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19 julho, 2026

República Tcheca: um C-390 não muda uma frota, mas consolida um corredor na Europa Central

A entrega à República Tcheca importa menos pelo avião recebido e mais pelo que ele sinaliza sobre a Europa Central, a indústria brasileira e a força aérea tcheca

 

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LRCA Defense Consulting - 19/07/2026

A Embraer entregou, em 16 de julho, o primeiro C-390 Millennium à Força Aérea da República Tcheca, em cerimônia realizada na 24ª Base Aérea de Transporte, em Praga-Kbely. A aeronave é a primeira das duas adquiridas pelo governo tcheco em contrato assinado em outubro de 2024, avaliado em 11,3 bilhões de coroas tchecas (cerca de US$ 493 milhões), e sua entrega ocorreu apenas 20 meses após a assinatura, prazo destacado pela fabricante como evidência da maturidade de sua linha de produção. O segundo exemplar está previsto para dezembro de 2027. Esses dados já circularam amplamente pelos portais especializados. O que ainda não foi explorado é o significado da entrega em três camadas distintas: a geopolítica da Europa Central, o retorno para a indústria brasileira e a mudança operacional dentro da força aérea tcheca.

O corredor logístico da Europa Central
A República Tcheca ocupa uma posição geográfica que reforça o significado estratégico da aquisição: está cercada por Alemanha, Polônia e Áustria, esta última já operadora do C-390 em arranjo conjunto com a Holanda. Ao todo, o cargueiro brasileiro já foi selecionado por onze países além do Brasil: Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Lituânia e, agora, a República Tcheca. Na Europa Central e Oriental, forma-se um agrupamento particularmente denso, com Áustria, Hungria, Eslováquia, Tcheca e, mais ao norte, a Lituânia.

Essa concentração geográfica sugere, ainda que de forma preliminar, a possibilidade de um corredor logístico regional: compartilhamento de treinamento, manutenção cruzada entre bases próximas e um eventual pool de peças sobressalentes entre operadores vizinhos. Não há, até o momento, confirmação oficial desse tipo de arranjo formal entre os países citados, mas a proximidade geográfica e a padronização da plataforma tornam essa hipótese operacionalmente plausível e coerente com o discurso de interoperabilidade que a própria OTAN tem promovido entre seus membros no leste europeu.

O que o Brasil ganha com isso
A leitura mais comum desse tipo de entrega concentra-se no cliente estrangeiro, mas o episódio também diz respeito à maturidade da cadeia industrial brasileira. Cada nova incorporação, a décima segunda linha de produção internacional em sequência, reforça o regime seriado da fábrica da Embraer em Gavião Peixoto e consolida receita recorrente para a divisão de Defesa & Segurança da companhia, reduzindo sua dependência histórica da aviação comercial.

Há também um dado pouco explorado: a cadeia de fornecimento do programa C-390 não corre em uma única direção. Empresas tchecas como a Aero Vodochody e a OMNIPOL já integram a cadeia de fornecedores do programa, produzindo componentes de fuselagem traseira, portas de tripulação e de paraquedistas, saídas de emergência, partes do bordo de ataque das asas e a rampa de carga. Esse desenho de offset industrial recíproco, no qual clientes internacionais também fornecem partes da própria aeronave que operam, funciona como instrumento de fixação política do contrato e como modelo replicável em negociações futuras, caso da Índia, onde o programa MTA da força aérea local acompanha de perto o precedente tcheco. Para o País, isso significa que cada nova venda amplia não apenas a receita, mas também a rede internacional de parceiros industriais em torno de um produto de bandeira nacional.

O que muda operacionalmente para a força aérea tcheca
A frota de transporte tcheca era composta, até então, por turboélices CASA C-295 e por dois Airbus A319CJ. O C-390 muda essa equação: transporta até 26 toneladas de carga útil, alcança cerca de 470 nós e opera tanto em pistas pavimentadas quanto em pistas semipreparadas ou não pavimentadas, além de poder atuar como aeronave-tanque ou receptora em reabastecimento em voo. Trata-se de um salto de capacidade, não de uma simples substituição de modelo.

