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01 agosto, 2026

Mac Jee formaliza estrutura própria na Arábia Saudita e nomeia executivo saudita para dirigi-la

Vindo da SAMI, Khalaf Alabdullah assume a Mac Jee Arábia Saudita em movimento que sinaliza a passagem de fornecedor de engenharia a produtor instalado no Reino, sem confirmação regulatória até o momento 


*LRCA Defense Consulting - 01/08/2026

A Mac Jee anunciou, em julho de 2026, a nomeação de Khalaf Alabdullah como CEO da Mac Jee Arábia Saudita, com responsabilidade sobre as operações da companhia no Reino e na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA). O anúncio foi feito no perfil da empresa no LinkedIn e replicado em 25 de julho pelo portal StrongYes, publicação de recursos humanos sediada no Golfo. A informação não foi reproduzida, até o fechamento desta matéria, por veículos especializados em defesa no Brasil ou no exterior.

O ponto relevante do comunicado não está no nome do executivo, ainda pouco conhecido fora dos círculos industriais sauditas, mas na existência de uma entidade chamada Mac Jee Arábia Saudita. É a primeira vez que a companhia brasileira, sediada em São José dos Campos (SP), assume publicamente uma estrutura societária identificada no Reino, com liderança local e escopo regional definido, depois de anos operando por meio de escritório comercial e de contratos de engenharia executados dentro de instalações de clientes sauditas.

O que o comunicado diz e o que não diz
No texto divulgado, a Mac Jee afirma que a nomeação representa marco na estratégia de crescimento internacional e reforça o compromisso de longo prazo com o Reino. Declara ainda que pretende contribuir para o desenvolvimento da base industrial de defesa saudita por meio de transferência de conhecimento, desenvolvimento tecnológico, formação de talento local e produção local de soluções avançadas de defesa, em alinhamento com os objetivos estratégicos do país.

A leitura atenta mostra que a produção local aparece na frase de compromisso, ao lado de itens declaradamente prospectivos, e não em uma descrição de ativos existentes. O comunicado não afirma que a Mac Jee opere unidade fabril de sua propriedade no Reino. Trata-se de objetivo declarado, não de fato consumado, distinção que importa tanto para a análise industrial quanto para a leitura regulatória do movimento.

Quem é Khalaf Alabdullah
A Mac Jee descreve o executivo como um dos principais nomes do setor de defesa da região, com histórico em sistemas de mísseis, programas estratégicos e parcerias internacionais de defesa. Não há, contudo, registro público prévio do nome em programas sauditas de defesa, em bases de imprensa especializada ou em comunicados oficiais do Reino. Buscas em português, inglês e árabe não localizaram menções anteriores ao anúncio da empresa.

O único dado biográfico adicional disponível vem da reportagem do StrongYes, que informa, com base no perfil profissional do próprio executivo, que ele ocupava anteriormente a função de Director of Capabilities and Business Development na Saudi Arabian Military Industries (SAMI), a estatal de defesa vinculada ao Fundo de Investimento Público saudita. A informação é autodeclarada e não foi confirmada pela SAMI. Se correta, explicaria a ausência de rastro na imprensa, por tratar-se de posição de direção intermediária, sem exposição pública, e daria sentido à menção a sistemas de mísseis no comunicado da Mac Jee.

A fábrica saudita e a questão da titularidade
A presença industrial da Mac Jee na Arábia Saudita não é novidade. Desde dezembro de 2024, este portal registra que a empresa instalou no Reino uma planta de material energético com capacidade de 2 mil toneladas de TNT e 120 toneladas de RDX, ocupando cerca de 500 mil metros quadrados dentro das instalações da Saudi Chemical Company Limited (SCCL), a maior companhia de produção de energia civil e militar do país. Em maio de 2026, reportagem do mesmo portal detalhou que a companhia brasileira projetou e colocou em operação a estrutura, cujas capacidades declaradas abrangem TNT militar, RDX Tipo I e II, HMX e propelentes sólidos compósitos para propulsão de foguetes.

A titularidade, porém, é do cliente. A planta foi descrita como a primeira fábrica própria de explosivos militares da Arábia Saudita, erguida no parque industrial da SCCL. À Mac Jee coube o projeto, a transferência de tecnologia de processo e o comissionamento. Essa configuração é coerente com a nota de esclarecimento divulgada pela empresa em junho de 2023, após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre o contrato: naquele documento, a companhia sustentou que o objeto contratual se limitava à exportação de produtos básicos relativos à linha de produção de materiais energéticos de base e que o know-how e o segredo industrial permaneciam reservados ao Brasil. O contrato foi celebrado em 2018, com anuência das autoridades dos dois países.

De escritório comercial a subsidiária
O material institucional da Mac Jee descrevia, até recentemente, unidades fabris em São José dos Campos e Paraibuna, ambas no interior paulista, além de escritórios em São Paulo, na França e no Oriente Médio. O comunicado de fevereiro de 2024, distribuído às vésperas do World Defense Show, mencionava que a empresa se preparava para expandir a capacidade produtiva fora do Brasil, sem detalhar onde ou quando. Na edição de fevereiro de 2026 do mesmo evento, em Riade, a companhia voltou com planos declarados de localização de produção no Reino e de expansão para sistemas de mísseis, este último em cooperação com a Força Aérea Brasileira.

A criação de uma subsidiária nomeada, com CEO saudita, é salto de natureza diferente. Escritório comercial representa presença de vendas. Contrato de engenharia representa prestação de serviço. Subsidiária com direção local representa intenção de permanência, de contratação no mercado local e de habilitação junto às autoridades do país anfitrião. É o passo que antecede, tipicamente, a instalação de capacidade produtiva própria.

