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02 agosto, 2026
Exército revela UGV armado com míssil MAX 1.2 AC durante evento no CTEx
01 agosto, 2026
Guarani volta ao radar das Filipinas em plano de compra de mais de 500 blindados
Manila estuda renovar a frota terrestre com centenas de veículos de combate, e o blindado brasileiro, já presente no país, surge como candidato favorecido pela experiência prévia, mesmo sem lista oficial de concorrentes
*LRCA Defense Consulting - 02/08/2026
O Departamento de Defesa Nacional das Filipinas (DND) anunciou a intenção de adquirir mais de 500 blindados para ampliar a mobilidade e a proteção de suas forças terrestres, abrindo espaço para que o VBTP-MR Guarani 6x6, fabricado no Brasil pela Iveco Defence Vehicles (IDV), volte a ser considerado em Manila. O veículo já integra o Exército filipino desde 2024, mas o DND ainda não divulgou uma lista oficial de plataformas candidatas ao novo programa.
O anúncio filipino
O plano foi
revelado pelo secretário de Defesa Nacional das Filipinas, Gilberto Teodoro
Jr., em entrevista à emissora estatal Radyo Pilipinas, em 23 de julho de 2026.
Segundo o ministro, o País asiático pretende adquirir mais de 500 fighting
vehicles para permitir que as tropas terrestres reajam com mais rapidez a
ameaças e reduzam a necessidade de deslocamentos a pé. Teodoro afirmou ainda
que as novas viaturas deverão funcionar como fator de dissuasão, mas não
revelou valores, cronograma ou requisitos técnicos, alegando razões de
segurança.
O porta-voz do Exército filipino (Philippine Army), coronel Louie Dema-ala, confirmou publicamente o apoio da força ao plano, classificando veículos modernos e confiáveis como essenciais para que os soldados respondam com rapidez, manobrem com eficácia e cumpram missões com mais proteção. Dema-ala remeteu ao próprio DND qualquer detalhamento adicional sobre o programa.
A frota blindada atual das Filipinas inclui os tanques leves Sabrah e FV101 Scorpion, variantes do transporte blindado M113 e viaturas sobre rodas como o Kia KM450 e o K151 Raycolt, conjunto majoritariamente envelhecido diante do cenário de tensão no mar do Sul da China. O próprio anúncio ocorre em meio à ampliação de exercícios conjuntos das unidades blindadas filipinas com forças dos Estados Unidos e do Japão, incluindo manobras com viaturas de combate japonesas Type 16, o que sugere que Manila poderá buscar uma combinação de veículos sobre rodas e sobre lagartas, e não a compra de um único modelo para a totalidade do programa.
O histórico do Guarani em
Manila
O
relacionamento entre o Guarani e o Exército filipino não é novo. Em 2020, a
Elbit Systems, empresa israelense responsável pela integração de subsistemas,
foi confirmada como vencedora de um contrato de aproximadamente US$ 46 milhões
para o fornecimento de 28 unidades do VBTP-MR 6x6 Guarani, fabricadas pela IDV
em Sete Lagoas (MG). Os veículos recebem torre remotamente controlada,
metralhadora de 12,7 mm ou canhão automático de 30 mm conforme a configuração,
sistema de gerenciamento de campo de batalha Torch-X e rádio definido por
software E-LynX, ambos da Elbit.
As primeiras cinco unidades chegaram ao Porto de Manila em fevereiro de 2024. Um segundo lote de nove unidades foi embarcado no Porto de Santos em 2025. Segundo reportagem publicada pela revista Sociedade Militar em 31 de julho de 2026, relatos especializados mais recentes indicam que apenas 14 das 28 viaturas contratadas teriam sido efetivamente entregues até aquele momento, com os atrasos atribuídos majoritariamente à integração dos sistemas da Elbit, e não à fabricação da plataforma pela IDV. Como o governo filipino e as empresas envolvidas não divulgaram um balanço público detalhado do contrato, o número exato de unidades já incorporadas ao Exército filipino deve ser tratado com ressalva.
