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26 maio, 2026

Atech, da Embraer, leva plataformas de nova geração para gestão de tráfego aéreo e drones ao Airspace World 2026, em Lisboa

Empresa apresenta a SingleATM Platform e o sistema IFPFMS alinhado ao padrão FF-ICE, reforçando estratégia de internacionalização que já alcança Índia, África do Sul e América Latina e tem como novo epicentro europeu o escritório de Lisboa 


*LRCA Defense Consulting - 25/05/2026

A Atech, empresa de tecnologia do Grupo Embraer especializada em sistemas de missão crítica, marca presença nesta semana no Airspace World 2026, realizado de 26 a 28 de maio em Lisboa, Portugal. O evento, um dos mais importantes da comunidade global de navegação aérea, serviu de vitrine para o portfólio mais recente da empresa nas áreas de Gestão de Tráfego Aéreo (ATM) e Gestão de Tráfego de Aeronaves Não Tripuladas (UTM), com foco na digitalização e na interoperabilidade do espaço aéreo.

A escolha de Lisboa não é casual. Em 2025, a Atech inaugurou seu primeiro escritório fora do Brasil exatamente na capital portuguesa, em cooperação com a Embraer Defense Europe, entidade criada em dezembro de 2024 para ancorar a expansão européia do grupo aeronáutico brasileiro. A operação abrange os segmentos de defesa, segurança e ATM, e o Airspace World 2026 funciona como primeira grande plataforma pública dessa presença consolidada no continente.

SingleATM e IFPFMS: as apostas tecnológicas
No estande da empresa, os destaques foram a Plataforma SingleATM e o Sistema Integrado de Gerenciamento de Plano de Voo e Fluxo (IFPFMS). A SingleATM foi desenvolvida para hospedar sistemas críticos de ATM e UTM em uma arquitetura aberta, baseada em serviços e microsserviços, com o objetivo de reduzir custos de desenvolvimento, integração, testes e manutenção para os provedores de serviços de navegação aérea (ANSPs). A plataforma foi criada em parceria com a CISCEA (Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro), vinculada à Força Aérea Brasileira (FAB).

Já o IFPFMS está alinhado ao padrão FF-ICE/R1 (Flight and Flow Information for a Collaborative Environment), que orientará a próxima geração de operações aéreas globais. O sistema combina validação de planos de voo, autorizações AIS e suporte à decisão ATFM em um único ambiente, aprimorando a coordenação entre companhias aéreas, aeroportos e gestores de fluxo. A Atech também realizou demonstrações ao vivo de sua Plataforma UTM, concebida para integrar o tráfego de drones ao espaço aéreo civil e conectar os diferentes atores operacionais em cidades inteligentes.

Na programação técnica do evento, Edson Fagundes, desenvolvedor de negócios ATM da empresa, apresentou a sessão "FF-ICE: Você está preparado para 2034?", abordando os desafios da transição que a aviação global enfrentará até aquela data e as soluções que a Atech oferece para que os ANSPs se adaptem ao novo modelo de gerenciamento de planos de voo.

Portugal como porta de entrada para a Europa
A abertura do escritório de Lisboa, em junho de 2025, consolidou a operação da Atech no exterior. A expansão segue a Embraer Defense Europe, que elegeu Portugal como base europeia pela combinação de laços históricos com o Brasil, posição geográfica estratégica e acesso ao mercado da União Europeia e da OTAN.

A presença europeia também se manifesta no campo da cibersegurança. A Atech é participante regular do exercício Locked Shields, o maior e mais complexo simulacro de ciberdefesa em tempo real, organizado pelo Centro de Excelência em Defesa Cibernética Cooperativa (CCDCOE) da OTAN. Em 2025, foi a única empresa brasileira representada na competição. Esse histórico credencia a empresa a disputar contratos de defesa e segurança no continente europeu, segmento em franca expansão após as turbulências geopolíticas dos últimos anos.

Presença global em expansão: Índia, África e América Latina
A estratégia de internacionalização da Atech já produzia frutos bem antes da chegada à Europa. Na Índia, a empresa fornece os sistemas Skyflow (ATFM) e Leo (IFPS), adaptados aos padrões do Eurocontrol e às necessidades específicas do mercado indiano. No Norte da África, atua com sistemas de vigilância aérea e terrestre voltados para programas de defesa. Na América do Sul, as tecnologias da empresa estão presentes em múltiplos países da região.

