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28 abril, 2026

Exército Brasileiro lança sua maior transformação nas últimas quatro décadas

Documento aprovado em abril de 2026 redefine os grupos de emprego da Força Terrestre, prioriza drones, defesa antiaérea, guerra cibernética e inteligência, e abre uma janela de oportunidades para a indústria brasileira de defesa 


*LRCA Defense Consulting - 28/04/2026

Em 9 de abril de 2026, o General Tomas Miguel Miné Ribeiro Paiva chancelou a Portaria que aprova a Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031), um documento que, pela profundidade das mudanças que propõe, pode ser considerado, no entender desta Consultoria, o mais ambicioso plano de modernização da Força Terrestre nas últimas quatro décadas, desde o projeto Força Terrestre 90 (FT90) criado em 1985. 

Estruturado em quatro eixos: Desenho Institucional, Capacidades, Doutrina e Pessoal, o texto parte de um diagnóstico claro e preocupante: o Brasil corre o risco de ampliar suas vulnerabilidades estratégicas caso não acompanhe a aceleração tecnológica e o aumento generalizado dos gastos militares que se observa no mundo.

O contexto que motivou a mudança é inequívoco. Os conflitos contemporâneos tornaram o espaço de batalha mais transparente e mais letal, com a proliferação de sensores, sistemas não tripulados e fogos de precisão, fornecendo lições fundamentais, principalmente com a guerra Rússia x Ucrânia e com os conflitos do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a expansão do crime organizado transnacional na América do Sul impõe desafios crescentes à soberania e à governança dos Estados da região. 

O documento não ignora as restrições: reconhece, com rara honestidade para um texto oficial, que a disponibilidade orçamentária para a Defesa deverá 'permanecer aquém das necessidades estratégicas'. A resposta para essa equação difícil é a priorização rigorosa, e é exatamente aí que a política se torna mais concreta e reveladora.

Para evitar confusão entre o conteúdo estritamente previsto na Portaria, as informações colhidas de outras fontes e a interpretação analítica desta Consultoria, é importante destacar que os pontos a seguir combinam elementos desses três vetores, juntamente com uma leitura interpretativa sobre seus possíveis desdobramentos.

"Os conflitos contemporâneos refletem a aceleração exponencial da inovação tecnológica, e o espaço de batalha tornou-se mais transparente e letal com a proliferação de sensores, de sistemas não tripulados e de fogos de precisão." — EB10-P-01.031, Capítulo I

 

Os cinco grupos de emprego: uma força modular para o século XXI
A reorganização da Força Terrestre em cinco grupos distintos é a mudança estrutural mais visível da nova política. Trata-se de uma ruptura com o modelo tradicional, territorialmente rígido, em direção a uma arquitetura modular orientada por missão, padrão adotado pelas principais potências militares do mundo. Cada grupo tem uma identidade operacional precisa, um nível de prontidão definido e uma vocação específica dentro do espaço de batalha moderno.

Forças de Emprego Imediato (FEI)
São as tropas de primeira resposta, posicionadas estrategicamente na faixa de fronteira ou próximas a regiões com potencial de crise. Sua lógica é geográfica: estão onde o problema pode surgir. Na prática, abrangem unidades que já hoje guarnecem os 16.886 quilômetros de fronteira terrestre do Brasil, especialmente na Amazônia, onde o crime organizado transnacional e o garimpo ilegal representam ameaças concretas à soberania. A ênfase aqui é em prontidão física e proximidade, não necessariamente em poder de fogo massivo. A FEI compra tempo e cria o primeiro elo de dissuasão.

Forças de Emprego de Prontidão (FEP)
Este é o punho da Força. As FEP são unidades de alta mobilidade, capazes de se deslocar para qualquer ponto do território nacional ou para 'outras áreas de interesse do Estado brasileiro', linguagem que, na doutrina militar, abre espaço para operações no exterior em contexto de crise regional ou compromissos internacionais. São as forças de maior poder de combate, vocacionadas para a ofensiva e para subjugar ameaças de forma decisiva. Nelas se concentrarão os equipamentos mais modernos: blindados, sistemas de armas de precisão, aviação de combate e os futuros drones armados. É nas FEP que a meta dos 20% de efetivos em alto grau de prontidão se torna mais exigente e mais cara.

Segundo publicou o Estadão, pelo projeto de transformação, o Exército deve manter cinco de suas 25 brigadas nesse estado mais elevado, com capacidade de se deslocar a qualquer momento para quaisquer pontos do País: trata-se da Brigada Paraquedista, com sede no Rio, da Brigada Aeromóvel (12ª Brigada), em Caçapava (SP), da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada, em Campinas (SP), da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, em Marabá (PA), e da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, em Ponta Grossa (PR). No caso de emprego, elas ficarão subordinadas à 2ª Divisão de Exército (2ª DE, em São Paulo).