A exportação do Guarani às Filipinas também já enfrentou um obstáculo regulatório. Em 2023, o Escritório Federal de Assuntos Econômicos e Controle de Exportações da Alemanha (BAFA) suspendeu temporariamente a exportação de componentes de origem alemã presentes no blindado, entre eles aço balístico, placas de proteção contra minas, periscópios, partes da transmissão e componentes do sistema de refrigeração. A restrição foi revertida meses depois, após negociações entre os governos envolvidos, permitindo a continuidade das entregas. O episódio expôs a dependência de uma cadeia internacional de fornecedores em um produto fabricado no Brasil e deve pesar na avaliação filipina sobre segurança de fornecimento em qualquer encomenda futura.
Por que o Guarani é visto como
favorito, sem ser garantido
A principal
vantagem do Guarani é a experiência operacional já acumulada pelo Exército
filipino com a plataforma, somada à estrutura logística, de manutenção e de
treinamento já implantada para sua operação. A adoção de um modelo já conhecido
tende a reduzir custos com ferramental, peças de reposição, simuladores e
formação de equipes técnicas, além de facilitar a integração de novas unidades
a uma cadeia logística já em funcionamento.
Há, no entanto, uma diferença de nomenclatura relevante entre o produto brasileiro e o anúncio filipino. O Guarani atualmente em serviço nas Filipinas é classificado principalmente como veículo blindado de transporte de pessoal, enquanto o termo fighting vehicles, usado por Teodoro, remete normalmente a um veículo de combate de infantaria, categoria que costuma receber armamento mais pesado e missão de apoio direto às tropas desembarcadas. Como o DND ainda não revelou os requisitos técnicos do programa, permanece em aberto se a futura encomenda incluirá o Guarani, viaturas mais pesadas, veículos sobre lagartas ou uma combinação de plataformas especializadas.
A relação de defesa entre
Brasil e Filipinas
O vínculo
militar entre os dois países ultrapassa o programa Guarani. Brasil e Filipinas
assinaram, em 2022, um memorando de cooperação em defesa que abriu espaço para
iniciativas em logística, indústria, treinamento e intercâmbio tecnológico. Em
fevereiro de 2026, o DND classificou o Brasil como parceiro relevante para seu
programa de modernização das Forças Armadas e como seu único parceiro formal de
defesa na América Latina, sinalizando interesse em ampliar a cooperação
industrial. A Força Aérea das Filipinas também opera seis unidades do A-29
Super Tucano, da Embraer, outro produto brasileiro incorporado ao processo de
modernização militar filipino, o que reforça o histórico institucional que pode
facilitar negociações governamentais e novos acordos industriais em torno do
Guarani, ainda que cada aquisição dependa de avaliação própria.
Mudança de controle acionário
da fabricante
O cenário
industrial por trás do Guarani também mudou nos últimos meses. Em 18 de março
de 2026, o grupo italiano Leonardo concluiu a aquisição da Iveco Defence
Vehicles e da marca de caminhões militares ASTRA, negócio avaliado em
aproximadamente €1,6 bilhão. A operação inclui a planta de Sete Lagoas (MG),
onde é fabricado o Guarani, e reorganiza a IDV como uma OEM (Original Equipment
Manufacturer) integrada ao portfólio de eletrônica, sensores e torres da
Leonardo, com potencial de elevar o padrão de exportação do blindado
brasileiro.
Um desdobramento corporativo mais recente, contudo, ainda gera incerteza sobre o desenho final do grupo. Segundo comunicado da própria Leonardo, reproduzido pela Investing.com em 31 de julho de 2026, a companhia mantém negociações não vinculativas com a alemã Rheinmetall sobre a venda de parte da IDV recém-adquirida. O diretor financeiro do grupo, Giuseppe Aurilio, descreveu a existência de um acordo de cavalheiros com a Rheinmetall, sem caráter formalmente vinculativo, e classificou a venda como uma entre várias alternativas em avaliação, e não a única. O executivo destacou que o negócio de caminhões da IDV está em crescimento e é lucrativo, o que colocaria a Leonardo em posição mais confortável para negociar. O diretor-executivo Lorenzo Mariani acrescentou que o grupo recebeu consultas de outras partes interessadas na mesma unidade.
É importante notar que essas tratativas com a Rheinmetall dizem respeito, segundo fontes internacionais como Defense Post e MarketScreener, ao negócio de caminhões militares e logísticos da IDV, marcas ASTRA e Eurocargo, e não à linha de veículos blindados de combate, na qual se insere o Guarani. Ainda assim, o episódio confirma que a reestruturação societária em torno da fabricante segue em curso, num momento em que Manila avalia expandir sua frota blindada, o que reforça a relevância de acompanhar a governança da IDV como variável relevante para qualquer negociação futura entre Brasil e Filipinas.