O marcador regulatório que ainda falta
A confirmação definitiva da hipótese industrial viria de um documento específico: a licença de fabricação militar emitida pela Autoridade Geral de Indústrias Militares (GAMI), órgão que regula, licencia e fiscaliza o setor de defesa saudita e que responde pela meta da Visão 2030 de nacionalizar mais de 50% do gasto militar do Reino. Nenhuma empresa fabrica material de defesa em território saudita sem essa autorização.

Não foi localizado registro de licença da GAMI em nome da Mac Jee. A autoridade não publica lista consolidada de licenciados, o que impede afirmar categoricamente que a licença não exista, mas também impede tratá-la como obtida. Empresas estrangeiras que alcançam esse estágio costumam anunciá-lo, como fez a norte-americana 3D Systems em 29 de julho de 2026, ao divulgar que sua joint venture NAMI, formada com a Dussur e a Saudi Energy, recebeu licença de manufatura militar da GAMI. O silêncio da Mac Jee sobre o ponto é, em si, indicativo.

O movimento no quadro maior
A nomeação ocorre em fase de adensamento internacional da Mac Jee. Em 29 de maio de 2026, a empresa assinou memorando de entendimento com o Grupo MBDA, maior fabricante europeu de mísseis, após visita técnica de representantes do grupo europeu às suas instalações no mês anterior. A companhia mantém contrato internacional de cerca de US$ 60 milhões para fornecimento de munições de tecnologia avançada, firmado em julho de 2025, e integra o programa hipersônico PROPHIPER 14-X da Força Aérea Brasileira, para o qual desenvolve o foguete acelerador RATO-14X. A CEO do grupo é Alessandra Stefani; o Conselho de Administração é presidido pelo fundador Simon Jeannot, que deixou a gestão executiva em 2020 para concentrar-se na expansão global.

A relação com o Reino, iniciada com o contrato de 2018 e formalizada institucionalmente durante o World Defense Show de 2022, quando Jeannot foi recebido pelo ministro Khalid Al Falih e por Ahmad A. Al-Ohali, então à frente da GAMI, transformou o perfil da empresa. Fontes ligadas ao projeto relataram à imprensa que a companhia mudou de patamar no mercado após o contrato saudita.

O que permanece em aberto
Três pontos exigem confirmação antes de qualquer afirmação categórica. O primeiro é o histórico profissional de Khalaf Alabdullah, sustentado por ora apenas em fonte autodeclarada. O segundo é a natureza jurídica exata da Mac Jee Arábia Saudita, se subsidiária integral, joint venture com sócio local ou representação registrada, informação que o comunicado não esclarece e que determina o alcance real do movimento. O terceiro é a existência de licença da GAMI, sem a qual a produção local citada no anúncio permanece no campo da intenção.

Procurada, a Mac Jee não havia respondido até o fechamento desta reportagem.

31 julho, 2026

Documentos revelam termos da compra dos dois KC-390 da Colômbia, em meio a crise na transição de governo

Proposta financeira da Embraer supera US$ 366 milhões, com entregas previstas até 2030, enquanto o Ministério da Defesa colombiano alerta para a necessidade de fechar o negócio antes da posse do novo governo

