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| Major-General Ireneusz Nowak, Subcomandante das Forças Armadas Polonesas, no KC-390 em Jan/26 |
*LRCA Defense Consulting - 25/08/2026
A Polônia negocia com a Airbus a compra de aeronaves de transporte A400M Atlas, movimento que se soma, e não substitui, ao avanço já em curso do KC-390 Millennium, da Embraer, na base industrial polonesa. O vice-ministro da Defesa Nacional, Paweł Zalewski, confirmou à Polish Radio 24, em agosto de 2026, que o país negocia "em duas direções", cobrindo tanto a variante de transporte quanto a de reabastecimento aéreo do A400M. Segundo Zalewski, o financiamento deve vir do mecanismo SAFE (Security Action for Europe) da União Europeia, possivelmente com o aproveitamento de cotas não utilizadas por outros países membros.
O analista polonês Jarosław Wolski, em publicação no X no dia 25 de agosto, estimou que o número de aeronaves negociadas varia de oito a quinze unidades, com fontes inclinando-se para a faixa superior. A Airbus, por sua vez, já apresentou à Polônia uma proposta direta para dez a quatorze aeronaves, segundo apurou a Polish Radio. O interesse polonês no A400M segue uma carta de intenções assinada em julho, durante cúpula da OTAN em Ancara, quando o país aderiu, junto de Bélgica, Croácia, Espanha, França, Turquia e Reino Unido, a uma iniciativa de cooperação para operar uma frota compartilhada do modelo.
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| Delegação polonesa, liderada pelo Major-General Ireneusz
Nowak, Subcomandante das Forças Armadas Polonesas em visita à Embraer e ao KC-390 em Jan/26 |
Embraer amplia presença industrial na Polônia
Enquanto a negociação do A400M avança, a Embraer também amplia sua presença industrial na Polônia em torno do KC-390. Em dezembro de 2025, a fabricante brasileira assinou um memorando de entendimento com a Wojskowe Zakłady Lotnicze Nr 2 SA (WZL-2), uma das principais empresas de manutenção aeroespacial do país e integrante do conglomerado estatal Polska Grupa Zbrojeniowa (PGZ). O acordo foi formalizado em evento em Bydgoszcz, em março de 2026, quando o KC-390 Millennium foi oficialmente apresentado à WZL-2. Em 25 de junho de 2026, as duas empresas assinaram um novo memorando de acordo, que amplia o escopo da parceria para serviços de suporte, acabamento e conversão de aeronaves, reforçando a ofensiva da Embraer sobre o programa Drop, da Força Aérea polonesa.
O programa Drop, conduzido pela Agência de Armamentos do Ministério da Defesa Nacional da Polônia, busca substituir a envelhecida frota de C-130E/H Hercules do país. Criado em 2019 e suspenso ainda naquele ano por redefinição de requisitos operacionais, o programa foi reativado e atravessa, em 2025 e 2026, uma fase de diálogo técnico com cinco fabricantes convidados a apresentar propostas: Airbus, Boeing, Embraer, Leonardo e Lockheed Martin. A Embraer propôs à Polônia vinte unidades do C-390, com produção localizada e transferência de tecnologia.
As duas aquisições são complementares e não excludentes
A coexistência dos dois programas não é acidental. Em reportagem publicada por esta consultoria em 26 de janeiro de 2026, o coronel Sebastian Paluch, responsável por aquisições na Força Aérea polonesa, já havia descrito uma abordagem de complementaridade entre camadas de capacidade: o espanhol C295 cobre o transporte leve, o KC-390 assumiria o segmento médio e o A400M ficaria com cargas pesadas e deslocamentos estratégicos. Paluch resumiu a lógica à época: "não se trata de uma competição, mas de camadas de capacidade alinhadas aos padrões operacionais da OTAN". A mesma distinção foi detalhada em entrevista dos coronéis Paluch e Ireneusz Nowak ao portal Defence24, quando Paluch enquadrou os cargueiros em três códigos operacionais da Aliança: TCC-L, para transporte tático leve; TCC-M, para o segmento médio, onde entram o C-130 Hercules e o C-390; e TCC-H, para o transporte pesado, categoria do A400M, que não tem concorrente de porte equivalente desde o fim da linha de produção do C-17 em 2016.
O pano de fundo estratégico é a percepção polonesa de ameaça russa, agravada pela guerra na Ucrânia. Segundo o general Ireneusz Nowak, subcomandante das Forças Armadas polonesas, o País deve estar preparado para sustentar posições por meses ou até anos, doutrina que exige uma base logística robusta, e não apenas capacidade de combate. A frota atual de C-130, envelhecida, e a ausência de uma aeronave equivalente ao A400M tornam as duas aquisições, a tática e a estratégica, complementares e não excludentes.
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| No painel acima dos presentes, a frase em polonês: "Bem-vindo à Embraer" sobre um KC-390 já estilizado para a Força Aérea Polonesa |
Risco ao KC-390?
Para a indústria brasileira de defesa, o avanço paralelo do A400M não representa, portanto, um risco direto ao KC-390 na Polônia; ao contrário, confirma que Varsóvia trata as duas aeronaves como camadas distintas de uma mesma arquitetura de transporte aéreo, com o modelo brasileiro mirando justamente o nicho médio deixado pela aposentadoria dos Hercules mais antigos.





