O que ainda não está confirmado
Até o
fechamento desta reportagem, nenhuma fonte filipina ou brasileira havia
confirmado a inclusão formal do Guarani em uma licitação ou lista restrita do
novo programa de mais de 500 veículos. O DND não divulgou plataformas
candidatas, valores ou cronograma. A menção ao blindado brasileiro no
noticiário internacional decorre, por ora, de inferência editorial baseada no
histórico de relacionamento e na infraestrutura logística já instalada nas
Filipinas, e não de documento oficial de licitação.
IMBEL inicia carregamento de granadas de 155 mm na nova planta da Fábrica de Juiz de Fora
Unidade realizou o primeiro lote de granadas AE M107 com TNT na Nova Planta de Carregamento, etapa que marca a validação operacional da estrutura inaugurada em 2025
*LRCA Defense Consulting - 01/08/2026
Nesta quinta-feira (30), a IMBEL realizou, na Fábrica de Juiz de Fora (FJF), em Minas Gerais, o primeiro carregamento de um lote de granadas AE M107 de 155 mm com TNT na Nova Planta de Carregamento (NPC) da unidade. A operação marca o início de uma sequência de atividades voltadas ao refinamento contínuo dos processos operacionais da planta, com foco na validação de equipamentos e sistemas, no aperfeiçoamento dos procedimentos produtivos e na garantia de conformidade com os requisitos normativos de qualidade e segurança.
O processo teve início com a entrada, pelo túnel de pré-aquecimento, do carro de transporte de granadas, movimentado pelo sistema indexador até a Estação de Carregamento. Ali ocorreu o preenchimento das granadas com explosivo fundido, previamente preparado nas Cubas de Fusão e transferido por meio da Cuba de Vazamento. Cada granada foi carregada até o massalote, concluindo o processo de enchimento e liberando o conjunto para a etapa seguinte.
Na etapa de resfriamento, o carro foi direcionado a uma cabine específica, onde ferramentas de aquecimento, previamente ajustadas, promoveram uma solidificação controlada do explosivo. O procedimento assegura uma carga isenta de defeitos internos, contribuindo para a qualidade, a confiabilidade e a segurança do produto final.
Segundo a IMBEL, a operação representa um marco no processo de integração e operação da NPC, permitindo a consolidação dos parâmetros de processo e a coleta de dados essenciais para a otimização contínua da produção. Os resultados obtidos devem servir de base para o aperfeiçoamento das rotinas operacionais, fortalecendo a capacidade produtiva da Empresa e reafirmando seu compromisso com a excelência, a segurança e a qualidade dos produtos.
Da inauguração à
validação operacional
A NPC foi
inaugurada em cerimônia realizada em Juiz de Fora no início de agosto de 2025,
com a presença de autoridades militares e de representantes de empresas
parceiras da Base Industrial de Defesa (BID). Na ocasião, o diretor-presidente
da IMBEL, general de divisão veterano Ricardo Rodrigues Canhaci, destacou que a
nova estrutura representa um passo importante para a garantia da soberania
nacional, ressaltando que ela resulta da evolução de uma planta originalmente
importada, hoje modernizada pela engenharia nacional.
O chefe da fábrica de Juiz de Fora, coronel veterano Renato Mitrano Perazzinni, explicou que a instalação eleva a capacidade de carregamento de granadas e cabeças de guerra em calibres entre 60 mm e 155 mm, incluindo versões de alcance estendido, carga oca e explosivos insensíveis, estes últimos voltados à redução de riscos de acidentes no manuseio e no transporte. Segundo ele, o avanço abrange também a nacionalização, a independência e o domínio técnico dos sistemas capazes de fabricar essas munições.
Um capítulo na
trajetória da FJF
A Fábrica de Juiz
de Fora integra o Sistema de Ciência e Tecnologia (SCT) do Exército Brasileiro
e detém exclusividade na fabricação de munições para a Força Terrestre. Suas
origens remontam a 1934, quando foi criada como Fábrica de Estojos e Espoletas
de Artilharia (FEEA), designação alterada para FJF em 1939.
