em grande escala, de drones militares,
empresas brasileiras como Taurus, Embraer e XMobots mostram que o país é capaz
de transformar essa lógica em política industrial: fábricas digitais de defesa,
com robôs industriais, linhas seriadas e manufatura aditiva integrada.
Em um cenário em que a próxima geração de conflitos será
protagonizada por enxames de drones projetados, fabricados e modificados em
ciclos cada vez mais curtos, ter empresas brasileiras dominando impressão 3D
industrial é jogar na mesma liga de quem hoje redefine a guerra na Ucrânia, só
que com a vantagem de construir essa capacidade desde já, em ambiente
controlado, para quando o país precisar.
Como ressalta o artigo do EBlog do Exército Brasileiro,
fatores como segurança cibernética e sustentabilidade serão determinantes para
a evolução da Manufatura Aditiva nas próximas décadas. A mensagem é clara: o
Brasil não está apenas observando a revolução da manufatura aditiva na defesa.
Está construindo, em São Carlos, São Leopoldo e São José dos Campos, os pilares
dessa nova era.
Comissão Europeia lança plano abrangente enquanto
Polônia avalia aeronave brasileira para missões anti-drone
*LRCA Defense Consulting - 17/02/2026
A União Europeia apresentou na última semana um plano
estratégico para enfrentar a crescente ameaça de drones hostis, em meio a um
contexto marcado por violações do espaço aéreo, perturbações em aeroportos e
riscos para infraestruturas críticas. A iniciativa, descrita pela Comissão
Europeia como um modelo ambicioso de cooperação entre Estados-membros, surge
paralelamente ao interesse de países como a Polônia em soluções práticas e
economicamente viáveis, incluindo a possível aquisição do A-29N Super Tucano brasileiro.
Um plano de quatro pilares O plano da Comissão Europeia assenta em quatro prioridades fundamentais:
reforçar a preparação tecnológica e industrial; melhorar a detecção através de
Inteligência Artificial e redes 5G; coordenar respostas com sistemas anti-drone
e equipes de intervenção rápida; e fortalecer a prontidão de defesa com maior
inovação e cooperação industrial.
Além da vertente de segurança, Bruxelas pretende impulsionar
um mercado europeu competitivo de drones, promovendo inovação, crescimento e
criação de emprego. O executivo comunitário iniciará agora discussões com os
Estados-membros, a indústria e o Parlamento Europeu para concretizar as medidas
propostas.
Embora o documento da Comissão não especifique detalhes
sobre aquisição de aeronaves tripuladas para missões anti-drone, a lacuna está
sendo preenchida por iniciativas nacionais que buscam complementar os sistemas
tradicionais de defesa aérea.
Polônia na linha de frente da ameaça A Polônia, que relatou a invasão de cerca de 20 drones russos em seu espaço
aéreo em setembro de 2025, tornando-se um dos países mais expostos à ameaça,
está avaliando soluções práticas para enfrentar o problema. O Major-General
Ireneusz Nowak, Comandante de Grupo da Força Aérea Polonesa, confirmou ao
portal especializado Defence24 que o país testará o A-29N Super Tucano no início
de 2026.
"Com certeza iremos testar o Super Tucano e examiná-lo
mais de perto no início de 2026", afirmou Nowak, acrescentando que a Força
Aérea está considerando o uso de plataformas aéreas para combater alvos lentos
e de baixa altitude, como drones kamikazes iranianos Shahed 136 e Geran-2,
amplamente utilizados no conflito ucraniano.
Em meados de janeiro de 2026, uma delegação militar polonesa liderada pelo mesmo Major-General Ireneusz Nowak visitou as instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Durante a visita, pilotos poloneses realizaram voos de familiarização com o A-29, avaliando especificamente suas capacidades contra drones do tipo Shahed, os mesmos UAVs de ataque que a Rússia tem empregado massivamente contra a Ucrânia.