Forças de Emprego Continuado (FEC)

Voltadas ao longo prazo, as FEC são o sustentáculo de qualquer conflito prolongado. Sua missão primária é a defesa territorial, especialmente do vasto interior brasileiro, mas também têm papel central na formação da reserva mobilizável, no recompletamento de unidades desgastadas em combate e no apoio às autoridades civis em crises internas. Em conflitos de larga escala, são elas que garantem que a Força Terrestre não se esgote nas primeiras semanas. O conceito se inspira diretamente nas lições da guerra na Rússia x Ucrânia, onde a capacidade de sustentação e reposição de pessoal e material revelou-se tão decisiva quanto o poder de fogo inicial.

Forças de Emprego no Multidomínio
Esta é a categoria mais inovadora e, também, a mais desafiadora de implementar. As forças multidomínio são unidades especializadas, concebidas para atuar simultaneamente nos domínios terrestre, aéreo, cibernético, eletromagnético e espacial. Elas não travam apenas uma batalha, mas coordenam ações em múltiplas camadas do espaço de combate ao mesmo tempo. O documento prevê que se desdobrem em módulos para integrar a Força Terrestre Componente (FTC) ou o Comando Conjunto das Forças Armadas. Na prática, trata-se de criar dentro do Exército uma capacidade que hoje existe apenas de forma embrionária: operar drones, neutralizar radares inimigos com guerra eletrônica e proteger redes de comunicação enquanto a infantaria avança. A política concebe a Divisão de Exército como o escalão compatível para atuar nesse ambiente complexo.

Módulos de Apoio Ampliado
O elo logístico que une tudo. São estruturas modulares de suporte: abastecimento, manutenção, saúde, engenharia que se moldam à necessidade operacional e garantem que as demais forças tenham o que precisam para combater. Sem elas, as FEP ficam sem combustível, sem munição e sem peças de reposição após os primeiros dias de combate. A criação da Rede Logística Estratégica do Exército (com diretrizes operacionais de implantação mencionadas no Plano Estratégico do Exército 2024-2027), com Pontos Nodais Logísticos distribuídos em pontos estratégicos do território nacional, é a materialização prática deste conceito, uma espinha dorsal invisível, mas vital.

A meta central: ao menos 20% dos efetivos das forças de emprego devem manter elevado grau de prontidão e resiliência, índice médio mantido pelas principais potências militares do mundo, segundo o próprio documento.

A revolução dos drones: do monitoramento ao ataque
A guerra Rússia x Ucrânia tornou obsoleta qualquer doutrina militar que ignore os sistemas não tripulados. O Exército Brasileiro absorveu essa lição com velocidade incomum para uma instituição de sua estatura. Em março de 2026, ao reestruturar seu Portfólio Estratégico, uma das mudanças mais simbólicas foi a inclusão do termo 'Drones' no Programa de Aviação do Exército, que passou a se chamar oficialmente 'Aviação do Exército e Drones'. O próprio documento da portaria permite verificar que não se trata de mera alteração de nome, mas de adequação às novas tendências do campo de batalha.

Na LAAD Milipol 2026, maior feira de defesa da América Latina, o Exército acompanhou de perto o desenvolvimento de um sistema de aeronave remotamente pilotada de concepção 100% nacional, atualmente em testes pelo Comando de Aviação do Exército. O Brasil avança, em 2026, no uso de drones de diversas categorias, inclusive armados com mísseis, uma capacidade considerada decisiva nos conflitos recentes na Europa. A Política de Transformação é explícita ao determinar que a incorporação dessas tecnologias seja acelerada e que o Exército atue como indutor da inovação junto à Base Industrial de Defesa nacional.

Segundo divulgou o Estadão, todos os escalões do Exército passarão a contar com drones. Um batalhão será criado no Comando de Aviação do Exército para operar os drones de tipo 3 e 4, de maior autonomia e que que operam em maiores alturas. A unidade servirá ainda como centro de instrução para toda a Força Terrestre, a "universidade" dos drones do Exército.


O impacto doutrinário é igualmente profundo. A proliferação de drones no espaço de batalha exige não apenas novas plataformas, mas novas formas de pensar o combate. A política aborda diretamente a questão ética: o documento determina que sejam aprofundados 'estudos sobre a ética individual e profissional no contexto de conflitos com crescente emprego de sistemas não tripulados e autônomos', uma questão que está no centro do debate jurídico e filosófico internacional sobre o uso de robôs armados em guerras e sobre quem responde pelos seus efeitos.

As capacidades críticas: onde o Brasil precisa avançar mais
A Política de Transformação, combinada com a reestruturação do Portfólio Estratégico publicada em março de 2026, evidencia quatro áreas consideradas lacunas críticas na capacidade militar terrestre brasileira. São elas que receberão a maior concentração de recursos, atenção doutrinária e esforços de aquisição nos próximos anos.

