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20 julho, 2026

Maricá amplia parceria com a Desaer e lança bolsas para formar pilotos e mecânicos de aviação

Programa Voar é para Todos vai custear até 70 vagas anuais em cursos de formação aeronáutica, iniciativa que acompanha a expansão do aeroporto municipal e a instalação da fábrica da empresa no Galpão Tecnológico de Inoã

Imagem meramente ilustrativa
 

*LRCA Defense Consulting - 20/07/2026

A Prefeitura de Maricá, no litoral fluminense, regulamentou nesta semana o programa Voar é para Todos, que vai custear integralmente a formação de pilotos comerciais e de mecânicos de manutenção aeronáutica para moradores do município. A medida foi assinada na quarta-feira (15) e é conduzida em conjunto pela Secretaria de Educação e pela Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar).

Até 70 vagas por ano
O programa prevê a oferta anual de até 20 vagas para o curso de Piloto Comercial, com habilitações de Voo por Instrumentos (IFR) e Multimotor Terrestre (MLTE), além de até 50 vagas para Mecânico de Manutenção Aeronáutica (MMA), com formação nas áreas de Célula, Grupo Motopropulsor e Aviônicos. As inscrições ainda não foram abertas; datas, critérios de seleção, documentação exigida e cronograma deverão ser divulgados em edital.

Segundo a Prefeitura, a iniciativa busca ampliar o acesso à formação profissional em um setor considerado estratégico para o município, preparando mão de obra qualificada para atender à expansão da aviação civil e da indústria aeroespacial local.

Aeroporto em expansão puxa demanda por profissionais
A criação do programa acompanha o crescimento das operações no Aeroporto de Maricá, sobretudo no segmento de voos offshore para plataformas de petróleo e gás. Entre 2022 e 2025, o número de operações aéreas no aeroporto passou de 4.830 para 18.363, enquanto a movimentação de passageiros saltou de 16.265 para 156.287; no mesmo período, o transporte aéreo de trabalhadores para plataformas cresceu 396%.

A expectativa da Prefeitura é que a formação de novos mecânicos também fortaleça a implantação de serviços de manutenção de aviões e helicópteros na cidade, reduzindo a necessidade de deslocamento dessas atividades para outros municípios.

Parceria com a Desaer segue como eixo central
Além da expansão do aeroporto, Maricá mantém parceria com a Empresa de Desenvolvimento Aeronáutico (Desaer) para pesquisa, desenvolvimento e futura produção de aeronaves na cidade. O vínculo entre o Município e a empresa foi formalizado em março, quando a Prefeitura assinou com a Desaer um contrato de Encomenda Tecnológica (ETEC) no valor de R$ 32 milhões, no Galpão Tecnológico de Inoã, com participação do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM) e da própria Codemar.

Na ocasião, o prefeito Washington Quaquá afirmou que o investimento geraria de imediato 60 empregos para engenheiros locais, com projeção de até 6 mil vagas diretas e indiretas em três ou quatro anos, prazo em que um protótipo da aeronave desenvolvida pela empresa deverá voar a partir do Aeroporto de Maricá.

Desaer abre 40 vagas para engenheiros e arquitetos
O avanço mais recente da parceria ocorreu no início de julho, quando a Desaer anunciou a abertura de 40 vagas para engenheiros e arquitetos que atuarão na implantação da unidade industrial da empresa em Maricá. O anúncio foi feito em reunião promovida pela Prefeitura com o Movimento das Cooperativas, no Território do Futuro, no bairro do Flamengo, e reuniu mais de 50 profissionais cooperativados da cidade.

Segundo a empresa, os engenheiros selecionados passarão por capacitação específica, voltada a adaptar profissionais de áreas diversas às exigências técnicas da produção aeronáutica, enquanto os arquitetos poderão atuar em diferentes setores da fábrica, incluindo o desenvolvimento de interiores das aeronaves. As vagas, de acordo com a Desaer, não devem se concentrar apenas na linha de produção, havendo também oportunidades em planejamento, projetos, engenharia e acabamento.