A Polônia não está sozinha nesta busca. Países como Romênia,
Estônia, Alemanha e Dinamarca também reforçaram medidas legais e militares para
lidar com drones russos, incluindo autorizações para abatimento em tempos de
paz e investimentos em novos sistemas de detecção e neutralização.
Super Tucano: uma solução brasileira para um problema
europeu O A-29 Super Tucano, aeronave de ataque leve desenvolvida pela Embraer,
surge como uma alternativa economicamente viável para o dilema europeu. A
lógica é simples: usar mísseis Patriot, que custam milhões de dólares por
disparo, ou empregar caças F-16 e F-35 contra drones que custam poucos milhares
de dólares cria um desequilíbrio financeiro insustentável.
Em novembro de 2025, a Embraer anunciou uma versão adaptada
do Super Tucano especificamente para combate a Sistemas Aéreos Não Tripulados
(SANTs). Equipada com sensores eletro-ópticos e infravermelhos, enlaces de
dados para designação de alvos e armamentos como foguetes guiados a laser e
metralhadoras calibre .50, a aeronave pode identificar e neutralizar drones com
precisão.
No entanto, esta Consultoria acredita que, até meados de 2026, a Embraer deva anunciar novidades significativas nas capacidades anti-drone do Super Tucano.
"Continuamos a expandir as capacidades do A-29 para
cumprir com as missões mais recentes enfrentadas por muitas nações ao redor do
mundo", declarou João Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer
Defesa & Segurança. "Os desafios contínuos na guerra moderna e os
conflitos recentes em todo o mundo demonstraram a necessidade urgente de
soluções para combater SANTs."
Vantagens operacionais e econômicas O Super Tucano apresenta características que o tornam particularmente
adequado para missões anti-drone na Europa. Com autonomia de até 8,4 horas de
voo, pode realizar patrulhas prolongadas sobre vastas áreas. Sua capacidade de
operar a partir de pistas curtas e não pavimentadas, com pouco apoio logístico,
é considerada relevante em cenários de defesa territorial distribuída.
O custo operacional é outro fator decisivo. Enquanto uma
hora de voo com um F-16 custa cerca de US$ 22.000 e um F-35 ultrapassa US$
44.000, o Super Tucano opera por apenas US$ 1.000 a US$ 1.500 por hora. O custo
de aquisição, estimado entre US$ 15 a 18 milhões por unidade (incluindo
armamento e suporte logístico), é apenas uma fração do valor de um caça
supersônico.
Portugal como porta de entrada europeia A estratégia da Embraer para o mercado europeu passa por Portugal, que se
tornou, em dezembro de 2025, o primeiro operador europeu do Super Tucano ao
receber os pioneiros A-29N, versão adaptada aos requisitos e padrões da OTAN. O
país assinou com a Embraer uma carta de interesse para avaliar a instalação de
uma linha de montagem final do avião em território português.
A OGMA, empresa controlada majoritariamente pela Embraer em
Portugal, ou mesmo a nova unidade em Beja, podem se tornar o centro de montagem do Super Tucano para o mercado
europeu.
A fabricante brasileira firmou acordos de cooperação com o Grupo
Polonês de Armamentos (PGZ), estimando que as parcerias podem gerar até US$ 3
bilhões para a economia polonesa em uma década.
Um histórico comprovado em combate Com mais de 600.000 horas de voo acumuladas e operação em 22 forças aéreas
ao redor do mundo, o Super Tucano tem histórico operacional real. Países como
Colômbia, Afeganistão e Nigéria utilizaram o modelo em combates diretos contra
grupos insurgentes, provando sua eficácia em condições adversas.
O reconhecimento pelo Comitê de Catalogação da OTAN, que
incluiu o Super Tucano no Sistema de Catalogação da aliança e em sua lista de
"projetos de relevância", facilita a troca de informações técnicas
entre países membros e pode abrir portas para futuras compras.
