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24 maio, 2026

Avibras Aeroco marca presença no maior fórum mundial de artilharia e sinaliza retorno ao mercado internacional

Em Londres, empresa foi uma das patrocinadoras da Future Artillery Conference 2026 e teve produtos estratégicos apresentados por general do Exército Brasileiro para auditório de mais de 600 participantes de 55 nações 


*LRCA Defense Consulting - 24/05/2026

A Avibras Aeroco marcou presença na Future Artillery Conference 2026, realizada de 19 a 21 de maio no Novotel London West, em Londres, como patrocinadora do principal fórum mundial dedicado ao tema dos fogos indiretos e da artilharia. Organizado pela Defence IQ, em sua 25ª edição, o evento reuniu mais de 600 participantes de 55 nações, entre comandantes militares seniores, representantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de forças aliadas, além de líderes do setor industrial de defesa.

A participação ocorre num momento de virada para a empresa. Após quatro anos de paralisia produtiva e um processo de recuperação judicial iniciado em março de 2022 com dívidas de R$ 394 milhões, a Avibras Aeroco retomou operações sob nova estrutura societária e em maio de 2026 reiniciou efetivamente a produção. A presença em Londres funciona como um anúncio simbólico e estratégico ao mercado global: a empresa está de volta.

ASTROS na vitrine de Londres
No primeiro dia da conferência, em 19 de maio, os sistemas de mísseis e foguetes ASTROS, o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC) e o Míssil Tático Balístico (MTB), todos desenvolvidos pela Avibras Aeroco, foram apresentados ao auditório internacional numa palestra do General de Brigada R/1 Moisés da Paixão Junior, Gerente do Subprograma Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro.

A palestra, intitulada "Modernização da artilharia do Exército Brasileiro para um futuro multidomínio", descreveu a nova estrutura do Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS e seus três subprogramas: artilharia de campanha de mísseis e foguetes, artilharia de campanha (canhão de tubo) e defesa antiaérea.

O general enumerou como prioridades da artilharia brasileira o aumento da mobilidade e do alcance dos sistemas, a digitalização do controle de tiro, a integração em rede dos elementos de combate e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) nacional. Na avaliação do oficial, esses avanços contribuem para uma artilharia "mais moderna, confiável e interoperável, sustentada por elevada capacidade tecnológica, conhecimento do material empregado e sistemas eficientes de suporte e manutenção".

Engenharia e estratégia comercial lado a lado
A Avibras Aeroco levou ao evento dois executivos com perfis complementares: Marcos Stephany, gerente de Engenharia de Vendas & Estratégia de Produto, e Almir Lemos, gerente de Engenharia de Sistemas. A composição da delegação reflete a dupla agenda da empresa no fórum: técnica e comercial. Além de acompanhar as apresentações e os painéis estratégicos, os representantes ocuparam o espaço de networking do evento para reforçar contatos com potenciais clientes internacionais, especialmente no Oriente Médio, região que historicamente integra a carteira de compradores do sistema ASTROS.

 

O contexto do retorno
A Future Artillery 2026 reuniu, ao lado da Avibras Aeroco, empresas como Lockheed Martin (patrocinadora principal), Hanwha, KNDS, Thales, Northrop Grumman, Leonardo, Kongsberg, Saab e Diehl Defence, entre outros pesos pesados da indústria bélica global. Num ambiente dominado por players estabelecidos da OTAN e da Coreia do Sul, a presença brasileira chama atenção pelo contexto: a empresa integrou o evento como patrocinadora imediatamente após superar sua crise de liquidez e retomar a produção.

O timing dialoga com o cenário internacional. A guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio recolocaram os sistemas de artilharia de longo alcance no centro do debate estratégico global, criando uma janela de oportunidade para fabricantes que oferecem capacidades competitivas fora do eixo tradicional OTAN-Rússia. O ASTROS, com alcance variável entre 30 e 300 quilômetros, dependendo do módulo utilizado, e com histórico de emprego em conflitos reais, enquadra-se nesse perfil.

Em paralelo à presença em Londres, a empresa também avançou no relacionamento doméstico. Em 6 de maio de 2026, dias antes da conferência, a Avibras Aeroco realizou reunião com oficiais do Exército Brasileiro no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro, para alinhamento técnico e discussão de futuros contratos. O encontro contou com a participação dos generais Tales Vilella e Carlos Alexandre Bastos de Vasconcellos, atual e futuro Diretores de Fabricação do EB, além do General Maurício Ramos de Rezende Neves, Chefe do CTEx.

