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09 julho, 2026

Embraer entrega primeiro E175 de fábrica à Air Peace e amplia presença na África

Aeronave de 88 assentos chega a Lagos e reforça a estratégia da fabricante brasileira de preencher o vazio de conectividade intra-africana com jatos regionais


*LRCA Defense Consulting - 08/07/2026

A Embraer entregou à Air Peace, maior companhia aérea da Nigéria, o primeiro Embraer E175 de fábrica já operado pela empresa nigeriana. A aeronave, configurada para 88 assentos em arranjo 2 por 2, sem assentos centrais, e registrada como 5N-CGH, pousou no aeroporto internacional Murtala Muhammed, em Lagos, na noite de terça-feira, 7 de julho de 2026, por volta das 20h32 no horário local, ao fim de um voo de translado (ferry flight) partido do Brasil. A entrega foi formalizada em 30 de junho, em São José dos Campos, sede da fabricante, logo após a conclusão da montagem do jato.

Segundo comunicado da Embraer, a aeronave foi projetada para operações de curta e média distância e soma-se à frota que a Air Peace já opera com os modelos E195-E2 e ERJ145, ambos também fabricados pela empresa brasileira. A companhia nigeriana mantém ainda Boeing 777 para rotas de longo curso e Boeing 737, além de outros Embraer E190. Nos últimos meses, a Air Peace expandiu sua malha internacional com voos diretos para Londres e para o Caribe (Antígua e Barbuda), e obteve aprovação regulatória para operar rotas com destino ao Brasil.

Marco no crescimento da Air Peace
Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, associou a entrega à busca das companhias aéreas por aeronaves de tamanho adequado à demanda, capazes de ampliar conectividade sem abrir mão de eficiência. Já o presidente e CEO da Air Peace, Allen Onyema, descreveu a chegada do E175 como um marco no crescimento da companhia, destacando o compromisso com a modernização da frota doméstica e regional. O porta-voz da empresa, Efe Osifo-Whiskey, acrescentou que a aeronave amplia a flexibilidade operacional da Air Peace tanto para reforçar frequências em rotas já existentes na Nigéria quanto para abrir serviços a quatro novos destinos africanos.

Estratégia mais ampla da Embraer para o continente africano
A operação se insere em uma estratégia mais ampla da Embraer para o continente africano. O relatório Africa Connectivity Report 2026, divulgado pela fabricante, identificou 55 pares de cidades africanas com potencial de tráfego relevante, mas ainda sem voos diretos entre si, ante 45 pares mapeados na edição de 2025. Segundo a Embraer, a África concentra cerca de 18% da população mundial, mas responde por apenas 2% do tráfego aéreo global, um descompasso atribuído sobretudo à falta de conectividade ponto a ponto e à dependência de conexões por aeroportos fora do continente, na Europa ou no Oriente Médio. Corredores importantes, como Cidade do Cabo–Lagos, Cidade do Cabo–Lusaka e Dacar–Libreville, seguem sem ligação direta apesar da demanda identificada.

A fabricante avalia que boa parte dessas rotas não sustenta aeronaves de fuselagem estreita tradicionais, mas se encaixa no perfil de jatos regionais e pequenos narrowbodies como o E175, que a própria Embraer descreve como o modelo mais eficiente de sua categoria. A companhia afirma operar hoje mais de 300 aeronaves na África, distribuídas entre mais de 75 operadores, com participação superior a 30% no segmento de até 150 assentos, o que a tornaria a maior fabricante de aviação regional do continente em tamanho de frota.

Airlink e Africa World Airlines: modelo funciona, mas com disciplina e planejamento
Ainda assim, analistas do setor apontam que a penetração da Embraer na África segue aquém do potencial sugerido por esses números. Em análise publicada no fim de junho, o especialista em aviação Derek Nseko argumenta que decisões de frota no continente costumam privilegiar o simbolismo político e a familiaridade com Boeing e Airbus em detrimento da economia operacional, além de esbarrar em custos de introdução de um novo tipo de aeronave (treinamento de tripulações, peças de reposição, manutenção) e em preocupações com capacidade de carga no porão e com a profundidade dos mercados de financiamento e revenda dos jatos da fabricante brasileira. Segundo o autor, os casos da sul-africana Airlink e da ganense Africa World Airlines, que construíram operações rentáveis em torno de frotas Embraer bem dimensionadas à demanda real, mostram que o modelo funciona quando acompanhado de disciplina de rede e de planejamento comercial adequado.

O E175 já opera na África por meio da Airlink, na África do Sul, e a aposta da Embraer é que a Air Peace passe a seguir um caminho semelhante. Para a fabricante, a Nigéria e o mercado regional do oeste e centro africanos reúnem exatamente o tipo de rota fragmentada e de demanda ainda em consolidação que o E175 foi concebido para atender, com potencial de replicação por outras companhias do continente caso a operação da Air Peace se mostre bem-sucedida.

