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31 agosto, 2026

Gripen F, versão biposto do caça sueco, realiza seu primeiro voo na Suécia com piloto brasileiro a bordo

Aeronave decolou de Linköping e permaneceu 40 minutos no ar; caça de dois lugares é fruto da parceria entre Brasil e Suécia e será operado pelo 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis



*LRCA Defense Consulting - 31/08/2026

O caça Gripen F, variante biposto do Gripen E, realizou nesta sexta-feira (28) seu primeiro voo, decolando às 9h40 no horário local (4h40 em Brasília) do aeródromo da Saab em Linköping, na Suécia. A aeronave permaneceu no ar por 40 minutos, em missão que verificou o funcionamento dos sistemas principais e o desempenho inicial de voo.

O voo foi conduzido pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, e pelo tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da Força Aérea Brasileira (FAB). A presença de um piloto brasileiro no comando compartilhado da missão inaugural reforça o caráter binacional do programa, que tem o Brasil como cliente lançador da versão de dois lugares.

Designado F-39F na nomenclatura da FAB, o Gripen F é destinado ao 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), sediado na Base Aérea de Anápolis (BAAN), para onde a primeira unidade deve seguir em 2027, segundo informações veiculadas por veículos especializados em defesa. Com o primeiro voo, a aeronave entra oficialmente na fase aérea de sua campanha de testes, conduzida pelo Centro de Ensaios em Voo da Saab, na Suécia.

Segundo a Saab, a etapa seguinte será a expansão progressiva do envelope de voo, quando serão validados gradualmente parâmetros como velocidade, altitude, fator de carga (carga G) e ângulo de ataque. Em paralelo, serão avaliadas as capacidades táticas e as funções específicas do cockpit traseiro, elemento que diferencia o Gripen F da versão monoposto.

“Esse primeiro voo representa um passo importante tanto para a Saab quanto para a Força Aérea Brasileira. Ver o Gripen F decolar é particularmente significativo para todas as equipes suecas e brasileiras cujos anos de trabalho de engenharia ajudaram a transformar esta aeronave em realidade. Ela é projetada para acelerar o treinamento de pilotos, ao mesmo tempo em que aprimora o desempenho operacional em missões de combate avançadas”, afirmou Lars Tossman, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab. 


O desenvolvimento do Gripen F resulta da parceria estratégica entre Brasil e Suécia e da ampla transferência de tecnologia realizada no âmbito do Programa Gripen Brasileiro, que já capacitou mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros em atividades ligadas ao desenvolvimento, à produção, aos ensaios em voo e à manutenção da aeronave. Como cliente lançador, o País teve papel ativo no codesenvolvimento da variante de dois lugares, o que garantiu participação industrial direta e cooperação de longo prazo.

O programa F-39 Gripen foi firmado em 2014 e prevê a aquisição de 36 aeronaves pela FAB, sendo 28 monoposto (Gripen E) e oito biposto (Gripen F), em contrato avaliado em aproximadamente US$ 4,5 bilhões. As entregas começaram em 2020 e devem se estender até 2032, com parte da produção realizada na planta da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Atualmente, o Brasil já opera dez unidades do Gripen E, que equipam o 1º GDA.

O primeiro Gripen F havia sido apresentado ao mundo em cerimônia de roll out realizada em junho, também em Linköping, com a presença do então ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, e do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno. Concluída a campanha de testes e os procedimentos de aceitação, a aeronave será preparada para entrega à Força Aérea Brasileira.

Será que chegamos ao limite da incompetência?

Declaração surpreendente e sincera do Ministro da Defesa expõe uma vulnerabilidade construída ao longo de décadas, enquanto o Brasil adia decisões estratégicas e assiste à erosão de sua capacidade de dissuasão



*
Luiz Alberto Cureau Jr. - 31/08/2026

A declaração do ministro da Defesa de que, em um cenário hipotético de confronto com os Estados Unidos, “teríamos que abrir o portão, porque não temos equipamento para enfrentá-los nem dinheiro para consertar o portão”, talvez tenha sido a mais sincera e preocupante admissão já feita por uma autoridade brasileira sobre o estado da nossa capacidade de defesa.

O problema não é reconhecer que existe uma enorme diferença de poder militar entre Brasil e Estados Unidos. Isso é evidente. O que causa perplexidade é a naturalidade com que o país parece aceitar a própria vulnerabilidade, como se ela fosse inevitável e até aceitável. 

O Brasil vem aceitando, há décadas, um lento processo de erosão de sua capacidade de defesa, quer por pura incompetência ou por revanchismo burro.

Nenhuma nação responsável estrutura suas Forças Armadas para derrotar uma superpotência até porque creio que deveríamos ser uma. O objetivo é outro, desenvolver capacidade de dissuasão suficiente para tornar qualquer pressão militar, econômica ou estratégica inconveniente. Países respeitados não são aqueles que procuram guerras, mas aqueles que convencem seus adversários de que elas não compensam.

Enquanto grande parte do mundo amplia investimentos em defesa, indústria, tecnologia, inteligência artificial e segurança cibernética, o Brasil continua adiando decisões estratégicas. Perdemos tempo discutindo se investir em defesa é prioridade, quando a verdadeira pergunta deveria ser, quanto custará não investir?

O cenário internacional tornou-se mais competitivo. Disputam-se minerais críticos, rotas marítimas, energia, alimentos, água e domínio tecnológico. O Brasil reúne praticamente todos esses ativos em abundância. Ainda assim, insiste em acreditar que sua riqueza, por si só, será suficiente para garantir respeito internacional. Não será, podem acreditar!

A história demonstra que riquezas atraem interesses, e interesses nem sempre são defendidos pela diplomacia. A diplomacia ganha força quando está apoiada por credibilidade nacional, capacidade tecnológica e uma estrutura de defesa compatível com o tamanho e a importância do país.

Talvez a fala do ministro tenha produzido um efeito positivo: obrigar a sociedade a olhar para um problema que deixou de ser militar e passou a ser estratégico. A questão já não é quanto o Brasil gasta com defesa, mas quanto tempo ainda suportará conviver com uma capacidade de dissuasão cada vez menor diante de um mundo cada vez mais imprevisível.

A maior ameaça não é a possibilidade de uma invasão hipotética. É continuarmos acreditando que vulnerabilidades históricas se resolvem com discursos, enquanto outros países planejam décadas à frente. A incompetência de uma nação não está em reconhecer suas fraquezas, mas em conhecê-las, discuti-las há décadas e, mesmo assim, não fazer absolutamente nada para corrigi-las.


*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura. 

30 agosto, 2026

Contrato do Embraer C-390 entre Grécia e Portugal pode ser assinado em setembro, na esteira do Escudo de Aquiles

Com o acordo israelense marcado para 31 de agosto em Tel Aviv, o governo Mitsotakis tem razões políticas e operacionais para fechar também o acordo com Lisboa no início de setembro; Diretoria de Armamentos grega negocia ativamente com a contraparte portuguesa, segundo fontes especializadas



*LRCA Defense Consulting - 30/08/2026

A Grécia assina nesta segunda-feira, 31 de agosto, no Ministério da Defesa israelense em Tel Aviv, os contratos do Escudo de Aquiles, o sistema antiaéreo multicamadas avaliado em EUR 3,1 bilhões que combina sistemas da Rafael e da Israel Aerospace Industries (IAI). O ato encerra o ciclo formal do maior programa de aquisição de defesa da história moderna do País. O que ainda aguarda assinatura é o contrato dos três C-390 Millennium da Embraer, que tramita em pista separada, com Lisboa, e tudo indica que essa assinatura possa ocorrer em setembro, possivelmente dias após a cerimônia israelense.