Defesa Antiaérea: o escudo que faltava

Esta é, talvez, a aquisição mais urgente e de maior impacto estratégico de toda a transformação. Segundo divulgou anteriormente a CNN Brasil, uma encomenda de até R$ 3,4 bilhões deve ser fechada ainda em 2026 para um novo sistema de defesa antiaérea que permitirá à Força Terrestre incorporar tecnologia inédita na América Latina para interceptação de drones e mísseis de cruzeiro inimigos. Hoje, a capacidade de interceptação aérea com mísseis lançados da superfície não ultrapassa alvos acima de 3 mil metros de altitude, uma lacuna que se tornaria fatal diante de adversários equipados com mísseis de cruzeiro modernos ou com drones de média altitude.

Até o momento, as informações disponíveis sobre a escolha do armamento indicam a provável aquisição do sistema EMADS (Enhanced Modular Air Defense Solutions), da italiana MBDA, a mesma família de mísseis antiaéreos prevista para as novas fragatas da Marinha da Classe Tamandaré, em construção em Itajaí (SC). A escolha não é casual: garante interoperabilidade entre as Forças Armadas e abre a possibilidade de economia de escala nas negociações. Há previsão de transferência de tecnologia de radares para a Embraer como parte do contrato, o que representaria um avanço significativo para a indústria aeroespacial nacional.

Com mísseis capazes de interceptar alvos a até 15 km de altitude, o interior de São Paulo (região de Jundiaí) e Brasília, conforme esta Consultoria já publicou anteriormente, devem se tornar as primeiras bases do novo sistema antiaéreo, posicionando o Brasil em novo patamar de dissuasão estratégica.

Inteligência Militar: o Programa Lucerna

A Política de Transformação determina que as tecnologias de apoio à decisão, incluindo inteligência artificial, sejam incorporadas para aumentar a 'consciência situacional' dos comandantes e acelerar o ciclo decisório, o chamado 'loop OODA' (Observar, Orientar, Decidir, Agir) que, em combate, pode determinar quem sobrevive. 

Nesse contexto, insere-se o já existente Programa Estratégico Lucerna, que tem o objetivo de transformar o Sistema de Inteligência do Exército, incrementando sua capacidade de obtenção e análise de dados e criando ou adaptando Organizações Militares vocacionadas para a Inteligência de Combate. Gerenciado pelo Centro de Inteligência do Exército, o Lucerna reconhece que a guerra moderna é, antes de tudo, uma guerra de informação e que a superioridade informacional é um pré-requisito para o sucesso em qualquer dos outros domínios. 

Cibernética, Guerra Eletrônica e Inteligência Artificial: o novo campo de batalha
Dentro do espírto das novas diretrizes, está o já existente Programa de Defesa Cibernética, que foi renomeado, em 2026, para 'IA e Defesa Cibernética', incorporando formalmente iniciativas relacionadas à inteligência artificial ao escopo original. Trata-se de um reconhecimento explícito de que essas duas dimensões são inseparáveis: a IA é tanto uma ferramenta de ataque cibernético quanto o principal meio de defesa contra ataques automatizados. 

O ComDCiber é um órgão operacional conjunto que integra militares das três Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), unificando os esforços de defesa e guerra eletrônica. O desenvolvimento tecnológico tem aproximado a guerra cibernética e a guerra eletrônica, com o ComDCiber utilizando o espectro eletromagnético e sistemas de inteligência para proteger infraestruturas críticas.

O Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) é um dos setores que mais recebe investimentos atualmente, com foco na proteção de infraestruturas críticas contra ataques de Estados ou grupos com capacidades avançadas. Nessa linha geral, o programa PremIA (Prêmio de Inovação do Exército), lançado pela Força Terrestre, visa fomentar a cultura de inovação, a transformação digital e a modernização, incentivando o desenvolvimento de soluções inovadoras, inclusive em inteligência artificial, por militares em todas as organizações da Força.

Fogos de Precisão: o ASTROS-FOGOS
Anterior à Portaria, mas totalmente dentro de seu escopo, o sistema ASTROS, capaz de empregar toda uma família de foguetes e mísseis táticos de cruzeiro de longo alcance, foi reestruturado e passou a se chamar ASTROS-FOGOS, centralizando as iniciativas de artilharia em três subprogramas: Defesa Antiaérea, Sistema de Artilharia de Campanha de Mísseis e Foguetes, e Sistema de Artilharia de Campanha. A estrutura física do Forte Santa Bárbara, em Formosa (GO), foi implantada para abrigar a Artilharia de Mísseis e Foguetes. O ASTROS é hoje um dos sistemas mais modernos de sua categoria na América Latina e representa a principal capacidade de dissuasão extrarregional da Força Terrestre: a possibilidade de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância (ou mais) com precisão cirúrgica.

O Eixo Doutrina: repensar o combate, não apenas reequipar
A política é explícita ao afirmar que a transformação não se resume à aquisição de equipamentos modernos. O Eixo Doutrina estabelece que os processos de prospecção, experimentação e validação devem ser otimizados para acelerar a incorporação de novas capacidades. Na prática, isso significa criar dentro do Exército uma cultura de experimentação: testar novos conceitos táticos em exercícios reais, aprender com os resultados e atualizar a doutrina continuamente, em vez de esperar ciclos de revisão que duram décadas.