O comandante da 24ª Base Aérea de Transporte, brigadeiro-general Jaroslav Falta, destacou durante a cerimônia que a aeronave amplia significativamente a capacidade logística das forças armadas tchecas, tanto para necessidades nacionais quanto para operações ao lado de aliados da OTAN. Antes da entrega, tripulações e equipes técnicas tchecas passaram por treinamento no Brasil, incluindo atividades no centro de treinamento da Embraer e no complexo de Gavião Peixoto, onde a aeronave também realizou seu voo inaugural, em 19 de maio, antes de seguir para pintura em Confins e, depois, para a Europa, com escala no Recife. A mudança, portanto, não é apenas material: é também humana, com uma nova geração de tripulantes tchecos já formada para operar um vetor logístico de outro patamar.

Três camadas, um mesmo episódio
Isoladamente, um C-390 a mais não altera o equilíbrio de forças na Europa. O significado da entrega está na sobreposição de três movimentos: a consolidação de um agrupamento regional de operadores na Europa Central, o amadurecimento de uma cadeia industrial brasileira que já exporta para doze países, e a mudança operacional concreta dentro de uma força aérea que ganha, de uma só vez, alcance, carga e flexibilidade que sua frota anterior não oferecia. É essa sobreposição, mais do que a cerimônia em Praga-Kbely, que dá à entrega seu real peso estratégico.

EDGE Group monta cadeia vertical de mísseis, drones e optrônica no Brasil com terceira aquisição estratégica

Com Akaer, Condor e SIATT sob seu guarda-chuva, conglomerado estatal dos Emirados Árabes Unidos consolida presença industrial no País; especialistas veem ganhos em empregos e divisas, mas alertam para riscos à autonomia tecnológica da base industrial de defesa


*LRCA Defense Consulting - 18/07/2026

O EDGE Group, conglomerado de defesa e tecnologia dos Emirados Árabes Unidos, anunciou em 16 de julho de 2026 um acordo para adquirir 100% da Akaer Engenharia, empresa aeroespacial e de defesa sediada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A operação, que ainda depende de aprovação regulatória, é a terceira compra do grupo emiradense na base industrial de defesa (BID) brasileira desde setembro de 2023, depois das participações na SIATT e na Condor Tecnologias Não Letais. 

Em entrevista à CNN Brasil, o diretor financeiro (CFO) do EDGE Group, Rodrigo Torres, revelou que o Ministério da Defesa e integrantes das Forças Armadas procuraram o conglomerado durante a feira LAAD para discutir alternativas que evitassem o fechamento da Akaer, pedindo que se avaliasse não necessariamente uma aquisição, mas uma parceria capaz de impedir a falência de outra grande empresa da defesa brasileira.

As três aquisições
A primeira aproximação do EDGE Group ao Brasil ocorreu em setembro de 2023, quando o conglomerado adquiriu 50% da SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico), empresa de São José dos Campos especializada em mísseis inteligentes e cliente histórica da Marinha do Brasil. A companhia desenvolve a família de mísseis antinavio MANSUP, com alcance de até 70 quilômetros, e a versão estendida 
MANSUP-ER, de maior alcance, que deverá equipar as novas fragatas Classe Tamandaré.

Em 2024, o grupo ampliou a presença no País com a compra de 51% da Condor Tecnologias Não Letais, sediada em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e considerada uma das líderes mundiais em tecnologias não letais como gás lacrimogêneo, munição de impacto e granadas de fumaça, com presença comercial em mais de 85 países.

A terceira peça é a Akaer, fundada em 1992 e classificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), que acumula mais de 32 anos de atuação nos setores aeroespacial, de defesa e de indústria 4.0, com mais de dez milhões de horas de engenharia dedicadas a sistemas e estruturas aeronáuticas. 

Segundo comunicado oficial do próprio EDGE Group, a empresa já prestou apoio de engenharia ao Gripen NG, da Saab, ao Hürjet, da Turkish Aerospace, e a diferentes programas da Embraer, entre eles Super Tucano, ERJ-E1, ERJ-E2, Legacy 450/500 e KC-390, além de contribuir com o 747-8, da Boeing, o B-250, da Calidus, e a frota de patrulha marítima P-3 Orion, da Força Aérea Brasileira. No Exército, participa da modernização dos blindados EE-9 Cascavel.