As informações disponíveis na imprensa especializada internacional convergem para esse cenário. O portal Army Recognition, em análise publicada em 26 de julho, indicou que o acordo governo a governo com Portugal está previsto para o outono de 2026, "com setembro como possível data-alvo". A FlightGlobal estimou que o contrato todo estaria concluído até junho de 2027, o que é compatível com a entrega do primeiro C-390 em 2027. Nenhuma das duas publicações fixou uma data específica, mas o mosaico de informações levanta uma pergunta central: haveria razões concretas para que o governo grego acelerasse a assinatura do C-390 para a primeira ou segunda semana de setembro?

Por que setembro faz sentido 
A primeira razão é política. A assinatura do Escudo de Aquiles em Tel Aviv cria um momento de alta visibilidade para o programa de modernização das Forças Armadas gregas. O primeiro-ministro Mitsotakis e o ministro Dendias têm interesse em sustentar esse momentum, e fechar o contrato do C-390 logo em seguida, enquanto a atenção da imprensa ainda está concentrada nos programas de defesa gregos, seria um reforço natural da narrativa de que a Grécia está executando, e não apenas anunciando, sua agenda de rearmamento.

A segunda razão é operacional. A Grécia vai assumir três posições de produção previamente reservadas por Portugal na linha de montagem da Embraer em São José dos Campos. Esses slots têm prazo: se não forem transferidos formalmente dentro de uma janela definida pelo contrato português, podem ser realocados a outros clientes. A Embraer tem uma fila crescente de pedidos: Emirados Árabes Unidos (20 aeronaves em maio de 2026), Eslováquia (em negociação final) e eventualmente a Turquia no horizonte. A pressão do tempo existe e favorece a conclusão rápida.

A terceira razão é procedimental. O ciclo de aprovações institucionais gregos está completo: o Parlamento aprovou o programa em 10 de junho, o KYSEA referendou os contratos em 23 de julho. A Diretoria-Geral de Investimentos e Armamentos de Defesa (GDDIA) da Grécia está conduzindo as negociações com a contraparte portuguesa, segundo o Army Recognition. Não há mais nenhum obstáculo político interno; o que resta é apenas a conclusão técnica e jurídica de um acordo cujos termos financeiros (EUR 597,5 milhões, com custo unitário de EUR 157,9 milhões) já foram publicamente detalhados.

Por que os dois contratos são independentes 

É preciso ser claro sobre o que não acontece em Tel Aviv nesta semana: a assinatura do Escudo de Aquiles não arrasta o C-390. Os dois programas envolvem partes completamente distintas. O acordo israelense é firmado entre a GDDIA grega e a SIBAT, a Diretoria de Cooperação Internacional de Defesa do Ministério da Defesa de Israel, com a participação de Rafael e IAI. O acordo do C-390 é firmado entre a GDDIA grega e as autoridades de defesa portuguesas, com a Embraer como fabricante. Portugal não tem assento na cerimônia de Tel Aviv, assim como Israel não tem papel no acordo com Lisboa.

O mecanismo usado para o C-390 é o das opções de compra transferíveis que Portugal incluiu no aditivo de setembro de 2025 ao seu contrato original com a Embraer. Esse instrumento permite que Portugal ceda a nações parceiras da OTAN até dez opções de compra de aeronaves. A Grécia exercerá três dessas opções, o que juridicamente significa que a assinatura ocorre entre a autoridade de defesa portuguesa e a grega, com a Embraer como parte técnica do acordo, não como signatária direta do ato de governo a governo.

O que diz a imprensa especializada 

A cobertura da imprensa internacional sobre este ponto específico, a data de assinatura do contrato C-390, é escassa, mas o que existe aponta consistentemente para setembro. O Army Recognition é a fonte mais explícita, citando setembro como "possível data-alvo". O Air Data News, em 26 de julho, registrou que "se o contrato for assinado, a Grécia se tornará mais um operador europeu do C-390", sem fixar data. O Overt Defense, em 29 de julho, informou que "um contrato final ainda não havia sido assinado", o que confirma que a assinatura estava pendente mesmo após a aprovação do KYSEA. O Greek City Times, em sua cobertura de 23 de julho, registrou que a primeira entrega está prevista para 2027, o que implica contrato assinado no máximo até o final de 2026, com margem exígua.

Nenhuma das fontes consultadas indica que há obstáculos conhecidos nas negociações com Portugal. As questões técnicas (slots de produção, cronograma de entregas, configuração das aeronaves com reabastecimento aéreo, autodefesa e evacuação aeromédica) parecem ter sido resolvidas antes mesmo da aprovação parlamentar de junho, dado o nível de detalhe financeiro já então público.

O papel da Embraer e da HAI 

Do lado industrial, a Embraer tem interesse direto na velocidade de formalização. A empresa está em plena campanha europeia: além da Grécia, acompanha as negociações finais com a Eslováquia e monitora o processo turco, que ganhou nova visibilidade após a visita do general Ziya Cemal Kadıoğlu à Base Aérea de Beja em maio de 2026. Um contrato assinado com a Grécia em setembro seria um ativo de campanha para essas negociações paralelas: a prova de que o mecanismo governo a governo com Portugal funciona, é rápido e entrega os slots prometidos.

A Hellenic Aerospace Industry (HAI), por sua vez, tem interesse em iniciar o mais cedo possível a preparação da infraestrutura de MRO prevista no Memorando de Entendimento assinado com a Embraer em 22 de maio. Quanto antes o contrato principal for assinado, mais cedo começa o cronograma de transferência de tecnologia e capacitação de pessoal que dará à HAI e, por extensão, à indústria de defesa grega, um papel permanente no suporte ao C-390 na Europa.

O cenário mais provável 
A leitura dos dados disponíveis aponta para o seguinte cenário: a assinatura do contrato governo a governo Grécia-Portugal deve ocorrer entre a primeira e a terceira semana de setembro de 2026, provavelmente em Lisboa ou Atenas, com cerimônia separada da de Tel Aviv. A data de setembro não é especulação pura: é o que a fonte mais detalhada (Army Recognition) indica explicitamente, corroborada pela lógica dos prazos de entrega (2027) e pelo fato de que todas as etapas institucionais gregas já foram concluídas.

O único elemento de incerteza é a eventual negociação de pontos específicos ainda abertos com Portugal: configuração final das aeronaves, detalhes do suporte logístico, condições da transferência de slots. Se esses pontos estiverem resolvidos, a assinatura em setembro é altamente provável. Se restarem pendências técnicas, o prazo poderia escorregar para outubro, ainda dentro do "outono de 2026" citado pelo Army Recognition, sem comprometer a entrega de 2027.

O governo Mitsotakis tem todas as razões para querer que os dois contratos, Escudo de Aquiles e C-390, sejam assinados em semanas consecutivas. A narrativa política de um "setembro de contratos", após anos de debate e décadas de equipamentos envelhecidos, é um ativo eleitoral e diplomático de primeira grandeza. A questão não é se, mas quando. 

NOTA METODOLÓGICA
Esta matéria combina dados confirmados (aprovações parlamentar e do KYSEA, valores financeiros, mecanismo contratual com Portugal, data do Escudo de Aquiles em Tel Aviv) com análise editorial fundamentada em fontes especializadas (Army Recognition, FlightGlobal, Overt Defense, Air Data News, Greek City Times). A data de setembro para o contrato do C-390 é indicada pela imprensa especializada, mas não foi confirmada oficialmente por nenhum governo. A LRCA monitorará e atualizará quando houver anúncio oficial.