 
*LRCA Defense Consulting - 31/07/2026

A rádio colombiana Caracol Radio divulgou nesta sexta-feira, 31 de julho de 2026, documentos que comprovam que a Força Aeroespacial Colombiana (FAC) avança na compra de duas aeronaves KC-390 Millennium, fabricadas pela Embraer. Segundo a reportagem, assinada pelo jornalista José David Rodríguez, a proposta financeira apresentada pela Embraer SA totaliza US$ 366.430.371 e inclui as aeronaves, treinamento, suporte logístico, equipamentos especializados e demais recursos necessários para sua operação. Na documentação, o modelo é identificado como "KC-390, aeronave básica", enquanto a finalidade do processo é descrita como a aquisição de aeronaves de transporte tático militar pesado, treinamento, equipamentos associados e suporte logístico.
A reportagem da Caracol Radio confirma e detalha uma informação já antecipada em 14 de julho pelo portal espanhol Infodefensa, segundo o qual o presidente Gustavo Petro teria determinado o encerramento do processo de aquisição das duas aeronaves. Àquela altura, a FAC ainda comparava o KC-390 com o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin, e o A400M Atlas, da Airbus. Antes disso, em 30 de março de 2026, o próprio Infodefensa já havia noticiado uma primeira ordem presidencial para iniciar o processo de compra, atribuída ao interesse de Petro em reforçar uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de conversas e compromissos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Valores e cronograma de entrega
De acordo com os documentos obtidos pela Caracol Radio, cada aeronave está avaliada em mais de US$ 159 milhões, totalizando US$ 319.915.860 pelas duas unidades. Os US$ 46,5 milhões restantes da proposta cobrem equipamentos adicionais, treinamento, suporte logístico e outros elementos necessários à operação. Os documentos estipulam ainda um pagamento adiantado de US$ 182.872.498, a ser desembolsado entre 2027 e 2028, conforme o cronograma financeiro do contrato, com os pagamentos restantes condicionados à fabricação e entrega das aeronaves e de seus equipamentos associados. Os preços foram descritos como fixos e imutáveis durante toda a execução do contrato.
Segundo o cronograma obtido pela emissora, a primeira aeronave deverá ser entregue antes de 30 de outubro de 2029, e a segunda, antes de 30 de novembro de 2030. O contrato prevê ainda o treinamento inicial de pilotos e pessoal técnico da FAC, suporte logístico por 24 meses, equipamentos de apoio em solo e o transporte da primeira aeronave das instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no Brasil, até a Base Aérea de CATAM, em Bogotá.
Reabastecimento em voo e uso humanitário
Um dos pontos centrais da oferta é que a primeira aeronave será configurada para realizar reabastecimento em voo, por meio da instalação de sistemas sob as asas, um tanque auxiliar, câmeras e outros equipamentos que permitirão o fornecimento de combustível a outras aeronaves durante operações, entre elas os caças Gripen E/F que a Colômbia também adquiriu da sueca Saab. A mesma unidade incorporará um pacote de sistemas de contramedidas para aumentar sua proteção. As duas aeronaves serão equipadas com comunicações via satélite, rádios militares seguros e sistemas de navegação avançados.
O KC-390 também poderá ser empregado em missões humanitárias e de evacuação aeromédica. A oferta inclui 74 macas, com sistema de empilhamento, o que permitirá adaptar a aeronave para o transporte simultâneo de dezenas de pacientes em emergências ou desastres, uma capacidade relevante para um País marcado pela Cordilheira dos Andes, por extensas áreas amazônicas e por regiões com infraestrutura aeroportuária limitada.
O impasse dos sistemas israelenses
A negociação segue esbarrando em uma questão política sensível para o governo Petro. Segundo o Infodefensa, determinadas configurações do KC-390 incorporam sistemas desenvolvidos pela indústria israelense, entre eles o sistema de missão da aeronave, criado pela Elbit Systems por meio de sua subsidiária brasileira AEL Sistemas, responsável por elementos críticos da cabine, incluindo os sistemas de visualização e o Head-Up Display (HUD). A configuração também pode integrar suítes de autoproteção e guerra eletrônica de origem israelense, entre elas sistemas Dircm (Directional Infrared Countermeasures), dispensadores de contramedidas (CMDS) e pods de guerra eletrônica ativa (AECM), o que colide com restrições que o próprio Petro impôs à aquisição de equipamentos de origem israelense.
Uma compra fechada às pressas na transição de governo
O avanço do negócio ocorre em um momento politicamente delicado. A Colômbia atravessa o processo de empalme (transição institucional) entre o governo de Gustavo Petro e o do presidente eleito, Abelardo De la Espriella, ainda não empossado. O comitê de transição designado pelo mandatário eleito suspendeu sua participação no processo em 7 de julho de 2026, após atritos com a equipe de Petro, o que levou vários ministérios, entre eles o da Defesa, a manter as reuniões previstas e a deixar prontos os relatórios de gestão diante de cadeiras vazias reservadas aos delegados do novo governo.
Segundo relatos reproduzidos em fóruns especializados em defesa colombianos, um informe de empalme do Ministério da Defesa, sob o comando do ministro Pedro Sánchez, alertaria para a necessidade de concluir o processo de compra dos KC-390 ainda durante a atual gestão, o que tem gerado debate sobre a conveniência de fechar um contrato dessa magnitude sem mecanismo de financiamento plenamente assegurado antes da posse do governo entrante. Não há, até o momento, confirmação oficial de assinatura do contrato.
Peça de um rearmamento mais amplo
A eventual chegada do KC-390 se soma a uma renovação mais ampla da aviação militar colombiana, que também inclui a aquisição de 17 caças Gripen E/F, da Saab, em substituição aos veteranos Kfir, de origem israelense. Caso o contrato seja formalizado, a Colômbia se tornará mais um operador do C-390 Millennium, que já opera ou foi selecionado por Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos, Lituânia e Uzbequistão, além do Brasil. 
O mesmo movimento de renovação de frotas de transporte tático alcança outros países da região, caso do Chile, cujo presidente José Antonio Kast já sinalizou publicamente interesse pela aeronave, e de Marrocos, cuja negociação avançada prevê a compra de cinco unidades em um contrato estimado em mais de US$ 600 milhões.

Kolibri Beteiligung confirma aquisição de cinco Embraer E190 pela German Airways

Financiamento das aeronaves foi fechado dentro do limite previsto pelo bônus da holding alemã, mas companhia aérea ainda não divulgou comunicado próprio sobre a operação 