08 julho, 2026

BERINGER AERO é selecionada para fornecer rodas e freios ao eVTOL da Eve Air Mobility

Fabricante francesa confirma, em publicação nas redes sociais, contrato de sistemas de frenagem leves para o programa Eve-100, subsidiária da Embraer dedicada à mobilidade aérea urbana


*LRCA Defense Consulting - 08/07/2026 (atualizada em 09/07, às 11:40)

A BERINGER AERO, fabricante francesa especializada em rodas e freios para aeronaves, anunciou nesta terça-feira (07), por meio de publicação no LinkedIn, ter sido selecionada para fornecer os sistemas de rodas e freios do eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer voltada à mobilidade aérea urbana avançada. Segundo a empresa, a colaboração prevê o fornecimento de sistemas de frenagem leves e de alto desempenho, projetados para atender aos requisitos de segurança, confiabilidade e desempenho exigidos por uma aeronave de decolagem e pouso vertical.

Em sua publicação, a BERINGER AERO afirmou ter orgulho de integrar o que descreveu como um programa inovador de aeronaves eVTOL, classificando a parceria como uma oportunidade de contribuir para o futuro da mobilidade aérea avançada. A empresa acrescentou que, à medida que a aviação evolui, mantém o compromisso de desenvolver tecnologias que ajudem a moldar a próxima geração de voos.

O anúncio se soma a referências anteriores da própria BERINGER AERO à sua atuação junto ao programa da Embraer. Em material de divulgação distribuído durante a feira AERO, a empresa já havia citado o desenvolvimento de soluções avançadas de rodas e freios em parceria com a Embraer no âmbito do programa eVTOL Eve-100, o que sugere, em caráter condicional, que a publicação mais recente no LinkedIn represente a formalização ou a divulgação ampliada de uma colaboração já em curso, e não necessariamente o início de uma nova relação comercial. A BERINGER AERO não detalhou, em sua publicação, valores contratuais, cronograma de entregas ou especificações técnicas do sistema de rodas e freios destinado ao eVTOL.

O programa Eve-100 é conduzido pela Eve Air Mobility, empresa de mobilidade aérea urbana controlada pela Embraer e listada na Bolsa de Nova York. O protótipo de engenharia em escala real da aeronave, de configuração lift+cruise e oito rotores dedicados ao voo vertical, realizou seu voo inaugural em 19 de dezembro de 2025 e já acumula dezenas de ensaios em voo na unidade de testes da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. A empresa projeta a transição para voos de cruzeiro ainda em 2026 e mantém carteira superior a 2.700 compromissos comerciais, com clientes como United Airlines e Republic Airways.

O fornecimento anunciado pela BERINGER AERO refere-se, especificamente, à configuração de rodas do trem de pouso do Eve-100, e não ao protótipo de engenharia atualmente em testes. A aeronave que realizou o voo inaugural em dezembro de 2025 utiliza trem de pouso do tipo skid (patins fixos, sem rodas), configuração adotada nessa fase de ensaios em voo. Já a versão de produção do Eve-100, segundo atualizações de projeto divulgadas pela própria Eve Air Mobility, terá rodas como configuração padrão de entrada em serviço, com patins leves oferecidos como opção para reduzir o consumo de energia durante o táxi no solo. 

O sistema fornecido pela BERINGER AERO aplica-se, portanto, a essa configuração de produção com rodas, e não ao esqui do protótipo em testes, o que ajuda a situar o contrato numa fase posterior do programa. Tecnicamente, o freio segue a lógica já empregada pela BERINGER AERO em aeronaves de asa fixa leve, com rotor e pinça atuando sobre a roda, adaptado aos requisitos de peso e ao regime de ciclos de pouso vertical do eVTOL. 

Fundada em 1985 e dedicada à aviação desde o início dos anos 2000, a BERINGER AERO fabrica rodas e freios certificados para aeronaves civis, com operações na França e nos Estados Unidos. A empresa detém certificações da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e da autoridade francesa de aviação civil (DGAC) para o projeto e a produção de seus componentes, e soma mais de uma dezena de patentes internacionais relacionadas a tecnologias de frenagem.

Hyperlift anuncia ensaios de revestimento para aumentar resistência de plataformas a armas laser

Empresa brasileira apresenta resultados preliminares de defesa passiva contra energia dirigida 


*LRCA Defense Consulting - 08/07/2026

A Hyperlift Aerospace & Defense, empresa brasileira sediada em São Paulo, divulgou a realização de ensaios com um revestimento denominado LEAR (Laser Energy Absorption and Reflection), desenvolvido para retardar a degradação de superfícies expostas a lasers de alta potência. Segundo a empresa, os testes reproduziram condições mais severas do que as esperadas em cenários reais de emprego e demonstraram a capacidade do material de prolongar o tempo de integridade da superfície atingida durante a exposição ao feixe laser, intervalo que, em uma situação operacional, poderia ampliar as possibilidades de manobra evasiva ou contribuir para o cumprimento da missão.

O que é o LEAR
De acordo com a Hyperlift, o LEAR é um revestimento técnico de proteção passiva, e não um sistema eletrônico ou uma solução ativa de interceptação. Seu objetivo é reduzir o fluxo líquido de energia absorvida pela superfície tratada, combinando mecanismos de reflexão, absorção controlada e dissipação térmica, de forma a retardar o aquecimento responsável pela degradação estrutural do material de base.