CRONOLOGIA DO PROGRAMA C-390 NA GRÉCIA

Fev. 2026

Delegação da Força Aérea Helênica avalia C-390 em Beja, Portugal

22 mai. 2026

MoU Embraer / HAI para MRO na Grécia (Atenas)

10 jun. 2026

Parlamento grego aprova programa (EUR 597,5 M)


29 agosto, 2026

Exército Brasileiro cria batalhão de drones armados e amplia investimentos na aviação militar

Diretriz do Estado-Maior prevê criação de um batalhão de drones  armados das categorias 2 e 3, prioridade à BID e emprego mais amplo de SARP das categorias 0 e 1 pela Força 



*LRCA Defense Consulting - 29/08/2026

O Estado-Maior do Exército (EME) publicou, em 21 de agosto, a Portaria EME/C Ex nº 1.805, que aprova a Diretriz de Atualização do Programa Estratégico do Exército Aviação do Exército e Drones (Prg EE Av Ex/Drones). O documento, catalogado como EB20-D-08.094 e assinado pelo general de exército Francisco Humberto Montenegro Junior, chefe do EME, foi divulgado no Boletim do Exército nº 35, de 28 de agosto, e revoga a portaria de 2017 que havia criado o programa voltado apenas para aeronaves tripuladas.

A atualização decorre da reestruturação do Portfólio Estratégico do Exército, promovida em março pela Portaria EME/C Ex nº 1.703, que incluiu o termo drones na nomenclatura do antigo Programa Aviação do Exército. Segundo a diretriz, os sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (SARP) têm mudado significativamente o ambiente operacional, cumprindo missões antes reservadas às aeronaves tripuladas, em proveito da tropa ou operados por ela mesma; o avanço desses sistemas em conflitos recentes reforça, segundo o texto, a necessidade de o País acompanhar essa tendência e ampliar a capacidade de resposta da Força Terrestre.

Batalhão de drones armados
A principal novidade estrutural do documento é a criação do Batalhão SARP (BARP), organização militar de valor Batalhão a ser implantada no Comando de Aviação do Exército (CAvEx), em Taubaté (SP). A nova unidade será dotada exclusivamente de SARP das categorias 2 e 3 armados, destinados a missões de inteligência, reconhecimento, vigilância e aquisição de alvos (IRVA), além de comando, controle e comunicações (C3I) e ataque.

Drones de menor porte e integração com o comando
Paralelamente, o subprograma dedicado aos drones prevê a aquisição de SARP das categorias 0 e 1 para emprego mais amplo pela Força Terrestre, com o Exército coordenando tanto a compra dos sistemas quanto a formação de pilotos e mantenedores. A diretriz determina ainda que os equipamentos sejam interoperáveis com o Sistema de Comando e Controle da Força Terrestre (SC2FTer/SC2Ex), por meio da adoção dos padrões abertos STANAG 4586, para controle das aeronaves, e STANAG 4609/KLV, para transmissão de vídeo com metadados georreferenciados (posição, rumo, altitude, atitude e apontamento do sensor, sincronizados quadro a quadro).

O documento orienta, também, que a incorporação dos SARP busque soluções junto à Base Industrial de Defesa (BID) nacional, como forma de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros; um dos norteadores citados pelo próprio texto é justamente a intenção de reduzir a dependência de um só fabricante.

Orçamento e prazos
O programa como um todo, que também contempla a substituição do helicóptero HA-1A Fennec por uma nova aeronave multimissão e a incorporação de novos helicópteros de médio porte e de ataque, tem custo total estimado em R$ 7.006.875.000,00 (sete bilhões, seis milhões e oitocentos e setenta e cinco mil reais), vinculado à Ação Orçamentária 3138 do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). A execução está prevista até 31 de dezembro de 2040, dividida em seis tranches; a terceira está em curso e segue até 2027.

Gestão do programa
A diretriz determina, ainda, que o programa observe a meta de redução de 6,2% do efetivo da Força até 2029, prevista na Diretriz do Comandante do Exército 2023-2026, o que deve influenciar o dimensionamento das novas unidades de drones. A gerência do Prg EE Av Ex/Drones ficará sediada no CAvEx, sob responsabilidade do comandante da Aviação do Exército, com apoio do Escritório de Projetos do Exército (EPEx).

O articulador: por que Bruno Dantas pode ser a peça que falta à Avibras Aeroco

Capital do grupo J&F, experiência de Sami Hassuani e capacidade de articulação de Dantas podem definir o próximo capítulo da fabricante, favorecendo a construção de uma plataforma brasileira de defesa e tecnologia com vocação internacional



*LRCA Defense Consulting - 29/08/2026

O ministro Bruno Dantas comunicou ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, sua decisão de renunciar ao cargo, segundo informações divulgadas em 28 de agosto. A renúncia deve ser formalizada nos próximos dias. Dantas tem 48 anos e, pelo critério de idade, poderia permanecer na Corte até 2053.

Entre os destinos cogitados para sua passagem à iniciativa privada, a presidência da Avibras Aeroco, fabricante brasileira de mísseis e sistemas de artilharia, desponta como a alternativa mais comentada, embora ainda não haja confirmação unânime entre as fontes: a revista Veja, que revelou o movimento, afirma que ele deve assumir o comando da empresa, enquanto a Folhapress trata a Avibras como uma entre três frentes em negociação.

Uma saída anunciada 
A decisão de Dantas não chega de surpresa. Em junho de 2025, o ministro já havia negado publicamente qualquer intenção de deixar o TCU, atribuindo o boato a "maus gestores" insatisfeitos com sua atuação na Corte. Em maio de 2026, no entanto, a Folha revelou que Dantas negociava sua saída para o setor privado, tendo a Avibras, a CSN e um grupo de tecnologia do Oriente Médio como alternativas. Um escritório de advocacia com atuação no Brasil e nos Estados Unidos também entrou na lista mais recente de opções.

A confirmação da renúncia, em 28 de agosto, também tem efeito político imediato: a vaga de Dantas no TCU é uma indicação do Senado Federal, e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, já sinalizou interesse em indicar o senador Rodrigo Pacheco, preterido por Lula na disputa por uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Se a renúncia for oficializada a tempo, o Senado pode votar o substituto já no esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro.

O articulador, não o engenheiro 
Dantas não chegaria à Avibras Aeroco com currículo de executivo industrial. Formado em Direito, ingressou no TCU em 2014, indicado pelo Senado após atuar como consultor legislativo, e presidiu a Corte entre 2022 e 2024. Seu histórico mais relevante para o novo desafio talvez seja a criação e condução da SecexConsenso, mecanismo do TCU voltado à solução negociada de conflitos entre governo e empresas.

Esse perfil de articulação institucional, e não de domínio técnico de engenharia, seria o principal ativo que Dantas levaria à Avibras Aeroco, empresa que precisa simultaneamente recuperar capacidade industrial, executar contratos estratégicos com as Forças Armadas, ampliar exportações e reconstruir sua imagem após anos de crise. A empresa também precisará seguir dialogando de perto com o Ministério da Defesa, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), além de estruturar financiamento para sustentar sua expansão.

Segundo apurou a Folha em maio, o projeto associado à eventual chegada de Dantas seria um turnaround rápido, com o objetivo de modernizar e internacionalizar a companhia, tendo como referência informal o processo que transformou a Embraer em player global a partir de sua privatização.