Uma nova fase
A Avibras Aeroco chega a Londres com marca reformulada, site institucional relançado e uma narrativa de recomeço sustentada por aportes privados. A empresa opera a partir de sua sede em Jacareí (SP) e busca reposicionar o ASTROS como referência global de sistemas de foguetes multicalibre para exércitos que buscam soberania tecnológica em fogos de longo alcance.

A Future Artillery Conference 2026 encerrou-se em 21 de maio. Os desdobramentos comerciais da participação brasileira, incluindo eventuais negociações ou cartas de intenção, ainda não foram divulgados publicamente.

23 maio, 2026

Vinte anos depois, o famoso revólver Taurus Judge evolui, nos EUA e no Brasil

Taurus lança o New Judge no Brasil e nos EUA com design renovado, novo liberador do tambor e, pela primeira vez no mercado interno, com versão multicalibre em edição limitada


*LRCA Defense Consulting - 23/05/2026

Há exatamente duas décadas, a Taurus apresentou ao mundo um revólver capaz de disparar tanto cartuchos metálicos de pistola quanto projéteis do tipo shotshell, a munição de espingarda. O resultado foi o Judge, uma plataforma que não apenas criou uma nova categoria de arma de fogo, mas se tornou um dos produtos mais reconhecíveis da fabricante gaúcha em nível global. Agora, em 2026, a Taurus relança o modelo com um nome atualizado e uma série de melhorias: o New Judge.

O lançamento ocorre simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, com linhas de produto distintas para cada mercado. A principal novidade para o consumidor brasileiro é a chegada, pela primeira vez, de uma versão multicalibre, com câmara para 36 GA e .45 Colt, em edição limitada de lançamento. Até então, o RT 410 Judge vendido no mercado interno operava exclusivamente em calibre 36 GA, com cano de alma lisa, dada a restrição legal ao .45 Colt para civis no Brasil.

A origem: Miami, 2006
O Judge nasceu de uma demanda real. Em 2006, Bob Morrison, então vice-presidente executivo da Taurus International, soube que juízes federais em áreas de alta criminalidade de Miami estavam adquirindo o revólver RT 410 para proteção pessoal dentro das próprias salas de audiência. A história inspirou tanto o nome quanto o reposicionamento comercial do produto. O modelo, que até então era designado 4410, passou a ser chamado de 4510, e logo de Judge.

A lógica do produto era simples e eficaz: um revólver de cinco tiros capaz de disparar cartuchos de espingarda calibre .410 (equivalente ao 36 GA brasileiro) e, nos mercados onde a legislação permite, munição .45 Colt. Para acomodar a munição de espingarda, a câmara do tambor foi alongada. O cano raiado nos modelos exportados para os EUA permitia o uso de ambos os tipos de projétil. A proposta era versatilidade máxima em uma arma de porte.

Em 2009, a Taurus International informou que o Judge havia se tornado o modelo mais vendido de toda a sua linha. O sucesso foi tamanho que a plataforma se desdobrou em dezenas de variantes ao longo dos anos: Public Defender (frame compacto), Raging Judge (câmara para .454 Casull), Circuit Judge (versão carabina), modelos com trilho Picatinny, com sistema óptico T.O.R.O. e, mais recentemente, uma edição comemorativa de 20 anos com armação e tambor gravados e cabo em madeira com relevos de martelo lançada no SHOT Show de janeiro de 2026 ao preço sugerido de US$ 681,99.



O que mudou no New Judge
O New Judge não é uma reinvenção. É, segundo a própria Taurus, um refinamento de uma plataforma que já provou seu valor. A ação, o tambor de cinco tiros e o frame permanecem. O que mudou é tudo que o atirador vê e toca.

O liberador do tambor, detalhe destacado pela Taurus no material de lançamento, foi ampliado e reprojetado com face plana, tornando o acionamento mais intuitivo e favorecendo recargas rápidas. A mira dianteira passou a ser removível, com fibra óptica. O vértice de mira traseiro é igualmente removível e conta com ajuste lateral, substituindo a mira de canal fixo das versões anteriores. O cão foi reperfilado e compactado; o gatilho recebeu angulação levemente diferente, aumentando a alavancagem e suavizando o acionamento em ação dupla.

A empunhadura foi redesenhada em borracha com inserto macio para absorção de recuo, proporcionando grip mais firme. O cano é em aço inoxidável com revestimento externo em alumínio, recurso que impacta tanto na estética quanto no balanço da arma. A vareta do extrator foi alongada, facilitando a expulsão completa dos cartuchos disparados.