O início das operações da NPC dá sequência a um processo de nacionalização já em curso na unidade. Em 2022, a fábrica entregou ao Exército Brasileiro o primeiro lote do Tiro 155 mm M107 fabricado integralmente no País, com componentes como o corpo da granada, as estopilhas MK2A4 e M82 e a carga de projeção M3A1 produzidos sem dependência de fornecedores estrangeiros.
A validação da NPC deve ampliar o portfólio de carregamento da IMBEL e reduzir a dependência externa em um segmento considerado estratégico para as Forças Armadas, consolidando a Empresa como fornecedora nacional de munições de artilharia de médio e grande calibre.
O Brasil é rico demais para continuar pobre em defesa
Independentemente do desfecho da guerra, dificilmente esse movimento será revertido. Quem investiu bilhões em tecnologia, capacidade produtiva e mão de obra especializada buscará novos mercados, consolidará sua liderança tecnológica e ampliará sua influência política e econômica.
Enquanto isso, o Brasil ainda discute se investir em defesa é gasto ou investimento.
Essa é uma visão perigosa para um país que reúne algumas das maiores riquezas estratégicas do planeta. Amazônia, Amazônia Azul, minerais críticos, água doce, produção de alimentos e uma matriz energética diversificada colocam o Brasil em posição de crescente relevância em um mundo cada vez mais competitivo por recursos.
A história demonstra que riquezas atraem interesses. E interesses sem capacidade de dissuasão transformam vulnerabilidades em oportunidades para terceiros.
O fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira deixou de ser apenas uma agenda militar. Tornou-se uma agenda de desenvolvimento nacional. Uma indústria forte gera empregos qualificados, impulsiona inovação, desenvolve tecnologias de uso dual e reduz a dependência de fornecedores externos justamente quando eles priorizam suas próprias necessidades.
O risco de permanecer inerte é evidente. Europa, Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Turquia e Israel ampliam rapidamente seus complexos industriais de defesa. Quanto maior essa capacidade, maior será sua competitividade, sua influência diplomática e seu domínio tecnológico. Se o Brasil não acelerar seus investimentos, correrá o risco de tornar-se apenas consumidor de soluções produzidas por outros, perdendo autonomia sobre sua própria segurança.
As Forças Armadas têm papel central nesse processo. São elas que induzem inovação, estimulam a indústria nacional e garantem a continuidade de projetos estratégicos. Mas isso exige previsibilidade orçamentária, planejamento de longo prazo e uma política de Estado, coisa que não temos.
O mundo já iniciou uma nova corrida industrial. A questão não é se o Brasil pode investir mais em sua Base Industrial de Defesa.
A pergunta é outra, quando as grandes potências disputarem influência, mercados e recursos estratégicos, estaremos preparados para defender nossos interesses ou dependeremos da capacidade industrial daqueles que já decidiram acelerar?
Mac Jee formaliza estrutura própria na Arábia Saudita e nomeia executivo saudita para dirigi-la
Vindo da SAMI, Khalaf Alabdullah assume a Mac Jee Arábia Saudita em movimento que sinaliza a passagem de fornecedor de engenharia a produtor instalado no Reino, sem confirmação regulatória até o momento
*LRCA Defense Consulting - 01/08/2026
A Mac Jee anunciou, em julho de 2026, a nomeação de Khalaf Alabdullah como CEO da Mac Jee Arábia Saudita, com responsabilidade sobre as operações da companhia no Reino e na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA). O anúncio foi feito no perfil da empresa no LinkedIn e replicado em 25 de julho pelo portal StrongYes, publicação de recursos humanos sediada no Golfo. A informação não foi reproduzida, até o fechamento desta matéria, por veículos especializados em defesa no Brasil ou no exterior.
O ponto relevante do comunicado não está no nome do executivo, ainda pouco conhecido fora dos círculos industriais sauditas, mas na existência de uma entidade chamada Mac Jee Arábia Saudita. É a primeira vez que a companhia brasileira, sediada em São José dos Campos (SP), assume publicamente uma estrutura societária identificada no Reino, com liderança local e escopo regional definido, depois de anos operando por meio de escritório comercial e de contratos de engenharia executados dentro de instalações de clientes sauditas.
O que o comunicado diz e o que
não diz
No texto
divulgado, a Mac Jee afirma que a nomeação representa marco na estratégia de
crescimento internacional e reforça o compromisso de longo prazo com o Reino.