*LRCA Defense Consulting - 31/07/2026
A Kolibri Beteiligung GmbH, holding controladora da German Airways GmbH, anunciou nesta quinta-feira (30 de julho de 2026) que a subsidiária concluiu, conforme cronograma previsto, a aquisição e o financiamento de cinco aeronaves regionais Embraer E190. O comunicado foi publicado às 20h50 (horário local) no site da Deutsche Börse, na condição de divulgação de informação privilegiada exigida pelo artigo 17 do MAR (Market Abuse Regulation), o regulamento europeu de abuso de mercado.
A operação está diretamente ligada ao bônus corporativo garantido emitido pela Kolibri em 13 de fevereiro de 2026 (Nordic Bond, ISIN NO0013461384), negociado no mercado livre (Free Market) das bolsas de Dusseldorf, Frankfurt, Hamburgo, Hanôver, Stuttgart e na Tradegate BSX. Segundo a Kolibri, o financiamento das cinco aeronaves foi fechado com um parceiro especializado em financiamento de aeronaves, em condições de mercado, e permanece integralmente dentro do limite de endividamento financeiro permitido pelas cláusulas do bônus (permitted financial indebtedness). A empresa afirma que as cláusulas contratuais da dívida seguem sendo cumpridas sem alteração.
A German Airways, sediada em Colônia, é a operadora de aviação do grupo logístico Zeitfracht, que reúne as antigas LGW e WDL Aviation sob uma única marca. A frota da companhia opera exclusivamente com o modelo E190, configurado em classe única de 100 assentos, em contratos de wet lease (aluguel de aeronave com tripulação), charter e ACMI (Aircraft, Crew, Maintenance and Insurance) para companhias como KLM Cityhopper, easyJet, Finnair e LOT Polish Airlines.
Antes do anúncio de hoje, a frota da German Airways somava nove aeronaves E190, após a incorporação, em janeiro de 2026, de uma unidade adicional (registro D-ABKE), arrendada por três anos junto à britânica Executive Jet Support (EJS), para reforçar o serviço de alimentação (feeder) prestado à companhia de lazer Condor. A aquisição das cinco novas aeronaves, agora financiadas diretamente pela estrutura da Kolibri, indica um novo salto na expansão de frota, cujo objetivo declarado pela direção da companhia é ampliar a estabilidade operacional e sustentar novos contratos de capacidade regional na Europa.
Até a publicação desta matéria, a própria German Airways não havia emitido comunicado institucional sobre a operação; a página de imprensa da companhia (germanairways.com/en/press) seguia com sua última atualização datada de 30 de março de 2026, referente à nomeação de Axel Schefe como diretor de Tecnologia. A ausência de um release próprio da operadora, neste caso, não é incomum: quando a obrigação legal de divulgação recai sobre a holding financeira emissora da dívida, como ocorre aqui com a Kolibri, é ela quem assume o dever de comunicar o fato relevante aos detentores do bônus, ainda que a operação diga respeito à frota da subsidiária aérea.
A matéria foi apurada com base no comunicado oficial da Kolibri Beteiligung GmbH publicado na plataforma da Deutsche Börse, em registros históricos de comunicados da German Airways e em reportagens do setor aéreo europeu sobre a expansão recente da frota da companhia.

30 julho, 2026

Conselho dos Emirados reforça parcerias na Farnborough 2026 e celebra a chegada do C-390

Delegação emiradense liderada pelo secretário-geral Nasser Humaid Al Nuaimi posou ao lado do cargueiro da Embraer durante a feira britânica, em referência ao contrato que tornou os Emirados o maior comprador internacional da aeronave 


*LRCA Defense Consulting - 30/07/2026

Uma delegação do Tawazun Council for Defence Enablement (Tawazun), conselho responsável por fomentar e regular o ecossistema industrial de defesa e segurança dos Emirados Árabes Unidos (EAU), concluiu em 23 de julho uma visita de trabalho ao Reino Unido, realizada à margem da Farnborough International Airshow 2026. Chefiada pelo secretário-geral da entidade, Dr. Nasser Humaid Al Nuaimi, a comitiva cumpriu uma agenda de reuniões e visitas técnicas voltada a ampliar a cooperação industrial e tecnológica do país e a construir parcerias de alto valor para o setor.

Reuniões em Londres
Segundo comunicado da agência de notícias oficial dos Emirados, a WAM, a programação incluiu conversas com o diretor nacional de armamentos do Reino Unido, com foco no fortalecimento da parceria bilateral de defesa e no alinhamento de prioridades industriais entre os dois países. Al Nuaimi também se reuniu com representantes de empresas e organizações internacionais do setor, entre elas a MBDA, a RTX, a BAE Systems, o UK Defence Solutions Centre e a Enterprise Gateway.

As discussões trataram de tecnologias avançadas de defesa, sistemas de defesa aérea e pesquisa e desenvolvimento, além de temas como transferência de conhecimento, capacitação de talentos nacionais e localização de tecnologias e cadeias de suprimentos consideradas prioritárias para o país.

Em nota, o diretor executivo de estratégia e assuntos executivos da Tawazun, Khalifa Ayada Al Hameli, afirmou que a participação na Farnborough International Airshow reflete a estratégia de longo prazo dos Emirados de construir parcerias internacionais baseadas na troca de conhecimento, na formação de talentos e na localização de tecnologias e cadeias de suprimentos, com o objetivo de reforçar a sustentabilidade da base industrial de defesa do país.

A foto ao lado do C-390
O registro que ilustra o comunicado da WAM mostra a delegação do Tawazun posando em frente a um C-390 Millennium da Embraer estacionado no pátio da feira britânica. Ao lado de membros da tripulação, a comitiva emiradense surge alinhada diante da aeronave, que exibe bandeiras de diferentes países junto à porta dianteira, um gesto simbólico que reforça a importância atribuída pelos Emirados à aquisição do cargueiro brasileiro para a defesa do país.

A imagem reforça, no plano simbólico, o vínculo já firmado no campo contratual entre o Tawazun e a Embraer em torno do C-390, hoje o maior programa de exportação da aeronave para um único país.

O contrato que tornou os EAU o maior cliente do C-390
A visita à Farnborough ocorre menos de três meses depois de o Tawazun assinar, em 4 de maio, o maior contrato internacional já firmado para o C-390 Millennium. O acordo, celebrado durante o evento Make it in the Emirates 2026, em Abu Dhabi, prevê a compra de dez aeronaves firmes e opção de mais dez unidades para a Força Aérea e Defesa Aérea dos Emirados, o que representa também a primeira venda do cargueiro no Oriente Médio.

O contrato foi assinado por Al Nuaimi e por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, na presença do vice-presidente e vice-primeiro-ministro dos Emirados, xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, e do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto. O acordo prevê ainda o desenvolvimento de capacidades locais de manutenção, reparo e revisão (MRO) em parceria com uma empresa de defesa emiradense, em linha com a política de conteúdo local que orienta a atuação do Tawazun.