Uma Avibras Aeroco em novo patamar 
O momento da possível chegada de Dantas coincide com a reinvenção da própria empresa. A Avibras Aeroco nasceu formalmente em 30 de abril, incorporando ativos estratégicos da antiga Avibras Indústria Aeroespacial, que hoje comemora o fim de uma greve de 1.280 dias, uma das mais longas da história sindical brasileira, além de anos de dívidas trabalhistas e paralisação de fábricas.

A reestruturação teve como âncora um aporte de R$ 300 milhões do empresário Joesley Batista, do grupo J&F, via Fundo Brasil Crédito, com plano aprovado por 99,2% dos credores. A empresa já sinalizou ambição internacional: em 2024, a australiana DefendTex chegou a propor a aquisição da Avibras, movimento então interpretado como tentativa de capturar know-how brasileiro em mísseis para fazer frente à presença chinesa no Indo-Pacífico. O negócio não avançou, mas expôs o valor estratégico e geopolítico do ativo.

A eventual chegada de um articulador do perfil de Dantas, somada ao capital e à ambição já demonstrados pelo grupo J&F, sugere que os novos controladores podem estar planejando algo mais amplo do que a simples retomada da produção do sistema de foguetes ASTROS: a construção de uma plataforma brasileira de defesa e tecnologia com vocação internacional. 

Um precedente do setor: o caso Mac Jee
Apenas como uma hipótese prospectiva, um novo desenho societário para o caso da Avibras Aeroco não seria algo inédito na Base Industrial de Defesa brasileira. Em 2020, o Grupo Mac Jee, fabricante nacional de sistemas de defesa e aeroespacial, viveu transição semelhante: o fundador Simon Jeannot deixou o cargo de CEO da companhia para presidir um Conselho de Administração recém-criado, dedicado à decisão estratégica e à expansão internacional do grupo, hoje presente em mercados como Arábia Saudita, Estados Unidos e Europa. A gestão executiva passou a Alessandra Stefani, então diretora executiva e ex-CFO da empresa, que segue como CEO até hoje.

Um arranjo nos mesmos moldes é, em tese, imaginável para a Avibras Aeroco, ainda que não haja qualquer indicação pública nesse sentido até o fechamento desta reportagem: Sami Youssef Hassuani, que já elevou as exportações da companhia a até 80% da receita em sua gestão anterior, assumiria a presidência do Conselho de Administração para conduzir a expansão internacional, enquanto Dantas entraria como CEO, concentrado na articulação institucional, regulatória e de financiamento que marcou sua passagem pelo TCU. A hipótese permanece especulativa, mas ilustra um caminho já testado no setor para conciliar conhecimento técnico consolidado com a chegada de um novo articulador político-institucional.

Quarentena ou conflito de interesses? 
A renúncia de Dantas para assumir posto em empresa que teve, ao longo dos anos, contratos e processos sob análise do TCU já levanta a discussão sobre eventuais impedimentos legais. É preciso, no entanto, separar dois institutos jurídicos distintos.

A chamada "quarentena de três anos", prevista no art. 95, parágrafo único, inciso V, da Constituição Federal, aplicável aos ministros do TCU por equiparação aos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), veda o exercício da advocacia perante o tribunal do qual o magistrado se afastou. A regra não impede, por si só, a ocupação de cargo executivo em empresa privada; o impedimento seria outro, se Dantas viesse a atuar como advogado da Avibras Aeroco perante o próprio TCU.

O risco jurídico mais concreto está em outro ponto: se Dantas relatou ou votou processos envolvendo a Avibras (seja a antiga Avibras Indústria Aeroespacial, seja a nova Aeroco), teve acesso a informações estratégicas sobre a empresa no exercício do cargo, ou poderá vir a representá-la em processos no TCU que ele próprio examinou. Também está em aberto se a Lei nº 12.813/2013, que trata de conflito de interesses no Poder Executivo federal, alcança ministros de um tribunal de contas, que tem regime constitucional próprio e não integra o Executivo. 

O que esse conjunto pode significar
Somados, os elementos levantados nesta apuração apontam para uma tensão central que vai definir o sucesso ou o fracasso da operação. De um lado, Dantas traz exatamente o que falta à Avibras Aeroco: capacidade de articulação com o Estado, crédito político para destravar financiamento e reconstruir confiança institucional, num momento em que a empresa ainda carrega a memória recente da greve de 1.280 dias e da recuperação judicial. De outro, afastar Hassuani da presidência executiva tem custo real: são mais de 40 anos de casa, relação já consolidada com o Exército, e foi sob sua gestão anterior que as exportações da companhia chegaram a 80% da receita, justamente a competência que um turnaround de internacionalização mais precisaria preservar, não afastar.

Se a hipótese inspirada no precedente da Mac Jee se confirmar, ou algo equivalente a ela, a saída de Hassuani da presidência não precisaria significar perda, mas realocação: ele seguiria à frente da expansão internacional que já provou saber conduzir, agora com o capital e a ambição já demonstrados pelo grupo J&F como respaldo. Somado à experiência institucional de Dantas, o conjunto sugere menos uma disputa de poder interna e mais uma tentativa de reproduzir, tardiamente, o roteiro que transformou a Embraer em player global após sua privatização: separar quem sabe operar tecnicamente e vender no mundo de quem sabe negociar com o Estado e captar capital, colocando as duas frentes para trabalhar em paralelo.

O risco, no entanto, é simples de nomear. Esse tipo de arranjo só funciona se as duas frentes permanecerem complementares; se a chegada de Dantas significar, na prática, esvaziamento da influência de Hassuani em vez de realocação de seu papel, a Avibras Aeroco corre o risco de perder o capital de confiança técnica e militar que ele levou décadas para construir, sem garantir, em troca, que a experiência internacional que teoricamente seria preservada de fato se converta em resultado. 

Feito com equilíbrio, o conjunto de movimentos pode elevar a Avibras Aeroco de fabricante recuperada da crise a uma verdadeira plataforma brasileira de defesa e tecnologia com vocação internacional; feito sem essa cautela, corre o risco de repetir o erro de trocar continuidade técnica por articulação política sem garantir que as duas coexistam.

O que ainda está em aberto 
Além da confirmação oficial do destino de Dantas, resta o acompanhamento sobre o futuro de Sami Youssef Hassuani, hoje à frente da Avibras Aeroco, caso o ex-ministro assuma a presidência. 

28 agosto, 2026

Taurus confirma virada estratégica e amplia core: de armas leves para veículos não tripulados

Em entrevista exclusiva ao LRCA, o CEO Global Salesio Nuhs detalha portfólio de doze sistemas, nova governança e estratégia de financiamento, mas mantém sob sigilo contratual o nome do parceiro tecnológico do projeto e uma negociação internacional em curso



*LRCA Defense Consulting - 28/08/2026

A Taurus Armas está promovendo a mudança mais significativa de seu posicionamento estratégico desde a migração de armas curtas para armas coletivas: a incorporação de sistemas aéreos e terrestres não tripulados ao núcleo do negócio, ao lado das armas leves que sustentam a companhia há 87 anos. O movimento foi anunciado publicamente durante o COP International 2026, realizado em São Paulo entre 11 e 13 de agosto, e detalhado em entrevista exclusiva concedida pelo CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, ao LRCA.

“Não estamos apresentando novos produtos. Estamos apresentando uma nova Taurus”, resumiu Nuhs durante sua participação no evento, ao lado de Gelson Cardoso, gerente de inovação da companhia. A frase sintetiza um processo que começou de forma discreta no fim de 2024 e ganhou corpo ao longo de 2026, com demonstrações ao comando do Exército Brasileiro, articulação com o Corpo de Fuzileiros Navais e negociações de financiamento com órgãos federais de fomento. 