O conceito de 'missão pela finalidade', que reforça a autonomia decisória dos escalões mais baixos e, em alguns casos, autoriza-os a tomar iniciativas sem esperar ordens superiores desde que o objetivo final seja compreendido, é um dos pilares doutrinários da transformação, sendo também um reflexo das lições aprendidas nos conflitos modernos, especialmente na guerra Rússia x Ucrânia. Trata-se de uma mudança cultural profunda em uma instituição historica e pesadamente hierárquica: requer treinamento intensivo, confiança mútua entre líderes e liderados, e uma nova mentalidade sobre o que significa liderar em combate.

O Eixo Pessoal: a transformação começa na cabeça

A dimensão humana da transformação é tratada com uma abrangência que surpreende. O Eixo de Transformação Pessoal lista dez objetivos que vão da capacitação técnica para emprego de tecnologias emergentes ao fortalecimento da liderança militar nos estabelecimentos de ensino e nos corpos de tropa. A gestão de talentos ou seja, identificar, reter e motivar militares qualificados, é elevada a objetivo estratégico, reconhecendo que a Força só será tão boa quanto as pessoas que a compõem.

Um dos objetivos mais reveladores é a preparação do militar 'para enfrentar o ambiente das operações no multidomínio'. Em termos práticos, isso significa que os militares do futuro, principalmente os quadros, precisarão entender não apenas de tática terrestre, mas de drones, de guerra cibernética, de sensores, de análise de dados e de sistemas autônomos. A formação militar tradicional terá de se reinventar. O Exército reconhece esse desafio ao determinar que os quantitativos de formação e especialização dos quadros sejam reavaliados para se adequar às necessidades da transformação, uma sinalização de que a estrutura de ensino militar, da EsSA à ECEME, passará por revisões significativas.

A Base Industrial de Defesa: quem ganha com a transformação
A Política de Transformação é explícita ao eleger o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) nacional como pilar estratégico. A atual demanda global por materiais de emprego militar supera a capacidade produtiva existente, e o Brasil não quer ficar dependente de fornecedores externos em um momento de crise ou conflito. Isso significa encomendas, contratos e, potencialmente, uma redistribuição importante no mapa industrial do setor. 

Embora, evidentemente, não haja referência específica nas diretizes publicas, no entender desta Consultoria, alguns nomes se destacam nesse cenário:

IMBEL: a espinha dorsal estatal
A Indústria de Material Bélico do Brasil é uma estatal vinculada ao Ministério da Defesa e cumpre função central na autonomia estratégica nacional: reduzir a dependência de importações e garantir que as Forças Armadas tenham acesso a equipamentos produzidos em território nacional, mesmo em tempo de crise global. Seu portfólio vai do fuzil IA2, padrão do Exército, a munições de artilharia e morteiro, passando por explosivos, pólvoras e sistemas de comunicações e eletrônica militar.

Em 2025, a FAB formalizou contrato para aquisição de novos armamentos e kits de manutenção da IMBEL, reforçando sua presença como fornecedora das três Forças Armadas. Recentemente, o Exército também padronizou a pistola GC MD1 de 9 mm da IMBEL para uso institucional. 

A Fábrica de Material de Comunicações e Eletrônica (FMCE), uma das unidades da IMBEL, é diretamente relevante para os programas de guerra eletrônica e cibernética, bem como para o C4I (Comando, Controle, Comunicações, Computadores e Inteligência), o sistema integrado que une tecnologia, procedimentos e pessoas para gerenciar operações militares, garantindo consciência situacional e tomada de decisão rápida e precisa. Com a expansão dos programas de prontidão e a meta dos 20% de efetivos em alta prontidão, a demanda por munições e armamentos padronizados deve crescer significativamente, e a IMBEL está na linha de frente desse mercado.

CBC: líder mundial em munições de pequeno calibre
A Companhia Brasileira de Cartuchos é uma das maiores fornecedoras mundiais de munição para países da OTAN e líder global em munições para armas portáteis, com confiabilidade atestada por 130 países nos cinco continentes. Em março de 2025, a Marinha do Brasil firmou Protocolo de Intenções com a CBC para fornecimento de munições. Com a expansão do programa de prontidão operacional do Exército e a necessidade de estoques robustos para as novas forças de emprego, especialmente as FEP e as FEI, a CBC está bem posicionada para ampliar seus contratos institucionais. A empresa controla a Taurus desde 2015, o que cria um ecossistema industrial integrado entre armas e munições de pequeno e médio calibres.

