*LRCA Defense Consulting - 28/06/2026
A 18ª Companhia de Comunicações, subordinada à 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, recebeu, em Corumbá (MS), no dia 23 de junho, as três viaturas que compõem o Centro de Comando e Controle (CC2) Móvel Grande Unidade do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). A nova estrutura amplia a capacidade de comando e controle da brigada na fronteira oeste e se soma a um conjunto de entregas que, desde o final de 2025, vem sendo feito pelo Exército ao longo da faixa de fronteira.
Três viaturas, um
único centro de comando
O CC2 Móvel
Grande Unidade é composto por três viaturas integradas, batizadas de
Autoridades, Células e Apoio de Tecnologia da Informação, cada uma com função
específica dentro do conjunto. Juntas, elas formam um ambiente capaz de
receber, analisar e difundir informações em tempo real, permitindo que o
comandante e seu estado-maior planejem operações e emitam ordens a partir do
próprio terreno, em vez de depender exclusivamente de centros fixos distantes
da área de operações.
Segundo o Exército, o equipamento proporciona maior mobilidade, segurança e interoperabilidade ao permitir o gerenciamento e o compartilhamento de informações em tempo real durante as operações, contribuindo para o aumento da consciência situacional e para uma tomada de decisão mais ágil e precisa pelos comandantes nos diversos níveis. A entrega em Corumbá não é isolada: em 26 de novembro de 2025, o Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEx), em Brasília, já havia recebido sua própria unidade do mesmo modelo, que permanece sob responsabilidade da Companhia de Comando e Controle daquele comando.
Um projeto que já
entregou dezenas de viaturas
O CC2 Mv Grande
Unidade foi desenvolvido no âmbito do Projeto de Sensoriamento e Apoio à
Decisão (Prj SAD 2), que integra a Fase 2 do SISFRON. A Embraer é a integradora
principal desse projeto e, segundo informações institucionais, já superou a
marca de 50 soluções veiculares entregues ao programa, entre viaturas de
comunicações, centros móveis e postos de comando. Subcontratadas como a RF Com
Ltda e a Iturri Brasil são responsáveis por transformar viaturas de transporte
não especializadas em plataformas especializadas de comunicações, do tipo nós
de acesso e postos rádio.
Ao todo, a Fase 2 do SISFRON prevê a entrega de 15 unidades de CC2 móveis, parte de um pacote mais amplo de viaturas táticas que também inclui dezenas de jipes Agrale Marruá convertidos em centros de comunicações e inteligência. A 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal já havia recebido, em dezembro de 2024, uma viatura especializada de comunicações site tático no âmbito do mesmo projeto, e, em setembro de 2024, o 17º Batalhão de Fronteira, também subordinado à 18ª Brigada, recebeu um Centro de Comando e Controle Transportável (CC2 Trnp), de menor porte que o modelo agora entregue à companhia de comunicações.
Por que a
fronteira oeste
A 18ª Brigada de
Infantaria de Pantanal responde pela vigilância de um trecho sensível da
fronteira do Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai, área historicamente
associada ao combate a crimes transfronteiriços, como contrabando e tráfico de
drogas. O SISFRON nasceu justamente na região, com o projeto piloto implantado
no Comando Militar do Oeste, e a fase atual busca consolidar e ampliar essa
experiência para outros trechos da faixa de fronteira, que soma mais de 16 mil
quilômetros.
Na prática, um CC2 móvel permite que uma operação de fronteira deixe de depender de um centro fixo distante e passe a contar com um posto de comando avançado, próximo às tropas. Isso reduz o tempo entre a detecção de um evento (por radar, câmera ou patrulha) e a resposta das tropas no terreno, ao conectar dados de sensores do SISFRON, patrulhas e até órgãos civis, como polícia e fiscalização, em um único quadro situacional.
Impacto para a
base industrial de defesa
Para além do
ganho operacional imediato, a continuidade das entregas do Prj SAD 2 reforça o
papel da Embraer como integradora de sistemas terrestres complexos de comando,
controle, comunicações, computação e inteligência, o chamado C4I,
consolidando competências em software, cibersegurança e integração de sistemas
dentro da Base Industrial de Defesa nacional. O programa integra o eixo de
Inovação e Indústria da Defesa do Novo PAC do governo federal, o que assegura,
ao menos no horizonte atual, a continuidade dos investimentos nas próximas
etapas do SISFRON.







