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24 junho, 2026

Speedbird Aero lança aeronave de grande porte e transfere fábrica para Jacareí

Empresa reorganiza portfólio de drones logísticos, apresenta a linha Bird-X, de até 80 quilos, e muda sua planta industrial de Franca para o polo aeroespacial do Vale do Paraíba


 
*LRCA Defense Consulting - 24/06/2026

A Speedbird Aero, empresa brasileira especializada em logística aérea autônoma com drones, anunciou durante a DroneShow Robotics 2026 uma reestruturação completa de seu portfólio de aeronaves e a transferência de sua fábrica de Franca, no interior paulista, para Jacareí, na região de São José dos Campos. A mudança acompanha o plano da companhia de ampliar a capacidade industrial e acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias.
Atualmente, a Speedbird é a única empresa autorizada a realizar operações comerciais com drones sobre áreas povoadas na América Latina, condição alcançada após anos de testes regulatórios junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). A empresa atua tanto como fabricante (OEM) quanto como operadora de aeronaves não tripuladas habilitadas para voos beyond visual line of sight (BVLOS, ou além da linha de visada), modelo que sustenta sua atuação no Brasil e em outros mercados.
Nova arquitetura de portfólio: Bird-S, Bird-M e Bird-X
Com a reestruturação, a Speedbird deixa de lado a antiga nomenclatura técnica, baseada na sigla DLV, e passa a organizar suas soluções em três famílias comerciais. O Bird-S atende cargas de até 7 quilos e é voltado a operações urbanas recorrentes, como entregas de comida e farmácia. O Bird-M sobe para 15 quilos de capacidade, mirando logística crítica, insumos médicos e entregas de varejo de maior volume.
Já o Bird-X é a principal novidade apresentada na feira: uma aeronave de grande porte, com capacidade de carga de até 80 quilos e alcance de até 70 quilômetros, projetada para missões de maior escala, entre elas operações industriais, logística entre plataformas e rotas de maior distância. Segundo a empresa, os três modelos foram desenvolvidos para atender diferentes perfis de missão, das entregas urbanas até operações de maior porte.
Mudança de Franca para Jacareí
A transferência da fábrica para Jacareí coloca a Speedbird ao lado de um dos principais polos aeroespaciais da América Latina, que reúne, na mesma região, a Embraer, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A movimentação deve fortalecer a capacidade produtiva da empresa e concentrar, num mesmo endereço, as atividades de desenvolvimento tecnológico e de manufatura.
Operação com o iFood ganha nova rota em Alphaville
Parte da estratégia de expansão da Speedbird já está em curso por meio da parceria com o iFood. Em 1º de junho, as duas empresas lançaram uma nova rota de entrega por drone em Alphaville, na Grande São Paulo, com operação multimodal: coleta no Shopping Iguatemi Alphaville, realizada por entregador ou pelo robô autônomo Ada, do próprio iFood; transporte aéreo de 3,6 quilômetros, executado pela aeronave da Speedbird em cerca de cinco minutos; e entrega final por entregador parceiro de motocicleta.
A rota foi desenhada para enfrentar um problema concreto de logística urbana: na região de Barueri, atendida anteriormente apenas por modais terrestres, cerca de 50% dos pedidos chegavam a ser rejeitados pelos entregadores, em razão da dificuldade de acesso e do tempo necessário para entregas em grandes condomínios residenciais. A aeronave usada na operação tem capacidade de carga de até 5 quilos, voa a até 50 km/h, opera em altitudes de até 60 metros e foi projetada para suportar ventos de até 55 km/h e chuva leve. O monitoramento de cada rota é feito em tempo real pelo centro de controle da Speedbird em Franca.
"As operações como essa mostram que a entrega por drone já superou a fase experimental e começa a desempenhar um papel real dentro de sistemas logísticos complexos. Nosso foco é garantir que essa tecnologia seja aplicada com segurança, eficiência e integração ao ecossistema existente, criando novas possibilidades para plataformas, restaurantes e consumidores", afirmou Manoel Coelho, CEO e cofundador da Speedbird Aero, por ocasião do lançamento da rota em Alphaville.
A nova operação em São Paulo dá sequência ao avanço tecnológico já demonstrado em Sergipe, onde a rota aérea que liga um shopping de Aracaju aos moradores de Barra dos Coqueiros já soma mais de 6 mil pedidos atendidos desde outubro, com média de 800 entregas mensais. Naquele caso, um trajeto terrestre de cerca de 36 quilômetros, que poderia levar até uma hora, foi reduzido a um voo de menos de quatro quilômetros, cumprido em poucos minutos.
Histórico, certificações e expansão internacional
Fundada em Franca, a Speedbird Aero foi a primeira empresa brasileira a obter, junto à ANAC, um Certificado de Aeronavegabilidade Especial (CAER) para uma aeronave remotamente pilotada de classe 3 destinada ao transporte de cargas. A companhia soma, segundo dados próprios, mais de 40 mil missões comerciais realizadas em 14 países, atuando como fabricante e operadora no Brasil e na Europa, com destaque para marcos como a primeira operação diária de drones sobre áreas de alta densidade populacional no Brasil, o primeiro serviço de entrega por drone do Reino Unido, em parceria com os Correios britânicos (Royal Mail), e a entrega por drone realizada a partir do heliporto mais movimentado do mundo, em Nova York.
Entre seus parceiros estratégicos estão o iFood, a Embraer, a Vale, a MSC, a Skyports, a Royal Mail e a UrbanV. Em fevereiro deste ano, o iFood investiu na Speedbird em uma rodada que somou US$ 5,8 milhões, com participação de outros seis fundos, recurso direcionado à ampliação do número de rotas com drone e à identificação de novos trajetos de longa distância no Brasil.
Com o lançamento da linha Bird-X e a mudança da fábrica para Jacareí, a Speedbird sinaliza a passagem de fabricante de drones de pequeno porte para provedora integrada de logística aérea autônoma, reunindo aeronave, software, sistemas de controle e operação multimodal em um único pacote de serviço, o chamado Drone-as-a-Service, oferecido pela empresa desde os primeiros anos de operação. 