A primeira frente de produção da fábrica será o ATL-100, aeronave bimotor turboélice não pressurizada, com capacidade para 19 passageiros ou 2,5 toneladas de carga, projetada para operar em pistas curtas e rústicas. A previsão inicial da empresa é fabricar até quatro unidades por mês. A Desaer também participa de licitação relacionada ao ATL-300, turboélice de maior porte, com capacidade para 40 passageiros; caso o processo avance, a demanda por profissionais poderá crescer, abrindo novas vagas no município.

Um polo em construção por etapas
A implantação da fábrica, portanto, deve ocorrer em etapas: primeiro, a estruturação da equipe técnica e o início da produção do ATL-100; depois, eventuais novos contratos poderão ampliar o porte da operação. Fundada em 2017 em São José dos Campos (SP) por ex-funcionários da Embraer, entre eles o CEO Evandro Fileno, a Desaer é uma empresa independente e de capital nacional, voltada a aeronaves utilitárias para os mercados regional e militar. Antes de firmar o acordo com Maricá, a companhia buscou instalar sua fábrica em Araxá (MG), negociação que não avançou.

Com o programa Voar é para Todos somado à instalação da fábrica, Maricá busca consolidar um novo polo industrial ligado à aviação, reunindo formação de mão de obra, engenharia, arquitetura, manutenção, produção, tecnologia e logística. A estratégia integra o esforço do Município para diversificar a economia local, hoje fortemente dependente dos royalties do petróleo.

19 julho, 2026

Eve fecha pedidos de até 16 e 30 eVTOLs em Farnborough, com destaque para Cabo Verde

Farnborough Airshow reúne avanços comerciais, regulatórios e de testes de voo do eVTOL da Embraer


*LRCA Defense Consulting - 19/07/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada à mobilidade aérea urbana (UAM, na sigla em inglês), reuniu, entre os dias 14 e 19 de julho de 2026, uma sequência de anúncios comerciais e regulatórios durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido. Os destaques incluem um novo pedido de até 16 aeronaves eVTOL, uma carta de intenções (LOI) para até 30 unidades destinadas a Cabo Verde e a publicação, pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da proposta de critérios de certificação acústica do Eve 100.

Pedido da Shearwater Global Capital
A Eve assinou, em 19 de julho, uma carta de intenções com a Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point, para até 16 aeronaves eVTOL. Segundo comunicado da empresa, a Shearwater atua como credora especializada em financiamento baseado em ativos para clientes não bancários dos setores comercial e privado da aviação, com experiência em financiamentos de pré-entrega, aeronaves de missão especial e ativos de geração mais antiga.

Fundada em 2014 por Chris Miller, a Shearwater integrou a Bay Point, gestora de crédito privado sediada em Atlanta, em abril de 2026, para estabelecer uma vertical dedicada a mobilidade aérea avançada (AAM, na sigla em inglês). De acordo com Chris Miller, diretor administrativo de aviação da Shearwater, a companhia pretende usar o backlog da Eve e seu ecossistema integrado de aeronaves e serviços para oferecer soluções de leasing a operadores.

O CEO da Eve, Johann Bordais, afirmou que a mobilidade aérea avançada deve desempenhar papel relevante no futuro do transporte e que a empresa espera apoiar a Shearwater na oferta de soluções de leasing ao mercado.

LOI com a Moov para Cabo Verde
Também em 19 de julho, a Eve e a Moov, companhia aérea suíça sediada em Lugano, firmaram carta de intenções para até 30 eVTOLs, com o objetivo de explorar oportunidades de turismo e mobilidade regional no arquipélago de Cabo Verde e, em paralelo, na Europa.

As empresas devem avaliar usos como passeios turísticos e deslocamentos entre aeroportos, portos e resorts, além de mobilidade regional entre as ilhas de São Vicente, Santo Antão, Sal, Praia e Boa Vista. Segundo o comunicado, também foi identificado potencial para transporte médico e inspeção de infraestrutura. Dados do Banco Mundial citados pela Eve indicam que o setor turístico de Cabo Verde recebeu cerca de 1,18 milhão de visitantes em 2024, alta de 16,5% em relação ao ano anterior.