Múltiplas plataformas em avaliação A Polônia não se limita ao Super Tucano. O Major-General Nowak revelou que
o país também está considerando adaptar helicópteros de transporte M-28 Bryza e
até os 96 helicópteros Apache AH-64E recentemente adquiridos para missões
anti-drone. "Quando surge uma ameaça de grande escala, todos os recursos
disponíveis devem ser levados em conta", afirmou o comandante.
A avaliação incluirá uma revisão das opções de armamento
tanto para helicópteros quanto para plataformas de asa fixa contra UAVs, em um
processo que se encontra em fase de avaliação técnica e operacional, sem
anúncio oficial de aquisição ou cronograma definido.
Acredita-se ser bastante provável que a decisão polonesa aguarde a divulgação, pela Embraer, das novas características anti-drone do Super Tucano, o que deverá ocorrer até meados deste ano.
Guerra híbrida e o futuro da defesa europeia A intensificação do uso de drones de baixo custo pela Rússia, tanto em
ataques diretos quanto em ações de provocação e teste de resposta dos países da
OTAN, transformou a ameaça de drones em uma questão central de segurança
europeia. O episódio polonês de setembro de 2025 levou Varsóvia a acionar o
Artigo 4º do Tratado da OTAN, que determina consultas em caso de ameaça à
segurança coletiva.
Com mais de 600.000 horas de voo acumuladas e operação em 22
forças aéreas, o Super Tucano tenta se reposicionar não apenas como uma
aeronave de treinamento ou contrainsurgência, mas como uma peça complementar da
defesa aérea europeia em um cenário de guerra híbrida.
Desafios e perspectivas A potencial avaliação do A-29N em 2026 na Polônia é vista como um passo
pragmático para entender, em condições reais, até que ponto uma aeronave
turboélice de ataque leve pode desempenhar o papel de "caçador de
drones" no ambiente operacional europeu. Além do desempenho contra alvos
aéreos de movimento lento, os testes permitirão analisar integração com
radares, centros de comando e controle, regras de engajamento e custos
operacionais.
Qualquer decisão sobre aquisição dependerá da conclusão das
avaliações técnicas, operacionais e orçamentárias conduzidas pelas autoridades
polonesas, que também podem ser fundamentais para embasar uma decisão da União Europeia sobre a aeronave. Até o momento, o Ministério da Defesa da Polônia não confirmou a
abertura de negociações formais para a compra do A-29N Super Tucano.
O que está claro é que a Europa enfrenta uma nova realidade
de segurança, na qual a ameaça não vem apenas de caças supersônicos e mísseis
de cruzeiro, mas também de enxames de drones baratos e numerosos. Neste
contexto, soluções como a versão NATO do Super Tucano brasileiro podem oferecer a combinação
de eficácia operacional e viabilidade econômica que os países europeus buscam
desesperadamente.
Nova unidade ampliará capacidade produtiva para até 2GWh ao ano e
reforçará o posicionamento da companhia como uma empresa de soluções
para transição energética
*LRCA Defense Consulting - 17/02/2026
A WEG anuncia a construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) em Itajaí/SC. A unidade será a mais moderna do país nesse segmento e representa um avanço estratégico da companhia em soluções para a transição energética.
Para viabilizar o projeto, a WEG contou com financiamento de R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação, aprovado no âmbito da chamada pública voltada à transformação de minerais estratégicos para transição energética e descarbonização, realizada em parceria com a Finep.
As obras da nova fábrica iniciarão em breve, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027. A operação da unidade resultará na criação de aproximadamente 90 novos empregos diretos. Além disso, a nova planta ampliará a capacidade produtiva da WEG em sistemas BESS para até 2 GWh ao ano, equivalente a 400 sistemas de 5 MWh, e contará com um alto nível de automação, incluindo linhas automáticas e semiautomáticas de montagem, além do uso de robôs móveis autônomos para movimentações internas.
O complexo também abrigará um laboratório dedicado a testes, desenvolvimento e qualificação de produtos, responsável por aprimorar processos, garantir controle de qualidade e acelerar a criação de novas soluções. A infraestrutura incluirá ainda uma subestação de energia para simulação de condições reais de operação.