UAV de ataque (drone lançador de munição)

UAV kamikase (drone suicida)

UAV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

Um portfólio de doze sistemas, ainda sem nome oficial 
Material institucional obtido pela reportagem, usado pela companhia em apresentação ao Exército Brasileiro, detalha um ecossistema de doze plataformas: sete sistemas aéreos (UAV ISR, UAV Kamikaze, UAV de Ataque, UAV TAS, UAV Cargo e VTOL, além do Cyber Swarm, tecnologia de enxame) e cinco terrestres (UGV EOD, UGV ISR, UGV TAGS, UGV Cargo e UGV Cleaner), somados a sistemas complementares como o Cyber Launcher, hub móvel de lançamento de drones, o Cyber DiB, drone em caixa autônoma, e o Tars K9, quadrúpede modular.

O material trazia o nome “Taurus Cyber Robotics” associado ao conjunto, mas Nuhs esclareceu ao LRCA que essa denominação não é oficial. “A divisão de sistemas não tripulados ainda está em processo de estruturação e, portanto, ainda não possui uma denominação definitiva. O nome Taurus Cyber Robotics, utilizado anteriormente, foi apenas um título empregado em uma apresentação interna realizada para o Exército Brasileiro e não corresponde à denominação formal da nova divisão”, afirmou o CEO. 

VTOL (drone de asa fixa multipropósito)

UAV Cargo (drone de logística)


Cyber Swarm (enxame de drones de reconhecimento e ataque)

Do ‘soldado voador’ ao TAS disparando munição real 

A origem do projeto remonta a dezembro de 2024, quando Nuhs revelou, durante o Taurus Investor Day, em São Paulo, que a companhia estudava, com uma fabricante italiana de drones, o conceito de um “soldado voador” armado com uma submetralhadora ultraleve em desenvolvimento. Ao longo de 2025, o conceito evoluiu para o TAS (Tactical Air Soldier), quadricóptero configurável com o fuzil Taurus T4 5,56mm, a pistola-metralhadora Taurus RPC de 9mm ou lançador de granadas de 40mm, apresentado na LAAD Defence & Security 2025 e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade.

Em maio de 2026, no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, em Brasília, o TAS disparou munições reais contra alvos. O comando do Exército também assistiu, segundo o release do COP International, à demonstração de uma configuração para lançamento de munição de morteiro de 120mm. Segundo Nuhs, o TAS não foi um desvio de rota, mas uma antecipação deliberada. “O que fizemos foi antecipar especificamente esse desenvolvimento para demonstrar, na prática, nossa capacidade tecnológica e assumir o protagonismo de sermos o primeiro fabricante de armas a integrar uma arma a um drone, controlar seu voo e realizar com sucesso o disparo e o acerto do alvo”, disse. 

TAS dispara munições reais contra alvos no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre

O que a Taurus mantém internamente, e o que terceiriza 

Questionado sobre a origem da tecnologia, já que drones aéreos e terrestres são áreas historicamente alheias ao core da companhia, Nuhs afirmou que a estratégia não é desenvolver cada componente do zero. “O mercado já possui componentes amplamente consolidados e validados em áreas como baterias, sensores, sistemas de comunicação e parte da eletrônica embarcada. O foco da Taurus está nas tecnologias que realmente agregam diferencial competitivo, capacidade operacional e soberania tecnológica”, disse, citando como prioridades internas as camadas de integração, software de missão, autonomia, inteligência artificial aplicada, comando e controle e integração de armamentos.

Sobre a capacidade de levar os doze sistemas à produção seriada, o CEO foi categórico: “Não dependemos de parceiros para viabilizar a produção seriada dos sistemas. Os parceiros complementam nossa capacidade, fornecendo tecnologias e hardware especializados, enquanto a Taurus mantém o domínio da engenharia do produto, da integração dos sistemas, da industrialização, dos testes, da certificação e do suporte ao ciclo de vida”. 

UGV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

UGV TAGS (drone para apoio de fogo armado)

UGV Cleaner (drone de crearance & desminagem)

UGV EOD (drone de intervenção e manipulação)

Nova governança para dois negócios distintos 
A companhia já promoveu uma reorganização de sua Diretoria para acomodar a nova frente de negócio. Jean Castilhos foi promovido a Diretor de Engenharia, Armas, Munições e Acessórios, com a missão de preservar foco e continuidade no core tradicional da companhia. Leonardo Sesti, que já dirigia o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia (CITE), permanece no cargo, mas passa a atuar de forma mais voltada aos veículos não tripulados. Segundo a empresa, a mudança não exigiu aprovação do Conselho de Administração, por se tratar de decisão de alçada executiva.

“Cada negócio passa a contar com liderança e responsabilidades claramente definidas, evitando dispersão de foco”, justificou Nuhs, que também rebateu, de forma direta, a leitura de que a expansão para sistemas não tripulados representaria um salto maior do que a capacidade da companhia. “Evoluímos das armas individuais, como revólveres e pistolas, para as armas coletivas, incluindo fuzis e metralhadoras, e agora avançamos para sistemas não tripulados. É uma ampliação progressiva das nossas competências dentro do mesmo ambiente de defesa e segurança, e não uma diversificação para um setor sem relação com aquilo que já fazemos”, afirmou.

Financiamento sob demanda, sem valores fechados 
A Taurus evita, por ora, divulgar o investimento total previsto para a nova área. Segundo a empresa, o planejamento estratégico prevê que o desenvolvimento da nova área seja realizado de forma gradual e financeiramente disciplinada, com utilização prioritária de instrumentos públicos de fomento à inovação, incluindo editais de subvenção econômica da Finep, nos quais parte dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação pode ser suportada por recursos não reembolsáveis. A companhia também mantém tratativas com o BNDES e poderá realizar aportes próprios dentro do orçamento vigente, preservando sua geração de caixa e sem comprometer os investimentos e a operação do negócio tradicional.

A empresa evitou, também, comentar como a aquisição em curso da fabricante turca de armas coletivas Mertsav Savunma se concilia, no fluxo de caixa, com os investimentos em sistemas não tripulados, informando apenas que ambos os projetos seguem o mesmo princípio de disciplina financeira e que valores não serão antecipados antes da conclusão da due diligence

Cyber Laucher (drone lançador de múltiplos UAVs)

UGV Cargo (resgate e logística)


Cyber Dib (drone em caixa autônoma)

Parceiro do TAS e negociação internacional seguem em sigilo

Nem todas as perguntas enviadas pelo LRCA foram respondidas em detalhe. A Taurus confirmou que existe cláusula contratual que impede a divulgação do nome do fabricante brasileiro de drones do agronegócio, parceiro no desenvolvimento do TAS. A empresa também confirmou que negocia uma primeira aquisição internacional de um sistema de menor escala, mencionada no release do COP International, mas não revelou país, cliente ou sistema envolvido, alegando compromissos de confidencialidade.

Questionada diretamente se avalia comprar, licenciar tecnologia ou formar uma joint venture com alguma empresa de drones para viabilizar o portfólio de doze sistemas, a Taurus respondeu que a possibilidade não está descartada, embora não haja negociação em curso nesse sentido no momento.

