Delegação emiradense liderada pelo secretário-geral Nasser Humaid Al Nuaimi posou ao lado do cargueiro da Embraer durante a feira britânica, em referência ao contrato que tornou os Emirados o maior comprador internacional da aeronave
*LRCA Defense Consulting - 30/07/2026
Uma delegação do Tawazun Council for Defence Enablement (Tawazun), conselho responsável por fomentar e regular o ecossistema industrial de defesa e segurança dos Emirados Árabes Unidos (EAU), concluiu em 23 de julho uma visita de trabalho ao Reino Unido, realizada à margem da Farnborough International Airshow 2026. Chefiada pelo secretário-geral da entidade, Dr. Nasser Humaid Al Nuaimi, a comitiva cumpriu uma agenda de reuniões e visitas técnicas voltada a ampliar a cooperação industrial e tecnológica do país e a construir parcerias de alto valor para o setor.
Reuniões em Londres
Segundo comunicado da agência de notícias oficial dos Emirados, a WAM, a
programação incluiu conversas com o diretor nacional de armamentos do Reino
Unido, com foco no fortalecimento da parceria bilateral de defesa e no
alinhamento de prioridades industriais entre os dois países. Al Nuaimi também
se reuniu com representantes de empresas e organizações internacionais do
setor, entre elas a MBDA, a RTX, a BAE Systems, o UK Defence Solutions Centre e
a Enterprise Gateway.
As discussões trataram de tecnologias avançadas de defesa, sistemas de defesa aérea e pesquisa e desenvolvimento, além de temas como transferência de conhecimento, capacitação de talentos nacionais e localização de tecnologias e cadeias de suprimentos consideradas prioritárias para o país.
Em nota, o diretor executivo de estratégia e assuntos executivos da Tawazun, Khalifa Ayada Al Hameli, afirmou que a participação na Farnborough International Airshow reflete a estratégia de longo prazo dos Emirados de construir parcerias internacionais baseadas na troca de conhecimento, na formação de talentos e na localização de tecnologias e cadeias de suprimentos, com o objetivo de reforçar a sustentabilidade da base industrial de defesa do país.
A foto ao lado do C-390
O registro que ilustra o comunicado da WAM mostra a delegação do Tawazun
posando em frente a um C-390 Millennium da Embraer estacionado no pátio da
feira britânica. Ao lado de membros da tripulação, a comitiva emiradense surge
alinhada diante da aeronave, que exibe bandeiras de diferentes países junto à
porta dianteira, um gesto simbólico que reforça a importância atribuída pelos
Emirados à aquisição do cargueiro brasileiro para a defesa do país.
A imagem reforça, no plano simbólico, o vínculo já firmado no campo contratual entre o Tawazun e a Embraer em torno do C-390, hoje o maior programa de exportação da aeronave para um único país.
O contrato que tornou os EAU o maior cliente do
C-390
A visita à Farnborough ocorre menos de três meses depois de o Tawazun
assinar, em 4 de maio, o maior contrato internacional já firmado para o C-390
Millennium. O acordo, celebrado durante o evento Make it in the Emirates
2026, em Abu Dhabi, prevê a compra de dez aeronaves firmes e opção de mais
dez unidades para a Força Aérea e Defesa Aérea dos Emirados, o que representa
também a primeira venda do cargueiro no Oriente Médio.
O contrato foi assinado por Al Nuaimi e por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, na presença do vice-presidente e vice-primeiro-ministro dos Emirados, xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, e do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto. O acordo prevê ainda o desenvolvimento de capacidades locais de manutenção, reparo e revisão (MRO) em parceria com uma empresa de defesa emiradense, em linha com a política de conteúdo local que orienta a atuação do Tawazun.
Caso todas as opções sejam exercidas, a frota emiradense de C-390 poderá superar em número a do próprio Brasil, país de origem da aeronave. Para o Tawazun, a seleção do C-390 seguiu uma avaliação técnica e operacional que incluiu testes em condições ambientais equivalentes às do Golfo, e a aeronave é vista pela entidade como peça central para modernizar a capacidade de transporte aéreo militar do país nas próximas décadas.