Hi-Mix Eletrônicos conquista credenciamento de Empresa Estratégica de Defesa

Credenciamento reforça pilares como capacidade técnica, confiabilidade operacional e rastreabilidade, atributos exigidos em mercados de alta complexidade: defesa, setor aeroespacial, telecomunicações críticas, sistemas embarcados e aplicações de missão crítica.

Planta industrial em Pato Branco

*LRCA Defense Consulting - 24/06/2026

A Hi-Mix Eletrônicos, fabricante paranaense de manufatura eletrônica, recebeu do Ministério da Defesa o credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa (EED), conforme portaria publicada em 27 de maio de 2026. O reconhecimento insere oficialmente a companhia na Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, conjunto de organizações habilitadas a atuar em projetos considerados estratégicos para a soberania, a segurança e a autonomia tecnológica do país.

O que é uma Empresa Estratégica de Defesa
A classificação de Empresa Estratégica de Defesa foi instituída pela Lei nº 12.598, de 21 de março de 2012, que estabelece normas especiais para compras, contratações e desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa, além de regras de incentivo à área estratégica do setor. O enquadramento é regulamentado pelo Decreto nº 7.970/2013 e, atualmente, pela Portaria Normativa GM-MD nº 3.693, de 2 de agosto de 2024, que disciplina os procedimentos de credenciamento, descredenciamento e avaliação de Empresas de Defesa (ED) e Empresas Estratégicas de Defesa (EED).