O mercado americano: quatro SKUs
Nos Estados Unidos, o New Judge chega em quatro configurações. Todas em .45 Colt e .410 bore (cartuchos de até 2,5 polegadas), com tambor de cinco tiros e ação SA/DA. As variações são de comprimento de cano e acabamento.

 

Modelo

Cano

Acabamento

Item / MSRP

New Taurus Judge – 3 Black

3"

Preto fosco

2-JUDGE31 / US$ 699,99

New Taurus Judge – 3 Duo Tone

3"

Duo Tone

2-JUDGE35 / US$ 719,99

New Taurus Judge – 6.5 Black

6,5"

Preto fosco

2-JUDGE61 / US$ 699,99

New Taurus Judge – 6.5 Duo Tone

6,5"

Duo Tone

2-JUDGE65 / US$ 719,99

O acabamento Duo Tone combina armação em aço inoxidável com guarda-cano e tambor em preto fosco. Nos modelos de cano longo (6,5"), o guarda-cano é escavado (skeletonized) ao longo da face inferior, reduzindo o peso e conferindo aspecto visual próprio da linha Raging Hunter. Os modelos de 6,5" recebem também mira traseira ajustável, voltados ao uso em trilha e em ambientes rurais.

O mercado brasileiro: três versões, uma inédita
No Brasil, o New Judge é designado internamente como 410H e chega em três configurações, todas com acabamento Dual Tone, tambor de cinco tiros e ação SA/DA. O calibre 36 GA, equivalente nacional ao .410 bore, é de uso permitido para civis registrados.

 

Modelo

Cano

Calibre / Observação

New Judge Taurus 3" Dual Tone

3"

36 GA

New Judge Taurus 6,5" Dual Tone

6,5"

36 GA

New Judge Taurus 6,5" Dual Tone Multi-calibre

6,5"

36 GA / .45 Colt — edição limitada de lançamento

A versão multicalibre, que acrescenta a câmara para .45 Colt ao 36 GA, é a peça central do lançamento no mercado interno. O .45 Colt é calibre de uso restrito no Brasil, o que significa que sua aquisição e porte estão condicionados a registro e habilitação específicos, acessíveis principalmente ao público de CAC (Colecionadores, Atiradores e Caçadores) com as qualificações pertinentes. A versão monocalibre em 36 GA, por sua vez, é de uso permitido e está disponível ao consumidor civil com registro regular de posse.

As dimensões oficiais do modelo de cano 3", divulgadas pela Taurus, são: comprimento máximo de 232,4 mm, altura máxima de 147,3 mm e largura de 38,1 mm.

A diferença técnica central entre o modelo brasileiro e o americano permanece a mesma de versões anteriores: nos EUA, o cano é raiado, o que permite o uso eficiente do .45 Colt com melhor estabilização balística. No Brasil, a versão 36 GA opera com cano de alma lisa, característica adequada para munição do tipo shotshell e exigida pela classificação de uso permitido.



Uma plataforma que o mercado copiou, mas nunca desbancou
O sucesso do Judge gerou imitadores. A Smith & Wesson lançou o Governor, revólver de seis tiros que em .45 Colt, .45 ACP e .410 bore, adicionando versatilidade ao conceito original da Taurus. A Bond Arms explorou o nicho pelo outro lado, com derringers de dois tiros em .45/.410. Mesmo assim, o Judge permanece como a referência de mercado no segmento, a arma que define a categoria que criou.

A Taurus reconhece essa posição no material de lançamento do New Judge, ao adotar o slogan "Uma lenda não se substitui, evolui". O redesenho de 2026 é, nesse sentido, uma resposta às demandas de um público que amadureceu junto com a plataforma: atiradores que pedem miras melhores, recarga mais rápida e ergonomia aprimorada, sem abrir mão da versatilidade de munição que tornou o Judge famoso.

 
Ficha técnica resumida — New Judge (versões brasileiras)

Especificação

Dado

Ação

SA / DA

Capacidade

5 tiros

Calibres disponíveis

36 GA (uso permitido); 36 GA / .45 Colt (edição limitada)

Comprimentos de cano

3" e 6,5"

Acabamento

Dual Tone (armação inox / guarda-cano preto)

Dimensões (cano 3")

Compr.: 232,4 mm | Alt.: 147,3 mm | Larg.: 38,1 mm

Mira dianteira

Fibra óptica, removível

Mira traseira

Vértice removível com ajuste lateral

Empunhadura

Borracha com inserto macio antirrecuo

Cano

Aço inoxidável com revestimento externo em alumínio

Fabricante

Forjas Taurus S.A. — São Leopoldo, RS

 

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