A proposta guarda certa analogia com os sistemas tradicionais de proteção passiva empregados contra calor intenso, fragmentos ou impactos balísticos, mas aplicada a uma ameaça de natureza distinta: as armas de energia dirigida.

Diferentemente da percepção popular, um laser de emprego militar normalmente não provoca a destruição instantânea de um alvo. Seu efeito depende de fatores como potência do feixe, comprimento de onda, distância, condições atmosféricas e, principalmente, do tempo durante o qual o feixe permanece estabilizado sobre um mesmo ponto da superfície (dwell time). Materiais capazes de retardar o aquecimento podem aumentar esse tempo necessário de engajamento, reduzindo a eficácia prática da arma e ampliando as chances de sobrevivência da plataforma.

Segundo a Hyperlift, o LEAR também foi concebido com foco na viabilidade industrial. A empresa afirma que o revestimento é produzido a partir de matérias-primas de ampla disponibilidade no mercado nacional, o que contribuiria para reduzir seus custos de fabricação e facilitar uma eventual produção em escala. Outro aspecto destacado é sua arquitetura modular: o mesmo revestimento poderia ser empregado em diferentes plataformas, como drones, mísseis, veículos blindados, embarcações e aeronaves, variando principalmente a espessura da camada aplicada conforme o nível de proteção requerido por cada aplicação.


  

Uma resposta ao avanço das armas de energia dirigida
O anúncio da Hyperlift ocorre em um momento de rápida evolução das chamadas armas de energia dirigida (Directed Energy Weapons – DEW). Países como Estados Unidos, Reino Unido, China e Israel vêm investindo intensamente em sistemas a laser destinados à neutralização de drones, foguetes, projéteis de artilharia e mísseis, alguns já operando na faixa de centenas de quilowatts de potência.

À medida que essas capacidades amadurecem, cresce também o interesse por tecnologias defensivas capazes de reduzir sua eficácia, seja por meio de materiais resistentes ao aquecimento, seja por soluções voltadas ao gerenciamento térmico ou à diminuição do tempo de exposição ao feixe. Trata-se de um segmento ainda pouco explorado pela Base Industrial de Defesa brasileira.

Quem é a Hyperlift
Fundada em 2021, com sede em São Paulo e laboratório de desenvolvimento em Belo Horizonte, a Hyperlift Aerospace & Defense atua nas áreas de engenharia aeronáutica e espacial, propulsão supersônica e hipersônica, materiais avançados, sistemas não tripulados e tecnologias voltadas à proteção de plataformas.

A empresa tornou-se conhecida principalmente pelo desenvolvimento do conceito patenteado RISCRAM (Rocket-Integrated Supersonic Combustion Ramjet), uma arquitetura de propulsão destinada ao voo hipersônico que combina características de motores-foguete e scramjet.

À frente da empresa está o engenheiro aeroespacial Marco Gabaldo, italiano naturalizado brasileiro, com formação em Engenharia Aeroespacial pela FUMEC e especializações voltadas à propulsão hipersônica e ciências espaciais. Além de atuar como CEO da Hyperlift, Gabaldo participa regularmente de congressos, workshops e eventos técnicos da Base Industrial de Defesa e do setor aeroespacial, sendo reconhecido por sua atuação em pesquisa aplicada, desenvolvimento de tecnologias de propulsão, materiais avançados e sistemas aeroespaciais. Também mantém interlocução frequente com universidades, centros de pesquisa e empresas do setor, contribuindo para a aproximação entre a academia e a indústria.

A Hyperlift integra o Catálogo da Indústria Espacial Brasileira, mantido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), e já participou de workshops e eventos técnicos ao lado de empresas como Stella Tecnologia, AEL Sistemas, XMobots, SIATT e Modirum/GESPI.

O laboratório da empresa, em Belo Horizonte, também presta apoio técnico-científico a projetos acadêmicos de graduação, mestrado e doutorado, demonstrando uma estratégia de integração entre pesquisa universitária e desenvolvimento tecnológico voltado aos setores espacial e de defesa. 


Ressalva metodológica
Até o fechamento desta matéria, as informações sobre o LEAR têm como origem exclusiva os canais institucionais da própria Hyperlift.

Não foram localizados registros independentes sobre os ensaios, tais como a identificação do laboratório responsável, a potência e o comprimento de onda do laser empregado, a densidade de potência incidente, a distância de engajamento, o tipo de substrato utilizado, a espessura do revestimento, o ganho quantitativo de resistência obtido ou a publicação dos resultados em periódico técnico revisado por pares.

Também não há, até o momento, com exceção de uma reportagem do portal Brazilian Space, cobertura do tema por veículos especializados em defesa nem confirmação de que o LEAR esteja sendo avaliado ou incorporado a programas específicos da Base Industrial de Defesa brasileira.