Protocolo com o CFN segue em vigor, em paralelo ao Exército 
Um ponto que parecia contraditório entre a cobertura anterior do LRCA e a fala do CEO foi esclarecido ao longo das perguntas enviadas pela reportagem. Em maio de 2026, o LRCA havia noticiado que o Corpo de Fuzileiros Navais assinara protocolo de intenções com a Taurus para o desenvolvimento de um drone armado destinado a tropas anfíbias. Nuhs, por sua vez, havia dito que o desdobramento do projeto para a Marinha viria “em uma etapa seguinte” à validação com o Exército. Questionada sobre a aparente contradição, a empresa esclareceu que o protocolo com o CFN segue vigente e está sendo tratado de forma concomitante ao trabalho já em curso com o Exército, e não apenas em etapa posterior.
TARS K9 (Taurus Robotic Soldier K9)


O contexto: uma Base Industrial de Defesa em ebulição 
A movimentação da Taurus ocorre em meio a um adensamento acelerado do segmento de sistemas não tripulados na Base Industrial de Defesa brasileira. Em maio de 2026, o Exército recebeu o primeiro robô EOD inteiramente produzido no País, fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP). No campo aéreo, a XMobots avança com a versão armada do Nauru 1000C, equipado com mísseis Enforcer Air desenvolvidos com a MBDA, além do conceito de enxame do Nauru 100D. O Estado-Maior do Exército mantém, ainda, consulta pública aberta para a aquisição de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas de categoria 3 (SARP 3), sinalizando que o emprego de aeronaves armadas deve deixar de ser exceção nas Forças Armadas brasileiras nos próximos anos.

O que ainda falta esclarecer 
A Taurus chega ao fim desta apuração com um discurso consistente sobre governança, disciplina financeira e divisão de competências entre o que desenvolve internamente e o que terceiriza. Ao mesmo tempo, mantém sob sigilo contratual informações que normalmente pesam na avaliação de risco de um projeto dessa envergadura: o nome do parceiro tecnológico central do TAS, os termos da negociação internacional em andamento e o valor total a ser investido na nova frente de negócio ao longo dos próximos anos. A empresa também não estabeleceu, até o momento, um teto de investimento ou um percentual de receita que sirva de limite para o projeto, condicionando o ritmo de expansão à disponibilidade de recursos de fomento e à evolução dos requisitos operacionais definidos junto às Forças Armadas. 


Uma aposta alinhada à guerra do futuro 

O momento escolhido pela Taurus para essa virada não é aleatório. Conflitos recentes, da Ucrânia ao Oriente Médio, consolidaram os sistemas não tripulados como elemento decisivo do campo de batalha contemporâneo, capazes de neutralizar blindados, artilharia e ativos de alto valor a um custo muito inferior ao das plataformas que substituem. Diante dessa mudança de paradigma, fabricantes tradicionais de armamento em todo o mundo enfrentam a mesma escolha: adaptar-se à lógica dos sistemas autônomos e integrados, ou correr o risco de ver seu portfólio tradicional perder relevância estratégica diante de forças mais bem equipadas para o combate não tripulado.

Ao decidir alterar seu próprio core de negócio, incorporando robótica e inteligência artificial à sua base histórica em armas leves e coletivas, a Taurus se posiciona no lado ofensivo dessa transformação, e não no reativo. É uma postura de inovação pouco comum entre fabricantes tradicionais, que tendem a proteger o negócio consolidado até que a disrupção se torne inevitável. Se a companhia conseguir sustentar essa transição com a mesma disciplina de governança e capital que hoje descreve em discurso, o resultado pode ser uma Taurus estrategicamente mais relevante do que jamais foi como fabricante apenas de armas leves: uma das poucas empresas de defesa mundiais capazes de entregar, sob uma mesma marca, todo o espectro que vai do revólver ao sistema autônomo integrado.

Essa aposta também carrega um fator que não pode ser desprezado na avaliação de risco: o histórico do próprio executivo à frente da decisão. Salesio Nuhs assumiu o comando global da Taurus em 2018, quando a companhia enfrentava dificuldades financeiras severas e chegou a ser cotada como candidata a uma recuperação judicial. Em pouco mais de meia década, sob sua gestão, a empresa se reergueu a ponto de se tornar a maior vendedora de armas leves do mundo em volume, em um turnaround considerado "de livro" no setor. Se as mesmas características de liderança, iniciativa e capacidade de execução que sustentaram essa recuperação se repetirem na nova frente de sistemas não tripulados, as chances de que o movimento atual também dê certo são, no mínimo, consideráveis.

O tamanho dessa aposta, porém, é proporcional ao risco de execução. O sucesso deste novo turnaround dependerá menos do portfólio já demonstrado, e mais da capacidade da empresa de transformar protótipos e demonstrações em contratos recorrentes, sem comprometer o caixa nem a rentabilidade do negócio tradicional que ainda sustenta a companhia. É essa equação, entre ousadia estratégica e disciplina de execução, que definirá se a Taurus estará indo além do que suas capacidades permitem ou se, realmente, liderará a próxima geração da indústria de defesa brasileira.

27 agosto, 2026

DCT conhece capacidades de propulsão e sistemas inteligentes da Avibras Aeroco

Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército visitou a planta da empresa em Jacareí (SP) nesta quarta-feira (26/08), em mais uma etapa da aproximação entre a Força Terrestre e a indústria nacional de defesa



*LRCA Defense Consulting - 27/08/2026

A Avibras Aeroco recebeu, nesta quarta-feira (26/08), em sua unidade fabril em Jacareí (SP), a visita do chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército Brasileiro, general de Exército Hertz Pires do Nascimento. A comitiva reuniu ainda o general de Divisão Erb Lyra Leal, chefe do Gabinete de Planejamento e Gestão do DCT, e o general de Brigada Douglas Corbari Corrêa, chefe do Núcleo do Parque Tecnológico de Defesa e Segurança em Campinas.

Durante a visita, os oficiais conheceram diferentes áreas da empresa, com destaque para as competências de engenharia, a capacidade industrial e a certificação de produtos. A apresentação incluiu, em particular, os processos ligados à propulsão e à integração de sistemas inteligentes de defesa de última geração, áreas em que a Avibras Aeroco concentra parte de seu portfólio tecnológico.

O DCT é o órgão de direção setorial do Comando do Exército responsável por entregar as soluções científico-tecnológicas necessárias à implementação de capacidades da Força, conforme as políticas, os planejamentos e as diretrizes estratégicas estabelecidas pela instituição.

Em nota, a Avibras Aeroco classificou a visita como um reforço à conexão entre a indústria de Defesa e as instituições responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico e pela geração de capacidades estratégicas para o País, contribuindo, segundo a empresa, para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e para a soberania nacional.

A agenda desta quarta-feira integra uma sequência de visitas institucionais recebidas pela Avibras Aeroco ao longo de 2026, período de retomada de suas operações industriais em Jacareí. Em 1º de julho, a fábrica recebeu o comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva; em 24 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nas instalações, acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin; e em 18 de agosto, a direção do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), chefiada pelo tenente-brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, também visitou a planta para tratar de projetos de defesa e espaço.

A Avibras Aeroco foi constituída em outubro de 2025, no âmbito do processo de recuperação judicial da antiga Avibras Indústria Aeroespacial, e herdou o parque fabril, os contratos e o portfólio tecnológico da companhia histórica, entre eles o sistema de artilharia Astros e o míssil tático de cruzeiro MTC-300. A retomada da produção na unidade de Jacareí ocorreu em maio de 2026.

O general Douglas Corbari Corrêa, um dos integrantes da comitiva, também chefia a iniciativa do Exército para a criação de um parque tecnológico de defesa e segurança em Campinas (SP), projeto que prevê laboratórios, centros de pesquisa e espaços voltados a startups, em parceria com o governo paulista e a prefeitura da cidade.