Segundo o EDGE Group, a aquisição da Akaer daria ao grupo uma base de engenharia permanente dentro do ecossistema aeroespacial brasileiro, fortalecendo sua capacidade de cumprir cronogramas de industrialização em programas de VANTs e ampliando suas capacidades em optrônica, sistemas eletro-ópticos e infravermelhos, além de tecnologias espaciais. O diretor-geral e CEO do EDGE Group, Hamad Al Marar, afirmou que a Akaer agrega profunda capacidade de engenharia ao grupo, com uma equipe altamente especializada e três décadas de experiência em programas aeroespaciais complexos, e que a prioridade é a continuidade das pessoas, dos programas e dos clientes da Akaer.

O investimento acumulado do EDGE Group no Brasil já soma cerca de R$ 3 bilhões (em torno de US$ 590 milhões), segundo executivo do próprio grupo, em declaração feita durante o IV Simpósio de Defesa e Segurança Internacional dos Fuzileiros Navais, em julho de 2026.

A ligação confirmada com o Jeniah
Diferentemente do que se sabia até a divulgação oficial da compra, o vínculo entre Akaer e EDGE Group não se limitava a um memorando de intenções. Segundo Torres, cerca de 40% da receita da Akaer já vinha de contratos com o grupo árabe, sobretudo no desenvolvimento do Jeniah, veículo de combate não tripulado a jato do EDGE, para o qual a fabricante brasileira produz a estrutura, o interior da plataforma e a integração de motores, cabos e sistemas.

Para onde aponta a sinergia
A leitura conjunta das operações sugere que o EDGE Group não está simplesmente colecionando ativos brasileiros, mas montando uma cadeia industrial complementar. A SIATT contribui com os mísseis antinavio e anticarro; a Akaer, por meio de sua subsidiária Opto Tecnologia Optrônica, agrega lentes, câmeras, sensores infravermelhos e baterias, além da estrutura (frame), do interior da plataforma e da integração de motores, cabos e sistemas do próprio Jeniah. O vínculo entre as duas empresas remonta a abril de 2023, quando, durante a LAAD, Akaer e EDGE Group assinaram memorando de entendimento, firmado por Cesar Silva, então CEO da Akaer, e Ahmed Hasan Alkhoori, vice-presidente de Programas Estratégicos do EDGE, prevendo cooperação em sistemas seeker duplos para mísseis, fusores a laser e kits de guiagem para foguetes de 70 milímetros, além de aeronaves de missão especial, segundo comunicado da própria Akaer à época.

Segundo o dossiê Uninhabited Middle East, do International Institute for Strategic Studies (IISS), publicado em 2026, a Akaer teria contribuído ainda com o design e a análise de desempenho do motor do REACH-S, VANT de média altitude e longa autonomia (MALE) da ADASI, subsidiária do EDGE Group, e também apareceria como parceira de design do Samoom, UAV da saudita Intra Defense Technologies, ao lado da sul-africana Hensoldt e da belga ULPower Aero Engines. O próprio relatório do IISS ressalva que essa informação foi apurada por meio de perfis profissionais de engenheiros da Akaer, e não por comunicado oficial das partes envolvidas, ao contrário do vínculo com o Jeniah, este confirmado pelo próprio CFO do EDGE Group.

Já a Condor cumpre um papel diferente na engrenagem: o de plataforma de distribuição comercial. O EDGE Group identificou no potencial de exportação da empresa carioca, com canais já estabelecidos em mais de 85 países, um caminho para ampliar o alcance global do próprio conglomerado. O resultado apareceu rápido: três semanas após a aquisição, em 2024, a Condor fechou um contrato de mais de US$ 10 milhões com um país africano.

O efeito mais concreto dessa engrenagem já apareceu nas exportações da SIATT: por conta da associação com o EDGE Group, a empresa fechou um acordo para exportar mísseis MANSUP aos Emirados Árabes Unidos, em contrato avaliado em US$ 299 milhões, o primeiro cliente da SIATT fora do Brasil. Segundo executivos do EDGE Group, os problemas orçamentários das Forças Armadas brasileiras não inviabilizam os projetos, desde que os produtos nacionais também sejam destinados à exportação, usando encomendas internacionais para dar escala às fábricas no País e reduzir o custo dos equipamentos para as próprias Forças Armadas.

