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08 fevereiro, 2026

Groenlândia: o "maior porta-aviões do mundo" no centro da nova guerra fria

O gigante de gelo que move potências globais e se tornou o epicentro da disputa geopolítica do século XXI

 

LRCA Defense Consulting - 08/02/2026

Quando o viking Erik, o Vermelho, batizou a imensa ilha gelada de "Grœnland" (Terra Verde) no século X, numa tentativa de atrair colonos, ele não poderia imaginar que, mais de mil anos depois, aquela vastidão coberta 80% por gelo se transformaria em uma das áreas mais cobiçadas do planeta. A Groenlândia, com seus 2,16 milhões de km² e apenas 56 mil habitantes, emergiu como peça central de uma nova corrida global por recursos, rotas marítimas e supremacia militar no Ártico.

A descrição como "o maior porta-aviões do mundo" não é exagero retórico. Trata-se de uma avaliação estratégica precisa que reflete a importância singular da ilha na arquitetura de segurança global. Esta reportagem desvenda os múltiplos interesses que fazem da Groenlândia um território-chave na geopolítica contemporânea.

A fortaleza do Atlântico Norte
A localização geográfica da Groenlândia é sua primeira e mais evidente vantagem estratégica. Situada entre o Oceano Ártico e o Atlântico Norte, a ilha ocupa posição privilegiada no chamado GIUK Gap (Greenland-Iceland-UK), um corredor marítimo e aéreo crucial para o controle do Atlântico Norte.

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Dinamarca foi ocupada pela Alemanha nazista, os Estados Unidos assumiram o controle da Groenlândia. Como explicou a historiadora Astrid Andersen, do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, "os Estados Unidos assumiram o controle da Groenlândia e, de certa forma, nunca foram embora".

A Base Espacial de Pituffik, anteriormente conhecida como Base Aérea de Thule, no norte da ilha, é hoje a instalação militar mais setentrional dos Estados Unidos. Localizada a cerca de 1.200 km do Polo Norte, a base opera desde a Guerra Fria e desempenha papel essencial na defesa antimísseis, alerta antecipado, vigilância espacial e comunicações estratégicas. Operada pela Força Espacial e pela Força Aérea dos EUA, Pituffik integra o sistema de defesa continental norte-americano (NORAD).

Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a manter 17 instalações na Groenlândia e um contingente de 10 mil soldados. Atualmente, mantêm apenas a Base de Pituffik, com cerca de 650 pessoas 200 militares americanos e o restante composto por civis canadenses, dinamarqueses e groenlandeses.

O derretimento que abre rotas e revela riquezas
As mudanças climáticas transformaram radicalmente a equação estratégica do Ártico. O aquecimento global está acelerando o derretimento das calotas polares, um processo que tem duplo impacto geopolítico: a abertura de novas rotas marítimas e o acesso facilitado a recursos minerais antes inacessíveis.

Observações de satélite da NASA apontam que o gelo marinho está caindo 13% por década. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que o Ártico pode ficar sem gelo entre 2050 e 2070. Este cenário está abrindo gradualmente a Passagem do Noroeste (ao longo da costa norte da América do Norte) e a Rota do Mar do Norte (através do Oceano Ártico russo).

Estas novas rotas podem reduzir em até 40% o tempo de transporte entre a Europa e a Ásia em comparação com as tradicionais rotas do Canal de Suez ou do Panamá. Para se ter uma ideia, a rota ártica pode encurtar viagens entre mercados asiáticos, europeus e norte-americanos em milhares de quilômetros, com impacto direto nos custos de frete marítimo, que representam 80% do comércio global.

A Groenlândia está estrategicamente posicionada entre essas rotas emergentes, com potencial para se tornar um centro logístico e comercial de grande importância. Como observou o cientista político Ali Ramos, especialista em estudos asiáticos, "a Rússia tem mais que o dobro de bases da OTAN no Ártico e a China recentemente emitiu um documento se considerando um país do entorno do Ártico".

O tesouro mineral sob o gelo
Além da posição geográfica, a Groenlândia abriga vastas riquezas minerais que despertam a cobiça de potências globais. O território possui 39 dos 50 minerais considerados críticos para a segurança e a economia dos Estados Unidos, incluindo terras raras essenciais para tecnologias modernas.

Os solos groenlandeses estão extremamente bem cartografados. A União Europeia identificou 25 dos 34 minerais de sua lista oficial de matérias-primas essenciais na ilha, incluindo as terras raras, elementos fundamentais para a produção de baterias, celulares, veículos elétricos, equipamentos militares e outras tecnologias de ponta.

Atualmente, a China domina o processamento e fornecimento global desses materiais, o que explica o forte interesse de Washington em diversificar o acesso a minerais estratégicos. A Groenlândia emerge como alternativa para reduzir esta dependência chinesa.

Apesar do imenso potencial, apenas duas minas estão atualmente em operação na ilha: a Amaroq explora ouro e prevê desenvolver a mina de terras raras Black Angel, que pode entrar em funcionamento entre 2027 e 2028, extraindo zinco, chumbo, prata e elementos críticos como germânio, gálio e cádmio. Na costa oeste, a Lumina Sustainable Materials explora desde 2019 um depósito de anortosita, um metal que contém titânio.