Caso todas as opções sejam exercidas, a frota emiradense de C-390 poderá superar em número a do próprio Brasil, país de origem da aeronave. Para o Tawazun, a seleção do C-390 seguiu uma avaliação técnica e operacional que incluiu testes em condições ambientais equivalentes às do Golfo, e a aeronave é vista pela entidade como peça central para modernizar a capacidade de transporte aéreo militar do país nas próximas décadas.

29 julho, 2026

FNAC amplia para R$ 13,56 bilhões o crédito destinado às companhias aéreas

BNDES ficará responsável por avaliar a liberação dos recursos, que devem beneficiar GOL, LATAM, Azul e Abaeté, e podem impulsionar indiretamente a demanda por aeronaves da Embraer

 

*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026

O Comitê Gestor do Fundo Nacional de Aviação Civil (CG-FNAC) aprovou, em 22 de junho, a ampliação do acesso das companhias aéreas brasileiras a duas linhas de crédito que somam R$ 13,56 bilhões. O valor é mais de três vezes superior aos R$ 4 bilhões previstos originalmente para o fundo e representa, segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), o maior pacote de crédito já estruturado com recursos do FNAC para o setor. 

Apesar da aprovação do comitê, a contratação ainda depende de análise técnica do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que avaliará risco de crédito, capacidade de pagamento e garantias de cada companhia antes de liberar os valores.

A primeira modalidade é uma linha emergencial de capital de giro, no valor de R$ 8 bilhões, criada pela Resolução CMN nº 5.297/2026. Gol, Latam Airlines Brasil e Azul poderão captar até R$ 2,5 bilhões cada uma, enquanto a Abaeté terá acesso a até R$ 80 milhões. As operações têm prazo de até 60 meses, juros de 4% ao ano e carência de até 12 meses para início do pagamento. Como contrapartida, as empresas que aderirem à linha ficam proibidas de distribuir dividendos a acionistas durante o período de vigência dos contratos.

A segunda modalidade, prevista na Resolução CMN nº 5.260/2025, disponibiliza R$ 5,56 bilhões para investimentos de longo prazo, com até R$ 1,8 bilhão para cada uma das três grandes companhias. Os recursos dessa linha, com juros entre 6,5% e 7,5% ao ano a depender do investimento, podem ser usados na aquisição de aeronaves, modernização de frota, manutenção, compra de combustível sustentável de aviação (SAF) e obras de infraestrutura aeroportuária. Como condição, as aéreas participantes precisam ampliar a oferta de voos para regiões consideradas estratégicas para a integração nacional, como a Amazônia Legal e o Nordeste.

A ampliação do pacote de crédito responde ao aumento dos custos operacionais do setor aéreo brasileiro, em especial com o querosene de aviação (QAV), item que passou a representar quase 45% das despesas das companhias em razão dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo. Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, as linhas de crédito garantem condições para que as empresas sigam investindo em suas operações e fortalecendo a conectividade aérea em todas as regiões do País.

Benefício indireto à Embraer
O financiamento aprovado pelo CG-FNAC não se destina diretamente à Embraer; o benefício direto é das próprias companhias aéreas, e não da fabricante. Ainda assim, o efeito sobre a Embraer tende a ser positivo por via indireta: Gol, Latam e Azul, principais beneficiárias da linha de investimento de longo prazo, são clientes da fabricante brasileira e têm pedidos e negociações em curso para aeronaves da família E-Jets E2, o que faz da nova disponibilidade de crédito um fator que pode sustentar ou ampliar essa demanda. 

A ampliação do FNAC é distinta de outros movimentos recentes do BNDES em relação à Embraer, como o financiamento de R$ 279 milhões aprovado em abril para projetos de inovação da companhia, no âmbito do programa BNDES Mais Inovação, e as linhas Exim Pós-Embarque usadas para viabilizar a exportação de aeronaves a clientes internacionais.

Ministério da Defesa abre chamada para empresas participarem do Brazilian Defense Day 2026

Evento, coordenado pela Secretaria de Produtos de Defesa, reunirá embaixadas e representantes das Forças Armadas em 3 de setembro, na Escola Superior de Defesa, em Brasília; inscrições para pitches das empresas vão até 21 de agosto

 
*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026

A Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD), do Ministério da Defesa, abriu chamada para que empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) brasileira se inscrevam no Brazilian Defense Day 2026, edição do encontro que aproxima o setor de defesa nacional de embaixadas, representantes de Forças Armadas estrangeiras e delegações internacionais. O evento acontecerá no dia 3 de setembro, das 8h30 às 14h30, na Escola Superior de Defesa (ESD), em Brasília (DF).
A iniciativa é coordenada pela SEPROD em parceria com o Cluster Aeroespacial Brasileiro, sediado no Parque Tecnológico de São José dos Campos (PIT-SJC), que atua na divulgação da chamada junto a suas empresas associadas. Segundo o comunicado distribuído às associadas, o encontro busca ampliar o relacionamento institucional e comercial da BIDS brasileira com embaixadores, representantes do corpo diplomático, autoridades das Forças Armadas e delegações internacionais, fortalecendo a inserção do setor no mercado externo.
A edição de 2026 dá sequência a um formato que já havia sido testado pela SEPROD em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE): o Brazilian Defense Day Embaixadas, realizado no Clube da Aeronáutica de Brasília, reuniu representantes de 47 países e 48 empresas brasileiras, que apresentaram seus produtos em formato de pitch competition a embaixadores e delegações estrangeiras. À época, o sucesso da iniciativa levou a expectativa de que o evento passasse a integrar o calendário oficial do Ministério da Defesa, o que se confirma agora com a nova edição marcada para setembro.
Como participar
As empresas interessadas em apresentar seus produtos e soluções durante o evento devem enviar arquivos em PowerPoint até o dia 21 de agosto, para o e-mail bdd.seprod@defesa.gov.br. As apresentações devem seguir um roteiro definido pela organização: no máximo cinco slides, sem vídeos, com o primeiro slide dedicado à identificação da empresa e o último trazendo contatos e QR Code. O material servirá de base para um pitch de três minutos, a ser apresentado durante o encontro.
A organização reforça que a participação das empresas é considerada estratégica para a promoção internacional da BIDS brasileira, em um momento de expansão das exportações do setor. Segundo balanço divulgado pela própria SEPROD, as autorizações concedidas pelo governo brasileiro para exportação de produtos de defesa somaram US$ 1,815 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 29% sobre o mesmo período de 2025, resultado atribuído pela pasta a viagens oficiais, ao novo modelo de negociação governo a governo e ao lançamento de catálogo de produtos da BIDS.
Dúvidas sobre a participação das empresas associadas ao Cluster Aeroespacial Brasileiro podem ser encaminhadas para o e-mail aero@pitsjc.org.br