O episódio mais recente de expansão internacional ocorreu em setembro de 2025, quando a Atech assinou contrato com a Air Traffic and Navigation Services (ATNS), empresa estatal responsável pela navegação aérea na África do Sul, para modernizar o sistema de gestão de fluxo de tráfego aéreo (ATFM) no aeroporto internacional O.R. Tambo, em Joanesburgo, o maior hub de transporte aéreo do continente africano. O acordo, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2027, inclui um centro de contingência e uma plataforma de treinamento e simulação.

"Este novo contrato com a ATNS reforça nossa estratégia de expansão internacional e o compromisso da Atech em fornecer soluções de gestão de tráfego aéreo de alto impacto", declarou Rodrigo Persico, CEO da empresa, à época da assinatura. Mais recentemente, na Airspace World, Marcos Resende, diretor de negócios de ATM, reforçou o posicionamento: "Nosso objetivo é fornecer as tecnologias que possibilitam um futuro mais seguro, eficiente e integrado para a navegação aérea."

Benefícios para a Embraer
A trajetória da Atech interessa diretamente à Embraer por pelo menos três razões. A primeira é financeira: a diversificação de receitas da subsidiária, obtidas em mercados como Índia e África do Sul, contribui para o desempenho da divisão de Defesa & Segurança do grupo, segmento que enfrenta ciclos longos de contratos governamentais e que se beneficia do caráter recorrente dos contratos de suporte e atualização de sistemas ATM.

A segunda razão é estratégica. A abertura do escritório de Lisboa em sinergia com a Embraer Defense Europe cria uma estrutura integrada para abordar clientes europeus de defesa e aviação civil. A Embraer já fornece aeronaves de transporte militar e patrulha a vários países da OTAN, e ter a Atech como ofertante de sistemas de C2 e ATM amplia o portfólio integrado que o grupo pode apresentar a esses clientes.

A terceira razão é reputacional. O reconhecimento do sistema ATM brasileiro pela ICAO como referência mundial, aliado à participação da Atech no Locked Shields da OTAN, fortalece a imagem da Embraer como grupo aeroespacial de tecnologia de ponta, e não apenas fabricante de aeronaves. Em um setor onde credenciais técnicas e histórico operacional são determinantes para a conquista de novos contratos, essa reputação tem valor mensurável.

Atech em números e fatos

• Fundada em 1999; integrada ao Grupo Embraer em 2013

• Cerca de 550 funcionários

• Empresa Estratégica de Defesa (EED), certificada pelo Ministério da Defesa do Brasil

• Sistema ATM brasileiro reconhecido pela ICAO como referência mundial

• Presença internacional: América do Sul, Índia, Norte da África e África do Sul

• Escritório europeu inaugurado em Lisboa (2025), em cooperação com a Embraer Defense Europe

• Única empresa brasileira representada no exercício de ciberdefesa Locked Shields (OTAN/CCDCOE) em 2025

• Contrato com a ATNS (África do Sul) para modernização do ATFM no aeroporto O.R. Tambo (conclusão prevista no 3º trimestre de 2027)

25 maio, 2026

Brasil e EUA concluem primeiro teste balístico de munição de morteiro 120 mm de alcance estendido no Arizona

Parceria bilateral prevista no acordo PA-A-23-0001 avança com cerca de 40 disparos de protótipos no Campo de Provas de Yuma; segunda fase ocorrerá no Brasil até 2027, com foco na capacitação produtiva da IMBEL
 

 
*LRCA Defense Consulting - 25/05/2026

Uma comitiva do Sistema de Ciência, Tecnologia & Inovação do Exército Brasileiro (SCTIEx) realizou, no Campo de Provas de Yuma (Yuma Proving Ground, YPG), no estado do Arizona (EUA), o denominado "Teste Balístico #1" de uma munição de morteiro 120 mm de alcance estendido. A atividade é parte do Acordo de Projeto Bilateral PA-A-23-0001, identificado como 120mm Extended Range Mortar Ammunition (ERMA), firmado em 25 de setembro de 2023 durante o III Seminário do instrumento bilateral Brasil-EUA de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação (RDT&E), realizado na sede do US Southern Command (SOUTHCOM), em Miami.
 