Estudos também apontam para potenciais reservas de petróleo e gás sob o gelo e ao largo da costa groenlandesa. O US Geological Survey estima que o Ártico abriga cerca de 13% do petróleo e 30% do gás natural ainda não descobertos no mundo. No entanto, o governo groenlandês abandonou formalmente suas ambições petrolíferas em 2021, citando riscos ambientais e falta de viabilidade comercial, além de ter proibido a mineração de urânio no mesmo ano, decisões que poderiam ser revertidas em caso de mudança de soberania.

A disputa entre gigantes: EUA, China e Rússia
A importância geoestratégica da Groenlândia transformou o Ártico em um novo tabuleiro de xadrez geopolítico, onde Estados Unidos, China e Rússia disputam influência, bases e exploração de recursos.

- Estados Unidos: para Washington, ampliar o controle sobre a Groenlândia significa reduzir vulnerabilidades no flanco norte e antecipar movimentos de adversários no Ártico. Em documento publicado em 2024, o Departamento de Defesa dos EUA expressou que "grandes mudanças geopolíticas estão impulsionando a necessidade desta nova abordagem estratégica para o Ártico", citando a invasão russa da Ucrânia, a adesão da Finlândia e Suécia à OTAN e a crescente colaboração entre China e Rússia.

O major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, explica: "Os EUA controlam o Pacífico e o Atlântico, agora falta controlar o Ártico. Eles vivem mal com a ideia de, em um oceano tão importante como é o Ártico, ter uma presença residual".

- China: Pequim se autodeclara um "Estado próximo ao Ártico" ou "Estado quase-ártico" desde 2018, apesar de estar a milhares de quilômetros do Círculo Polar. A China tem intensificado investimentos na Groenlândia, buscando acesso às terras raras essenciais para sua indústria tecnológica e para participar das novas rotas marítimas árticas.

Em 2023, um consórcio chinês tentou adquirir participação em uma mineradora groenlandesa, mas o movimento foi bloqueado pelo governo dinamarquês em cooperação com os EUA, citando preocupações de segurança nacional. O degelo ártico também deve ampliar a atuação de submarinos chineses no Atlântico Norte, algo que Washington considera uma preocupação emergente.

- Rússia: Moscou continua a militarizar o Ártico, com bases militares renovadas e exercícios navais frequentes. A Rússia desenvolveu uma poderosa frota ártica, incluindo quebra-gelos nucleares, e investiu maciçamente em infraestrutura em sua costa norte, buscando transformar a Rota do Mar do Norte em uma alternativa comercial viável. Qualquer nó logístico intermediário, como a Groenlândia, pode influenciar os fluxos comerciais do Ártico e seus interesses estratégicos.

A controvérsia Trump e a crise na OTAN
O interesse declarado do presidente Donald Trump em anexar a Groenlândia aos Estados Unidos transformou uma questão geopolítica de longo prazo em crise diplomática aguda. Trump já havia proposto comprar a ilha em 2019, durante seu primeiro mandato, provocando reação negativa da Dinamarca. Mas em 2026, suas declarações se tornaram mais contundentes.

"Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional", afirmou Trump, admitindo que "utilizar as forças militares dos EUA é sempre uma opção à disposição do comandante-chefe". A justificativa oficial é que, sem uma presença americana robusta, China e Rússia acabarão explorando a vulnerabilidade da ilha.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reagiu pedindo que Trump "pare com as ameaças" de anexação e advertiu que uma eventual tomada da Groenlândia pelos EUA "poderia significar o fim da OTAN". O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, foi direto: se tivesse de escolher, a ilha permaneceria ligada à Dinamarca, não aos Estados Unidos. Pesquisas mostram que cerca de 85% da população groenlandesa se opõe à ideia de anexação americana.

A situação criou uma crise sem precedentes na OTAN. Desde sua fundação em 1949, a aliança baseia-se no princípio da defesa coletiva: um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos. A possibilidade de os Estados Unidos, o maior contribuinte da aliança, ameaçarem anexar território de um país aliado coloca a organização em dilema histórico.

Em resposta às ameaças, a Dinamarca anunciou o envio de tropas adicionais à Groenlândia. Países europeus como França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Países Baixos e Reino Unido manifestaram disposição para enviar militares à ilha em exercícios conjuntos como sinal político de apoio à soberania dinamarquesa.

Em janeiro de 2026, à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, negociaram um pré-acordo envolvendo a Groenlândia. Segundo jornais europeus, o acordo incluiria a renegociação do tratado de defesa de 1951 para incluir o sistema de defesa antimísseis "Golden Dome" (Cúpula Dourada) e controle americano sobre investimentos no território. Crucialmente, o acordo não discute mudança de soberania, que permanece com a Dinamarca e a Groenlândia.

A autonomia groenlandesa e o sonho de independência
A Groenlândia é um território autônomo do Reino da Dinamarca desde 1979. Em 2009, os groenlandeses conquistaram o direito de realizar referendos sobre independência e passaram a ter poder decisório sobre o uso de suas matérias-primas. O parlamento local administra áreas como saúde, educação, recursos naturais e parte da política interna.

No entanto, a Dinamarca continua respondendo por defesa, política externa, cidadania e moeda, além de transferir subsídios anuais que representam cerca de um quinto do PIB groenlandês, aproximadamente 700 milhões de dólares por ano. Esta dependência financeira é o principal obstáculo à independência total.