SIATT liga a produção de mísseis e foguetes em Caçapava e avança na consolidação da base industrial de defesa

Primeira fase da planta, com 6.200 m² de área construída, reforça a Base Industrial de Defesa e amplia a capacidade da empresa em mísseis, foguetes guiados e motores-foguete para os setores de Defesa e Espaço



*LRCA Defense Consulting - 27/08/2026

A SIATT iniciou, nesta quarta-feira (26), a operação da Fase 1 de sua nova unidade industrial em Caçapava, no interior de São Paulo. A cerimônia reuniu autoridades civis e militares, executivos do Grupo EDGE e da própria empresa, marcando uma nova etapa da expansão que o conglomerado dos Emirados Árabes Unidos vem promovendo na Base Industrial de Defesa (BID) brasileira.

Com 6.200 m² de área construída nesta primeira fase, a nova planta amplia a capacidade da SIATT para desenvolver, fabricar, integrar, testar e qualificar sistemas de defesa considerados de alta complexidade, entre eles mísseis, foguetes guiados, motores-foguete e outros sistemas propulsivos destinados também a aplicações espaciais. Segundo a empresa, a unidade foi concebida para apoiar programas estratégicos brasileiros e para permitir ampliações sucessivas, conforme a evolução das demandas do País e do mercado internacional.

A mesa da cerimônia reuniu o Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Fernandes; o Vice-Governador de São Paulo, Felicio Ramuth; o Presidente do Conselho de Administração da SIATT, Azhaury Cunha Filho; o Presidente do Cluster de Mísseis e Armamentos do Grupo EDGE, Saif Al Dahbashi; o Prefeito de Caçapava, Yan Lopes de Almeida; o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra Carlos Chagas Viana Braga; o Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, General Hertz Pires do Nascimento; e o Diretor-Presidente da SIATT, Rogerio Salvador.

"Um país que pretende decidir sobre o próprio futuro precisa também decidir as suas escolhas, e essa liberdade se sustenta não apenas em meios militares, mas também em ciência, engenharia e uma indústria capaz de transformar conhecimento em soluções concretas", disse o Diretor-Presidente da SIATT durante a cerimônia.

Já o Presidente do Conselho de Administração da empresa, Azhaury Cunha Filho, associou a nova planta à sede da SIATT em São José dos Campos, inaugurada no ano passado. "Existe uma diferença fundamental entre dominar uma tecnologia e possuir a capacidade industrial de produzi-la de forma recorrente, confiável e em escala. A nossa sede em São José dos Campos e esta planta de Caçapava representam justamente essa transição. Estamos transformando conhecimento acumulado durante muitos anos em uma capacidade industrial permanente", afirmou. 


Continuidade de um ciclo de investimentos
A entrada em operação da Fase 1 não é um evento isolado. A unidade de Caçapava já vinha sendo construída desde pelo menos 2025, quando a SIATT apresentou o projeto durante a LAAD, e passou a concentrar, ao longo deste ano, entregas relevantes para as Forças Armadas: em maio, a empresa entregou ao Exército Brasileiro, em Formosa (GO), o primeiro lote de produção em série do míssil MAX 1.2 AC, fabricado justamente na planta paulista, que responde tanto pela fabricação dos motores quanto pela montagem final dos sistemas.

A fábrica também está associada ao programa MANSUP, míssil antinavio de superfície da SIATT, que recebeu encomenda de US$ 350 milhões dos próprios Emirados Árabes Unidos; a demanda ajudou a viabilizar, em escala, um programa que, sem parceiro externo, teria mais dificuldade de sair do papel. A SIATT é ainda a integradora do SisGAAz, programa estratégico de vigilância e monitoramento do litoral brasileiro.

Fortalecimento da Base Industrial de Defesa 
Para a SIATT, a ampliação da planta de Caçapava se insere em um movimento mais amplo de consolidação da BID e de busca do País por maior soberania e autonomia tecnológica em setores estratégicos. Ao ampliar o domínio de tecnologias críticas e reforçar a estrutura fabril, a empresa afirma buscar reduzir dependências externas e aumentar a capacidade nacional de produzir sistemas essenciais à Defesa Nacional, além de abrir caminho para novas parcerias com empresas, instituições de ciência e tecnologia e organizações nacionais e internacionais.

O caso da SIATT também ilustra a estratégia do Grupo EDGE no Brasil desde que se tornou acionista e parceiro estratégico da empresa, em 2023. O conglomerado dos Emirados Árabes Unidos já expandiu a fábrica da Condor, em São Paulo, e assumiu papel de destaque na tentativa de solução para a crise da Akaer, movimento que partiu do próprio Ministério da Defesa. O histórico do grupo no País sugere disposição de investir em capacidade produtiva local, e não apenas de absorver tecnologia já desenvolvida no Brasil. 


Empregos e próximas fases 
A implantação da Unidade Caçapava está estruturada em diferentes fases; as Fases 2 e 3 preveem novas ampliações da infraestrutura e aumentos sucessivos da capacidade de produção. Quando concluído, o projeto deverá gerar 640 empregos, sendo 160 diretos e 480 indiretos, além de consolidar um ecossistema regional formado por empresas, universidades, centros de pesquisa e instituições de engenharia e tecnologia.

Segundo a SIATT, à medida que essas etapas avançarem, a empresa poderá atender a um número maior de programas estratégicos do Brasil e buscar novas oportunidades no mercado internacional, em alinhamento com as políticas de Estado e com as diretrizes brasileiras para a exportação de produtos e tecnologias de Defesa.

Sobre a SIATT 

A SIATT é uma EED (Empresa Estratégica de Defesa) sediada em São José dos Campos, com parque industrial que inclui a subsidiária de Caçapava. Especializada em armamentos inteligentes, a empresa fornece sistemas de Defesa baseados em mísseis e é a integradora do SisGAAz. Desde 2023, o Grupo EDGE, dos Emirados Árabes Unidos, é acionista e parceiro estratégico da empresa.

Taurus e Exército Brasileiro firmam parceria histórica e ampliam cooperação para desenvolvimento de capacidades de Defesa

Memorando de entendimento prevê avaliação técnica e doutrinária de armamentos e abre caminho para negociação de sistema de drones da fabricante gaúcha



*LRCA Defense Consulting - 27/08/2026

A Taurus Armas S.A. e o Exército Brasileiro assinaram, nesta quarta-feira (26), um memorando de entendimento (MoU) para ampliar a cooperação entre a fabricante gaúcha de armamentos e a Força Terrestre. Como primeira ação do acordo, a empresa repassou 55 armas de sua linha militar à instituição, sem ônus para a Força, entre eles o fuzil T10, em calibre .308 Winchester; a submetralhadora RPC, em 9mm; e a pistola TX9, também em 9mm.

O documento foi firmado pelo CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, e pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, general de Exército Francisco Humberto Montenegro Júnior. Também participou da assinatura o diretor da divisão militar e de vendas internacionais da Taurus, Henrique Gomes.

Segundo o Exército, os armamentos repassados serão usados em experimentações doutrinárias e em avaliações técnicas e operacionais conduzidas pela própria Força, com o objetivo de que, em curto prazo, possam ser adquiridos por pelotões de forças especiais por meio da Base Industrial de Defesa (BID) nacional. “Agradeço, em nome da instituição, a doação dessas armas, para que a gente possa fazer uma experimentação doutrinária e, no curto prazo, comprar (...) particularmente os armamentos utilizados pelas nossas tropas de operações especiais”, afirmou o general Montenegro Júnior, segundo relato do site especializado The Gun Trade.