Vídeo do portal Brazilian Space transmitido há três semanas

Próximos passos
Segundo a Hyperlift, os ensaios continuam em andamento. Um passo importante para a consolidação da tecnologia será sua eventual validação por centros de ensaio reconhecidos, civis ou militares, capazes de aferir seu desempenho em condições controladas e comparáveis às exigências operacionais.

Caso os resultados sejam confirmados por avaliações independentes, o LEAR poderá despertar o interesse de programas das Forças Armadas voltados à proteção de aeronaves, veículos terrestres, embarcações ou outras plataformas expostas às futuras ameaças representadas pelas armas de energia dirigida.

T-BOT, robô da Treffer, participa de testes operacionais da Marinha do Brasil em Furnas

Plataforma robótica nacional, fabricada por empresa recém-credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), foi avaliada em cenários de alto risco durante a Operação Furnas 2026, em Minas Gerais 


*LRCA Defense Consulting - 08/07/2026

O robô terrestre T-BOT, desenvolvido pela empresa mineira Treffer e recentemente incorporado pela Marinha do Brasil, participou de testes operacionais realizados durante a Operação Furnas 2026, no Lago de Furnas (MG). A informação foi divulgada pela própria fabricante em 7 de julho, em matéria publicada no site institucional da empresa. Segundo a Treffer, a plataforma foi empregada na validação de suas capacidades em cenários de alto risco, apoiando missões de reconhecimento remoto, inspeção de áreas de difícil acesso e apoio a operações de identificação e neutralização de artefatos explosivos.

De acordo com a empresa, o emprego do T-BOT integra a estratégia da Marinha de incorporar tecnologias capazes de ampliar a segurança das equipes e a eficiência das operações, permitindo que atividades potencialmente perigosas sejam executadas remotamente e reduzindo a exposição de militares a situações de risco.

Como foram os testes
Os exercícios em Furnas submeteram o T-BOT a diferentes desafios de mobilidade, buscando reproduzir condições próximas às de missões reais, segundo relato da Treffer. Entre os testes estiveram deslocamentos em terrenos irregulares, rampas, trechos de lama e vegetação, além de obstáculos naturais e artificiais. Além da avaliação de mobilidade, o equipamento foi empregado em atividades de aproximação segura, reconhecimento remoto e apoio a equipes especializadas na neutralização de artefatos explosivos, funções conhecidas no jargão militar pela sigla em inglês EOD (explosive ordnance disposal).

O que é o T-BOT
Desenvolvido no Brasil, o T-BOT é uma plataforma robótica modular projetada para aplicações em defesa, segurança pública, mineração, óleo e gás e outros ambientes de alto risco. Sua arquitetura permite operação sobre rodas ou esteiras, o que possibilita adaptar o equipamento às características de cada missão e às diferentes condições de terreno.

Entre as características do robô estão a operação remota, com possibilidade de evolução para funções autônomas supervisionadas, mobilidade em diferentes tipos de terreno, autonomia de até oito horas e capacidade para transportar cargas superiores a 100 kg. A plataforma também conta com integração a câmeras HD, sensores embarcados e braço robótico para manipulação remota de objetos, segundo especificações divulgadas pela fabricante.
 

Uma fabricante recém-chegada ao grupo das EED
A Treffer, sediada em Belo Horizonte, atua na importação e distribuição de equipamentos de automação, robótica e mineração, além de fabricar robôs autônomos próprios, caso do T-BOT. Em janeiro deste ano, a empresa obteve do Ministério da Defesa a certificação de Empresa Estratégica de Defesa (EED), condição prevista na Lei nº 12.598/2012 para pessoas jurídicas sediadas no país que desenvolvam produtos de defesa com tecnologia própria ou em parceria com instituições científicas nacionais.

A certificação como EED abre à empresa a possibilidade de participar de licitações restritas a fornecedores credenciados, acesso a regimes tributários especiais e a linhas de financiamento voltadas a projetos de defesa, além de cobertura de crédito à exportação por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Para o setor, a Treffer soma-se ao grupo ainda reduzido de empresas nacionais dedicadas a plataformas robóticas terrestres com essa credencial.

A Operação Furnas 2026
A participação do T-BOT ocorreu no âmbito da Operação Furnas 2026, exercício conduzido pelo Corpo de Fuzileiros Navais na região do Lago de Furnas, em Minas Gerais, iniciado em 22 de junho e que mobiliza cerca de 2 mil militares, veículos blindados, aeronaves e observadores de países parceiros. O exercício reúne treinamento de operações ribeirinhas, missões de paz e apoio à defesa civil, e vem sendo utilizado pela Marinha como ambiente de validação prática de sistemas desenvolvidos por empresas da Base Industrial de Defesa (BID), tendência que já havia colocado em teste, na mesma edição, o simulador de tiro do míssil MAX 1.2 AC, da SIATT.

Em edição anterior do mesmo exercício, a Operação Furnas 2025, a Marinha já havia utilizado o ambiente para finalizar os testes de lançamento de seu primeiro drone tático de ataque, desenvolvido internamente pelo Batalhão de Combate Aéreo do Corpo de Fuzileiros Navais. A recorrência do uso de Furnas para validação de novos equipamentos reforça o papel do exercício como laboratório de inovação da Força.