“Com esse passo, a WEG amplia a sua oferta de soluções de alto valor agregado, desenvolvidas e fabricadas no Brasil, e contribui para o avanço da segurança energética e resiliência do nosso grid. Trata-se de um investimento alinhado com o objetivo estratégico de posicionar a WEG e o Brasil de forma mais competitiva no cenário global de transição energética, mitigando riscos e fortalecendo a presença nacional nesse segmento em expansão”, explica Alberto Kuba, Presidente da WEG.
Os sistemas de armazenamento de energia em bateria são essenciais para a estabilidade das redes elétricas, especialmente com o avanço das fontes renováveis, como a solar e a eólica. Eles permitem armazenar energia em períodos de baixa demanda e liberá-la quando necessário, contribuindo para a confiabilidade do sistema e reduzindo riscos de interrupção.
Primeiro navio da Classe Tamandaré obtém aval da DNV e
está pronto para operação, consolidando o maior projeto de construção naval de
defesa já desenvolvido no país
*LRCA Defense Consulting - 16/02/2026
Em um marco histórico para a indústria de defesa brasileira,
a Fragata "Tamandaré" (F200), primeira unidade da Classe Tamandaré da
Marinha do Brasil, recebeu nesta semana a certificação estatutária emitida pela
Det Norske Veritas (DNV), uma das mais respeitadas sociedades classificadoras
do mundo. A certificação oficializa a mudança de status da embarcação de
"em construção" para "em operação", abrindo caminho para
sua plena integração à Esquadra Brasileira.
A certificação representa muito mais do que um passo
burocrático no processo de aceitação do navio. Trata-se do reconhecimento
internacional de que o Brasil conseguiu conceber, construir e colocar em
serviço uma escolta de última geração, cumprindo rigorosos padrões de
segurança, desempenho e proteção ambiental estabelecidos por convenções como
SOLAS (Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar) e
MARPOL (Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios).
"A certificação da DNV é um reconhecimento objetivo da
maturidade técnica da Fragata Tamandaré e do trabalho rigoroso realizado ao
longo de todo o processo de construção e comissionamento", afirmou
Fernando Queiroz, CEO do Consórcio Águas Azuis, em comunicado oficial.
"Esse avanço posiciona o navio em um novo patamar operacional, dentro dos
mais altos referenciais internacionais".
A "Embraer dos mares": tecnologia aeronáutica
navega para o oceano Mais do que um avanço para a Esquadra, a Fragata Tamandaré consolida-se
como vitrine tecnológica da indústria de defesa brasileira, em especial da
Embraer Defesa & Segurança e da Atech. A fragata representa, literalmente,
a expressão naval da capacidade tecnológica desenvolvida pela Embraer ao longo
de mais de cinco décadas de experiência em sistemas aeronáuticos complexos.
Integrante do Consórcio Águas Azuis, ao lado da alemã
thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), a Embraer leva para o mar sua expertise
acumulada em integração de plataformas complexas, sistemas embarcados e
engenharia de missão. Se nas alturas a empresa consolidou o Brasil como
potência aeronáutica regional, agora transporta essa mesma filosofia de
integração de sistemas e inovação tecnológica para as águas da chamada
"Amazônia Azul".
A Atech, subsidiária do Grupo Embraer especializada em
engenharia e integração de sistemas, desempenha papel ainda mais central no
projeto. A empresa é responsável pelo desenvolvimento e fornecimento de dois
dos sistemas mais críticos da fragata: o Sistema de Gerenciamento de Combate
(CMS – Combat Management System) e o Sistema Integrado de Gerenciamento da
Plataforma (IPMS – Integrated Platform Management System).
O CMS, derivado do Atlas ANCS e desenvolvido em parceria com
a Atlas Elektronik (subsidiária da TKMS), é o "cérebro" que integra
sensores, armamentos e sistemas de comunicação do navio, permitindo que a
tripulação processe informações táticas e tome decisões de combate em frações
de segundo. Já o IPMS, baseado no sistema da L3Harris e desenvolvido em
cooperação com a empresa canadense, monitora e controla 68 sistemas integrados
da plataforma, incluindo propulsão, geração e distribuição de energia, sistemas
auxiliares e controle de avarias.