Do ponto de vista econômico, a principal fonte de receita do governo local é a pesca. Muitas esperanças de autonomia econômica estão depositadas no desenvolvimento da mineração e na abertura, em novembro de 2025, de um aeroporto internacional em Nuuk, a capital, que deve contribuir para o desenvolvimento do turismo.

Existe um debate interno sobre independência futura. Alguns grupos defendem que, com o desenvolvimento da economia baseada em mineração, pesca e talvez turismo e rotas árticas, seria possível reduzir a dependência financeira de Copenhague. Outros apontam preocupações com impactos ambientais, culturais e sociais de um crescimento rápido e altamente dependente de capital estrangeiro.

A população groenlandesa, majoritariamente inuíte, demonstra ressentimento histórico em relação tanto à Dinamarca quanto aos Estados Unidos. Durante a construção da Base de Pituffik nos anos 1950, cerca de 150 indígenas foram desalojados de suas terras ancestrais e forçados a se mudar para áreas onde a caça, base do modo de vida tradicional, era muito mais difícil. Demorou décadas para que a Justiça dinamarquesa reconhecesse o direito a indenizações financeiras.

O paradoxo climático
A Groenlândia representa um dos paradoxos mais evidentes da crise climática global. O aquecimento que derrete suas geleiras é, simultaneamente, uma catástrofe ambiental planetária e uma oportunidade econômica regional. A ilha abriga a segunda maior camada de gelo do mundo, depois da Antártida, e seu derretimento contribui significativamente para a elevação do nível dos oceanos.

Pesquisadores usam a Groenlândia como laboratório fundamental para estudos sobre mudanças climáticas. Paradoxalmente, o mesmo degelo que ameaça cidades costeiras globalmente torna acessíveis recursos antes inacessíveis e abre rotas marítimas que podem alterar padrões de comércio estabelecidos há séculos.

O governo groenlandês tem tentado equilibrar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. A proibição da mineração de urânio em 2021 e o abandono formal de ambições petrolíferas no mesmo ano refletem preocupações locais com impactos ambientais. No entanto, estas políticas poderiam mudar caso o território ganhe independência ou mude de soberania.

Precedentes históricos: a tradição expansionista americana
A proposta de Trump de adquirir a Groenlândia não é novidade na história americana. O interesse dos EUA pela ilha remonta ao século XIX. Em 1867, após a compra do Alasca da Rússia, políticos americanos já consideravam a aquisição da Groenlândia. Em 1946, o presidente Harry Truman ofereceu 100 milhões de dólares em ouro à Dinamarca pela ilha, oferta que foi rejeitada.

Os Estados Unidos têm longa tradição de expansão territorial por meio de compras. Mais da metade do atual território americano foi adquirido de outros países: a Louisiana foi comprada da França em 1803, a Flórida da Espanha em 1819, o Alasca da Rússia em 1867, e as Ilhas Virgens da própria Dinamarca em 1917. No entanto, a última aquisição aconteceu há mais de um século.

Trump chegou a descrever a possível aquisição da Groenlândia como "essencialmente um grande negócio imobiliário" em 2019, acrescentando que "muitas coisas podem ser feitas. Está prejudicando gravemente a Dinamarca, porque está perdendo quase 700 milhões de dólares por ano com isso".

O futuro da Groenlândia: entre pressões e possibilidades
A Groenlândia encontra-se hoje em uma encruzilhada histórica. O território passou do isolamento ao centro das atenções globais em questão de décadas, impulsionado por uma combinação de fatores estratégicos, econômicos e ambientais.

A ilha desperta interesse global, mas precisa administrar investidas de potências maiores enquanto preserva sua língua, cultura e identidade inuíte. O desafio é monumental: como um território de 56 mil habitantes pode navegar entre os interesses de superpotências nucleares sem perder sua autodeterminação?

Especialistas apontam que nem Dinamarca, EUA ou União Europeia isoladamente reúnem condições logísticas, tecnológicas e financeiras para explorar plenamente os recursos da Groenlândia. O que fatalmente ocorrerá será um consórcio multinacional com participação de grandes empresas de tecnologia e financiamento, negócios bilionários que envolverão desde extração e processamento até manufatura de novos produtos.

Para os Estados Unidos, a questão é de segurança nacional. Para a China, é acesso a recursos críticos e rotas comerciais. Para a Rússia, é manutenção de influência no Ártico. Para a Europa, é soberania territorial e integridade da OTAN. E para os 56 mil groenlandeses, é sobre autodeterminação, identidade cultural e futuro econômico.

Mais que uma ilha, um símbolo
A Groenlândia transcendeu sua condição geográfica de maior ilha do mundo para se tornar símbolo das transformações do século XXI. Concentra em seu território gelado as principais tensões contemporâneas: mudanças climáticas, competição por recursos escassos, rivalidade entre potências, choque entre soberania nacional e pressão internacional.

A descrição como "maior porta-aviões do mundo" reflete uma realidade estratégica inegável. Sua posição controla o acesso ao Ártico, monitora o Atlântico Norte, vigia rotas marítimas emergentes e abriga recursos minerais essenciais para a economia tecnológica moderna. A base de Pituffik permanece como olhos e ouvidos dos Estados Unidos no topo do mundo, integrada ao sistema de defesa antimísseis que protege a América do Norte.