A Moov integra o projeto Atlantic Gateway, plataforma que pretende conectar Europa, África e América Latina, e conta com executivos oriundos de empresas como Azul, Swiss International Air Lines, Etihad Airways, FedEx e ASL Aviation Group, segundo a própria companhia.

ANAC publica critério de ruído para o Eve 100
Ainda em 19 de julho, a ANAC publicou a proposta de critérios de certificação de ruído para o Eve 100, aeronave eVTOL da Eve que, pela primeira vez oficialmente, é assim denominada. A consulta pública sobre o tema segue aberta até 8 de agosto e representa, segundo a empresa, um passo relevante para o estabelecimento do arcabouço de certificação ambiental de eVTOLs no País.

De acordo com Isabel Lima, responsável pela área de ruído e vibração da Eve, a certificação acústica define metodologias de medição e critérios de conformidade que devem garantir a introdução de aeronaves com proteção ambiental adequada às comunidades no entorno das operações.

A empresa afirma que o projeto do Eve 100, de arquitetura lift-plus-cruise, foi concebido para operar de forma mais silenciosa que helicópteros convencionais, com apoio de um estudo de percepção visual e sonora conduzido em parceria com o Centro Aeroespacial Real dos Países Baixos (NLR, na sigla em inglês), que reuniu mais de 100 participantes em Nova York, Orlando e São Francisco. Encerrada a consulta, a ANAC deve avaliar as contribuições recebidas e seguir com a definição dos requisitos aplicáveis.

 

Testes de voo e panorama comercial
Ainda no âmbito do Farnborough Airshow, a Eve destacou o andamento da campanha de testes de voo do protótipo de engenharia do Eve 100, iniciada em dezembro de 2025. Segundo a empresa, dezenas de voos já foram realizados, com a fase de testes de transição prevista para este trimestre e a produção de seis protótipos de conformidade a começar ainda neste ano.

A companhia afirma manter uma carteira de aproximadamente 2.700 pré-pedidos de eVTOL, a maior do setor segundo a própria Eve, e cita como pedidos vinculantes recentes os da Revo, do Brasil, para até 50 aeronaves, e da AirX, do Japão, também para até 50 unidades, com previsão de operação inicial a partir de 2029. Os produtos Eve TechCare, de manutenção e suporte de frota, e Eve Vector, de gestão de tráfego aéreo urbano, completam o ecossistema comercial da empresa.

República Tcheca: um C-390 não muda uma frota, mas consolida um corredor na Europa Central

A entrega à República Tcheca importa menos pelo avião recebido e mais pelo que ele sinaliza sobre a Europa Central, a indústria brasileira e a força aérea tcheca

 

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LRCA Defense Consulting - 19/07/2026

A Embraer entregou, em 16 de julho, o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea da República Tcheca, em cerimônia realizada na 24ª Base Aérea de Transporte, em Praga-Kbely. A aeronave é a primeira das duas adquiridas pelo governo tcheco em contrato assinado em outubro de 2024, avaliado em 11,3 bilhões de coroas tchecas (cerca de US$ 493 milhões), e sua entrega ocorreu apenas 20 meses após a assinatura, prazo destacado pela fabricante como evidência da maturidade de sua linha de produção. O segundo exemplar está previsto para dezembro de 2027. Esses dados já circularam amplamente pelos portais especializados. O que ainda não foi explorado é o significado da entrega em três camadas distintas: a geopolítica da Europa Central, o retorno para a indústria brasileira e a mudança operacional dentro da força aérea tcheca.