 

Um resgate solicitado pelo próprio governo
A compra da Akaer ocorre em meio a dificuldades financeiras da empresa. Desde março de 2025, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região denuncia atrasos recorrentes no pagamento de salários, FGTS e benefícios, quadro que se agravou em dezembro de 2025 e voltou a se repetir em fevereiro de 2026, quando cerca de 700 trabalhadores ainda não tinham recebido os vencimentos de janeiro. Segundo Torres, a empresa deixou de pagar a folha de pagamento por um período e o plano de saúde dos funcionários por quase um ano. A Akaer também viu fracassar, em fevereiro de 2026, o programa do veículo lançador de pequeno porte (VLPP), cancelado após a Finep identificar que a empresa não conseguiu comprovar a aplicação de parte dos recursos repassados ao projeto.

Foi nesse cenário que, segundo o CFO do EDGE Group, o Ministério da Defesa e integrantes das Forças Armadas procuraram o conglomerado durante a LAAD para buscar uma solução que evitasse o fechamento da companhia, tratando o caso, ao menos inicialmente, como uma possível parceria, e não como uma venda integral. Governo federal, Ministério da Defesa e Forças Armadas foram informados sobre a negociação ao longo dos meses seguintes, segundo o executivo. O atual controlador da Akaer, Cesar Silva, deixará a gestão da empresa, mas deverá permanecer como consultor do EDGE Group por um período de um a dois anos.

Um fator que teria facilitado a negociação foi a atual estrutura acionária da Akaer: a Saab, que chegou a deter 42,21% da holding Akaer Participações S.A., teve sua participação integralmente recomprada pela controladora Connectus Gestão e Participações em outubro de 2023, com aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sem restrições, o que dispensaria a negociação com um sócio estrangeiro na operação com o EDGE Group.

Manutenção do status de Empresa Estratégica de Defesa
Apesar da compra de 100% do capital por um grupo estrangeiro, o EDGE Group afirma que a Akaer continuará credenciada como Empresa Estratégica de Defesa, enquadramento concedido pelo Ministério da Defesa a companhias responsáveis pelo desenvolvimento ou pela produção de bens e tecnologias essenciais para a defesa nacional, e que envolve requisitos societários e de governança. Segundo Torres, será mantida estrutura local de governança e participação brasileira suficiente para atender às regras do credenciamento, ainda que o desenho definitivo dependa das aprovações regulatórias.

Impactos para a base industrial de defesa
Em termos de empregos, o efeito tende a ser positivo no curto prazo: a entrada de capital estrangeiro resolveria rapidamente a crise que hoje compromete salários e benefícios de cerca de 600 a 700 trabalhadores, preservando postos de trabalho qualificados que, sem aporte externo, estariam sob risco real de extinção, quadro agravado pelo fato de a busca por uma solução ter partido do próprio Ministério da Defesa. O histórico do grupo no País, com a construção de nova unidade industrial da SIATT em Caçapava (SP) e a expansão da fábrica da Condor em São Paulo, sugere disposição de investir em capacidade produtiva local, e não apenas de absorver tecnologia já desenvolvida.

Em exportações e divisas, o efeito já é mensurável: os contratos da SIATT com os Emirados Árabes Unidos (US$ 299 milhões) e da Condor com país africano (mais de US$ 10 milhões) representam entrada de moeda estrangeira viabilizada por ativos brasileiros que, operando isoladamente, dificilmente teriam acesso à mesma rede comercial internacional do EDGE Group, hoje presente em mais de 30 países. A lógica declarada pelo próprio grupo, de usar encomendas internacionais para dar escala às fábricas brasileiras e reduzir custos para as Forças Armadas nacionais, reforça esse potencial.

O ponto que segue exigindo atenção é a autonomia tecnológica. Diferentemente das participações minoritária e majoritária mantidas na SIATT e na Condor, a aquisição integral da Akaer configura um padrão distinto, o de controle acionário total. Há precedente relevante nesse sentido, o da aquisição da Atmos Sistemas pela sueca Saab, em 2020, quando decisões de engenharia e propriedade intelectual passaram a migrar, no médio prazo, para fora do raio de influência nacional. O fato de a operação ter sido solicitada pelo próprio Ministério da Defesa, e de o EDGE Group ter se comprometido a manter estrutura local de governança e participação brasileira suficiente para preservar o status de EED, reduz parte desse risco em relação ao que se poderia esperar de uma aquisição puramente oportunista, mas não o elimina, já que o desenho definitivo dessas salvaguardas ainda depende das aprovações regulatórias.