Mais do que uma disputa territorial, a questão groenlandesa representa uma complexa interação de interesses geopolíticos, econômicos, ambientais e culturais. O Ártico deixou de ser periferia gelada para ocupar o centro da geopolítica global. E no coração desta transformação está a Groenlândia, gigante de gelo que move potências, desafia alianças e redefine o equilíbrio de poder mundial.

O futuro da ilha será definido pelo equilíbrio entre exploração econômica, preservação ambiental e, sobretudo, pelas decisões de seu próprio povo. Porque, no final, a questão não é apenas de quem controla a Groenlândia, mas se alguém, além dos próprios groenlandeses, tem o direito de controlá-la.

Elbit Systems revela variante do Embraer C-390 Millennium de inteligência (ISR) e guerra eletrônica (SIGINT) no Singapore Airshow

A empresa israelense de defesa Elbit Systems revelou, durante o Singapore Airshow, que está trabalhando em uma versão de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) e Inteligência de Sinais (SIGINT) da aeronave de carga Embraer C/KC-390 Millennium

Captura de tela de um vídeo da Elbit Systems de janeiro de 2026 mostrando um C-390 Millennium em um sistema de segurança naval em rede mais amplo, contra ameaças simétricas e assimétricas, desempenhando funções de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) e detecção eletrônica. (Crédito da imagem: Elbit Systems) 

*TheAviationist, por Parth Satam – 07/02/2026

A empresa israelense de defesa Elbit Systems revelou, durante o Singapore Airshow, que está trabalhando em uma versão de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) e Inteligência de Sinais (SIGINT) da aeronave de carga Embraer C/KC-390 Millennium. A Aviation Week publicou ainda uma imagem de um modelo em escala reduzida na exposição e citou representantes da Elbit, em segundo plano, afirmando que a empresa está "buscando o mercado para utilizar o Embraer C-390 como uma plataforma aérea de inteligência".

Além disso, durante o salão aeronáutico de 3 de fevereiro, a Embraer anunciou que o primeiro C-390 da Coreia do Sul "chegou à fase final do processo de montagem" e também identificou o Uzbequistão como um dos compradores da aeronave, cujo nome não havia sido divulgado anteriormente. Além do Brasil, o C-390 também é utilizado pela Suécia , Portugal, República Tcheca, Lituânia e Hungria, enquanto os futuros clientes são a Holanda, a Eslováquia e a Áustria. Com a adição da Coreia do Sul e do Uzbequistão, o número total de usuários do C-390 chega a 11.

A missão da Elbit com o C-390 era de inteligência aérea e patrulha marítima
Embora os executivos da Elbit não tenham revelado o potencial comprador da nova variante, o relatório afirmou que o modelo mostrou que o conceito SIGINT possui uma torreta esférica eletro-óptica/infravermelha (EO/IR) e sistemas de guerra eletrônica. Tanto o vídeo quanto a foto do modelo publicados pela Aviation Week também mostram a presença de um pod instalado sob o queixo, que lembra o Sistema de Reconhecimento Aerotransportado Multiespectral MS-110 .

O sensor eletro-óptico pode ser uma das estruturas em forma de torre na carenagem que abriga o trem de pouso esquerdo. Várias antenas nas deriva também são visíveis, provavelmente relacionadas ao conjunto de guerra eletrônica/inteligência de sinais (EW/SIGINT), bem como à inteligência eletrônica e de comunicações (COMINT/ELINT).

A Elbit já trabalhou no C-390 anteriormente, instalando seus sistemas de contramedidas eletrônicas (ECM) e sensores de autodefesa contra mísseis, radares e alertas infravermelhos em C-390 portugueses após uma encomenda em 2019, e tem contrato desde 10 de dezembro de 2024 para futuros C-390 holandeses e austríacos.  

Um close do pod montado no queixo, retirado do vídeo de janeiro de 2026, também visto no modelo em escala exibido no show aéreo de Singapura. (Crédito da imagem: Elbit Systems)

Recentemente, a Elbit apresentou o C-390 em um cenário marítimo em um vídeo conceitual publicado em 13 de janeiro de 2026 , onde a aeronave atuava como componente de uma rede naval integrada de sensoriamento, detecção, rastreamento, comunicação e guerra eletrônica. O C-390, em sua configuração para a missão, é mostrado operando em conjunto com navios de combate de superfície amigos, veículos de superfície não tripulados (USVs) e drones ISR de longa duração na destruição de USVs hostis, mísseis antinavio disparados da costa e enxames de drones inimigos. 

O vídeo da Elbit de janeiro também mostra a aeronave carregando os pods SPEAR de contramedidas eletrônicas avançadas (AECM) sob as asas. Entramos em contato com a Embraer e a Elbit em janeiro a respeito do vídeo conceitual e, recentemente, sobre a apresentação no Singapore Airshow para obter mais detalhes, e atualizaremos esta matéria assim que recebermos uma resposta.

É possível que a versão de janeiro esteja vagamente relacionada ao conceito de SIGINT, ISR e EW revelado no Singapore Airshow. As pequenas divergências na configuração e no equipamento dos sensores provavelmente permanecerão inalteradas até que a empresa identifique um cliente em potencial.

Curiosamente, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer trabalham juntas desde 2024 no desenvolvimento de uma versão dedicada à Patrulha Marítima (MPA), designada C-390 IVR.