Para viabilizar esse trabalho, a Atech inaugurou em outubro
de 2021 um escritório de 3 mil metros quadrados no Rio de Janeiro, equipado com
laboratórios de integração e testes (LIT), instalações para simulação de
sistemas (LBTF – Land Based Test Facility) e ambientes de treinamento com
ferramentas do tipo Computer Based Training System (CBTS). Nesses laboratórios,
os sistemas da fragata foram testados exaustivamente antes de serem embarcados,
em um processo que envolveu estreita colaboração entre equipes da Atech, da
Marinha e dos demais parceiros do consórcio.
O Consórcio Águas Azuis: parceria estratégica para
soberania tecnológica O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é executado pela Sociedade de
Propósito Específico (SPE) Águas Azuis, formada por três players com papéis
complementares:
thyssenkrupp Marine Systems (TKMS): líder do
consórcio, fornece a tecnologia naval da comprovada plataforma MEKO, já
utilizada em mais de 80 embarcações em operação em marinhas de 15 países,
incluindo Portugal, Grécia, Austrália, Argentina e Argélia. A TKMS adaptou o
design MEKO A-100 para as necessidades específicas da Marinha brasileira e
gerencia a construção no estaleiro TKMS Brasil Sul, em Itajaí (SC).
Embraer Defesa & Segurança: responsável pela
integração de sensores e armamentos ao sistema de combate, trazendo ao programa
seus mais de 55 anos de experiência em soluções de tecnologia de sistemas e
suporte em serviço. A empresa aplica à plataforma naval a mesma metodologia de integração
de sistemas complexos que a tornou referência mundial na aviação.
Atech: desenvolve e fornece os sistemas CMS e IPMS,
além de realizar as atividades de integração e testes dos sistemas de combate e
da plataforma. A empresa consolida sua posição como fornecedora estratégica de
sistemas críticos para a Defesa Nacional.
O contrato, assinado em março de 2020, tem valor de R$ 9,1
bilhões (posteriormente atualizado para aproximadamente R$ 13,8 bilhões com a
incorporação de sistemas e equipamentos adicionais) e prevê não apenas a
construção das quatro fragatas, mas também robusta transferência de tecnologia
em engenharia naval para fabricação de navios militares e sistemas de
gerenciamento de combate e plataforma, além de apoio logístico durante o ciclo
de vida das embarcações.
Um navio para proteger a "Amazônia Azul" A Fragata Tamandaré é um navio de escolta multimissão de aproximadamente
3.500 toneladas, com 107,2 metros de comprimento, 15,95 metros de boca e
capacidade de atingir 25 nós (cerca de 47 km/h). Projetada para operar em todos
os ambientes de guerra – superfície, aéreo e submarino – a embarcação incorpora
armamentos e sensores de última geração.
Entre seus sistemas de combate, destacam-se mísseis de
defesa aérea Sea Ceptor com lançamento vertical, mísseis antinavio MANSUP, torpedos antissubmarinos, canhão
principal OTO Melara de 76mm e sistema de armas de proximidade (CIWS) SeaSnake
de 30mm. Para detecção e rastreamento, o navio conta com radar AESA (Active
Electronically Scanned Array) Hensoldt TRS-4D, sonares e sistemas eletrônicos
de última geração.
A fragata possui ainda convoo e hangar para operação de
helicóptero embarcado, ampliando significativamente seu raio de ação e
capacidade de detecção. Sua autonomia de 5.500 milhas náuticas permite
operações prolongadas sem necessidade de reabastecimento.
A missão principal das Fragatas Classe Tamandaré é proteger
os 5,7 milhões de quilômetros quadrados da "Amazônia Azul", nome
dado à área marítima sob jurisdição brasileira, que inclui águas territoriais,
zona econômica exclusiva e plataforma continental. Além da defesa territorial,
os navios realizarão operações de busca e salvamento, combate à pirataria e
pesca ilegal, monitoramento de poluição e participação em missões de paz e
ajuda humanitária internacionais.