O que observar daqui para frente
A confirmação regulatória da compra da Akaer e o desenho final das condições de governança e participação brasileira exigidas para manter o status de Empresa Estratégica de Defesa devem ser os próximos marcos a acompanhar. Também merece atenção o ritmo de novos anúncios prometidos pelo EDGE Group para 2026, incluindo áreas de cibersegurança e produção local, que podem indicar se o padrão observado no caso Akaer, de conversão de uma parceria técnica em controle acionário, se repetirá em outras empresas da BID brasileira.

18 julho, 2026

Abra negocia até 20 jatos E2 da Embraer para anúncio no Farnborough International Airshow

Bloomberg diz que acordo está próximo de fechar; Gol já sinalizava interesse desde 2025 

 

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LRCA Defense Consulting - 18/07/2026

A Abra, holding controladora da Gol, está próxima de fechar um pedido de jatos E2 da Embraer, segundo apuração da Bloomberg News publicada nesta sexta-feira (18/7) pelo jornal Valor Econômico. De acordo com fontes não identificadas ouvidas pela agência, que pediram sigilo por se tratar de informação confidencial, um pedido de até 20 aeronaves da família E2 poderá ser anunciado já na semana que vem, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido.

As aeronaves, segundo as fontes, poderão ser distribuídas entre as companhias aéreas do portfólio do grupo, que reúne a própria Gol, a colombiana Avianca e a espanhola Wamos Air. A Embraer fabrica jatos de corredor único da família E-Jets com capacidade para até 146 passageiros. Procurados pela reportagem original, representantes da Abra, da Gol e da Embraer se recusaram a comentar o assunto.

Uma negociação que já dura quase um ano
O interesse do grupo pelos jatos brasileiros não é novo. Em outubro de 2025, o CEO da Gol, Celso Ferrer, já afirmava, em entrevista à Folha de S.Paulo, que a compra era uma possibilidade real, mas que dependeria de uma decisão do Grupo Abra e seria feita num momento certo. Na ocasião, Ferrer mencionou tanto o E2 quanto o Airbus A220 como opções em avaliação para rotas regionais, com a ideia de incorporar até 30 aeronaves desse porte.

Ainda em 2025, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, declarou que a Gol estaria na fila para anunciar a compra de jatos Embraer E2, na esteira do acordo histórico fechado pela Latam para até 74 unidades do E195-E2. Em março de 2026, o próprio presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, confirmou ao Valor Econômico que havia conversas em andamento tanto com a Gol quanto com a Abra, e disse haver interesse em repetir com a Gol o movimento já feito com a Latam e a Azul.

Fim da frota única
A eventual chegada do E2 se soma a um movimento mais amplo de diversificação de frota da Gol e da Abra, que historicamente opera com frota única de Boeing 737. Nas últimas semanas, o grupo já havia confirmado a aquisição de até sete Airbus A330-900neo, em contrato de leasing com a Avolon, além de cinco A350 e 50 A320neo de corredor único. Ferrer chegou a afirmar publicamente que tem interesse em ver os A330 operando sob a marca Gol no Brasil, embora a decisão final sobre a alocação das aeronaves caiba à Abra.

O que ainda não está confirmado
Até o fechamento desta matéria, não há confirmação oficial do número exato de aeronaves, nem de como elas seriam divididas entre Gol e Avianca. Também não é certo que o anúncio de fato ocorrerá durante o Farnborough, embora analistas de mercado já apontem o salão como uma janela provável para novas encomendas: XP, JPMorgan e BTG Pactual citaram o evento, que ocorre entre os dias 20 e 24 de julho, como possível catalisador para as ações da Embraer.

Se confirmado, o pedido tornaria a Gol a terceira grande companhia aérea brasileira, ao lado de Azul e Latam, a operar aeronaves da família E-Jets, reforçando a posição da Embraer no segmento de jatos de até 150 assentos e ampliando o mercado interno para a fabricante em um momento de carteira de pedidos recorde.

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