Suítes de guerra eletrônica e autoproteção da Elbit
Como mencionado anteriormente, a Elbit anunciou em 31 de outubro de 2019 que havia sido contratada por Portugal em um contrato de US$ 50 milhões para integrar seu pacote completo de ECM (Contramedidas Eletrônicas) e autoproteção nos KC-390 da Força Aérea Portuguesa (PtAF). Na ocasião, a Elbit afirmou que o pacote incluía o conjunto completo de guerra eletrônica, composto por “sistemas de alerta de radar e laser, sistema de alerta de mísseis infravermelhos, sistema de lançamento de contramedidas, sistema de contramedidas infravermelhas direcionais (DIRCM) e sistema de POD (Disparo de Contramedidas Eletrônicas Ativas) de ECM”.  

O trabalho deveria ser concluído ao longo de um período de cinco anos e, em 5 de julho de 2023, surgiram imagens da implantação oficial dos dois pods em uma demonstração aérea. Em seguida, em 10 de dezembro de 2024, a Elbit anunciou dois contratos com duas nações europeias não identificadas, avaliados coletivamente em US$ 175 milhões, que incluíam Suítes de Autoproteção para as aeronaves C-390 de uma nação europeia e uma “Sistema Avançado de Guerra Eletrônica” para o C-390 de outro membro europeu da OTAN. Observadores concluíram que essas nações eram a Holanda e a Áustria.

A Elbit identificou o sistema de guerra eletrônica como seu pod SPEAR AECM, “que pode ser facilmente instalado e transferido entre aeronaves na linha de voo”. A empresa listou os sistemas de autoproteção como o “Receptor Digital de Alerta de Radar, Sistema de Alerta de Mísseis por Infravermelho (MWS), Sistema de Alerta a Laser (LWS), Sistema Dispensador de Contramedidas (CMDS) e o sistema DIRCM da família MUSIC”.

O sistema J-MUSIC DIRCM da Elbit, parte da família de sensores MUSIC que interferem nos sistemas de busca de mísseis com energia direcionada, também equipa parte dos A400M alemães. A Luftwaffe (Força Aérea Alemã) recebeu sua primeira aeronave equipada com o sistema em setembro de 2025. 

Um modelo C-390 adaptado com equipamentos da Elbit Systems está em exposição no estande da Elbit no Singapore Airshow. Crédito: Robert Wall/Aviation Week

C-390 uzbeques e sul-coreanos
Entretanto, em 3 de fevereiro, após identificar o Uzbequistão como um novo cliente do C-390, informação que não havia divulgado anteriormente, a Embraer afirmou que o país é o primeiro da Ásia Central a operar a aeronave Millennium, validando seu sucesso no segmento de transporte militar. Nem a Embraer nem os relatórios do Uzbequistão especificam o número de aeronaves encomendadas pelo país.

“Damos as boas-vindas oficiais à República do Uzbequistão ao grupo de operadores do C-390, enquanto a Força Aérea do Uzbequistão moderniza suas capacidades de transporte”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. No mesmo dia, a Embraer também anunciou que o primeiro dos C-390 da Força Aérea da República da Coreia (RoKAF) chegou à fase final de montagem, antes dos “voos de produção que antecedem a integração de sistemas específicos”.                 

A Embraer foi escolhida em 2023, após um processo de licitação competitivo, para o programa de Aeronaves de Transporte de Grande Porte (LTA-II) da Força Aérea da República da Coreia (RoKAF), para três aeronaves, conforme noticiamos na época aqui no The Aviationist . Isso a torna a primeira cliente na região da Ásia-Pacífico. A Embraer também possui parcerias com empresas sul-coreanas como a Aerospace Technology of Global (ASTG), a EM Korea (EMK) e a Kencoa Aerospace para a fabricação de peças de reposição e componentes.

07 fevereiro, 2026

A guerra entre Rússia e Ucrânia: um alerta estratégico à defesa brasileira

 


*Mauro Beirão, 07/02/2026 

Modernização tecnológica: drones, IA e guerra cibernética
Uma das lições mais evidentes é o papel central das tecnologias acessíveis e assimétricas. Na Ucrânia, drones comerciais adaptados, como os Bayraktar da Turquia e modelos iranianos Shahed, foram usados em enxames para saturar defesas aéreas, destruir blindados e realizar ataques kamikaze. Esses dispositivos, baratos e de fácil produção, mudaram o equilíbrio de forças, permitindo que uma nação menor resistisse a um invasor superior em número.   A inteligência artificial (IA) também se destacou, com ferramentas como as da Palantir² integrando dados de sensores para rastrear tropas em tempo real, melhorando a precisão de artilharia e reduzindo perdas humanas.

A ofensiva no ambiente digital, embora tenha produzido efeitos mais limitados do que muitos analistas previam, com ações russas resultando sobretudo em perturbações pontuais, evidenciou a vulnerabilidade de sistemas essenciais, como os de energia e do setor financeiro. No caso brasileiro, a baixa prontidão diante de ameaças virtuais decorre, em grande parte, devido à dependência da importação de sistemas com esse tipo de tecnologia e da insuficiência de recursos destinados à inovação tecnológica e P&D, o que torna estratégico investir em capacidades próprias de proteção para garantir a continuidade de serviços vitais em situações de instabilidade. 