Declara ainda que pretende contribuir para o desenvolvimento da base industrial
de defesa saudita por meio de transferência de conhecimento, desenvolvimento
tecnológico, formação de talento local e produção local de soluções avançadas
de defesa, em alinhamento com os objetivos estratégicos do país.
A leitura atenta mostra que a produção local aparece na frase de compromisso, ao lado de itens declaradamente prospectivos, e não em uma descrição de ativos existentes. O comunicado não afirma que a Mac Jee opere unidade fabril de sua propriedade no Reino. Trata-se de objetivo declarado, não de fato consumado, distinção que importa tanto para a análise industrial quanto para a leitura regulatória do movimento.
Quem é Khalaf Alabdullah
A Mac Jee
descreve o executivo como um dos principais nomes do setor de defesa da região,
com histórico em sistemas de mísseis, programas estratégicos e parcerias
internacionais de defesa. Não há, contudo, registro público prévio do nome em
programas sauditas de defesa, em bases de imprensa especializada ou em
comunicados oficiais do Reino. Buscas em português, inglês e árabe não
localizaram menções anteriores ao anúncio da empresa.
O único dado biográfico adicional disponível vem da reportagem do StrongYes, que informa, com base no perfil profissional do próprio executivo, que ele ocupava anteriormente a função de Director of Capabilities and Business Development na Saudi Arabian Military Industries (SAMI), a estatal de defesa vinculada ao Fundo de Investimento Público saudita. A informação é autodeclarada e não foi confirmada pela SAMI. Se correta, explicaria a ausência de rastro na imprensa, por tratar-se de posição de direção intermediária, sem exposição pública, e daria sentido à menção a sistemas de mísseis no comunicado da Mac Jee.
A fábrica saudita e a questão da
titularidade
A presença
industrial da Mac Jee na Arábia Saudita não é novidade. Desde dezembro de 2024, este portal registra que a empresa instalou no Reino uma planta de material
energético com capacidade de 2 mil toneladas de TNT e 120 toneladas de RDX,
ocupando cerca de 500 mil metros quadrados dentro das instalações da Saudi
Chemical Company Limited (SCCL), a maior companhia de produção de energia civil
e militar do país. Em maio de 2026, reportagem do mesmo portal detalhou que a
companhia brasileira projetou e colocou em operação a estrutura, cujas
capacidades declaradas abrangem TNT militar, RDX Tipo I e II, HMX e propelentes
sólidos compósitos para propulsão de foguetes.
A titularidade, porém, é do cliente. A planta foi descrita como a primeira fábrica própria de explosivos militares da Arábia Saudita, erguida no parque industrial da SCCL. À Mac Jee coube o projeto, a transferência de tecnologia de processo e o comissionamento. Essa configuração é coerente com a nota de esclarecimento divulgada pela empresa em junho de 2023, após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre o contrato: naquele documento, a companhia sustentou que o objeto contratual se limitava à exportação de produtos básicos relativos à linha de produção de materiais energéticos de base e que o know-how e o segredo industrial permaneciam reservados ao Brasil. O contrato foi celebrado em 2018, com anuência das autoridades dos dois países.
De escritório comercial a
subsidiária
O material
institucional da Mac Jee descrevia, até recentemente, unidades fabris em São
José dos Campos e Paraibuna, ambas no interior paulista, além de escritórios em
São Paulo, na França e no Oriente Médio. O comunicado de fevereiro de 2024,
distribuído às vésperas do World Defense Show, mencionava que a empresa se
preparava para expandir a capacidade produtiva fora do Brasil, sem detalhar
onde ou quando. Na edição de fevereiro de 2026 do mesmo evento, em Riade, a
companhia voltou com planos declarados de localização de produção no Reino e de
expansão para sistemas de mísseis, este último em cooperação com a Força Aérea
Brasileira.
A criação de uma subsidiária nomeada, com CEO saudita, é salto de natureza diferente. Escritório comercial representa presença de vendas. Contrato de engenharia representa prestação de serviço. Subsidiária com direção local representa intenção de permanência, de contratação no mercado local e de habilitação junto às autoridades do país anfitrião. É o passo que antecede, tipicamente, a instalação de capacidade produtiva própria.