Impactos econômicos e estratégicos O PFCT foi incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo
PAC) no eixo de inovação para a indústria, e também integra a Missão nº 6 "Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacional" da
iniciativa Nova Indústria Brasil (NIB), refletindo seu caráter estratégico para
o desenvolvimento nacional.
A construção das fragatas mobiliza cerca de 2.000
profissionais diretamente nas obras, com reflexo de aproximadamente 6.000
postos de trabalho indiretos e cerca de 15.000 empregos induzidos, totalizando
23.000 oportunidades geradas. O programa envolve uma extensa cadeia de
fornecedores nacionais, com aproximadamente 2.000 empresas brasileiras
participando do processo produtivo, contribuindo para o fortalecimento da Base
Industrial de Defesa (BID) do país.
Lançada ao mar em agosto de 2024, a Fragata Tamandaré passou
por rigorosos testes de aceitação no mar ao longo de 2025. Durante as
navegações pela costa catarinense, foram avaliados sistemas de propulsão,
geração de energia, automação, quadros elétricos e sistemas de alarme e
segurança sob diversas condições de carga, mar e vento. A tripulação de 112
militares vem sendo capacitada para operar a embarcação desde o início do
programa.
O futuro da Esquadra Brasileira Com a certificação da F200, o foco agora se desloca para a plena
incorporação operacional da primeira unidade, com a aceitação militar completa
prevista para os próximos meses, e a continuidade das obras das demais
fragatas da classe:
Jerônimo
de Albuquerque (F201): segunda fragata, lançada em agosto de 2025, já
com estrutura montada e em fase de equipagem. Previsão de entrega em 2027.
Cunha
Moreira (F202): terceira unidade, em estágio intermediário de
construção.
Mariz
e Barros (F203): quarta fragata, em fase inicial de montagem. Entrega
prevista para 2029.
As entregas graduais entre 2025 e 2029 permitirão à Marinha
substituir progressivamente as antigas fragatas da Classe Niterói, adquiridas
do Reino Unido na década de 1970 e que já passaram por múltiplos processos de
modernização, mas que estão tecnologicamente superadas e próximas ao fim de sua
vida útil operacional.
Projeção internacional e soberania tecnológica Simbolicamente, a chegada da Tamandaré ao status de navio "em
operação" sinaliza ao mercado internacional e aos parceiros estratégicos
que o Brasil consolidou capacidade de conceber, construir e operar escoltas de
última geração, integrando tecnologia nacional em sistemas críticos de missão e
combate.
Para a Embraer e a Atech, a fragata funciona como vitrine
tecnológica em potenciais futuras exportações e cooperações internacionais na
área naval. "Essa parceria valida os esforços para expandir nosso
portfólio de defesa e segurança além do segmento aeronáutico", destacou
Jackson Schneider, então CEO da Embraer Defesa & Segurança, quando da
assinatura do contrato em 2020.
Para a Marinha do Brasil, a Fragata Tamandaré representa o
início concreto de uma nova geração de escoltas, mais capazes, flexíveis e
alinhadas às demandas de um ambiente marítimo cada vez mais complexo e
contestado. Para o país, é a materialização de décadas de investimento em
capacitação tecnológica e industrial, provando que o Brasil pode ser
protagonista não apenas como usuário, mas como desenvolvedor e potencial
exportador de tecnologias de defesa de alta complexidade.
A "Embraer naval" acaba de fazer sua estreia nos
mares brasileiros. E o oceano, assim como o céu, agora tem sotaque brasileiro.
Sobre o Programa Fragatas Classe Tamandaré:
Valor:
R$ 13,8 bilhões
Quatro
fragatas previstas (F200 a F203)
Construção:
TKMS Estaleiro Brasil Sul, Itajaí (SC)
Gestão:
EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais)