Fabricante brasileira de aeronaves faturou US$ 1,447
bilhão no 1T26, crescimento de 31% na comparação anual; backlog chega a US$
32,1 bilhões pelo sexto trimestre consecutivo de recordes
*LRCA Defense Consulting - 08/05/2026
A Embraer encerrou o primeiro trimestre de 2026 com a maior receita já registrada para o período, consolidando um início de ano que surpreende positivamente em volume operacional, mesmo diante de ventos contrários como as tarifas de importação dos Estados Unidos. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (8), mostram uma empresa que acelera entregas, acumula pedidos em ritmo histórico e reitera suas projeções para o ano.
Receita recorde e margens em alta
A Embraer alcançou US$ 32,1 bilhões em sua carteira de pedidos no primeiro
trimestre, consolidando o sexto recorde consecutivo e reforçando sua posição
entre as principais fabricantes de aeronaves do mundo.
No campo financeiro, a companhia faturou US$ 1,447 bilhão no período, o maior valor de sempre para um primeiro trimestre e uma alta de 31% frente ao 1T25. O EBIT ajustado chegou a US$ 94 milhões, com margem de 6,5%, acima dos 5,6% registrados um ano antes. Vale notar que as tarifas de importação americanas de 10% custaram à empresa US$ 13 milhões no trimestre (92 pontos-base de impacto), e outros US$ 11 milhões em estoque já estão contabilizados para impactar o segundo trimestre.
O lucro líquido ajustado ficou em US$ 27,7 milhões, ante US$ 50 milhões no mesmo período de 2025. A queda reflete, em parte, mudança metodológica: a empresa decidiu deixar de classificar impostos diferidos como item extraordinário, ajustando os comparativos de 2025 para uma análise mais consistente. O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 33,4 milhões, ou US$ 0,1856 por ADS.
Defesa puxa os destaques; Comercial cresce em volume
O segmento de Defesa e Segurança foi a grande estrela do trimestre. A
receita saltou 63% na comparação anual, chegando a US$ 227 milhões,
impulsionada pelo reconhecimento de receita do KC-390 Millennium e pelo aumento
na produção do A-29 Super Tucano. A margem bruta quase dobrou, passando de
12,3% para 26,8%, e a margem EBIT ajustada virou fortemente positiva, saindo
de -1,6% para 17%, beneficiada por US$ 25 milhões em itens não recorrentes.
A Aviação Comercial cresceu 45% em receita, atingindo US$ 293 milhões, mas viu suas margens pressionadas por mix de clientes, custos logísticos e ausência de créditos de fornecedores que haviam beneficiado o 1T25. A Aviação Executiva faturou US$ 418 milhões (+30%), embora a margem EBIT ajustada tenha recuado de 11,3% para 6%, afetada pelas tarifas americanas (US$ 12 milhões de impacto) e pelos gastos com o lançamento da nova família Praetor 500/600 "E". Serviços e Suporte, por sua vez, entregou crescimento sólido de 15%, com receita de US$ 490 milhões e melhora de margem, parcialmente compensando o efeito das tarifas no segmento.
44 aeronaves entregues, alta de 47%
A Embraer entregou 44 aeronaves no trimestre, avanço de 47% sobre as 30
entregas registradas no primeiro trimestre do ano passado. Das 44 aeronaves, 10
foram jatos comerciais (4 da família E2 e 6 da família E1), 29 foram executivos
(16 pequenos e 13 médios) e 5 foram de defesa (um KC-390 Millennium e quatro
A-29 Super Tucano).
Esse volume corresponde a 16% da previsão anual da empresa, que projeta entre 240 e 255 entregas combinadas nas áreas de aviação comercial e executiva em 2026.
Carteira de pedidos no maior patamar da história
O backlog de US$ 32,1 bilhões representa alta de 22% na comparação anual. O
avanço foi puxado pela aviação comercial, que registrou alta de 50% e alcançou
US$ 15 bilhões em pedidos. Um dos destaques do período foi a Europa, com a
compra de até 46 aeronaves E195-E2 pela finlandesa Finnair, sendo 18 vinculadas
ao trimestre entre encomendas firmes, opções e direitos de compra.
A relação book-to-bill (pedidos recebidos versus faturados) da Aviação Comercial ficou em 3,0x nos últimos doze meses, ou seja, a empresa vendeu três vezes mais do que entregou no período, sinal de demanda robusta à frente.
Caixa negativo no trimestre, mas por escolha
O fluxo de caixa livre ajustado (sem Eve) foi negativo em US$ 447,1 milhões, um resultado esperado e explicado pela construção de estoque. O aumento de US$
399,5 milhões em inventários é deliberado: a Embraer está antecipando produção
para honrar um volume maior de entregas nos próximos trimestres, especialmente
no segundo semestre, quando a sazonalidade do setor concentra as entregas.
A posição de caixa consolidada ficou em US$ 2,298 bilhões ao final de março, complementada por uma linha de crédito rotativo de US$ 1 bilhão ainda não utilizada. A subsidiária Eve, focada em aeronaves elétricas de decolagem vertical (eVTOL), encerrou o trimestre com US$ 441 milhões em caixa.
Guidance de 2026 mantido apesar das tarifas
A empresa reiterou integralmente suas projeções para o ano: receita entre
US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3%, já
incorporando o impacto de tarifas de importação americanas de 10%, e fluxo de
caixa livre de pelo menos US$ 200 milhões. Em termos operacionais, a meta é
entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 executivas ao
longo do ano.
Ações e remuneração aos acionistas
As ações da Embraer acumulavam valorização expressiva nos doze meses
anteriores ao balanço: alta de 43% no pregão da B3 (EMBJ3), contra 17% do
Ibovespa, e de 28% na NYSE (EMBJ), ante 16% do S&P 500. O valor de mercado
da companhia era de R$ 54,3 bilhões (US$ 10,5 bilhões) em 31 de março. No
período, a empresa recomprou R$ 183,7 milhões em ações e pagou R$ 12,7 milhões
em dividendos. Para os acionistas do EMBJ3, está previsto ainda o pagamento de
dividendos do exercício de 2025 no valor de R$ 0,01 por ação, com liquidação em
20 de maio.