Taurus: da pistola à metralhadora e além
A Taurus é o caso mais dinâmico e ambicioso do setor. A empresa gaúcha, historicamente focada em armas leves para mercados civil e policial, está num processo acelerado de transformação do próprio portfólio para acompanhar a demanda militar. Em 2 de abril de 2026, a Taurus formalizou proposta não vinculante para aquisição do controle acionário da empresa turca Mertsav Savunma Sistemleri, especializada no desenvolvimento e fabricação de sistemas de armas de médio calibre, com mais de 20 anos de experiência no fornecimento às Forças Armadas da Turquia.

A lógica estratégica é clara: ao adquirir a Mertsav, que possui três unidades de produção em Istambul e na Área Industrial de Defesa de Kırıkkale, a Taurus encurtaria em vários anos o desenvolvimento de uma linha de armamentos que abrangeria metralhadoras leves, metralhadoras pesadas calibre .50 BMG e lança-grandas. Seria a primeira vez que uma empresa brasileira absorveria tecnologia estrangeira de ponta no campo das armas coletivas com o objetivo explícito de nacionalizar sua produção e, posteriormente, exportá-la. A empresa deixaria de ser apenas a maior vendedora mundial de armas leves para se transformar em um fabricante completo de sistemas militares, em condições plenas de atender as necessidades das Forças Armadas brasileiras.

Em fevereiro de 2026, a Marinha do Brasil assinou com a Taurus um Protocolo de Intenções para o desenvolvimento de sistemas de armas coletivas nos calibres 5,56mm, 7,62mm e .50 BMG, precisamente os calibres das três metralhadoras Mertsav exibidas neste mês na AMTT (SP) para um seleto grupo de militares e policiais. 

Na cerimônia com a Marinha, Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, foi direto: "Estamos dando um passo decisivo dentro da Taurus, indo em direção ao mercado de armamento militar, que são as Minimi em calibre 5,56mm e 7,62mm, e a .50." A presença do BNDES na assinatura daquele protocolo, com o presidente Aloizio Mercadante formalizando apoio por documento oficial, indica que o projeto tem respaldo da política industrial do governo federal, inserido na Missão 6 da Nova Indústria Brasil, dotada de R$ 112,9 bilhões em investimentos até 2026.

Em março de 2026, o próprio CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, revelou em uma live que a empresa havia vencido licitação internacional para o fornecimento de 300 metralhadoras Mertsav MMG762 ao Exército Brasileiro via Estados Unidos. Ou seja, a Taurus já vende armas Mertsav para as Forças Armadas do país que sedia a Taurus, antes de a aquisição da Mertsav estar concluída.

A propósito, a parceria Brasil-Turquia no setor de defesa vai além da Taurus: em abril de 2026, a Comissão de Relações Exteriores do Parlamento turco aprovou por unanimidade o Acordo de Cooperação na Indústria de Defesa com o Brasil, abrindo caminho para projetos envolvendo também Embraer, AKAER e SIATT.

Nas imagens feitas na AMTT (SP),  as metralhadoras e os laçadores de granadas da Mertsav ao lado 
de duas submetralhadoras Taurus RPC 9mm com supressores

XMobots: a robótica aérea nacional a serviço da nova prontidão
A XMobots, fabricante 100% brasileira e com participação da Embraer, surge como uma das empresas mais bem posicionadas para atender à demanda crescente do Exército por sistemas não tripulados, especialmente nas missões de vigilância, reconhecimento, monitoramento de fronteiras e ataque. A empresa desenvolve soluções de defesa e segurança com plataformas como o Nauru 100D, o Nauru 500C ISR, o Nauru 1000C e o XPatrol, o que se conecta diretamente ao foco da nova política em sensores, sistemas não tripulados e superioridade de informações.

No caso do Exército, a relação já deixou de ser apenas potencial e passou a ter histórico operacional, com a adoção do Nauru 1000C em atividades ligadas à fronteira e ao treinamento de militares da Força. Isso é relevante porque a política recém-aprovada valoriza justamente a incorporação rápida de tecnologias emergentes, a adaptação doutrinária e a criação de capacidades voltadas ao combate moderno e à pronta resposta.

Além disso, a XMobots pode contribuir para a lógica de transformação ao oferecer uma base industrial nacional capaz de reduzir dependência externa em um segmento crítico, sobretudo em um ambiente em que a guerra moderna passa a depender cada vez mais de drones, sensores e integração de dados. Nesse sentido, a empresa se encaixa bem no objetivo do Exército de fortalecer a Base Industrial de Defesa como suporte à dissuasão e à autonomia estratégica do País.

Drone Nauru 1000C, da XMobots, armado com mísseis Enforcer Air produzidos pela MBDA

Na LAAD 2026, o drone Nauru 100D armado com granada de alto explosivo (HE)

Outras empresas com papel estratégico na indústria de defesa

AEL Sistemas: como líder em sistemas aviônicos e eletrônicos, a AEL é fundamental para a "superioridade de informações" prevista na política. Sua expertise em sistemas embarcados, eletro-ópticos (essenciais para o SISFRON) e integração de sistemas torna a empresa peça-chave para elevar a consciência situacional dos comandantes e a eficácia de plataformas blindadas e aéreas.