ANA Holdings confirma compra de mais oito Embraer E190-E2

Novo pedido eleva para 23 o total de encomendas firmes da fabricante brasileira junto ao grupo japonês, que prepara parceria operacional mais ampla com a IBEX Airlines


*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026

A ANA Holdings, controladora da All Nippon Airways (ANA), aprovou nesta quarta-feira (29), em reunião de conselho, a compra de mais oito jatos Embraer E190-E2. A decisão foi confirmada por registro da própria companhia na bolsa japonesa e reproduzida por veículos especializados, entre eles a AVIATOR e a FlightGlobal.

O novo pedido soma-se ao contrato firmado em fevereiro de 2025, quando a ANA Holdings encomendou 15 unidades firmes do modelo, com opção para outras cinco. Com a nova confirmação, o total de compromissos firmes do grupo japonês para o E190-E2 sobe para 23 aeronaves. Segundo o registro da bolsa, o valor do pedido adicional gira em torno de 105 bilhões de ienes (cerca de US$ 642 milhões). As entregas estão previstas para o período entre o ano fiscal de 2029, que começa em 1º de abril daquele ano, e 2032.

Configurado na versão de 100 assentos, o E190-E2 é apresentado pela Embraer como o jato de sua categoria com menor consumo de combustível e menores emissões sonoras entre os modelos equivalentes, graças a motores e tecnologias de geração mais recente. A ANA Holdings afirma que a aeronave dará mais flexibilidade para ajustar a oferta de capacidade à demanda nas rotas domésticas, em um contexto de mudanças demográficas no Japão, incluindo o encolhimento da população em determinadas regiões.

A compra das oito novas unidades está diretamente ligada a um movimento de reorganização das operações domésticas da ANA. Segundo apurado pelo portal TRAICY, a companhia e sua parceira de codeshare, a IBEX Airlines, sediada em Tóquio, anunciaram um acordo para ampliar a atual parceria, que passará de um simples compartilhamento de código para uma parceria operacional mais abrangente. Nesse novo arranjo, a ANA seguirá responsável pelo planejamento de rotas, frequências e vendas, na condição de transportadora comercializadora, enquanto a IBEX Airlines operará os voos, na condição de transportadora operadora, sob o código e os números de voo da ANA.

As oito novas aeronaves E190-E2 serão usadas em conjunto com a frota já existente do grupo ANA e devem substituir os jatos CRJ da IBEX Airlines, que hoje opera nove unidades do modelo CRJ700. A companhia afirma que o novo desenho de parceria permitirá a ambas as empresas usar de forma mais eficiente seus recursos de gestão, ao mesmo tempo em que a ANA preserva sua rede doméstica e ganha eficiência operacional.

O pedido original de fevereiro de 2025 fazia parte de uma encomenda maior, de até 77 aeronaves, fechada pela ANA Holdings com a Boeing, a Airbus e a Embraer, e marcou a primeira chegada da família E2 ao mercado japonês. Até então, a frota regional do grupo era composta por turboélices De Havilland Canada DHC-8-Q400, operados pela subsidiária ANA Wings. As entregas do primeiro lote de E190-E2 devem começar em 2028.

A Embraer não havia se manifestado publicamente sobre o novo pedido até a publicação desta matéria.

Thales expande hub de radares no Brasil e abre espaço para novas parcerias e aquisições

Ampliação da fábrica da Omnisys em São Bernardo do Campo consolida a subsidiária como centro global de produção e reforça o apetite da matriz francesa por fusões e aquisições no País, movimento que já vinha sendo puxado por outros grupos estrangeiros na base industrial de defesa