Não é o primeiro contato do T-BOT com a Marinha
O emprego em Furnas não é a primeira aparição do T-BOT junto à Força. Em junho deste ano, o robô já havia sido utilizado por Fuzileiros Navais em treinamento realizado no Rio de Janeiro e em São Gonçalo, no âmbito da preparação de tropas para certificação da Organização das Nações Unidas (ONU) em missões de paz, segundo divulgação anterior da própria Treffer.

O que ainda não foi confirmado
Nem a Treffer nem a Marinha do Brasil divulgaram, até a publicação desta matéria, valores ou quantidade de unidades envolvidas na incorporação do T-BOT pela Força, tampouco a modalidade contratual da aquisição. As informações sobre os testes em Furnas têm como fonte exclusiva o material divulgado pela fabricante; a reportagem não localizou, até o momento, nota oficial da Marinha sobre o episódio específico.

Embraer leva o Ipanema 203 à Exposición Rural, na Argentina, em novo passo de internacionalização

Avião agrícola movido a etanol participa pela primeira vez do maior evento do agronegócio argentino, após acordo para produção de etanol no país e certificação recente no Paraguai 


*LRCA Defense Consulting - 08/07/2026

A Embraer confirmou, em comunicado divulgado nesta quarta-feira (8), que apresentará o Ipanema 203 pela primeira vez na 138ª Exposición Rural, um dos eventos de agronegócio mais tradicionais da América Latina. O evento ocorre de 16 a 26 de julho, no predio ferial de Palermo, em Buenos Aires, e reúne produtores, empresários e técnicos de toda a região.

A participação argentina integra a estratégia da fabricante brasileira de ampliar a presença internacional do Ipanema 203, avião agrícola líder de mercado no Brasil e único do mundo movido integralmente a etanol. Segundo a empresa, mais de 1.700 unidades já foram entregues, o que garante à aeronave papel de destaque entre operadores que buscam baixo custo operacional, alta produtividade e precisão de aplicação.

Durante o evento, a Embraer participará de um painel com outros líderes do setor para discutir o futuro da aplicação aérea inteligente e as tecnologias emergentes voltadas ao aumento da produtividade agrícola. Para Sany Onofre, líder da área de Aviação Agrícola da Embraer, a presença na Exposición Rural reforça a estratégia de expansão em mercados chave para o desenvolvimento da aviação agrícola regional.

Acordo para produção de etanol na Argentina
A movimentação da Embraer na Argentina não se limita à exposição. A empresa avançou recentemente ao assinar um Memorando de Entendimento (MoU) com a Essential Energy Holding, empresa especializada em soluções de eficiência energética, e com a Bioenergías Agropecuaria, do mesmo grupo, responsável pela produção de biocombustíveis. O acordo prevê estudos de viabilidade para produção e distribuição de etanol destinado a futuros operadores do Ipanema no país.

Paraguai já opera o Ipanema
Em paralelo, a companhia também anunciou a certificação do Ipanema 203 no Paraguai, concedida pela Direção Nacional de Aeronáutica Civil (DINAC) em dezembro de 2025, o que abre caminho para a operação em maior escala da aeronave no país vizinho. A homologação paraguaia foi apresentada pela Embraer como o primeiro passo de uma estratégia mais ampla de internacionalização da aviação agrícola brasileira na América Latina, com Uruguai e Argentina já mapeados para os próximos movimentos.

Desempenho e sustentabilidade
Movido a etanol, o Ipanema 203 pulveriza mais de 200 hectares por hora, com desempenho equivalente a quatro grandes pulverizadores terrestres operando simultaneamente. Segundo a Embraer, a aplicação aérea uniforme evita danos às plantações causados por equipamentos terrestres e reduz a disseminação de pragas pelo contato com o solo, o que pode elevar a produtividade em até 15 sacas por hectare, a depender do tipo de cultura e das condições de operação.

Desde a certificação do modelo a etanol, em 2004, o Ipanema já evitou a emissão de mais de 28 milhões de toneladas de CO2, uma média de 1,4 milhão de toneladas por ano, segundo dados históricos divulgados pela fabricante.

07 julho, 2026

Visita do comandante da Aeronáutica à Mac Jee reforça elo com o 14-X e outros programas estratégicos

Presença do Alto Comando da FAB nas instalações da empresa de São José dos Campos ocorreu no mesmo dia da inauguração do túnel hipersônico T5, e ganha novo significado após declarações do presidente do conselho da empresa sobre um míssil antiaéreo de médio alcance derivado do MAA-1B e um MAR-1 com alcance estendido



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LRCA Defense Consulting - 07/07/2026

O Grupo Mac Jee recebeu, em 1º de julho de 2026, em suas instalações de São José dos Campos, o tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, comandante da Aeronáutica. A comitiva incluiu o tenente-brigadeiro do ar Valter Borges Malta, comandante-geral de Apoio da Força Aérea Brasileira (COMGAP), o tenente-brigadeiro do ar Mauro Bellintani, diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e o major-brigadeiro do ar Eric Breviglieri, vice-diretor do mesmo órgão (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial). Em publicação no LinkedIn, a empresa descreveu a visita como reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo grupo e classificou a presença do Alto Comando como reforço à cooperação entre Forças Armadas, base industrial de defesa e centros de inovação tecnológica do país. Durante o encontro, a Mac Jee apresentou capacidades industriais, projetos estratégicos e investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Dois eventos, uma só data
A escolha do dia não parece casual. Também em 1º de julho, a Força Aérea Brasileira inaugurou, no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), em São José dos Campos, o Túnel de Choque Hipersônico T5, estrutura de 50 metros destinada a ensaios em condições superiores a Mach 5. O equipamento foi concebido para apoiar o Projeto Estratégico PROPHIPER, conduzido pelo IEAv e financiado pelo Comando da Aeronáutica, cujo objetivo é desenvolver o veículo hipersônico 14-X, com propulsão scramjet integrada à fuselagem. A própria Mac Jee é parte interessada nesse programa: a empresa desenvolve o RATO-14X, veículo acelerador que deve colocar o 14-X em condições para futuros ensaios em voo, em colaboração com o IEAv, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A Revisão Preliminar de Projeto do RATO-14X foi concluída nos dias 2 e 3 de junho, poucas semanas antes da visita do Alto Comando. O lançamento do 14-X está previsto para o fim de 2027, no Centro Espacial de Alcântara.

 

Parcerias já em curso com a FAB
A relação entre a Mac Jee e a Força Aérea não se limita ao programa hipersônico. Em novembro de 2025, a empresa adquiriu, da extinta Mectron, em parceria com a FAB, a propriedade intelectual dos mísseis MAR-1, de antirradiação, e MAA-1B, ar-ar de curto alcance, ambos hoje sob gestão da companhia sediada no Vale do Paraíba. Em 12 de junho, a Mac Jee também esteve entre as empresas que assinaram protocolos de intenção com o Comando da Aeronáutica durante o 1º Encontro de Inovação Aeroespacial (INOVAERO), na Base Aérea de Salvador, no âmbito do Parque Industrial Tecnológico Aeroespacial da Bahia (PITA-BA), evento que reuniu o ministro da Defesa e o próprio comandante Damasceno.

Fundada em 2007, com capital cem por cento nacional e fábricas em São José dos Campos e Paraibuna, a Mac Jee reúne hoje as empresas Mac Jee Defesa, Mac Jee Tecnologia e Equipaer. Seu portfólio inclui munições aéreas das séries MK e BLU, o kit de guiagem de precisão Dagger, o sistema lançador de foguetes Armadillo, espoletas eletrônicas HiRel, o drone kamikaze Anshar e linhas de produção de materiais energéticos como TNT, RDX e HMX.

A frente MBDA e o que ela pode significar
A visita ao Alto Comando também ocorre em meio a um movimento mais amplo de aproximação da Mac Jee com fabricantes estrangeiros. Em 29 de maio, a empresa assinou memorando de entendimento com a MBDA, maior grupo europeu de mísseis, formalizando um diálogo iniciado no Paris Air Show de 2023. Entre os eixos de convergência citados pelas próprias empresas estão a propulsão hipersônica, área na qual a MBDA desenvolve o projeto europeu HYDIS (Hypersonic Defence Interceptor System). As competências consolidadas em materiais energéticos e propulsão sólida, exibidas pela Mac Jee na sua trajetória recente, foram apresentadas no AUSA Global Force Symposium 2026, em Huntsville, Alabama.

 

Possíveis novos capítulos
Um eixo que pode ganhar relevância a partir da aproximação com o Alto Comando é o de defesa aérea multicamada e combate a drones. A Mac Jee já mantém memorando com a norte-americana MSI Defense Solutions para integrar o foguete guiado Armadillo, calibre de 70mm, ao sistema EAGLS de combate a aeronaves não tripuladas, tema que dialoga diretamente com as lacunas de defesa antiaérea de curto alcance hoje discutidas no âmbito do Exército Brasileiro. Outra frente em aberto é o Anshar, drone kamikaze de fabricação própria apresentado no Dubai Airshow de 2023, com alcance declarado de até 180 quilômetros e uma hora de autonomia de voo, mas sem contrato público confirmado com a FAB até o momento.

De fornecedora de componentes a desenvolvedora de sistemas completos
A visita do Alto Comando ganha um significado adicional à luz de declarações do próprio presidente do conselho da Mac Jee, Simon Jeannot, em vídeo institucional (abaixo) gravado durante a Eurosatory 2026, feira de defesa terrestre realizada recentemente em Paris. 

Míssil ar-ar de quarta geração MAA-1B com alcance de 40 quilômetros. Ar-ar ou antiaéreo?
Ao apresentar o portfólio da empresa, Jeannot afirmou que o míssil ar-ar de quarta geração desenvolvido com a FAB (referência ao MAA-1B, já testado em nível de maturidade tecnológica TRL 7 e com produção iniciada) está servindo de base para uma nova família de mísseis antiaéreos de médio alcance, equipada com propulsor mais longo e alcance de 40 quilômetros.

O MAA-1B, apelidado Piranha II, é uma evolução do MAA-1A e tem origem no americano AIM-9 Sidewinder, guardando semelhanças conceituais com o israelense Python 4, da Rafael. Originalmente concebido pela extinta Mectron em parceria com a Embraer e o DCTA, é um míssil de curto alcance com guiamento infravermelho de sensor duplo, alta manobrabilidade e resistência a contramedidas como flares, com cerca de 2,8 metros de comprimento e 89 quilos, velocidade próxima de Mach 3,5 e alcance original de até 12 quilômetros, empregado a partir de caças F-5M em testes operacionais. 

É justamente esse perfil de manobrabilidade e guiamento por infravermelho, adequado ao combate contra alvos ágeis a curta distância, que torna o MAA-1B uma base tecnológica plausível para um interceptador de curto a médio alcance, categoria que depende de mísseis capazes de reagir rapidamente a ameaças de baixa altitude, como aeronaves tripuladas, drones e mísseis de cruzeiro. 

Jeannot, porém, não especifica qual seria a plataforma de lançamento dessa nova família: sua fala não menciona uma viatura, um lançador terrestre ou qualquer outro vetor de solo, tampouco descarta a manutenção do lançamento a partir de caças, como no MAA-1B original. Vale registrar, no entanto, que o termo por ele empregado, "mísseis antiaéreos", costuma ser reservado, no vocabulário do setor de defesa, a sistemas de defesa aérea de solo (os chamados SAM, na sigla em inglês), em contraposição a "ar-ar", usado para mísseis lançados por aeronaves contra alvos também aéreos. 

Essa escolha de palavras abre espaço para a hipótese de uma versão de fato destinada a emprego terrestre (SAM), mas, na ausência de confirmação explícita sobre o lançador, também não se pode descartar que se trate simplesmente de uma versão aperfeiçoada do próprio míssil ar-ar, com maior alcance de engajamento contra alvos aéreos.

 

Míssil antirradiação 
MAR-1 com alcance superior a 100 quilômetros
Segundo o dirigente, o MAR-1 também está sendo estendido: partindo de um alcance de referência de 70 quilômetros, citado por ele no vídeo, a empresa desenvolve uma versão com propulsor maior capaz de superar os 100 quilômetros.

O MAR-1 é o primeiro míssil antirradiação concebido no Brasil, também originado no fim dos anos 1990 em parceria entre a Mectron e o DCTA. Trata-se de um míssil ar-terra tático do tipo fire-and-forget ("dispare-e-esqueça"), com guiamento passivo por radar, estrutura de cerca de 4 metros e 266 quilos, ogiva de 90 quilos e materiais que reduzem sua assinatura de radar, empregado a partir de aeronaves como AMX, F-5M e Gripen E/F. Sua função é localizar e atacar radares e sistemas de defesa antiaérea inimigos em missões de supressão de defesas aéreas (SEAD), abrindo corredores de penetração para outras aeronaves de combate; o míssil já foi exportado ao Paquistão, integrado aos caças Mirage ROSE e ao JF-17. 
 
Na versão estendida, Jeannot associou o novo alcance a uma antena de banda larga descrita como capaz de cobrir a maior parte do espectro de frequências utilizado por radares, permitindo ao míssil da Mac Jee, segundo o dirigente, detectar e atacar uma gama mais ampla de sistemas inimigos. Esse tipo de antena de banda larga é o componente central de qualquer míssil antirradiação: é ela quem localiza a emissão do radar alvo e guia o míssil até a fonte, de forma análoga ao papel do buscador (seeker) em outras famílias de mísseis desse tipo, como o norte-americano AGM-88 HARM. Ampliar a cobertura de frequências da antena significa, na prática, tornar o míssil capaz de atacar uma variedade maior de radares e sistemas de defesa aérea adversários, incluindo modelos mais modernos que operam em bandas menos usuais. Jeannot classificou essa tecnologia de antena como exclusiva e rara no mundo, sob controle brasileiro, argumento que a empresa já vinha utilizando para posicionar o MAR-1 como ativo estratégico de soberania nacional.

Linha de mísseis livre de restrições ITAR
Jeannot também enquadrou toda a linha de mísseis da empresa como livre de restrições ITAR, o regime de controle de exportação de defesa dos Estados Unidos, reforçando o discurso de soberania tecnológica que a Mac Jee já vinha associando a outros produtos, como os materiais energéticos fornecidos à Arábia Saudita. 

 
Trajetória de transformação e aposta da FAB na empresa
Tomado em conjunto com a visita de 1º de julho, o anúncio de Jeannot sugere uma trajetória de transformação: de fornecedora de componentes e materiais energéticos, a Mac Jee caminha para se firmar como desenvolvedora de sistemas de mísseis completos, incluindo uma possível frente de defesa antiaérea que, até então, não fazia parte do que a empresa divulgava publicamente sobre o MAA-1B. Até o fechamento desta matéria, porém, nem a Mac Jee havia detalhado prazos, contratos ou nomes oficiais de programa para o míssil antiaéreo, nem a publicação sobre a visita do Alto Comando mencionava desdobramentos concretos além do encontro institucional.