Isso implica em, investir em capacidades anti-drones e em sistemas de IA para monitoramento de fronteiras e para a vigilância da Amazônia, onde o terreno difícil favorece táticas assimétricas e mais recentemente o crime organizado, por exemplo, o Ministério da Defesa brasileiro, poderia investir na adaptação de ARPs³  de categoria 4, os mesmos já incorporados pela Força Aérea Brasileira.  
 
Logística, estoques e descentralização do comando
A logística tem se revelado um elemento decisivo no conflito entre Rússia e Ucrânia, expondo vulnerabilidades iniciais e evoluções estratégicas ao longo do tempo. Em 2022, a Rússia enfrentou graves problemas decorrentes de corrupção, planejamento inadequado e linhas de suprimento excessivamente longas, o que deixou colunas de veículos expostas a emboscadas ucranianas provocando escassez crítica de combustível e munições. Esses fatores resultaram em perdas substanciais e forçaram uma mudança para uma guerra de desgaste prolongado.

Entre 2025 e 2026, Moscou implementou adaptações significativas, como o uso de drones para proteger comboios, a descentralização parcial de comandos para maior agilidade e o aumento da produção interna de materiais, reduzindo assim dependências externas. Apesar desses avanços, persistem desafios, incluindo ataques ucranianos constantes a rotas de abastecimento e depósitos, além de pressões econômicas que comprometem a sustentabilidade de longo prazo. 

Do lado ucraniano, a dependência de aliados ocidentais para 80-90% dos suprimentos gera gargalos em escala global. Desde dezembro de 2025, os bombardeios russos aos portos do Mar Negro obrigam o uso de rotas alternativas via Polônia e Romênia. Kiev recorre a estratégias assimétricas, como drones navais e inteligência artificial (IA) para otimizar fluxos logísticos, mas ainda continua enfrentando interrupções frequentes por meio de ataques cibernéticos e sabotagens.  

No contexto brasileiro, onde as Forças Armadas operam em áreas remotas muito extensas, isso sugere a necessidade de ampliar estoques de munições e equipamentos, reduzindo a dependência externa. Documentos do Exército Brasileiro já discutem lições para operações de convergência até 2040, enfatizando preparo para conflitos prolongados.  Descentralizar o comando poderia melhorar respostas a ameaças híbridas, como invasões em áreas fronteiriças ou disputas marítimas no Atlântico Sul.
 
Sistemas de defesa antiaérea e costeira
A Ucrânia destacou a eficácia de sistemas antiaéreos avançados, como o Patriot americano, que interceptou mísseis e drones russos, restringindo o controle aéreo inimigo e permitindo operações terrestres mais seguras. Esse sucesso sublinha a necessidade de defesas em camadas, combinando radares de longo alcance, mísseis superfície-ar e contramedidas eletrônicas para neutralizar ameaças assimétricas, como enxames de drones. 

No Mar Negro, drones navais ucranianos, como os Sea Baby, afundaram navios russos, expondo fraquezas em defesas costeiras e demonstrando como tecnologias de baixo custo podem desafiar frotas convencionais. Para o Brasil, com seus 7.500 km de litoral e recursos offshore como o Pré-sal, essas lições impõem a urgência de fortalecer capacidades antinavio e antiaérea. Artigos da Escola Superior de Guerra (ESG) e análises militares brasileiras exploram como o míssil Neptune ucraniano, um sistema antinavio de precisão, poderia inspirar desenvolvimentos nacionais, como o MANSUP, ou adaptações de mísseis costeiros para proteger plataformas de petróleo e rotas marítimas. 

Além disso, o conflito revela a importância de integrar IA e sensores para detecção precoce, sugerindo que o Brasil invista em radares over-the-Horizon e baterias móveis para defender a Amazônia Azul. Sem isso, vulnerabilidades a incursões híbridas, como pirataria ou disputas territoriais, poderiam comprometer a soberania, exigindo parcerias tecnológicas com aliados como Israel ou Suécia para modernizar o arsenal e treinar forças em cenários de guerra assimétrica.

Evitar autolimitações estratégicas e construir dissuasão
Debates no Brasil identificam erros passados, como a renúncia a mísseis de longo alcance em 1995 e a adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que, embora promovam a imagem pacifista, limitam opções de dissuasão em um mundo multipolar. A Ucrânia, que abdicou de seu arsenal nuclear pós-soviético em troca de garantias de segurança (Memorando de Budapeste, 1994), tornou-se vulnerável à invasão russa, ilustrando como tratados podem falhar sem poder dissuasório autônomo. Para o Brasil, isso significa revisar políticas para preservar capacidades tecnológicas, como o programa nuclear pacífico (submarinos nucleares via PROSUB), sem violar compromissos internacionais, mas garantindo independência estratégica. 

Lições adicionais incluem o desenvolvimento de armas não-nucleares estratégicas, como hipersônicas ou de precisão, para criar “dissuasão por negação”, ou seja, tornando invasões custosas demais. O conflito também alerta para riscos pós-guerra: o influxo de armas ocidentais para o crime organizado, com relatos de equipamentos da Ucrânia chegando a facções brasileiras via mercado negro, e o retorno de mercenários nacionais com expertise em drones, potencializando ameaças internas como o narcotráfico na Amazônia. 

Assim, o Brasil deve priorizar inteligência e controle de fronteiras, para proteger seus 17.000 quilômetros de fronteira seca, além de investir em doutrina de dissuasão integrada, inspirada em estudos recentes, para evitar dependências que minem a soberania em cenários de crise global.
 