Para obter o credenciamento como EED, a empresa precisa atender a requisitos cumulativos: ter em seu objeto social atividades de pesquisa, projeto, desenvolvimento, industrialização ou prestação de serviços ligados a produtos de defesa; deter domínio tecnológico sobre processos críticos realizados em território nacional; e comprovar capacidade técnica, segurança da cadeia produtiva e regularidade fiscal e trabalhista. O processo tramita pelo Sistema de Cadastramento de Produtos e Empresas de Defesa (SisCaPED) e passa pela análise técnica das Forças Armadas antes de ser submetido à Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID) e, por fim, à assinatura do ministro de Estado da Defesa.

 
O peso do credenciamento para a Hi-Mix Eletrônicos
Segundo a empresa, o credenciamento reforça pilares como capacidade técnica, confiabilidade operacional e rastreabilidade, atributos exigidos em mercados de alta complexidade: defesa, setor aeroespacial, telecomunicações críticas, sistemas embarcados e aplicações de missão crítica. A condição de EED também abre caminho para a participação em programas ligados a eletrônica embarcada, sistemas de comunicação, integração eletroeletrônica, chicotes elétricos especiais e box build de equipamentos críticos, áreas em que a exigência de nacionalização e segurança operacional tende a favorecer fornecedores já credenciados pelo Ministério da Defesa.

Mais de três décadas em manufatura eletrônica
Fundada em 1994 em Curitiba (PR), onde possui hoje um escritório comercial, a Hi-Mix Eletrônicos é uma das maiores empresas brasileiras de manufatura eletrônica com capital cem por cento nacional. A companhia opera no modelo de Electronic Manufacturing Service (EMS), prestando serviços de terceirização que vão da montagem de placas em tecnologia de superfície (SMT) e tecnologia tradicional (THT) até a integração completa de produtos, conhecida como box build, prototipagem, design for manufacturing (DFM), design for test (DFT) e suporte ao ciclo de vida do produto.

A principal planta industrial está em Pato Branco (PR), cidade polo de ensino superior em tecnologia no sudoeste paranaense, com área total de cerca de 47 mil m² e capacidade produtiva superior a um milhão de componentes por hora. A empresa soma certificações como ISO 9001, ISO 14001, IATF 16949, ISO 13485, ISO/IEC 80079-34 (atmosferas explosivas) e AS 9100, esta última voltada a fornecedores do setor aeroespacial e de defesa.

Defesa e aeroespacial já constavam na carteira
Mesmo antes do credenciamento, o segmento de defesa e aeroespacial já figurava entre as áreas de atuação divulgadas pela Hi-Mix Eletrônicos, ao lado de agricultura de precisão, automação bancária e industrial, automotivo, energia, internet das coisas, telecomunicações de próxima geração, segurança e controle e tecnologia médica. A obtenção do título de EED formaliza, perante o Ministério da Defesa, uma capacidade industrial que a empresa já buscava posicionar para clientes de aplicações críticas.

Planta industrial em Pato Branco

Mais uma peça na Base Industrial de Defesa
O credenciamento da Hi-Mix Eletrônicos ocorre em meio à movimentação recente de novos ingressos na lista de empresas reconhecidas como EED ou ED no país, processo acompanhado pela Comissão Mista da Indústria de Defesa, colegiado que assessora o ministro da Defesa em decisões sobre a indústria nacional de defesa e se reúne trimestralmente. Para fornecedoras de manufatura eletrônica, a entrada na BID amplia o acesso a benefícios previstos na Lei nº 12.598/2012, como o Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa (Retid) e regras diferenciadas de licitação, ao mesmo tempo em que impõe obrigações de relatórios periódicos sobre produção, comércio e impactos na cadeia produtiva ao Ministério da Defesa e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Ministério da Defesa e Fiesp firmam acordo de cooperação para a Base Industrial de Defesa

Documento assinado em São Paulo prevê capacitação de adidos militares, promoção comercial dos produtos nacionais e intercâmbio de informações entre o governo federal e o empresariado paulista


*LRCA Defense Consulting - 24/06/2026

O Ministério da Defesa (MD) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) assinaram, na segunda-feira (22), na sede da Fiesp, em São Paulo, um Acordo de Cooperação voltado ao desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID). O documento foi firmado pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, durante reunião de diretoria da entidade.