Agrale: fundamental para a logística e a mobilidade leve, a Agrale provê soluções que garantem a capilaridade da "Estratégia da Presença" do Exército. Com viaturas robustas e versáteis, a empresa sustenta a operacionalidade cotidiana e a capacidade de transporte das tropas em terrenos variados, sendo um elo indispensável para a sustentação das forças de emprego (FEI/FEC).

Akaer: especializada em engenharia de alta complexidade e desenvolvimento de tecnologias de ponta, a Akaer atua como uma parceira estratégica em projetos que exigem soberania tecnológica. Sua capacidade de desenvolver desde estruturas aeroespaciais até sistemas avançados de sensores contribui diretamente para a meta de "incorporação de tecnologias emergentes" da Força Terrestre.

Ares: essencial para a proteção e modernização das tropas, a Ares entrega estações de armas controladas remotamente (como o REMAX), que aumentam a letalidade com proteção blindada. Sua atuação é direta no objetivo da política de modernizar sistemas de emprego em combate, permitindo que o militar opere armamentos com precisão sem se expor diretamente ao fogo inimigo.

Atech: como empresa do ecossistema Embraer, a Atech possui domínio sobre tecnologias críticas de comando e controle (C2), sistemas de defesa aérea e gestão de fluxo de dados. No contexto da Política de Transformação, sua contribuição é vital para o desenvolvimento dos sistemas que permitirão a atuação multidomínio e a integração de sensores de diferentes naturezas. Se o Exército pretende acelerar seu processo decisório (o chamado loop OODA), a Atech fornece as soluções de software e a arquitetura de sistemas que processam o grande volume de dados do campo de batalha moderno, transformando informações brutas em conhecimento para o comandante. Sua atuação é, portanto, o "cérebro" que conecta os "sensores" (drones, radares) às "armas" (artilharia de precisão, mísseis) produzidas pelos outros parceiros da BID, garantindo a interoperabilidade necessária para as operações conjuntas que a nova diretriz institucional tanto enfatiza.

Avibras: protagonista no eixo da letalidade de longa distância, a Avibras é a base do programa ASTROS-FOGOS, que representa o maior vetor de dissuasão extrarregional da Força Terrestre. Sua capacidade de produzir mísseis de cruzeiro e sistemas de foguetes de alta precisão é o que permite ao Exército responder de forma decisiva a ameaças, atendendo plenamente aos objetivos de letalidade e sustentação da nova política.

Lançador do Sistema ASTROS-FOGOS disparando um míssil AV-TM 300

Embraer: como carro-chefe da indústria aeroespacial, a Embraer é vital para a "superioridade de informações" e a mobilidade estratégica. Sua expertise em plataformas de inteligência, vigilância (radares) e reconhecimento (ISR) e o papel na integração de sistemas complexos a tornam um indutor natural de inovação, essencial para os novos módulos de apoio e para a interoperabilidade entre as Forças.

Helibras: sendo o único fabricante de helicópteros de turbina na América Latina, a Helibras é essencial para a aviação operacional e a agilidade da Força Terrestre. Ao modernizar a frota de helicópteros de ataque e transporte (como o Pantera e o Fennec), a empresa garante a mobilidade tática, a evacuação aeromédica e o suporte a operações multidomínio, pilares que dão aos comandantes a flexibilidade necessária em cenários de crise.

Iveco Veículos de Defesa (IDV): como fabricante fundamental para a prontidão operacional, a Iveco garante a mobilidade das Forças Blindadas, um dos programas estratégicos prioritários. Com a produção local de viaturas como o Guarani e o Guaicurus, a empresa é indispensável para a "estratégia da presença" e para a capacidade de pronta resposta das forças de emprego (FEI/FEP), assegurando que o Exército disponha de uma frota blindada robusta, interoperável e com suporte técnico garantido em território nacional.

Kryptus: em um cenário de conflito onde a informação é o ativo mais valioso, a Kryptus fornece a blindagem necessária. Ela atua desde o SISFRON, protegendo as comunicações de fronteira, até o desenvolvimento de sistemas autônomos de defesa cibernética (como o projeto Typhon), vitais para o ambiente multidomínio. Ao oferecer tecnologias criptográficas que não dependem de backdoors ou fornecedores estrangeiros sujeitos a pressões externas, a Kryptus assegura que o Exército Brasileiro mantenha o controle total sobre seus comandos, comunicações e dados sensíveis, mesmo sob ataques cibernéticos sofisticados. Sua contribuição é, portanto, o "escudo invisível" que protege a inteligência e as operações digitais da Força, permitindo que a transformação institucional ocorra com a segurança necessária para a manutenção da soberania nacional.

Mac Jee: a empresa é um player central para a "letalidade" e "sustentação". Ao dominar o ciclo completo de produção de munições aéreas e terrestres e desenvolver sistemas de foguetes móveis como o Armadillo, a Mac Jee garante que o Exército tenha munição e poder de fogo confiáveis e nacionais, reduzindo a dependência de cadeias logísticas externas que podem falhar em crises.