Geopolítica: sanções, propaganda e alianças
As sanções ocidentais contra a Rússia tiveram efeitos limitados, graças a alianças com China, Índia e Irã, que forneceram rotas alternativas para comércio e tecnologia, demonstrando a resiliência de economias diversificadas. A propaganda russa, ao subestimar a resistência ucraniana e promover narrativas internas, levou a erros operacionais e perda de apoio global. 

Para o Brasil, que manteve neutralidade no conflito, condenando a invasão sem aderir a sanções, isso reforça a estratégia de diversificar parcerias para mitigar impactos em cenários hipotéticos, como disputas no Atlântico Sul ou pressões por recursos amazônicos. A posição prudente reflete lições de autonomia, mas exige preparo para coerções externas, como boicotes econômicos, via fortalecimento de blocos como BRICS e Mercosul. Além disso, os Acordos de Minsk falhados destacam os perigos de negociações apressadas ou assimétricas, alertando o Brasil para abordagens cautelosas em disputas regionais, como com a Venezuela ou na Antártica, priorizando diplomacia respaldada por poder militar. 

Estudos brasileiros enfatizam a necessidade de contrapor narrativas estrangeiras com comunicação estratégica e inteligência cibernética, evitando que a desinformação corroa a coesão nacional em tempos de tensão geopolítica. Em suma, o conflito ensina que a geopolítica moderna demanda equilíbrio entre neutralidade e prontidão, posicionando o Brasil como ator global resiliente.

Conclusão: recomendações para a defesa brasileira

A guerra Rússia-Ucrânia ensina que soberania depende de preparo autônomo: um país como o Brasil, deve estar preparado militarmente de forma independente, sem depender excessivamente de alianças externas ou tratados internacionais. Isso inclui investimentos em tecnologia, estoques e treinamento próprios, garantindo soberania e resiliência em cenários de conflito. Em essência, “pedaços de papel” (acordos) não substituem força real para deter ameaças.  

A vantagem tecnológica e operacional vem da integração de sensores, fogo de precisão, drones, EW e logística resiliente, não apenas do número bruto de blindados ou aeronaves.  O Brasil deve revisar sua Política Nacional de Defesa, investindo em modernização, estoques e dissuasão, como sugerido em estudos da ESG.  Com recursos naturais abundantes, o país não pode depender de aliados externos, como visto na Ucrânia.  Priorizar orçamento militar, parcerias tecnológicas e treinamento híbrido garantiria resiliência. Em um mundo multipolar, essas lições não são opcionais, são essenciais para preservar a paz pela força.
 

*Mauro Beirão tem formação em Engenharia Mecânica e mais de 30 anos dedicados à indústria de defesa e aeroespacial, atuando em uma das maiores companhias do setor, parte de um dos principais conglomerados globais de tecnologia e defesa. Ao longo da carreira, contribuiu para programas estratégicos das Forças Armadas Brasileiras e para o desenvolvimento de soluções aeroespaciais avançadas. Atualmente, como Gerente de Marketing da AEL Sistemas, lidera iniciativas de fortalecimento da marca e prospecção de negócios, consolidando a empresa como referência em inovação e tecnologia para a defesa nacional. 


Governo anuncia R$ 3,3 bilhões em recursos para impulsionar a Nova Indústria Brasil

 MCTI e Finep lançam 13 editais de subvenção econômica voltados à inovação tecnológica e desenvolvimento industrial em seis setores estratégicos, incluindo a BID


*LRCA Defense Consulting - 07/02/2026

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram nesta sexta-feira um pacote de investimentos de R$ 3,3 bilhões para projetos de inovação alinhados à Nova Indústria Brasil (NIB). O anúncio foi feito durante reunião extraordinária do Movimento Empresarial de Inovação (MEI), realizada na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.

Os recursos, disponibilizados na modalidade de subvenção econômica (não reembolsáveis), serão distribuídos por meio de 13 editais públicos destinados a empresas brasileiras de todos os portes. A iniciativa representa mais um passo do governo federal na estratégia de reindustrialização do país, com foco em sustentabilidade, autonomia tecnológica e redução da dependência externa.

Investimento histórico em inovação
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou o volume de investimentos realizados desde o início da gestão atual. "Do início da nossa gestão até o fim de 2025, o MCTI, por meio da Finep, investiu R$ 44,3 bilhões, incluindo contrapartidas, em projetos ligados à Nova Indústria Brasil", afirmou a ministra, complementando que o novo pacote reforça o compromisso com o crescimento sustentável do país.

Para o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a estratégia vai além do simples aporte financeiro. "O propósito dessa oferta de recursos não reembolsáveis é fomentar a inovação, reduzir assimetrias regionais, promover a transferência de tecnologia e ampliar a competitividade nacional, para que a Nova Indústria Brasil alcance resultados concretos", explicou.

Setores contemplados
Os editais abrangem os seis eixos estratégicos da Nova Indústria Brasil: cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética e defesa nacional. A distribuição dos recursos segue critérios que priorizam áreas consideradas críticas para o desenvolvimento tecnológico do país.