O objetivo do ERMA é desenvolver tecnologias que viabilizem a produção de munições de morteiro 120 mm capazes de alcançar alvos a mais de 15 quilômetros de distância, com plena interoperabilidade entre os sistemas de armas das duas nações. O acordo foi firmado pelo General de Divisão Armando Morado Ferreira, pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro, e pela representante norte-americana Sandra Long, do escritório de contratos DASA DE&C.
 
Teste Balístico #1: propulsão e estabilização sob avaliação
Na primeira fase das avaliações, conduzidas no YPG, as equipes concentraram esforços na validação do sistema de propulsão principal da munição, examinando três dimensões técnicas: a ignição do cartucho propelente, a queima das cargas de propulsão e os mecanismos mecânicos de obturação e estabilização da granada durante a trajetória. Ao longo das campanhas de tiro, foram executados cerca de 40 disparos com unidades prototipais, equipadas com instrumentação para medir com precisão a pressão interna da câmara e a velocidade de boca (muzzle velocity).
 
Os dados obtidos em campo confirmaram os conceitos de projeto elaborados previamente em laboratório e fornecerão base técnica para os ajustes de engenharia nas etapas subsequentes do programa. A escolha do YPG como cenário para os testes não é circunstancial: trata-se do principal campo de provas do Exército norte-americano, referência mundial em avaliações de munições e sistemas de armas de médio e grande calibre, com infraestrutura dedicada à instrumentação balística de alta precisão.
 
Missão interagências: CTEx, CAEx e IMBEL ao lado do DEVCOM-AC
A delegação brasileira foi liderada pelo Chefe do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e integrou engenheiros e técnicos do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e da Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL). A contrapartida norte-americana foi coordenada pelo DEVCOM Armaments Center (DEVCOM-AC), sediado no Picatinny Arsenal, em New Jersey, principal centro de pesquisa e desenvolvimento de armamentos e munições do Exército dos EUA, e pelas equipes operacionais do próprio YPG.
 
A participação da IMBEL, estatal vinculada ao Ministério da Defesa, é estratégica para o projeto. Além de contribuir com expertise técnica nos testes, a empresa é a instituição designada para replicar, em território nacional, as capacidades produtivas que o programa pretende consolidar. O projeto envolve ainda o Instituto Militar de Engenharia (IME), a Diretoria de Fabricação (DF) e o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), além do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) como órgão supervisor.

 
Próximos passos: Teste Balístico #2 em solo brasileiro
O segundo grupo de atividades, denominado "Teste Balístico #2", está previsto para ocorrer em território nacional até o ano de 2027. Coordenado pelo CTEx e pelo CAEx, esse ciclo de avaliações terá como foco central a replicação das capacidades produtivas pela IMBEL, pavimentando o caminho para que o Brasil passe da fase de desenvolvimento para a de industrialização da munição ERMA.
 
O programa ERMA se insere em um contexto mais amplo de modernização do poder de fogo das forças terrestres brasileiras. O Morteiro Pesado 120 mm Raiado é um armamento já dotado nos Batalhões de Infantaria Blindados (BIB), nos Regimentos de Carros de Combate (RCC) e nas unidades de Cavalaria Blindada e Mecanizada. O alcance atual das munições convencionais para esse sistema fica aquém das capacidades buscadas por exércitos modernos para o fogo indireto em nível de batalhão; a munição de alcance estendido, com cobertura acima de 15 km, ampliaria significativamente o raio de ação tático dessas unidades.
 
O avanço registrado em Yuma representa mais um passo concreto na consolidação da parceria bilateral de pesquisa e desenvolvimento entre o Brasil e os Estados Unidos, formalizada no âmbito do instrumento RDT&E, e sinaliza o amadurecimento do SCTIEx como ator capaz de conduzir projetos de desenvolvimento de munições em cooperação com potências tecnológicas de primeira linha.
 

Acordo ERMA — dados principais

Acordo

PA-A-23-0001 (ERMA) — 25 set. 2023

Objetivo

Munição de morteiro 120 mm com alcance superior a 15 km

Teste Balístico #1

Campo de Provas de Yuma (YPG), Arizona — EUA

Disparos realizados

Cerca de 40 (unidades prototipais)

Parâmetros medidos

Pressão interna e velocidade de boca

Brasil (participantes)

CTEx, CAEx, IMBEL, IME, DF, AGR, DCT

EUA (participantes)

DEVCOM-AC (Picatinny Arsenal) e YPG

Teste Balístico #2

Território nacional — previsão até 2027

Foco da fase 2

Replicação das capacidades produtivas pela IMBEL

 

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