O marcador regulatório que ainda
falta
A confirmação
definitiva da hipótese industrial viria de um documento específico: a licença
de fabricação militar emitida pela Autoridade Geral de Indústrias Militares
(GAMI), órgão que regula, licencia e fiscaliza o setor de defesa saudita e que
responde pela meta da Visão 2030 de nacionalizar mais de 50% do gasto militar
do Reino. Nenhuma empresa fabrica material de defesa em território saudita sem
essa autorização.
Não foi localizado registro de licença da GAMI em nome da Mac Jee. A autoridade não publica lista consolidada de licenciados, o que impede afirmar categoricamente que a licença não exista, mas também impede tratá-la como obtida. Empresas estrangeiras que alcançam esse estágio costumam anunciá-lo, como fez a norte-americana 3D Systems em 29 de julho de 2026, ao divulgar que sua joint venture NAMI, formada com a Dussur e a Saudi Energy, recebeu licença de manufatura militar da GAMI. O silêncio da Mac Jee sobre o ponto é, em si, indicativo.
O movimento no quadro maior
A nomeação
ocorre em fase de adensamento internacional da Mac Jee. Em 29 de maio de 2026,
a empresa assinou memorando de entendimento com o Grupo MBDA, maior fabricante
europeu de mísseis, após visita técnica de representantes do grupo europeu às
suas instalações no mês anterior. A companhia mantém contrato internacional de
cerca de US$ 60 milhões para fornecimento de munições de tecnologia avançada,
firmado em julho de 2025, e integra o programa hipersônico PROPHIPER 14-X da
Força Aérea Brasileira, para o qual desenvolve o foguete acelerador RATO-14X. A
CEO do grupo é Alessandra Stefani; o Conselho de Administração é presidido pelo
fundador Simon Jeannot, que deixou a gestão executiva em 2020 para
concentrar-se na expansão global.
A relação com o Reino, iniciada com o contrato de 2018 e formalizada institucionalmente durante o World Defense Show de 2022, quando Jeannot foi recebido pelo ministro Khalid Al Falih e por Ahmad A. Al-Ohali, então à frente da GAMI, transformou o perfil da empresa. Fontes ligadas ao projeto relataram à imprensa que a companhia mudou de patamar no mercado após o contrato saudita.
O que permanece em aberto
Três pontos
exigem confirmação antes de qualquer afirmação categórica. O primeiro é o
histórico profissional de Khalaf Alabdullah, sustentado por ora apenas em fonte
autodeclarada. O segundo é a natureza jurídica exata da Mac Jee Arábia Saudita,
se subsidiária integral, joint venture com sócio local ou representação
registrada, informação que o comunicado não esclarece e que determina o alcance
real do movimento. O terceiro é a existência de licença da GAMI, sem a qual a
produção local citada no anúncio permanece no campo da intenção.
Procurada, a Mac Jee não havia respondido até o fechamento desta reportagem.
31 julho, 2026
Documentos revelam termos da compra dos dois KC-390 da Colômbia, em meio a crise na transição de governo
Confirmação no
SECOP II
A existência do
processo foi confirmada de forma independente na consulta pública do SECOP II
(Sistema Electrónico para la Contratación Pública), a plataforma oficial de
contratos do Estado colombiano. O registro identifica a FAC como entidade
contratante e apresenta o seguinte resumo do processo:
|
País |
Colômbia |
|
Entidade estatal |
Força Aeroespacial Colombiana (FAC) |
|
Referência do processo |
232-00-A-COFAC-CODAF-2026 |
|
Descrição |
Aquisição de aeronaves de transporte tático militar pesado |
|
Fase atual (na consulta) |
Apresentação da oferta |
|
Data de publicação |
29 de julho de 2026, 21h (UTC-5) |
|
Prazo para apresentação de propostas |
31 de julho de 2026, 8h (UTC-5) |
|
Quantia |
COP 1.566.000.000.000 |
A quantia registrada no SECOP II, de COP 1.566.000.000.000, corresponde a aproximadamente US$ 366 milhões pela taxa de câmbio do período, valor que coincide com os US$ 366.430.371 informados pela Caracol Radio com base na proposta financeira da Embraer, o que confirma de forma independente os números revelados pela emissora. Chama a atenção também a janela de tempo do processo: a oferta foi publicada em 29 de julho às 21h e o prazo para apresentação de propostas se encerrou em 31 de julho às 8h, um intervalo de menos de 36 horas, o que reforça o caráter apressado da tramitação nas últimas semanas do governo Petro.