Modirum Gespi: a união da tecnologia de inteligência artificial e sistemas de comando da Modirum com a capacidade industrial de hardware e munições da Gespi cria uma base robusta para a transformação digital. Esse tipo de parceria é exatamente o que a política busca: combinar software inteligente com hardware sólido para criar "munições inteligentes" e soluções de comando, controle e mobilidade que suportem as novas operações multidomínio.

SIATT: especializada na integração de sistemas, mísseis e sistemas eletrônicos avançados, a SIATT é uma parceira estratégica para a modernização dos sistemas de armas do Exército. Sua expertise em guiagem, navegação e controle é essencial para a evolução do programa ASTROS-FOGOS e para o desenvolvimento de munições inteligentes de fabricação nacional. Ao dominar tecnologias que garantem a precisão cirúrgica no campo de batalha, a SIATT atende diretamente ao objetivo da política de priorizar a letalidade e a proteção da Força por meio da inovação disruptiva. Sua capacidade técnica não só reduz a dependência de tecnologias estrangeiras, como também fortalece a posição do Brasil no desenvolvimento de sistemas de defesa autônomos e de alta tecnologia, cruciais para o ambiente de combate multidomínio que a nova política busca consolidar.

Stella Tecnologia: focada em sistemas aéreos não tripulados (como o Atobá e munições vagantes), a Stella contribui diretamente para a meta de expandir capacidades de drones. Sua cooperação com a FAB e testes com o Exército alinham-se à diretriz de acelerar a incorporação de tecnologias disruptivas, permitindo que a Força Terrestre utilize plataformas nacionais para vigilância de longo alcance.

Juntas, todas essas empresas formam o principal ecossistema de defesa que deve viabilizar a "mentalidade de transformação" proposta pelo comando, provendo o "olho" (drones e sensores), a capacidade de movimento e proteção, a inteligência e o poder de fogo necessários para as novas forças de emprego, estabelecendo a espinha dorsal industrial que permitirá ao Exército Brasileiro converter diretrizes doutrinárias em capacidade de combate real até o ciclo 2028-2031.

A Embraer já superou a marca de 50 soluções veiculares Agrale entregues ao SISFRON, incluindo viaturas de comunicações, centros móveis, postos de comando e outras plataformas especializadas.

O calendário e a governança: quem manda nessa transformação
A política estabelece que as mudanças já devem começar a ser incorporadas nas atualizações do Plano Estratégico do Exército (PEEx) 2024–2027, com plena materialização no próximo ciclo, entre 2028 e 2031. A governança de todo o processo ficará a cargo da 7ª Subchefia do Estado-Maior do Exército, o indutor institucional da política. As metas, indicadores e mecanismos de acompanhamento e controle serão formalmente integrados ao PEEx, o que significa que a transformação terá métricas objetivas de avaliação.

Ainda no espírito da nova política, mas anterior à sua assinatura, sete programas estratégicos foram destinados para concentrar os investimentos prioritários: Forças Blindadas, SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), ASTROS-FOGOS, Sentinela, Aviação do Exército e Drones, IA e Defesa Cibernética, e Desenvolvimento do Setor Cibernético na Defesa. Outros cinco programas, incluindo o Lucerna (inteligência) e o SISOMT (sistema operacional militar terrestre), foram reclassificados como setoriais, o que, segundo o Exército, não representa rebaixamento, mas uma diferença de perfil: os estratégicos buscam incorporação de novas capacidades; os setoriais realizam modernizações contínuas.

O que está em jogo
A Política de Transformação do Exército Brasileiro não é apenas um documento de planejamento institucional. É uma resposta a um mundo que mudou e que continua mudando em velocidade acelerada. O subcontinente sul-americano ocupa posição crescentemente relevante no tabuleiro geopolítico de um mundo multipolar, com recursos naturais cobiçados, fronteiras vulneráveis e um crime organizado transnacional que opera com sofisticação de Estado.

A transformação que o Exército propõe não é sobre ser maior. É sobre ser mais letal, mais ágil e mais integrado. Sobre ter drones onde antes havia apenas observadores. Sobre ter um escudo antiaéreo onde antes havia uma lacuna a partir de 3 mil metros. Sobre ter soldados que entendem de inteligência artificial e de ética em combate autônomo. Sobre ter uma indústria nacional capaz de fornecer o que a Força precisa, sem depender de fornecedores que, em tempos de crise, podem simplesmente fechar o comércio.

Se implementada com a disciplina que o documento promete, ou seja: metas, indicadores, governança e um ciclo de execução até 2031, esta política pode marcar o início de uma transformação genuína. Se ficar no papel, como tantos planos anteriores, será mais um documento eloquente arquivado no Estado-Maior do Exército. A diferença, desta vez, pode estar no fato de que o mundo não dará ao Brasil o luxo de esperar.