 
*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026

A Omnisys, subsidiária brasileira do grupo francês de defesa Thales, concluiu a maior expansão industrial de sua história e, ao mesmo tempo, sinalizou disposição para crescer no Brasil por meio de novas parcerias e aquisições. O anúncio, feito nesta terça-feira (28), em São Bernardo do Campo (SP), reúne dois movimentos que se complementam: a consolidação da fábrica local como polo global de radares e a perspectiva, admitida publicamente por executivos da companhia, de que o crescimento futuro no País passe também por operações de compra ou associação com outras empresas do setor.
O maior investimento da história da unidade
Segundo a Thales, o aporte superior a R$ 120 milhões multiplicou por dez a capacidade de produção de radares da Omnisys, que passa de uma média de cinco para 50 equipamentos por ano. A área fabril da unidade, no bairro Vila Júpiter, cresce 40%, de oito mil para 11 mil metros quadrados, e o processo deve ser concluído em junho de 2027. O quadro de funcionários aumentará 70%, de 250 para 420 pessoas, com a capacitação da nova mão de obra prevista para durar até dezembro de 2026.
O anúncio contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Segundo o presidente da Omnisys, Rodrigo Modugno, a companhia já exporta para 20 países e pretende orientar a produção para escala serial sem abrir mão da capacidade de inovar e atender às Forças Armadas brasileiras. O diretor-geral da Thales no Brasil e vice-presidente para a América Latina, Luciano Macaferri Ridrigues, afirmou que o resultado consistente da operação no País justificou a decisão de concentrar ali parte da produção hoje feita na França, no Reino Unido e na Austrália.
Discurso aberto a fusões e aquisições
Ao lado da ampliação física da fábrica, a Thales deixou claro que enxerga espaço para crescer no Brasil também por vias externas. Em entrevista à Reuters, o vice-presidente de radares de superfície da Thales, Eric Huber, disse que a companhia está aberta a parcerias e a atividades de M&A (fusões e aquisições), já que pretende continuar crescendo no País. Segundo ele, a empresa não comenta casos específicos, mas reafirma a intenção de ampliar sua presença nacional.
No curto prazo, a prioridade da Thales é garantir o sucesso da nova etapa produtiva e das entregas decorrentes da expansão da fábrica. No médio e no longo prazos, porém, o grupo avalia ampliar o portfólio fabricado localmente, incluindo novos modelos de radares e o reforço da parceria com o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira na área de radares militares. A Thales projeta crescimento superior a 60% em vendas e receitas na América Latina nos próximos três a cinco anos.
Um padrão que já se repete na indústria brasileira
A sinalização da Thales ocorre num momento em que a base industrial de defesa (BID) brasileira já vive um ciclo de consolidação puxado por capital estrangeiro. O caso mais recente é o do EDGE Group, conglomerado estatal dos Emirados Árabes Unidos, que concluiu, em pouco menos de três anos, a compra de três empresas de defesa no País: 50% da SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico), em 2023; 51% da Condor Tecnologias Não Letais, em 2024; e, mais recentemente, 100% da Akaer, empresa de engenharia aeroespacial de São José dos Campos.
Segundo o CFO do EDGE Group, Rodrigo Torres, o objetivo do conglomerado é repetir nas empresas adquiridas a mesma estratégia: injeção de capital, expansão da produção e acesso à carteira internacional do grupo. A movimentação do EDGE Group ilustra o interesse de grandes conglomerados estrangeiros em ativos brasileiros de defesa com tecnologia sensível, como mísseis, sistemas eletro-ópticos e engenharia aeroespacial; é nesse cenário que se insere a fala de Huber sobre o apetite da Thales por parcerias e aquisições.
Radares militares e vigilância costeira como próximos passos
Modugno adiantou que a Omnisys pretende ampliar sua atuação em vigilância costeira, área que, segundo ele, é uma demanda crescente à medida que os países ficam mais atentos às suas zonas econômicas exclusivas. No mercado doméstico, o executivo citou o aumento das apreensões em zonas rurais como outro fator de demanda. A empresa também deve quadruplicar a capacidade de seu laboratório de reparos em São Bernardo do Campo, com técnicos brasileiros atuando em diferentes países para garantir a disponibilidade dos radares, cuja vida útil varia de 25 a 30 anos.
Para Macaferri Ridrigues, o maior desafio da expansão não está na demanda, mas na formação de mão de obra especializada; segundo ele, um radarista qualificado pode levar décadas para ser formado, o que levou a Thales a investir em treinamento interno e em intercâmbio com universidades locais, entre elas a Universidade Federal do ABC (UFABC).
Se, por ora, a Thales evita comentar operações específicas, o discurso público de seus executivos e o histórico recente de outros grupos estrangeiros no setor sugerem que o apetite por parcerias e aquisições no Brasil deve seguir como uma frente relevante de expansão da indústria de defesa nacional, ao lado dos investimentos diretos em capacidade industrial já em curso.

KAI e Embraer assinam memorando para ampliar cooperação em aviação comercial

Acordo entre as fabricantes, firmado durante visita do presidente sul-coreano ao Brasil, formaliza plano anunciado em fevereiro para explorar o desenvolvimento de uma aeronave de nova geração


*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026 (atualizado em 30/07)

A Korea Aerospace Industries (KAI) e a Embraer assinaram um memorando de entendimento (MOU) para ampliar a cooperação em aviação comercial e aeroespacial, fortalecendo a parceria estratégica entre as duas fabricantes. O acordo foi firmado durante o Korea-Brazil Business Roundtable, realizado em São Paulo nesta terça feira (28), no âmbito da visita de Estado do presidente sul-coreano Lee Jae Myung ao Brasil, segundo informou o portal especializado AVIATOR.

Segundo autoridades sul-coreanas, o MOU dá continuidade a um anúncio feito pelas duas empresas em fevereiro, quando KAI e Embraer já haviam manifestado a intenção de explorar conjuntamente o desenvolvimento de uma aeronave comercial de nova geração. O novo memorando estabelece agora um marco para colaboração mais ampla e diálogo estratégico regular entre as companhias.

O acordo corporativo coincidiu com uma proposta política do presidente Lee, que, no mesmo evento, apontou o desenvolvimento conjunto de aeronaves comerciais de nova geração como um dos três eixos prioritários para aprofundar a relação econômica entre os dois países, ao lado da cooperação em minerais críticos e da crescente indústria coreana de cosméticos.