Kolibri Beteiligung confirma aquisição de cinco Embraer E190 pela German Airways
*LRCA Defense Consulting - 31/07/2026
30 julho, 2026
Conselho dos Emirados reforça parcerias na Farnborough 2026 e celebra a chegada do C-390
Delegação emiradense liderada pelo secretário-geral Nasser Humaid Al Nuaimi posou ao lado do cargueiro da Embraer durante a feira britânica, em referência ao contrato que tornou os Emirados o maior comprador internacional da aeronave
*LRCA Defense Consulting - 30/07/2026
Uma delegação do Tawazun Council for Defence Enablement (Tawazun), conselho responsável por fomentar e regular o ecossistema industrial de defesa e segurança dos Emirados Árabes Unidos (EAU), concluiu em 23 de julho uma visita de trabalho ao Reino Unido, realizada à margem da Farnborough International Airshow 2026. Chefiada pelo secretário-geral da entidade, Dr. Nasser Humaid Al Nuaimi, a comitiva cumpriu uma agenda de reuniões e visitas técnicas voltada a ampliar a cooperação industrial e tecnológica do país e a construir parcerias de alto valor para o setor.
Reuniões em Londres
Segundo comunicado da agência de notícias oficial dos Emirados, a WAM, a
programação incluiu conversas com o diretor nacional de armamentos do Reino
Unido, com foco no fortalecimento da parceria bilateral de defesa e no
alinhamento de prioridades industriais entre os dois países. Al Nuaimi também
se reuniu com representantes de empresas e organizações internacionais do
setor, entre elas a MBDA, a RTX, a BAE Systems, o UK Defence Solutions Centre e
a Enterprise Gateway.
As discussões trataram de tecnologias avançadas de defesa, sistemas de defesa aérea e pesquisa e desenvolvimento, além de temas como transferência de conhecimento, capacitação de talentos nacionais e localização de tecnologias e cadeias de suprimentos consideradas prioritárias para o país.
Em nota, o diretor executivo de estratégia e assuntos executivos da Tawazun, Khalifa Ayada Al Hameli, afirmou que a participação na Farnborough International Airshow reflete a estratégia de longo prazo dos Emirados de construir parcerias internacionais baseadas na troca de conhecimento, na formação de talentos e na localização de tecnologias e cadeias de suprimentos, com o objetivo de reforçar a sustentabilidade da base industrial de defesa do país.
A foto ao lado do C-390
O registro que ilustra o comunicado da WAM mostra a delegação do Tawazun
posando em frente a um C-390 Millennium da Embraer estacionado no pátio da
feira britânica. Ao lado de membros da tripulação, a comitiva emiradense surge
alinhada diante da aeronave, que exibe bandeiras de diferentes países junto à
porta dianteira, um gesto simbólico que reforça a importância atribuída pelos
Emirados à aquisição do cargueiro brasileiro para a defesa do país.
A imagem reforça, no plano simbólico, o vínculo já firmado no campo contratual entre o Tawazun e a Embraer em torno do C-390, hoje o maior programa de exportação da aeronave para um único país.
O contrato que tornou os EAU o maior cliente do
C-390
A visita à Farnborough ocorre menos de três meses depois de o Tawazun
assinar, em 4 de maio, o maior contrato internacional já firmado para o C-390
Millennium. O acordo, celebrado durante o evento Make it in the Emirates
2026, em Abu Dhabi, prevê a compra de dez aeronaves firmes e opção de mais
dez unidades para a Força Aérea e Defesa Aérea dos Emirados, o que representa
também a primeira venda do cargueiro no Oriente Médio.
O contrato foi assinado por Al Nuaimi e por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, na presença do vice-presidente e vice-primeiro-ministro dos Emirados, xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, e do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto. O acordo prevê ainda o desenvolvimento de capacidades locais de manutenção, reparo e revisão (MRO) em parceria com uma empresa de defesa emiradense, em linha com a política de conteúdo local que orienta a atuação do Tawazun.
Caso todas as opções sejam exercidas, a frota emiradense de C-390 poderá superar em número a do próprio Brasil, país de origem da aeronave. Para o Tawazun, a seleção do C-390 seguiu uma avaliação técnica e operacional que incluiu testes em condições ambientais equivalentes às do Golfo, e a aeronave é vista pela entidade como peça central para modernizar a capacidade de transporte aéreo militar do país nas próximas décadas.





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