27 abril, 2026

Embraer registra carteira de pedidos recorde de US$ 32,1 bilhões no 1T26; sexto trimestre consecutivo de máxima histórica

Fabricante brasileira amplia backlog 22% na comparação anual, impulsionada pela aviação comercial e novos contratos de defesa e serviços 

 

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LRCA Defense Consulting - 27/04/2026

A Embraer encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos de US$ 32,1 bilhões, marcando o sexto recorde consecutivo para o indicador. O avanço de 22% em relação ao mesmo período de 2025 reflete a aceleração da demanda por aeronaves comerciais e executivas, além da expansão do portfólio de defesa e serviços da companhia.

No trimestre, a empresa entregou 44 aeronaves em todas as unidades de negócio, uma alta de 47% frente às 30 entregas do 1T25. O desempenho corresponde a aproximadamente 16% do ponto médio da orientação anual da companhia (248 aeronaves), quatro pontos percentuais acima da média histórica de cinco anos para o período, de 12%.

Aviação Comercial lidera crescimento com alta de 50% no backlog
A divisão de Aviação Comercial atingiu US$ 15,0 bilhões em carteira de pedidos no 1T26, expansão de 50% em relação ao 1T25 e 3% acima do trimestre anterior. O principal destaque foi a Finnair, que fechou um pedido de até 46 aeronaves E195-E2, incluindo ordens firmes, opções e direitos de compra. Com isso, 18 unidades do modelo foram incorporadas ao backlog da Embraer no primeiro trimestre. Outros três E195-E2 foram vendidos a um cliente não divulgado.

No período, foram entregues seis E175 para Republic Airlines (3), American Airlines (2) e SkyWest (1); um E190-E2 para a Azorra; e dois E195-E2 para a Luxair e um para a AerCap. A unidade fechou o trimestre com índice book-to-bill de 3,0x nos últimos 12 meses.

Aviação Executiva mantém estabilidade e lança nova geração Praetor
A Aviação Executiva encerrou o trimestre com backlog de US$ 7,6 bilhões, estável tanto na comparação trimestral quanto anual. A divisão entregou 29 aeronaves no período, uma alta de 26% sobre as 23 do 1T25, com 16 unidades na categoria de jatos pequenos e 13 na de médio porte. As entregas corresponderam a 18% do ponto médio da orientação anual (165 aeronaves), seis pontos percentuais acima da média histórica para o período.

No trimestre, a Embraer anunciou a próxima geração da família Praetor, com o lançamento do Praetor 600E e Praetor 500E, que trazem cabine completamente redesenhada e tecnologias embarcadas avançadas. Além disso, o Phenom 300 foi reconhecido pelo 14º ano consecutivo como o jato leve mais entregue do mundo e, pelo 6º ano, o bimotor mais entregue, segundo dados do setor.

Defesa avança na Europa e na Ásia Central com novos clientes revelados
A unidade de Defesa & Segurança registrou backlog de US$ 4,4 bilhões no 1T26, alta de 5% em doze meses, com queda de 4% na comparação trimestral. No período, foram entregues um KC-390 Millennium e um A-29 Super Tucano à Força Aérea Portuguesa; dois A-29 Super Tucano à Força Aérea do Uruguai, como parte de programa de modernização voltado à vigilância e patrulha de fronteiras; e um A-29 Super Tucano a um cliente não revelado na África.

A Embraer também confirmou a República do Uzbequistão como o cliente anteriormente não divulgado do KC-390 Millennium, marcando a entrada da plataforma na Ásia Central. Paralelamente, as Filipinas foram reveladas como compradoras de seis A-29 Super Tucano, expandindo sua frota para 12 aeronaves. A divisão encerrou o trimestre com book-to-bill de 1,2x nos últimos 12 meses.

Serviços & Suporte bate recorde com contratos de longo prazo
A área de Serviços & Suporte atingiu backlog recorde de US$ 5,1 bilhões no 1T26, crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado por novos acordos de longo prazo firmados no trimestre, incluindo contratos com a Airnorth para suporte à frota E-Jet, com a Força Aérea Húngara para cobertura da frota KC-390 Millennium e com a Virgin Australia por meio do programa AHEAD de manutenção preditiva para a frota E2. O book-to-bill da divisão foi de 1,2x nos últimos 12 meses.
 
Backlog por segmento no 1T26 (em bilhões de dólares)

Segmento

1T26

4T25

1T25

a/a

Aviação Comercial

15,0

14,5

10,0

+50%

Aviação Executiva

7,6

7,6

7,6

Defesa & Segurança

4,4

4,6

4,2

+5%

Serviços & Suporte

5,1

4,9

4,6

+11%

Total

32,1

31,6

26,4

+22%

Com o backlog total crescendo pelo sexto trimestre consecutivo e entregas 47% acima do patamar de um ano atrás, a Embraer sinaliza momentum operacional robusto e perspectiva de demanda favorável para 2026, com orientação de 240 a 255 entregas nas divisões de Aviação Executiva e Comercial combinadas.

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