Um compromisso que vai além de vender armamento 
O memorando estabelece uma nova etapa de cooperação entre a experiência operacional do Exército e a capacidade de engenharia, tecnologia e produção da Taurus, prevendo experimentações doutrinárias, avaliações técnicas, operacionais e logísticas de materiais de emprego militar, intercâmbio de conhecimento e identificação de novas oportunidades de desenvolvimento conjunto, segundo nota da empresa.

Na prática, a experimentação doutrinária é a etapa em que o Exército avalia equipamentos, técnicas e procedimentos em situações reais de emprego, subsidiando decisões sobre sua eventual adoção pela Força. Para o CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, a iniciativa representa uma evolução no papel da companhia junto à Defesa Nacional: “O nosso compromisso vai muito além de vender armamento, pois queremos participar ativamente do ciclo de vida e do desenvolvimento tecnológico das Forças Armadas”, afirmou o executivo, em nota.

Segundo Nuhs, a aproximação entre o conhecimento operacional das Forças Armadas e a capacidade de engenharia da indústria brasileira é estratégica para o desenvolvimento de novas soluções e capacidades para o País, num movimento que a empresa descreve como transformador para o setor.

Para a Taurus, essa aproximação também contribui para a preservação do conhecimento tecnológico no País, o fortalecimento das cadeias produtivas nacionais e a ampliação da autonomia tecnológica brasileira. “Desenvolver tecnologia no Brasil e colocar nossa capacidade industrial a serviço do Exército é contribuir diretamente para a soberania e a independência do nosso País”, destaca Nuhs.

A iniciativa amplia a integração da Taurus com a BID e reforça a aproximação entre as Forças Armadas e a indústria nacional, criando um ambiente de avaliação de soluções, intercâmbio de conhecimento e identificação de novas possibilidades de desenvolvimento alinhadas às necessidades de Defesa e Segurança do Brasil. 


A maior aproximação desde a era das PT-92
Pelo alcance da cooperação e pelo simbolismo da doação, o acordo pode ser lido como a aproximação institucional mais relevante entre a Taurus e o Exército Brasileiro desde o fornecimento das pistolas PT-92 à Força, a partir de 1983, quando a empresa se firmou como fornecedora de armas curtas para as Forças Armadas. No entanto, diferentemente daquele fornecimento, o MoU agora assinado projeta um relacionamento de longo prazo, baseado em testes conjuntos, troca de dados operacionais e potencial padronização futura de armamentos.

A movimentação também ocorre num momento de reposicionamento da Taurus junto às demais Forças. Em fevereiro deste ano, a companhia já havia firmado protocolo de intenções com o Corpo de Fuzileiros Navais, com apoio do BNDES, para o desenvolvimento conjunto de armas leves e coletivas nos calibres 5,56mm, 7,62mm e .50, testadas ao longo do primeiro semestre na Operação Furnas. Em abril, o Exército já havia padronizado a pistola nacional GC MD1, da IMBEL, decisão que ocorreu poucos meses depois do lançamento comercial da TX9 pela própria Taurus.

De olho no mercado de drones 
A aproximação com o Exército também é vista, no setor, como parte de uma estratégia mais ampla da Taurus para viabilizar a venda de sua futura família de sistemas não tripulados aéreos e terrestres integrados por inteligência artificial, hoje reunida sob a iniciativa denominada inicialmente como Taurus Cyber Robotics. Entre os produtos já apresentados à Força está o chamado Soldado Voador (TAS), drone equipado com fuzil, que a empresa considera pronto para comercialização.

A LRCA apurou anteriormente que a Taurus vem estruturando uma nova divisão de sistemas não tripulados, com um projeto submetido ao programa Mais Inovação Brasil, da Finep, além de mudanças internas de comando para tocar a frente de robótica e drones. O próprio CEO Global da companhia já esclareceu que “Taurus Cyber Robotics” é, por ora, um nome de apresentação institucional usado junto ao Exército, e não uma divisão formalmente constituída.

Contexto: o Estado como catalisador da indústria de Defesa 
O acordo se soma a um movimento mais amplo de aproximação entre as Forças Armadas e a indústria nacional de Defesa, impulsionado pela Lei Complementar aprovada pelo Congresso Nacional em 2025, que autoriza investimentos de até R$ 30 bilhões em projetos estratégicos do Ministério da Defesa ao longo de seis anos. Fabricantes como Embraer, IMBEL e XMobots têm ampliado, no mesmo período, seus próprios memorandos e protocolos de cooperação com o Comando do Exército, num esforço declarado de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e reforçar a soberania tecnológica do País.

Com 86 anos de história, sede em São Leopoldo (RS) e unidades produtivas nos Estados Unidos e na Índia, a Taurus (classificada como Empresa Estratégica de Defesa) é a maior vendedora de armas leves do mundo e exporta para mais de 100 países. Nem a empresa nem o Exército divulgaram o valor de mercado da doação ou o prazo de vigência do memorando de entendimento.

26 agosto, 2026

Marambaia sedia novo ensaio de tiro do míssil de cruzeiro brasileiro

Exercício na Restinga da Marambaia cumpre integralmente os objetivos previstos e mantém o cronograma de certificação do Míssil Tático de Cruzeiro, da Avibras Aeroco, sistema que deve integrar o portfólio do ASTROS



*LRCA Defense Consulting - 26/08/2026

Nesta quarta-feira (26/08), o Exército Brasileiro (EB) e a Avibras Aeroco realizaram, com sucesso, um novo ensaio de tiro do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC) no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), instalado na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. O exercício, que reuniu equipes das duas instituições, cumpriu integralmente os objetivos estabelecidos para esta etapa e representa mais um avanço no processo de certificação da arma.

O resultado reforça a capacidade tecnológica e operacional do País no desenvolvimento de sistemas de defesa de alta complexidade e aproxima o MTC da fase final de qualificação, etapa considerada estratégica para dotar o Exército de uma capacidade de ataque de precisão a longas distâncias, hoje concentrada em poucos países no mundo.

Também conhecido como AV-TM 300 e apelidado internamente de “Matador”, o MTC integra o portfólio de munições inteligentes do Sistema de Artilharia ASTROS e tem alcance declarado de até 300 quilômetros (para exportação, pois o interno pode ser significativamente maior). O projeto, cujo desenvolvimento remonta ao início dos anos 2000, avançou nos últimos meses dentro do programa estratégico ASTROS-FOGOS, criado pelo Exército em março deste ano para reunir artilharia de foguetes, mísseis de cruzeiro e defesa antiaérea contra drones em uma única plataforma multidomínio, com investimento previsto de R$ 3,4 bilhões entre 2026 e 2031. 


Participaram do ensaio o general de brigada João Paulo Zago, chefe do CAEx; o general de brigada R1 Marcelo Gurgel do Amaral Silva, gerente do Programa Estratégico FOGOS; e o general de brigada R1 Moisés da Paixão Junior, gerente do Subprograma Artilharia de Campanha. A atividade também contou com a participação do Escritório de Projetos do Exército (EPEx), da Diretoria de Fabricação (DF), do Instituto Militar de Engenharia (IME) e do Centro Tecnológico do Exército (CTEx), em conjunto com equipes técnicas da Avibras Aeroco.

A Avibras Aeroco assumiu o portfólio tecnológico da antiga Avibras Indústria Aeroespacial após a reestruturação da empresa, concluída no início deste ano sob nova gestão privada. O MTC é apontado pela companhia como o programa mais estratégico em desenvolvimento, ao lado do futuro Míssil Tático Balístico, e é tratado pelo Exército como prioritário dentro do plano de modernização da defesa nacional.

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