O setor de Transição Energética receberá a maior fatia individual, com R$ 500 milhões. Em seguida, cinco áreas foram contempladas com R$ 300 milhões cada: Cadeias Agroindustriais, Saúde, Tecnologias Digitais, Base Industrial de Defesa e a Chamada Regional, esta última voltada à redução de assimetrias entre as regiões do país.

Outros segmentos também foram incluídos no pacote: Transformação Mineral, Economia Circular e Cidades Sustentáveis, Mobilidade Sustentável, Semicondutores e Desafios Tecnológicos, cada um com valores específicos a serem detalhados nos respectivos editais.

Como participar
As empresas interessadas poderão apresentar propostas de desenvolvimento tecnológico que incluam gastos com pessoal qualificado, serviços de consultoria especializada, aquisição de equipamentos e material de consumo necessários à execução dos projetos.

Seis chamadas públicas já estão disponíveis para consulta no site da Finep, e as demais serão lançadas nas próximas semanas. Para esclarecer dúvidas sobre os editais, a Finep realizará uma série de lives com sua equipe técnica, transmitidas pelo canal oficial da instituição no YouTube.

Objetivos estratégicos
A iniciativa busca posicionar o Brasil como protagonista em setores estratégicos da economia global, promovendo a geração de empregos qualificados e renda, ao mesmo tempo em que fortalece a capacidade tecnológica nacional. A estratégia governamental aposta na inovação como motor do desenvolvimento econômico sustentável.

Além do impacto econômico direto, os investimentos pretendem criar um ecossistema de inovação mais robusto no país, estimulando a cooperação entre empresas, universidades e centros de pesquisa, e reduzindo a vulnerabilidade tecnológica brasileira em áreas consideradas estratégicas para a soberania nacional.

Saiba mais:

Empresas interessadas podem acessar os editais disponíveis em: www.finep.gov.br/chamadas-publicas

As lives de esclarecimento serão transmitidas pelo canal: youtube.com/@finepcomunica conforme o seguinte cronograma:


 



 

Empresa japonesa AirX optou por adquirir até 50 aeronaves eVTOL Eve, num investimento de US$ 250 milhões

Aeronaves elétricas serão utilizadas para voos de transferência e turísticos em Tóquio


*AIN, por Chad Trautvetter - 04/02/2026

A AirX, corretora de fretamento aéreo com sede em Tóquio, firmou um pedido de duas aeronaves eVTOL da Eve Air Mobility e opções para mais 48 — um negócio potencialmente avaliado em US$ 250 milhões (a preços de tabela estimados) — na quarta-feira, durante o Singapore Airshow. A AirX utilizará as aeronaves elétricas principalmente para voos de transferência e turismo no Japão, com foco na região da Baía de Osaka. A entrega das duas primeiras eVTOLs está prevista para 2029.

A AirX organiza esse tipo de voo em helicópteros por todo o Japão, operados por empresas parceiras com licença de operador aéreo, há quase 11 anos, por meio de sua plataforma de reservas online Airos Skyview. As reservas na empresa são divididas igualmente entre voos de transferência e voos turísticos. Um aplicativo, com lançamento previsto para o segundo trimestre, oferecerá uma interface mais amigável que facilitará as reservas pontuais de mobilidade aérea avançada (MAA), disse Kiwamu Tezuka, fundador e CEO da AirX, à AIN .

Segundo Masato Kikuchi, especialista em inovação e aquisição da AirX, os planos preveem que a empresa alugue os eVTOLs Eve para operadores parceiros que os operarão. O serviço de Mobilidade Aérea Avançada (AAM) com a aeronave elétrica de quatro a seis passageiros deverá começar na região metropolitana de Tóquio nos próximos cinco anos, dependendo da obtenção da certificação, observou ele.

Questionado sobre o custo dos voos com Mobilidade Aérea Avançada (AAM) em uma aeronave Eve, Tezuka disse que ele e sua equipe "estão tentando descobrir isso agora". No entanto, ele observou que a demanda existe: "Já recebemos muitos pedidos de voos de transferência usando helicópteros".

Luiz Mauad, vice-presidente de serviços, soluções operacionais, design estratégico e ecossistema da Eve, detalhou a demanda por Mobilidade Aérea Aérea (AAM) na região Ásia-Pacífico, onde a Eve prevê uma necessidade de 12.200 aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs) — 41% da frota mundial projetada. Ele observou que cidades com alto congestionamento impulsionarão essa demanda.

Mauad afirmou que oito das dez maiores cidades do mundo estão nessa região, com Tóquio no topo da lista. Além disso, a população da Ásia deverá disparar de 2 bilhões em 2020 para 3,5 bilhões no final desta década, levando a um aumento do congestionamento urbano que os eVTOLs podem ajudar a aliviar.

Segundo Mauad, os eVTOLs reduzirão significativamente o tempo de deslocamento em cidades como Tóquio. Por exemplo, ele afirmou que uma aeronave eVTOL da Eve poderia voar do Aeroporto de Haneda, em Tóquio, até um vertiporto no centro da cidade em 15 minutos, em vez de mais de uma hora de carro. A aeronave da Eve possui um compartimento de bagagem com capacidade para duas malas despachadas e duas de mão, facilitando esses traslados aeroportuários, acrescentou.

“A região Ásia-Pacífico tem uma enorme demanda por Mobilidade Aérea Avançada (AAM) eVTOL, incluindo voos de passageiros e de carga leve”, disse Mauad.

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