Governo fala em estágio inicial, mas empresas já formalizam colaboração
Em paralelo ao MOU entre as fabricantes, o chefe da Política Presidencial da Coreia do Sul, Kim Yong-beom, afirmou que a participação sul-coreana no programa de nova geração da Embraer ainda está em estágio muito preliminar: nem a forma dessa participação, nem os termos comerciais de um eventual acordo mais amplo foram definidos até o momento. A distinção é relevante: o MOU já assinado organiza o diálogo entre KAI e Embraer, mas o formato final da cooperação, incluindo eventual investimento ou desenvolvimento conjunto de um avião maior, segue em aberto.

Ideia surgiu durante inspeção a um C-390
O tema já havia sido lançado por Lee no domingo (26), ao chegar a Brasília, quando inspecionou um C-390, aeronave de transporte militar fabricada pela Embraer que a Força Aérea sul-coreana deve começar a receber ainda neste ano, dentro de um contrato que já prevê a produção de componentes por empresas coreanas. Na ocasião, o presidente disse a autoridades brasileiras que os dois países deveriam, no futuro, construir aeronaves civis juntos, se possível.

Foto: Korea Herald

Um avião maior que os jatos regionais atuais
De acordo com Kim, a Embraer estaria avaliando ampliar seu portfólio para além dos jatos regionais de 70 a 100 assentos, hoje núcleo de seu negócio comercial, entrando no segmento de aeronaves de médio porte, com capacidade para 150 a 200 passageiros. É nesse programa, ainda em fase de concepção, que a Coreia do Sul pretende buscar uma participação mais profunda do que a atual, hoje restrita majoritariamente ao fornecimento de partes de fuselagem e asas.

A motivação: ampliar a base industrial aeroespacial coreana
Kim explicou que a eventual parceria serviria para ampliar a base industrial aeroespacial da Coreia do Sul, hoje concentrada quase exclusivamente na fabricação de aeronaves militares pela Korea Aerospace Industries (KAI). Segundo ele, a KAI não pode permanecer restrita a esse campo, dependente apenas da demanda doméstica por caças, e precisa expandir tanto na área militar quanto na aviação comercial. O setor de aviação comercial, os motores aeronáuticos e a indústria espacial estão conectados, disse Kim, acrescentando que a Coreia do Sul precisa fortalecer significativamente suas capacidades aeroespaciais.

O que a KAI já fornece à Embraer hoje
A KAI afirmou que a parceria tem como objetivo ir além da atual relação de fornecedora que mantém com a Embraer. Atualmente, a empresa sul-coreana fabrica estruturas de asa para aeronaves comerciais da Embraer e componentes estruturais para aeronaves eVTOL (de decolagem e pouso vertical elétricos), segmento em que a fabricante brasileira atua por meio da Eve Air Mobility. Com o novo memorando, a KAI busca desenvolver uma parceria de mais longo prazo, focada em compartilhamento de tecnologia e desenvolvimento conjunto.

Representantes da Korea Aerospace Industries e da Embraer posam para foto após a assinatura de um memorando de entendimento sobre cooperação estratégica em estruturas aeronáuticas durante a Mesa Redonda Empresarial Coreia-Brasil em São Paulo, Brasil, em 28 de julho de 2026. Foto: Cortesia da KAI

Empresas já se movimentam
Durante a viagem, executivos coreanos se anteciparam ao debate público: Cho Won Tae, presidente do Hanjin Group, e Kim Jong Chool, presidente da KAI, mantiveram reuniões individuais com o chairman da Embraer para tratar de uma possível participação sul-coreana e da ampliação da parceria já existente entre as duas empresas. O acordo entre KAI e Embraer foi um dos sete memorandos de entendimento assinados entre companhias coreanas e brasileiras durante o fórum, que também abrangeram defesa, minerais críticos e biotecnologia.

Kim Yong-beom mencionou ainda conversas em andamento entre a Korean Air e a Embraer, mas o Governo evitou detalhá-las, alegando tratar-se de um estágio ainda inicial das tratativas.

Cautela diante de um mercado concentrado
O próprio Kim reconheceu que as empresas avançam com cautela: o mercado global de aeronaves é dominado por poucos fabricantes, entre eles Airbus e Boeing, e uma eventual parceria com a Embraer poderia afetar as relações da Coreia do Sul com esses concorrentes. Ainda assim, o Governo sul-coreano avalia que a Embraer, uma das três maiores fabricantes de aeronaves comerciais do mundo e importante player em aviação executiva e defesa, oferece uma oportunidade concreta de expansão na aviação civil global, caso as condições se mostrem favoráveis.

Uma base de cooperação que já existe
A eventual expansão para o campo comercial se apoiaria em uma cooperação industrial já consolidada entre os dois países. Em 2023, a Coreia do Sul foi selecionada pela Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA) como cliente do C-390 Millennium, no programa Large Transport Aircraft II (LTA II), e componentes do cargueiro, como partes de fuselagem e asas, já são produzidos por fornecedores locais como ASTG, EMK e Kencoa Aerospace. Em outubro de 2025, a Embraer e a DAPA assinaram ainda um memorando de entendimento para aprofundar a cooperação tecnológica e abrir caminho à participação de empresas coreanas nas cadeias globais de suprimentos da fabricante brasileira.

Próximos passos
Segundo Kim, o Governo sul-coreano pretende usar os resultados das conversas da Korean Air e da KAI com a Embraer para desenhar uma estratégia de participação mais ampla, envolvendo outras empresas e órgãos oficiais, sob coordenação da Presidência e da Korea AeroSpace Administration. Após o retorno da comitiva a Seul, disse Kim, o tema será discutido internamente de forma mais aprofundada, como base para dar sequência às tratativas com a Embraer.

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