Ainda assim, é difícil minimizar o peso simbólico do gesto. Não é todo dia que uma empresa de capital nacional recebe, ao mesmo tempo, o comandante da Aeronáutica, o comandante-geral de Apoio e toda a cúpula do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial em suas próprias instalações, e justamente no dia em que a FAB inaugurava um túnel hipersônico construído para testar tecnologia da qual a própria Mac Jee é parte interessada. 

No jogo institucional da base industrial de defesa brasileira, esse tipo de visita costuma funcionar como reconhecimento explícito a um parceiro que ganhou peso estratégico, sobretudo para uma empresa que, em poucos meses, deixou de ser apenas fornecedora de componentes e coadjuvante em programas de terceiros para se posicionar como protagonista de uma linha própria de mísseis ar-ar, antirradiação e, possivelmente, antiaéreos.

Se essas movimentações (a aquisição do MAR-1 e do MAA-1B, o avanço do RATO-14X, o memorando com a MBDA e o anúncio de Jeannot na Eurosatory) se confirmarem como trajetória consistente, e não apenas como sequência de anúncios pontuais, a visita de 1º de julho poderá ser lembrada menos como um evento protocolar e mais como o momento em que o Alto Comando da FAB sinalizou publicamente sua aposta na empresa.

IMBEL apresenta nova geração de produtos durante troca da presidência na sede em Brasília

Lançamentos abrangem munições, fuzis e sistema de comando e controle para viatura Guaicurus, enquanto pistola striker fired e rádio Rondon seguem em desenvolvimento 


*LRCA Defense Consulting - 07/07/2026

No dia 1º de julho, no auditório da Secretaria de Economia e Finanças (SEF), no Quartel General do Exército, em Brasília, a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) uniu a cerimônia de transmissão do cargo de diretor-presidente a uma apresentação de novos produtos e projetos em desenvolvimento. A solenidade foi presidida pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general de exército Marcos Antonio Amaro dos Santos, e marcou a passagem do cargo do general de divisão Ricardo Rodrigues Canhaci para o general de divisão Flávio Mayon Ferreira Neiva, que antes ocupava a função de subcomandante logístico do Exército.

Antes da cerimônia de posse, no espaço Gen Ex Leônidas Pires Gonçalves, também nas dependências da SEF, a IMBEL reservou um evento específico para mostrar o resultado de seus projetos de inovação nos eixos de munições, explosivos e propelentes, armamento e comando e controle. Entre os produtos já prontos para comercialização, a empresa lançou duas novas espoletas de ogiva de percussão para o canhão de 90mm e novas munições de artilharia nos calibres 105mm e 155mm, além de munição para morteiro de 120mm. Também foram apresentados o tiro de 105mm de exercício, destinado aos carros de combate Leopard e M-60, e grãos propelentes para míssil anticarro.

A linha de armamento leve recebeu boa parte dos destaques. A IMBEL mostrou o fuzil de precisão calibre .308, voltado a atiradores de elite, ao lado de duas variantes para treinamento: um fuzil simulador de tiro e um fuzil de treinamento no calibre 5,56mm, ambos derivados da plataforma IA2. Somaram-se a esse conjunto o fuzil de assalto 7,62 IA2 e um conversor de calibre .22, peça que permite adaptar fuzis e carabinas da família 5,56mm IA2 para esse calibre, reduzindo o custo de munição em exercícios de tiro.

No eixo de comando e controle, a empresa apresentou o sistema desenvolvido para a viatura blindada leve sobre rodas Guaicurus, item que amplia o histórico da IMBEL no fornecimento desse tipo de solução às Forças Armadas, como o já conhecido sistema Gênesis empregado na coordenação de fogos de artilharia.

Além dos itens já disponíveis, um segundo grupo de produtos segue em fase de desenvolvimento. Fazem parte dessa lista os estojos para munições de canhão de 90mm e de artilharia de 105mm, uma pistola de 9mm com sistema striker fired, a família de rádio transceptor multibanda TRC-1222, batizada de rádio Rondon, e sistemas de comunicações capazes de operar além da linha do horizonte.

 

A cerimônia também formalizou a posse do novo vice-presidente executivo da IMBEL, general de divisão Alexandre de Almeida Porto, em substituição ao general de brigada João Denison Maia Correia. Ao final da solenidade, o chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) e presidente do Conselho de Administração da IMBEL, general de exército Hertz Pires do Nascimento, acompanhado dos generais Flávio Neiva e Porto, assinou os termos de posse, oficializando a assunção dos cargos de diretor-presidente e de vice-presidente executivo da empresa, respectivamente. 

Os produtos e projetos em desenvolvimento permaneceram expostos durante um coquetel no mesmo espaço, o que permitiu a convidados e representantes da base industrial de defesa conhecer detalhes técnicos diretamente com engenheiros e técnicos das fábricas da empresa.

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