O que prevê o acordo
Segundo o Ministério da Defesa, o acordo estabelece a execução de ações de interesse recíproco, em regime de mútua colaboração e sem transferência de recursos entre as partes. O foco está no desenvolvimento e na promoção de produtos e serviços de defesa e segurança brasileiros, além do intercâmbio de informações e da contribuição para o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas ao setor.

Plano de trabalho e capacitação
Na mesma ocasião, foi firmado o Plano de Trabalho vinculado ao acordo, que detalha ações de capacitação e promoção da BID. Estão previstas atividades para os alunos do Estágio para Diplomatas e Adidos Militares Estrangeiros, promovido pela Escola Superior de Defesa (ESD), e para o Curso de Gestão de Recursos de Defesa no estado de São Paulo, com apoio técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/SP).

O secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, afirmou que o acordo deve ampliar a capacitação de adidos militares brasileiros designados para missões no exterior, de modo que conheçam melhor a indústria nacional de defesa e possam contribuir para a promoção dos seus produtos no mercado internacional. Segundo ele, a parceria também alcança adidos estrangeiros no Brasil e representa uma oportunidade de estimular as exportações do setor.

O plano também prevê capacitações destinadas às próprias empresas da BID, com foco no aprimoramento de processos, na qualificação para atuação junto à administração pública e no desenvolvimento de estratégias de negócios. Devem participar das atividades integrantes do MD, militares das Forças Armadas designados como adidos de defesa e representantes das empresas do setor.

Repercussão
Para o ministro da Defesa, a cooperação com a Fiesp amplia oportunidades para a indústria nacional e contribui para que o país avance com autonomia tecnológica, a partir de planejamento e responsabilidade. Já o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, avaliou que a parceria representa um passo importante para que o Brasil ocupe posição de protagonismo na produção de tecnologias e na geração de empregos qualificados, ampliando a competitividade do setor.

Uma cooperação de longa data
A relação entre o Ministério da Defesa e a Fiesp não é recente. Desde 2006, o Departamento da Indústria de Defesa da federação, o Comdefesa, sedia o Curso de Gestão de Recursos de Defesa (CGERD), voltado à qualificação de representantes da BID. Em 2020, as duas instituições firmaram um primeiro Acordo de Cooperação Técnica, que resultou, entre outras iniciativas, no projeto de criação de uma fintech voltada ao financiamento do setor de defesa, anunciado em reunião na sede da Fiesp.

O novo acordo, assinado nesta semana, amplia o alcance dessa parceria histórica, incorporando ações específicas de promoção internacional por meio de adidos militares e reforçando a interlocução entre o governo federal e o empresariado paulista. O movimento se soma a outras iniciativas recentes do Ministério da Defesa voltadas ao fortalecimento da BID, como a parceria firmada em outubro de 2024 com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio do Observatório Nacional da Indústria, com vigência de seis anos e foco em inteligência de dados para monitorar orçamento, financiamento e oportunidades comerciais do setor.

A Base Industrial de Defesa em números
De acordo com o Ministério da Defesa, a BID responde por cerca de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos no país e por aproximadamente 3,49% do Produto Interno Bruto (PIB), abrangendo a produção de aeronaves, embarcações, sistemas de comunicação segura, soluções cibernéticas, radares e satélites, entre outros segmentos. Em 2025, o setor registrou autorizações de exportação de produtos de defesa da ordem de US$ 3,4 bilhões, recorde histórico para a indústria nacional.

O acordo com a Fiesp se insere nesse movimento de expansão da BID, somando-se aos esforços do governo federal para ampliar a competitividade e a autonomia tecnológica do setor.

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