O corredor logístico da Europa Central
A República Tcheca ocupa uma posição geográfica que reforça o significado estratégico da aquisição: está cercada por Alemanha, Polônia e Áustria, esta última já operadora do C-390 em arranjo conjunto com a Holanda. Ao todo, o cargueiro brasileiro já foi selecionado por onze países além do Brasil: Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Lituânia e, agora, a República Tcheca. Na Europa Central e Oriental, forma-se um agrupamento particularmente denso, com Áustria, Hungria, Eslováquia, Tcheca e, mais ao norte, a Lituânia.

Essa concentração geográfica sugere, ainda que de forma preliminar, a possibilidade de um corredor logístico regional: compartilhamento de treinamento, manutenção cruzada entre bases próximas e um eventual pool de peças sobressalentes entre operadores vizinhos. Não há, até o momento, confirmação oficial desse tipo de arranjo formal entre os países citados, mas a proximidade geográfica e a padronização da plataforma tornam essa hipótese operacionalmente plausível e coerente com o discurso de interoperabilidade que a própria OTAN tem promovido entre seus membros no leste europeu.

O que o Brasil ganha com isso
A leitura mais comum desse tipo de entrega concentra-se no cliente estrangeiro, mas o episódio também diz respeito à maturidade da cadeia industrial brasileira. Cada nova incorporação, a décima segunda linha de produção internacional em sequência, reforça o regime seriado da fábrica da Embraer em Gavião Peixoto e consolida receita recorrente para a divisão de Defesa & Segurança da companhia, reduzindo sua dependência histórica da aviação comercial.

Há também um dado pouco explorado: a cadeia de fornecimento do programa C-390 não corre em uma única direção. Empresas tchecas como a Aero Vodochody e a OMNIPOL já integram a cadeia de fornecedores do programa, produzindo componentes de fuselagem traseira, portas de tripulação e de paraquedistas, saídas de emergência, partes do bordo de ataque das asas e a rampa de carga. Esse desenho de offset industrial recíproco, no qual clientes internacionais também fornecem partes da própria aeronave que operam, funciona como instrumento de fixação política do contrato e como modelo replicável em negociações futuras, caso da Índia, onde o programa MTA da força aérea local acompanha de perto o precedente tcheco. Para o País, isso significa que cada nova venda amplia não apenas a receita, mas também a rede internacional de parceiros industriais em torno de um produto de bandeira nacional.

O que muda operacionalmente para a força aérea tcheca
A frota de transporte tcheca era composta, até então, por turboélices CASA C-295 e por dois Airbus A319CJ. O C-390 muda essa equação: transporta até 26 toneladas de carga útil, alcança cerca de 470 nós e opera tanto em pistas pavimentadas quanto em pistas semipreparadas ou não pavimentadas, além de poder atuar como aeronave-tanque ou receptora em reabastecimento em voo. Trata-se de um salto de capacidade, não de uma simples substituição de modelo.

O comandante da 24ª Base Aérea de Transporte, brigadeiro-general Jaroslav Falta, destacou durante a cerimônia que a aeronave amplia significativamente a capacidade logística das forças armadas tchecas, tanto para necessidades nacionais quanto para operações ao lado de aliados da OTAN. Antes da entrega, tripulações e equipes técnicas tchecas passaram por treinamento no Brasil, incluindo atividades no centro de treinamento da Embraer e no complexo de Gavião Peixoto, onde a aeronave também realizou seu voo inaugural, em 19 de maio, antes de seguir para pintura em Confins e, depois, para a Europa, com escala no Recife. A mudança, portanto, não é apenas material: é também humana, com uma nova geração de tripulantes tchecos já formada para operar um vetor logístico de outro patamar.

Três camadas, um mesmo episódio
Isoladamente, um C-390 a mais não altera o equilíbrio de forças na Europa. O significado da entrega está na sobreposição de três movimentos: a consolidação de um agrupamento regional de operadores na Europa Central, o amadurecimento de uma cadeia industrial brasileira que já exporta para doze países, e a mudança operacional concreta dentro de uma força aérea que ganha, de uma só vez, alcance, carga e flexibilidade que sua frota anterior não oferecia. É essa sobreposição, mais do que a cerimônia em Praga-Kbely, que dá à entrega seu real peso estratégico.

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